A CAMA CELESTIAL
Numa de suas mais poderosas e instigantes novelas, o grande contador de histrias
Irving Wallace volta o seu incomparvel alento para o mundo da terapia sexual. Com
forte
contedo extico,passional e repleto de suspense, A Cama Celestial explora
a maneira como as pessoas fazem e lidam com o amor na Amrica ps-revoluo
sexual.
O doutor Arnold Freeberg  um corajoso e pioneiro terapeuta
do sexo cuja dedicao aos pacientes e os princpios de sua pro-
fisso o impelem a contornar a lei e utilizar a mais eficaz das fer-
ramentas no combate s disfunes sexuais - o suplente, ou
parceiro sexual substituto. Embora as suplentes sejam profissio-
nais altamente treinadas e supervisionadas que orientam, demons-
tram e ensinam pessoas com baixa auto-estima sexual a desfrutar
a intimidade, de acordo com a lei em muitos Estados da Amrica
do Norte elas so consideradas prostitutas, e o seu uso como te-
rapeutas  rigorosamente proibido.
Expulso do Arizona por esse problema legal, o doutor Free-
berg abre urna nova clnica no sul da Califrnia com a ajuda de
sua suplente mais experiente, a jovem e bela Gayle Miller, e de
um suplente masculino, o atraente ator de cinema Paul Brandon.
Mas exatamente no local onde o doutor Freeberg esperava clini-
car em paz ele encontra poderosos adversrios - um ambicioso
promotor municipal, um evangelista vido de poder, um repr-
ter de um jornal sensacionalista e o namorado psictico e violen-
tamente ciumento de uma de suas pacientes mais problemticas.
Juntos, eles ameaam o trabalho de toda a sua vida, colocando-
o, e  sua equipe, sob processo por alcovitagem e prostituio.
Com o estilo narrativo absorvente e de ritmo rpido que o
tornou um dos escritores americanos mais lidos, Irving Wallace
conduz o leitor para o ambiente ntimo e fechado das salas de
terapia onde suplentes sexuais ensinam a seus pacientes exerc-
cios teraputicos destinados a trazer-lhes a plena realizao se-
xual. E com todo o cuidado e pesquisa que sempre caracterizaram
suas obras, mesmo que de fico, o leitor se ver atrado para
um mundo que, embora suscite controvrsias, tem como nico
objetivo ajudar as pessoas a se tornarem saudveis e, acima de
tudo, felizes.
O~ ~uniciPa/ ~F`
CL tN
OBRAS DO AUTOR
A CAMA CELESTIAL
O COMPL

A CONVIDADA DE HONRA

O DOCUMENTO R

O ELIXIR DA LONGA VIDA
        F-CLUBE
        HOMEM
A ILHA DAS TRS SEREIAS
        MILAGRE
        PREMIO
A SALA VIP
        STIMO SEGREDO
        TODO-PODEROSO
Ilt
WAlLACE
Traduo de
A.B. PINHEIRO DE LEMOS
3 EDIO
L
EDITORA RECORD
FAROL
Do
SABER

Ttulo original norte-americano
THE CELESTIAL BED
Copyright  1987 by Irving Wallace
Prefeitura IV;, _ic'pal de Curitiba
Secretaria Mu copal da Educao
FAROL DO SABER
N Registro .t9         I-;S..~~..G~.
Data        ..        .        L...,
Direitos de publicao exclusiva em lngua portuguesa no Brasil
adquiridos pela

DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIOS DE IMPRENSA S.A.

que se reserva a propriedade literria desta traduo
Em 1783, uma das atraes mais populares de Londres
era o Templo da Sade, uma promoo de um jovial es-
cocs, chamado dr. James Graham. Destacava-se nesse
templo o leito celestial, com um dossel, apoiado em 28
pilastras de vidro, e com a presena de uma deusa da sa-
de, nua e viva. Os visitantes masculinos eram convida-
dos a repousarem no leito celestial por cinqenta libras 
a noite, com a promessa de que o tratamento produziria 
a cura da impotncia.
MX3N CIP

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Ir        cr)
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FAAOL
DO
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Sistema Cameron da Diviso Grfica da
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I
Enquanto seguia em seu carro para casa, depois de se despe-
dir do ltimo visitante e trancar a clnica, o dr. Arnold Free-
berg concluiu que aquele fora um dos melhores dias - talvez 
mesmo o melhor dia - que desfrutara desde que se estabele-
cera em Tucson, Arizona, depois de deixar Nova York, seis 
anos antes.
Tudo por causa daquele ltimo visitante, Ben Hebble, o 
mais bem-sucedido banqueiro de Tucson, e seu anncio de um 
presente extraordinrio para ele. Freeberg recordou a essn-
cia da visita do corpulento banqueiro.
- Meu filho ficou curado graas a sua terapia sexual. 
Timothy era muito infeliz e ns dois sabamos disso. Tinha 
medo da companhia de garotas porque no conseguia ter uma 
ereo, at que seu psiquiatra encaminhou-o para o senhor. 
Fez um bom trabalho. Em apenas dois meses, conseguiu 
transform-lo. Depois disso, Timothy andou se divertindo por 
a durante algum tempo, at que se apaixonou por uma garo-
ta do Texas. Resolveram viver juntos e foi um sucesso to gran-
de que agora vo casar. Por sua causa, eu ainda espero ser 
av!
- Meus parabns! - exclamara Freeberg, recordando 
como ele e sua suplente sexual, Gayle Miller, haviam traba-
lhado com pacincia para conduzir o filho do banqueiro, que 
sofria de uma disfuno,  adequao sexual.
7

- No, dr. Freeberg, voc  que merece os parabns! - 
protestara Hebble. - E estou aqui para lhe agradecer de uma 
maneira prtica. Vim lhe comunicar que estou criando uma 
fundao para complementar sua clnica, uma fundao que 
permitir ao senhor e sua equipe ajudarem a curar pacientes 
com disfuno que no tiverem condies de contratar seus 
servios. Quero lhe garantir cem mil dlares por ano com es-
sa finalidade, durante dez anos. So um milho de dlares para 
lhe proporcionar a oportunidade de ampliar seu trabalho e aju-
dar a outras infelizes vtimas da impotncia.
Freeberg recordou que se sentira atordoado.
- Eu... no sei o que dizer. Estou muito confuso.
- S tem urna condio - acrescentara Hebble, em tom 
incisivo. - Quero que a fundao seja em Tucson, com todo 
o seu trabalho realizado aqui. Esta cidade tem sido boa para 
mim, e lhe devo alguma coisa. O que me responde?
- No h problema. Absolutamente nenhum. Est sen-
do muito generoso, sr. Hebble.
Freeberg despedira-se do seu benfeitor ainda atordoado.
Agora, chegando em casa, abrindo a porta, ele cantaro-
lava para si mesmo, quando deparou com a esposa rechon-
chuda, Miriam,  sua espera no vestbulo.
Ele beijou-a, na maior alegria. Antes que pudesse falar 
qualquer coisa, no entanto, ela sussurrou-lhe:
- Arnie, tem algum  sua espera na sala de estar. O 
promotor municipal, Thomas O'Neil.
- Ele pode esperar um minuto - disse Freeberg, enla-
ando a esposa.
Freeberg e O'Neil eram amigos casuais, participando jun-
tos de diversos comits no levantamento de recursos para obras 
de caridade locais.
- Provavelmente veio conversar sobre algum trabalho 
comunitrio. Agora escute o que acaba de acontecer na clnica.
Rapidamente, ele relatou a oferta de Hebble. Miriam fi-
cou no maior excitamento, abraou o marido e beijou-o v-
rias vezes.
- Isso  maravilhoso, Arnie! Agora voc pode realizar 
seus sonhos!
- E mais alguma coisa!
Pegando o marido pelo brao, ela levou-o para a sala de 
estar.
-  melhor voc descobrir logo o que o sr. O'Neil est 
querendo. Ele chegou h dez minutos. No deve deix-lo es-
perar por muito tempo.
Freeberg entrou na sala, cumprimentou o promotor e sen-
tou  sua frente. Ficou surpreso ao perceber que O'Neil pare-
cia constrangido.
- Detesto incomod-lo na hora do jantar, Arnold, mas 
tenho vrios compromissos esta noite e achei que deveria lhe 
falar o mais depressa possvel sobre... sobre um problema ur-
gente.
Freeberg ficou ainda mais desconcertado. No parecia a 
conversa habitual sobre levantamento de recursos para obras 
de caridade.
- O que aconteceu, Tom?
-  sobre o seu trabalho, Arnold.
- O que h com meu trabalho?
- Bom... fui oficialmente informado por... por diver-
sos outros terapeutas que voc usa uma suplente sexual para 
curar pacientes. Isso  verdade?
Freeberg contorceu-se na cadeira, apreensivo.
- Ahn... , sim,  verdade. Descobri que  a nica coi-
sa que funciona com muitos pacientes que sofrem de disfuno.
O'Neil sacudiu a cabea.
-  ilegal no Arizona, Arnold.
- Sei disso, mas pensei que poderia fazer tudo com dis-
crio, conseguindo curar os pacientes em estado mais drstico.
O'Neil permaneceu intransigente.
-  ilegal, Tom. Significa que voc est agindo como 
proxeneta e a mulher que usa  uma prostituta. Eu bem que 
gostaria de fechar os olhos ao que est fazendo, pois somos 
amigos. Mas no posso. A presso  cada vez maior. No posso 
continuar a ignorar. - Ele empertigou-se e deu a impresso 
de que pronunciou as palavras seguintes com o maior esfor-
o. - O resultado final  que voc perde o seu emprego ou 
eu perco o meu. O problema tem de ser resolvido o mais rpi-
do possvel e rigorosamente nos termos da lei. Quero lhe di-
zer o que deve fazer.  a melhor proposta que posso apresentar,
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9

Arnold. Est disposto a escut-la?
Muito plido, o dr. Arnold Freeberg acenou com a cabe-
a e escutou...

Mais tarde, depois que O'Neil foi embora, Freeberg manteve-se 
em silncio durante o jantar, comendo devagar, sem ter a me-
nor idia do que punha na boca, absorto em seus pensamen-
tos. Estava consciente e grato porque Miriam distraa o filho 
de quatro anos, Jonny, enquanto ele procurava se recuperar 
do golpe e avaliar as conseqncias.
Freeberg trabalhara bastante e por um longo tempo, en-
frentando uma oposio constante, at alcanar o sucesso em 
Tucson e receber a magnfica oferta de Hebble. E agora, abrup-
tamente, o edifcio do sucesso desmoronava e se transforma-
va em p.
Ele recordou o incio. Acontecera logo depois que se for-
mara na Universidade de Columbia, em Nova York, como psi-
clogo. Abrira um consultrio e os resultados no haviam sido 
satisfatrios. A maioria dos casos envolvia relacionamentos 
humanos ntimos, quase sempre com problemas sexuais; por 
muitos motivos, o tratamento psicolgico no funcionara de 
maneira eficaz, pelo menos no para ele. Os pacientes che-
gavam e partiam, talvez deixando-o com uma compreenso 
maior de seus problemas, mas com pouco aproveitamento em 
termos de solues prticas.
Mais e mais, Freeberg comeara a investigar outras for-
mas de terapia sexual, passando da hipnose a condicionamento 
positivo e esforos de grupos. Nada o impressionara bastan-
te, at que assistira a uma srie de conferncias em que um 
certo dr. Lauterbach demonstrara o uso das suplentes sexuais 
na terapia. O mtodo e os resultados favorveis atraram Free-
berg de imediato.
Depois de um estudo profundo, Freeberg passara a en-
dossar incondicionalmente a idia de usar suplentes sexuais. 
Numa das conferncias conhecera uma jovem exuberante e fas-
cinante chamada Miriam Cohen, uma bem-sucedida compra-
dora de uma loja de departamentos, que estava  procura de 
respostas para seus prprios problemas e fora uma das pou-
cas mulheres na sala a concordar com ele sobre o valor da su-
plente sexual na terapia. No demorara muito para que Free-
berg descobrisse que tinha vrias coisas em comum com Mi-
riam. Comearam a sair juntos e acabaram casando.
Ele continuara a trabalhar como psiclogo, planejando 
agora utilizar suplentes sexuais sempre que necessrio, ansio-
so em aplicar esse novo e promissor tratamento.
Miriam cara doente, sofrendo uma reduo da capaci-
dade pulmonar; o diagnstico fora de bronquite aguda. O m-
dico de Miriam, apoiado por um especialista, aconselhara uma 
mudana imediata para o Arizona. Freeberg no hesitara em 
encerrar suas atividades em Nova York e ir se instalar em Tuc-
son. Miriam ficara muito bem com a mudana. O que j no 
acontecera com Freeberg. O uso de suplentes sexuais era ri-
gorosamente proibido no Arizona.
Freeberg abrira seu consultrio. Mas o tratamento con-
vencional como um psiclogo demonstrara mais uma vez no 
ser eficaz com pacientes que sofriam de graves disfunes se-
xuais. Desesperado, Freeberg resolvera arriscar. Sem divulgar, 
treinara e contratara uma suplente sexual, passando a us-la 
com toda discrio. Quando cinco em cinco pacientes com dis-
funes sexuais ficaram plenamente curados, ele experimen-
tara uma autntica satisfao profissional.
E agora, abruptamente, naquela noite, os meios de que 
dispunha para ajudar tais pacientes lhe eram tirados. A lei o 
deixava algemado, impotente.
Parecia no haver alternativa que no voltar a ser um te-
rapeuta da palavra, limitado e muitas vezes ineficaz. Podia 
continuar a ganhar a vida em Tucson. Mas no podia mais 
curar.
Era um absurdo, mas no havia opo.
De repente, ocorreu-lhe que estava enganado, talvez hou-
vesse uma sada, no final das contas.
Antes de mais nada, precisaria dar dois telefonemas. E 
torcer para que a sorte estivesse do seu lado.
Freeberg levantou os olhos do prato pela metade e em-
purrou a cadeira para trs.
- Miriam... Jonny... vocs dois podem se distrair um 
pouco vendo televiso... acho que vai ter um programa espe-
cial de circo... enquanto vou para a biblioteca e dou dois tele-
lo
11

fonemas muito importantes. Virei me encontrar com vocs da-
qui a pouco.

Fechando a porta da biblioteca, ele sentou-se e pegou o tele-
fone. Ligou primeiro para o mdico de sua esposa em Tuc-
son. Tinha uma pergunta a fazer-lhe. Ficou esperando pela 
resposta.
Depois, Freeberg ligou para seu velho amigo e antigo co-
lega de quarto na Universidade de Columbia, Roger Kile, que 
era agora advogado em Los Angeles, California.
Freeberg esperava que Kile estivesse em casa. Estava. De-
pois de uma rpida troca de cortesias, ele foi direto ao assun-
to, dizendo, sem conseguir disfarar o tom de urgncia em 
sua voz:
- Estou numa encrenca, Roger. Uma situao realmente 
crtica. Eles querem me expulsar da cidade.
- Mas que histria  esta? - murmurou Kile, confuso. 
- Eles... quem so eles? A polcia?
- Sim e no. Para ser mais exato, no.  o promotor 
municipal e sua equipe. Esto querendo me impedir de exer-
cer minhas atividades profissionais.
- Mas que loucura! Por qu? Voc fez alguma coisa er-
rada? H algum crime envolvido?
- Bom... - Freeberg hesitou. - Na opinio deles,  bem 
possvel. - Ele tornou a hesitar e depois acrescentou, num 
arranco: - Roger, estou usando uma suplente sexual.
- Uma suplente sexual?
- No se lembra? Eu lhe expliquei certa ocasio. 
Kile estava obviamente aturdido.
- No estou lembrando...
Freeberg fez um esforo para conter sua impacincia.
- Voc sabe o que  uma suplente. Uma pessoa desig-
nada ou contratada para agir no lugar de outra. Uma substi-
tuta. Uma suplente  uma substituta. - Uma pausa e ele 
acrescentou, mais enftico: - Uma suplente sexual  uma par-
ceira sexual substituta geralmente para um homem sozinho, 
que no tem uma esposa ou uma namorada cooperativa, um 
homem que est sofrendo uma disfuno sexual, tem um pro-
blema sexual... e por isso ele usa uma parceira sexual para
ajud-lo, uma mulher supervisionada por um terapeuta sexual. 
A equipe de Masters e Johnson iniciou esse tipo de tratamen-
to, em St. Louis, em 1958...
- Estou lembrando agora - interrompeu-o Kile. - J 
li algo a respeito. Recordo tambm que voc estava pensando 
em usar suplentes sexuais em Tucson. O que h de errado 
nisso?
- Para comear, Roger,  contra a lei. O uso de suplen-
tes  admitido em Nova York, Illinois, California e uns pou-
cos outros estados, mas  ilegal no resto do pas. Inclusive no 
Arizona. As suplentes sexuais so consideradas prostitutas.
- Estou entendendo - murmurou Kile. - E voc as 
usou?
- Apenas uma, Roger... usei apenas uma. Mas, ao que 
parece, uma j  demais. Deixe-me explicar. - Freeberg pa-
recia ter recuperado algum controle sobre a voz. - J falei 
que  ilegal aqui. Por isso, comecei a operar em segredo, com 
toda discrio. No havia outro jeito, Roger. A terapia da pa-
lavra no funciona em determinados casos, os piores, como 
impotncia, s vezes at na ejaculao precoce.  essencial usar 
uma parceira bem treinada para ensinar, demonstrar, orien-
tar. Encontrei uma pessoa assim, uma jovem extraordinria. 
Usei-a em cinco casos muito difceis. Todos os cinco pacien-
tes ficaram curados. Cem por cento de curas. Mas, no sei 
como, a notcia espalhou-se... os terapeutas por aqui so muito 
conservadores ou mesmo invejosos... talvez tenham ficado res-
sentidos com o meu sucesso. Seja como for, a histria chegou 
ao conhecimento do promotor municipal, e ele veio  minha 
casa, deve ter sado daqui h cerca de uma hora. Ele disse que 
eu estava agindo como proxeneta e usando uma prostituta, 
o que era contra a lei. Em vez de me prender e me levar a jul-
gamento, ele ofereceu uma alternativa. Para no perder tem-
po e dinheiro com um processo, aconselhou-me a suspender 
a operao com a suplente sexual. E me deixaria continuar 
a clinicar como um terapeuta comum.
- E voc vai aceitar?
- No posso, Roger. No poderia ajudar certos pacientes 
que me procuram sem o auxlio de uma suplente. Pense no 
que aconteceu com Masters e Johnson quando foram obriga-
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dos a desistir do uso de suplentes sexuais em 1970. At ento, 
usando suplentes, eles tinham um ndice de sucesso de 75Q1o. 
Depois que renunciaram ao uso das suplentes, o ndice de cu-
ras caiu para 25%. No posso permitir que isso acontea. Se
 fizesse, no deveria estar nesta profisso. E quero perma-
necer em minha profisso. No  uma simples questo de ga-
nhar a vida.  muito mais.  ajudar pessoas deficientes sexuais 
a se tornarem saudveis e viris. No estou querendo parecer
 bom samaritano, mas  justamente isto. E  este o motivo 
pelo qual, por mais que deteste incomod-lo, resolvi telefo-
nar para voc esta noite.
- Fico contente que tenha me procurado, Arnie. Mas
        que eu poderia fazer por voc a em Tucson?
- Pode me tirar daqui. Lembrei de uma coisa que voc 
me informou, quando eu estava de partida para o Arizona. 
Perguntou por que eu no ia para o sul da California. Disse 
que era uma terra em que havia mais liberdade individual do 
que qualquer outra. E acrescentou que ouvira comentrios de 
que vrios terapeutas de Los Angeles e San Francisco usavam 
suplentes sexuais.
- Eu falei tudo isso?  bem possvel. Seja como for,  
tudo verdade.
- S resisti porque o mdico de Miriam em Nova York 
foi intransigente ao proclamar que o Arizona era o melhor lu-
gar para seu problema de bronquite. Isso aconteceu h cinco 
anos. Agora, o mdico de Miriam aqui em Tucson... acabei 
de telefonar para ele... acha que ela est muito melhor e no 
teria problemas se vivesse no sul da California.
- Est querendo dizer que pensa em se mudar para c?
- Isto mesmo, Roger. No h outro jeito. - Freeberg 
engoliu em seco. - Roger, a California  um territrio des-
conhecido para mim. Preciso de sua ajuda. Voc  agora um 
californiano. Conhece tudo por a. Poderia me prestar uma 
enorme ajuda, se no for pedir demais.
-  pedir muito pouco. Sabe muito bem que farei qual-
quer coisa que puder por voc, Arnie.
- No sou rico. Investi tudo o que tinha na clnica aqui. 
No ser grande problema, basta contratar um corretor para 
oferec-la no mercado.  uma propriedade valiosa. Tenho cer-
teza de que poderia vende-la rpido e conseguir dinheiro sufi-
ciente para instalar outra clnica no sul da California. - Free-
berg tornou a engolir em seco, nervosamente. - Mas preciso 
de sua ajuda. E pagarei por seu tempo,  claro.
- Pare com isto, Arnie - protestou Kile, simulando con-
trariedade. -  uma questo de amizade. Afinal, para que 
servem os amigos? Vamos fazer uma coisa. Se algum dia eu 
me descobrir numa situao crtica... no conseguir levantar, 
por exemplo... voc pode retribuir com seus servios e me em-
prestando uma de suas suplentes sexuais. Negcio fechado. 
O que voc quer que eu faa?
- Preciso que me arrume um bom lugar em Los Ange-
les ou arredores. Um prdio que eu tenha condies de com-
prar e possa reformar para servir como uma clnica. Eu lhe 
mandarei todos os detalhes amanh, junto com fotografias 
do prdio de dois andares que estou ocupando agora. E tam-
bm informarei, em nmeros redondos, quanto posso pagar.
- No precisa se preocupar mais. Comearei a fazer al-
gumas indagaes imediatamente. E assim que tiver suas es-
pecificaes e limitaes... ter de me dar duas semanas depois 
disso, Arnie. Telefonarei logo que descobrir alguma coisa pa-
ra voc ver. At l, d minhas lembranas a Miriam e diga 
a Jonny que estou ansioso em conhec-lo. Ser um prazer rev-
lo, Arnie.
Freeberg hesitava em desligar.
- Tem certeza que serei bem recebido a, Roger? Com 
as suplentes sexuais e tudo o mais?
- No se preocupe com isso. Posso verificar no cdigo 
penal, mas tenho certeza absoluta de que no  contra a lei. 
Esta  a terra da liberdade, Arnie. Isso posso garantir. E ago-
ra vamos comear a providenciar tudo.

Tudo deu certo. Tudo correu sem contratempos. No houve 
qualquer dificuldade.
Agora, quatro meses depois, o dr. Arnold Freeberg po-
dia sentar confortavelmente em sua cadeira giratria de en-
costo alto, estofada em couro, por trs da escrivaninha de 
carvalho, coberta por um feltro preto, escutando os sons aba-
fados das marteladas l embaixo. Os operrios estavam pon-
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do no lugar a placa azul e branca que anunciava, em letras 
de frma: CLNICA FREEBERG. A placa ficaria por cima de 
duas portas de vidro que davam para a recepo.
Tambm naquele dia, no incio da tarde, Freeberg esta-
ria dando instrues a cinco novos suplentes sexuais que sele-
cionara para os seis que iria usar. Gostaria que a sexta pessoa, 
a mais experiente, a que empregara em Tucson, pudesse estar 
ali. Gayle Miller concordara em acompanh-lo na mudana 
para a California, mas s poderia vir dentro de algumas se-
manas, assim que se formasse na Universidade do Arizona. 
Ela pretendia fazer ps-graduao na Universidade da Cali-
fornia em Los Angeles, tirando o mestrado e o doutorado em 
psicologia. A vinda iminente de Gayle Miller proporcionava 
maior confiana a Freeberg. Tinha certeza de que os novos 
suplentes sexuais seriam competentes, mas Gayle era muito 
valiosa, jovem, bonita, atraente, sria e experiente. Atuara co-
mo suplente sexual em todos os cinco casos bem-sucedidos que 
ele tratara em Tucson e fora irrepreensvel. Todos os homens 
problemticos haviam recebido alta para terem vidas sexuais 
normais.
Reunindo distraidamente suas anotaes, que escrevera 
nos ltimos dias para no esquecer os pontos que queria des-
tacar nas primeiras instrues para os novos suplentes sexuais, 
Freeberg correu os olhos pelas paredes de sua sala espaosa. 
Ainda se podia sentir o cheiro forte da tinta fresca nas pare-
des. Os lambris de carvalho eram envernizados. Nas paredes, 
em molduras de esteira creme, estava pendurada a impressiva 
panplia de dolos de Freeberg: Sigmund Freud, R.V. Krafft-
Ebing, Havelock Ellis, Theodor H. van de Velde, Marie Sto-
pes, Alfred Kinsey, William Masters e Virginia Johnson.
Na parede mais prxima havia um espelho ornamentado 
e o dr. Arnold Freeberg contemplou seu reflexo. Timidamen-
te, ele se examinou - cabelos pretos abundantes, um tanto 
desgrenhados, culos de aros grossos sobre olhos pequenos 
e mopes, nariz adunco, bigode escuro e cheio, barba apara-
da emoldurando os lbios cheios. Por um instante, na presena 
de seus antecessores, sentiu-se embaraado. No estava  al-
tura deles. Ainda no, ainda no. Mas um dia, muito em bre-
ve, talvez... Ele acreditava e tentaria.
Seus olhos se deslocaram para a fotografia recente, em
moldura de prata, num canto da mesa. A esposa, Miriam,
atraente em seus trinta e poucos anos, o filho risonho, Jonny,
uma fonte de alegria. Freeberg pensou em sua idade, j se apro-
ximando dos cinqenta anos, um pouco tarde para o primei-
ro filho... mas nem tanto assim.
Sacudindo a cabea, ele pegou as anotaes e tentou se 
concentrar no que escrevera. Reviu tudo depressa, depois lar-
gou os papis. J sabia tudo de cor e no precisaria consultar 
as anotaes quando falasse aos novos suplentes sexuais.
Tinha ainda 15 minutos de espera antes que os cinco apa-
recessem. Quase como um relaxamento, ps-se a reconstituir 
os acontecimentos dos ltimos quatro meses, que o haviam 
levado queles momentos. Reviveu esses quatro meses no pre-
sente.
Duas semanas depois do telefonema inicial de Freeberg, 
Roger Kile conclura suas investigaes em Los Angeles, en-
contrando o local ideal. S que no exatamente em Los An-
geles. Kile fora informado de que em Los Angeles j havia 
muitos terapeutas sexuais, e os lugares mais apropriados es-
tavam sendo vendidos a preos exorbitantes. Mas seguindo os 
conselhos de especialistas - Kile sempre fora um investiga-
dor esperto, mesmo na faculdade de direito, em Columbia, 
com um conhecimento e interesses amplos, embora fosse um 
advogado fiscal - encontrara a comunidade em que o amigo 
poderia prosperar, a uma hora de carro de Los Angeles, ao 
norte.
O lugar chamava-se Hilisdale, uma cidade em expanso, 
junto  estrada litornea, perto do oceano Pacfico, com 360 
mil habitantes. Havia muitos psiquiatras e psiclogos, mas ain-
da nenhum terapeuta sexual. Contatos bem informados ga-
rantiram a Roger Kile que uma clnica instalada por um 
terapeuta sexual respeitvel em Hillsdale, com uma equipe de 
suplentes sexuais bem treinados e profissionais, haveria de pros-
perar. Em Hillsdale, Kile fora informado por diversos mdi-
cos, havia muitas pessoas perturbadas, com disfunes sexuais.
Kile procurara dois corretores bem recomendados, que 
logo o levaram a quatro prdios de escritrios pequenos, que 
Pareciam ser boas possibilidades. Freeberg reconhecera o pr-
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dio perfeito imediatamente, com dois andares, vazio, desocu-
pado pouco antes por uma cadeia de lojas de roupas, no meio 
da Market Avenue, perto da Main Street. Tudo fora se ajus-
tando rapidamente. Freeberg contratara um jovem e excelen-
te arquiteto para reformar o prdio nas linhas de sua clnica 
em Tucson. Depois, Freeberg voltara de avio a Tucson para 
liquidar a antiga clnica. Miriam cuidara da venda da casa de 
adobe, em estilo de rancho, conseguindo um preo igual ao 
que haviam pago.
Foram a Hillsdale quatro vezes no perodo subseqente. 
Enquanto Freeberg supervisionava a reforma do prdio da cl-
nica, Miriam procurava uma nova casa. Encontrara uma re-
sidncia maravilhosa, de um s andar, a cerca de cinco 
quilmetros da nova clnica do marido.
Freeberg comeara a recrutar o pessoal necessrio para 
a clnica. Por intermdio de um mdico que tinha um consul-
trio prximo, dr. Stan Lopez, um clnico geral que lhe mere-
cera o maior respeito, Freeberg contratara Suzy Edwards para 
sua secretria pessoal. Lopez vinha usando Suzy como uma 
segunda secretria em meio expediente e sabia que ela estava 
querendo um emprego em horrio integral. Freeberg entrevis-
tara Suzy, uma ruiva sria e interessada, com cerca de trinta 
anos. Ela se mostrara ansiosa pelo emprego, e Freeberg j fo-
ra informado de que era uma pessoa de confiana. Depois, 
ele contratara Norah Ames como enfermeira e Tess Wilbur 
como recepcionista.
Em seguida, Freeberg enviara cartas pessoais a todos os 
mdicos e psiclogos da regio que conhecera em convenes 
e seminrios, comunicando a abertura da Clnica Freeberg, 
em Hillsdale, California, oferecendo tratamento intensivo e 
o uso de suplentes sexuais femininos e masculinos, quando hou-
vesse necessidade. Enquanto aguardava respostas, Freeberg ini-
ciara a busca de suplentes sexuais. A fim de encontrar 
candidatos, escrevera cartas pessoais para psicanalistas em 
Hillsdale e terapeutas sexuais em Los Angeles, Santa Barba-
ra, San Francisco, Chicago e Nova York. Em poucas sema-
nas recebera 23 solicitaes de pessoas que desejavam ser 
suplentes sexuais. Enquanto isso, recolhera informaes so-
bre pacientes que precisavam desesperadamente daquele tipo
de terapia. Com base nessas informaes, conclura que pre-
cisaria de cinco suplentes sexuais, quatro mulheres e um ho-
mem, alm dos servios de Gayle Miller, que em breve deixaria 
Tucson e viria para Hillsdale.
 medida que as candidatas a suplente se apresentavam, 
Freeberg examinava-as, entrevistando cada uma pessoalmen-
te. Muitas entrevistas foram bem curtas, porque as candida-
tas no tinham condies. Se alguma alegava, como sua 
motivao, a idia de que o trabalho seria interessante, era 
no mesmo instante eliminada. A perspectiva de um trabalho 
interessante no bastava, no era motivao suficiente. Se al-
guma demonstrava a menor preocupao por ser uma candi-
data ou qualquer hesitao, tambm era cortada.
As entrevistas mais longas se deram com as candidatas 
que estavam bem motivadas. Umas eram divorciadas sem fi-
lhos em casa e que tiveram maridos sexualmente inadequados. 
Outras que tiveram problemas com amantes que sofriam de 
disfunes sexuais. E tambm mulheres que haviam testemu-
nhado problemas sexuais com os pais, irmos ou outros pa-
rentes. Todas elas, independente de suas vocaes anteriores, 
estavam unidas no desejo comum de ajudar homens deficien-
tes sexuais a se tornarem normais.
Em suas entrevistas, Freeberg sempre se lembrava de um 
comentrio de um colega:
- Uma boa suplente  sensvel, compassiva e emocio-
nalmente madura.
Uma suplente qualificada devia se sentir  vontade com 
o prprio corpo e com sua sexualidade. Cada candidata que 
Freeberg considerara como uma possibilidade devia ter tido, 
se no momento estava sozinha, um relacionamento sexual nor-
mal, tinha de saber que era sexualmente sensvel e precisava 
confiar na prpria feminilidade. Acima de tudo, devia sentir 
um desejo intenso de ajudar os homens sexualmente incapa-
citados.
Ao final, Freeberg selecionara quatro candidatas a suplen-
tes sexuais femininas altamente promissoras - Lila Van Pat-
ten, Elaine Oakes, Beth Brant e Janet Schneider. Depois de 
treinadas, formariam uma equipe perfeita para trabalhar com 
Gayle Miller, que chegaria em breve.
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Freeberg s precisara de um suplente sexual masculino. 
No havia uma demanda de suplentes masculinos para traba-
lhar com mulheres que tinham disfunes. Freeberg descobrira 
que um suplente masculino no se ajustava ao sistema de va-
lores da maioria das mulheres. Era o absurdo antigo que ain-
da perdurava em plena dcada de 1980: se um homem tinha 
vrias mulheres, no havia qualquer problema, ele era um ga-
ranho. Se uma mulher tinha sexo fortuito com vrios homens, 
era uma tola e volvel. De um modo geral, o sexo com um 
estranho, neste caso um suplente masculino, era inadmissvel 
pelos padres sociais americanos. As mulheres - muito mais 
do que os homens - precisavam de tempo para desenvolver 
um relacionamento satisfatrio. Mas ali era a California, os 
tempos estavam mudando, embora apenas um pouco. Free-
berg podia prever que de vez em quando teria uma mulher co-
mo paciente e precisaria pelo menos de um suplente sexual 
masculino. Em suas entrevistas apenas um candidato sobres-
sara. Era um jovem do Oregon, experiente, interessado em 
seu crescimento pessoal, ponderado, afetuoso, com o desejo 
sincero de ajudar mulheres perturbadas e sofredoras a se tor-
narem normais e se ajustarem  vida. Seu nome era Paul Bran-
don. Entre os vrios candidatos masculinos, Brandon fora o 
nico que Freeberg selecionara para treinamento. A porta de 
sua sala foi aberta, e Freeberg despertou de seu devaneio.
- Todos esto aqui, dr. Freeberg - comunicou sua se-
cretria pessoal, a ruiva Suzy Edwards. - Foram para a sala 
de assuntos gerais e aguardam sua presena.
Freeberg sorriu e levantou toda a sua corpulncia.
- Obrigado, Suzy. Est na hora da cortina levantar.

O dr. Arnold Freeberg desligou a msica, deixou sua sala e 
encaminhou-se apressado para a sala de assuntos gerais, gran-
de, parecendo uma sala de estar pouco mobiliada. Havia col-
ches espalhados pelo cho, e na parede do outro lado estava 
o sof, de frente para os suplentes, com idades variando de 
28 a 42 anos. Estavam sentados num semicrculo, em cadei-
ras dobrveis.
Freeberg acenou com a cabea, sorrindo, satisfeito por 
constatar que todos estavam vestidos de maneira impecvel
e alertas. Sabia que se sentiam  vontade - sua enfermeira, 
Norah, j os apresentara - mas havia expresses de expecta-
tiva em seus rostos.
Freeberg sentou no sof, recostou-se, cruzou as pernas, 
e disse, como se lesse uma lista de chamada:
- Janet Schneider, Paul Brandon, Lila Van Patten, Beth 
Brant, Elaine Oakes... estou muito satisfeito por t-los aqui. 
Sejam bem-vindos  Clnica Freeberg.  com prazer que lhes 
comunico que esto todos, sem exceo, altamente qualifica-
dos para se tornarem valiosos e teis suplentes sexuais.
Ele registrou a satisfao imediata e unnime pelo comen-
trio, enquanto continuava a falar:
- Vou expor hoje como ser o programa de treinamen-
to, que comear nesta sala amanh de manh, s nove ho-
ras. Ser realizado inteiramente sob a minha superviso, cinco 
dias por semana, durante seis semanas. S nos estgios finais 
 que trarei pessoas de fora. Quando chegarmos ao contato 
pnis-vagina, precisarei da assistncia de quatro homens e uma 
mulher, recomendados pela Associao Internacional de Su-
plentes Sexuais Profissionais, com sede em Los Angeles. Se-
ro antigos pacientes... ou clientes, como alguns dizem hoje 
em dia... que j sofreram problemas sexuais, passaram por 
cursos completos com terapeutas respeitveis e suplentes ex-
perientes, e foram declarados curados e aptos a cuidar de suas 
prprias vidas ntimas.
"Agora, farei um relato sobre o perodo de treinamento 
que tero pela frente, a fim de que saibam o que esperar. Ser 
um monlogo. Falarei sem qualquer pausa. Se tiverem per-
guntas, prefiro que guardem para o final, depois que eu ter-
minar. Claro que vou resumir todo o processo, falando apenas 
dos pontos principais, j que tomaro conhecimento de tudo 
durante o perodo de treinamento. No precisam se preocu-
par com as perguntas que por acaso no puderem me fazer 
hoje. Podero faze-las enquanto trabalhamos, a partir de ama-
nh. Mais uma coisa...
Ele fez uma pausa, olhando para Paul Brandon.
- ...Sr. Brandon, como teremos uma maioria de homens 
entre os pacientes em terapia, falarei sobre as atividades das 
suplentes femininas que trabalharo com eles. Mas quase to-
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dos os procedimentos que vou descrever tambm se aplicaro 
a voc, como um suplente masculino trabalhando com mu-
lheres. Poderemos mais tarde, em particular, conversar sobre 
as excees que vai aplicar em seu tratamento das pacientes 
precisando de ajuda.
Enfiando a mo no bolso e tirando a caixa de cigarrilhas, 
Freeberg acrescentou:
- No fao objees se algum quiser fumar, desde que 
os outros no se importem, mascar chicletes ou chupar uma 
bala.
Acendendo uma cigarrilha, ele observou Brandon tirar 
do bolso do palet um velho cachimbo de urze e uma bolsa 
de fumo, enquanto Lila Van Patten abria a bolsa e apanhava 
um mao de cigarros.
- Vamos comear com as noes bsicas - continuou 
Freeber. - Por que vocs foram selecionados para parceiros 
ou suplentes sexuais? No foram selecionados por causa da 
boa aparncia, atributos fsicos ou atrao sexual. Escolhi-os 
por qualidades globais muito mais importantes... porque vi 
em cada um de vocs as qualidades de conhecimento, com-
paixo, afeto e preocupao sincera por outras pessoas que 
no so to saudveis. Todos tm em comum uma compreen-
so da importncia de dar, receber, acariciar e se importar, 
assim como o desejo de partilhar o que possuem.
"Iniciaremos por Masters e Johnson, os verdadeiros pio-
neiros no uso de suplentes sexuais. William Masters era de 
Ohio, estudou medicina na Universidade de Rochester e mais 
tarde iniciou um programa de pesquisa do funcionamento se-
xual na Faculdade de Medicina da Universidade de Washing-
ton. Dois anos depois, compreendendo que precisava de uma 
mulher como associada, Masters contratou Virginia Johnson. 
Ela vinha da rea rural do Missouri, divorciada e me. Fizera 
alguns cursos de psicologia, mas no tinha diploma universi-
trio. Os dois formam uma equipe de pesquisa perfeita e, co-
mo certamente j sabem, acabaram casando.
"Como Masters e Johnson no demoraram a constatar, 
a introviso ou terapia de fala... livre associao, perguntas 
e respostas... no proporcionava ajuda suficiente para os pa-
cientes mais desesperados. O que seus pacientes masculinos
precisavam, Masters e Johnson compreenderam, era de 'al-
gum em quem se segurar, conversar, trabalhar, participar e, 
acima de tudo, dar e receber, durante a fase aguda da terapia 
do paciente com disfuno sexual'. Creio que foi assim que 
nasceu a idia de suplente sexual, em 1957. Havia homens com 
graves problemas sexuais que no contavam com parceiras fe-
mininas cooperativas, esposas ou no, para acompanh-los na 
terapia, enquanto outros no tinham nenhuma mulher fixa. 
Esses homens deveriam ser penalizados por no terem parcei-
ras sexuais dispostas a ajud-los na terapia? `Esses homens 
so incapacitados sociais', Masters costumava dizer. `Se no 
forem tratados,  discriminao de um segmento da socieda-
de contra outro.' Para trat-los, Masters e Johnson comea-
ram a treinar parceiras, suplentes sexuais, que trabalhariam 
com eles, sob a orientao dos dois terapeutas.
"E o novo tratamento apresentou excelentes resultados. 
Em 11 anos, Masters e Johnson usaram suplentes sexuais pa-
ra trabalhar com 41 homens. Desses, 32 resolveram seus pro-
blemas sexuais, superaram-nos por completo, atravs do uso 
de suplentes sexuais.  um registro impressivo e posso afian-
ar os meios usados, porque em minhas atividades anteriores, 
em outra cidade, tive uma excelente suplente sexual que tra-
balhou com cinco pacientes seriamente incapacitados e sexual-
mente inadequados... e em todos os casos os sintomas e 
deficincias foram invertidos e curados.
"Em 1970, como vocs talvez tenham lido, Masters e John-
son renunciaram inteiramente ao uso de suplentes sexuais. 
Comentou-se que uma das suplentes era casada, um fato que 
eles ignoravam, e o marido processou Masters e Johnson por 
alienao de afeio. Ao invs de se submeterem a julgamento 
e proporcionarem material de escndalo para os meios de co-
municao, Masters e Johnson fizeram um acordo legal fora 
do tribunal. Depois disso, simplesmente renunciaram ao uso de 
suplentes. Espero que isso no acontea comigo. Pelo que pu-
de descobrir sobre vocs, trs so divorciadas, mas no h ne-
nhuma casada no momento. A outra coisa que desencantou 
Masters e Johnson foi a descoberta de que muitas suplentes no 
se limitavam a trabalhar em suas funes, mas tentavam ser tam-
bm terapeutas. Claro que isso  uma coisa que nunca permitirei.
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"Seja como for, creio que vocs j sabem que a inade-
quao sexual  a maior causa de divrcios nos Estados Uni-
dos. William Masters descobriu h alguns anos que dos 45 
milhes de casais legalmente casados neste pas a metade ti-
nha incompatibilidade sexual. Os dados podem variar um pou-
co hoje, mas ns sabemos que alguma coisa pode e deve ser 
feita para tornar as pessoas perturbadas saudveis e mais fe-
lizes.
Freeberg abaixou-se para pegar um cinzeiro no cho, apa-
gou a cigarrilha e largou-o. Era como uma pontuao. Che-
gara o momento de entrar numa descrio mais especfica do 
treinamento.
- Agora, vou falar sobre o treinamento propriamente 
dito. Vai se prolongar por seis semanas, sob a minha supervi-
so. Recebero uma lista de literatura especfica para estudar. 
Haver sesses adicionais em que interrogarei cada um sobre 
as experincias sexuais anteriores e as reaes a diversos par-
ceiros adequados com que estiveram envolvidos. Tentarei en-
sinar-lhes as diversas qualidades de aconselhamento que podem 
precisar com os pacientes. Recebero descries meticulosas 
e demonstraes prticas do funcionamento sexual masculi-
no e feminino, para que tenham conhecimento fisiolgico e 
percepes psicolgicas. Discutiremos de maneira ampla, es-
pecialmente na medida em que se aplica aos homens de de-
sempenho deficiente, os problemas de assumir o papel de 
espectador do prprio desempenho.
"O mais importante  que cada um ter um curso com-
pleto de terapia de suplente sexual, aprendendo e experimen-
tando pessoalmente o que seus pacientes recebero. Agora, 
sem entrar em detalhes, quero descrever as diversas etapas, 
os exerccios que vo partilhar com os pacientes.
"Vo se reunir com os pacientes trs a quatro vezes por 
semana, cada sesso se prolongando por duas horas, sem muito 
rigor. Que tipos de disfunes sexuais podero encontrar? As 
vezes os problemas sero simples... um paciente com reduzi-
do desejo sexual, uma pessoa ingnua, socialmente assustada 
e isolada, talvez mesmo ainda virgem. O mais comum, no en-
tanto, entre os pacientes masculinos  um homem com difi-
culdades de ereo, primariamente impotente. Vo lidar com
um homem que sofre de ejaculao precoce. Ou com um ho-
mem que  incapaz de experimentar o prazer sexual. No caso 
de paciente feminina, o problema pode ser uma mulher no-
orgstica, que no consegue alcanar o clmax, nem mesmo 
atravs da masturbao. Um problema mais difcil ser uma 
mulher sofrendo de vaginismo, um espasmo muscular vagi-
nal que torna o intercurso sexual difcil ou muito doloroso.
"Como devero proceder para curar todas essas disfun-
es humanas? Tudo se resume a ensinar ao paciente a fazer 
contato com os prprios sentimentos e sentir-se  vontade com 
a intimidade. O cliente vem aqui para ser ajudado. O objeti-
vo do trabalho de vocs  o de desenvolver, acalentar e garan-
tir um relacionamento ntimo. O que implica partilhar senti-
mentos e comportamentos. S se pode conseguir em termos 
gradativos, a fim de remover as inibies do paciente e torn-
lo mais consciente de sua prpria sexualidade e da sexualida-
de da parceira. Muitos pacientes demonstram pressa em aca-
bar logo com o processo, em obter resultados imediatos. No 
so poucos os que dizem secretamente a si mesmos: `Por que 
tenho de passar por todas essas bobagens preliminares? Quan-
do vamos chegar ao que importa?' Por maior que seja a pres-
sa do paciente, no entanto, vocs, suplentes, devero lembrar 
que vai levar tempo.  indispensvel que cada paciente tenha 
conscincia disso.
"Todo o processo comea e continua assim. Qualquer pa-
ciente me  inicialmente encaminhado, para que eu determine 
o tratamento indicado. Primeiro, providencio para que ele seja 
examinado por um mdico, a fim de me certificar de que no 
tem distrbios fsicos, nenhuma doena, que no h deficin-
cias hormonais, por exemplo. Se o problema no  fsico, te-
nho um encontro com o paciente e escuto toda a sua histria 
sexual. De um modo geral, consigo determinar nessa sesso 
os problemas que teve. Farei a ele diversas perguntas... por 
exemplo, quando voc era pequeno a nudez era permitida em 
sua casa? Havia muitos abraos, beijos, carcias, contato fsi-
co, em sua famlia? A resposta a essas perguntas geralmente 
 no. Mais tarde, amadurecendo, o paciente tem sua primei-
ra experincia sexual. Quase sempre  negativa. Ele se desco-
bre ento numa situao difcil. Nessa conversa, tento acal-
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m-lo, explicando que o medo e a ignorncia o esto sufo-
cando, que pode se libertar se receber ajuda, e o sexo pode 
se tornar to natural quanto respirar.
"Quando chegar o momento de vocs assumirem, como 
suplentes sexuais, ajudando-me no tratamento do paciente, de-
vem compreender que h dois motivos para o problema: pri-
meiro, o paciente tem dificuldade para se comunicar com 
outros seres humanos; segundo, ele tem um mnimo de amor-
prprio sexual. Para resolver esses problemas, vocs devem 
fazer o paciente compreender que o esto acariciando no para 
excit-lo e lev-lo ao orgasmo, mas porque isso lhes d pra-
zer. Como no vivemos numa sociedade orientada para o pra-
zer, muitas vezes no nos permitimos desfrutar alguma coisa 
agradvel, a menos que tenhamos nos esforado para isso. A 
maioria das pessoas no experimenta o prazer pelo prazer, sem-
pre achando que deve conquist-lo ou dar alguma coisa em 
troca. O objetivo bsico de vocs  desfrutarem o contato e, 
ao agirem assim, transmitirem o mesmo prazer ao paciente.
"Depois de ouvir a histria sexual do paciente e conver-
sar com ele a respeito de seus problemas, procuro definir a 
suplente que pode ser mais compatvel com ele. Conhecendo 
a idade dele, educao, nvel social, interesses, tento reuni-lo 
com a suplente que tem mais condies de atender a suas ne-
cessidades. Pessoalmente, transmito todas as informaes do 
paciente. Depois, marco um encontro particular com ele e a 
suplente, na minha presena.
"Entrego ento o paciente a vocs. Espero que a suplen-
te designada me apresente um relatrio completo, geralmente 
gravado, s vezes pessoalmente, sobre cada sesso, depois de 
encerrada. Haver ocasies em que chamarei uma suplente para 
discutir o caso, talvez promovendo reajustamentos no trata-
mento. Claro que me reunirei regularmente com o paciente, 
a fim de descobrir como ele se sente em relao ao que est 
acontecendo.
Freeberg fez uma pausa e contemplou as suplentes senta-
das  sua frente, muito compenetradas.
- Muito bem, o que estar acontecendo? Vocs estaro 
aplicando com o paciente tudo aquilo que aprendero nas pr-
ximas seis semanas. Faro com ele uma srie de exerccios sen-
suais. Chamamos cada exerccio de foco de sensao.
"O primeiro encontro e todos os subseqentes sero na 
intimidade de suas casas. O primeiro ser meio social, meio 
trabalho. A parte social consiste em deixar  vontade um con-
vidado assustado. Podem oferecer ao paciente alguma coisa 
para beber. De preferncia ch ou um refrigerante. Nada de 
lcool. Nada de estimulantes. Lembrem-se de que esto ten-
tando desenvolver o potencial do paciente para satisfao sem 
ajuda externa. Os dois tomaro os refrigerantes e, completa-
mente vestidos, conversaro sobre... ora, sobre o que quise-
rem, comida, esportes, eventos atuais. Falaro alguma coisa 
sobre vocs mesmas e levaro o paciente a tambm falar a seu 
respeito. Procurem atenuar sua ansiedade.
"Finalmente, nessa primeira sesso, devem fazer uma ca-
rcia de mo.  a coisa menos enervante que podem fazer. Es-
taro na verdade se concentrando no senso do toque. Come-
a-se pela demonstrao de carcia de mo. Vocs pedem ao 
paciente para fechar os olhos e tambm fecham os seus. No 
falam nada. No queremos qualquer contato visual ou verbal 
para confundir a confortadora carcia de mo.
"Na sesso seguinte vocs passam para a carcia de ros-
to. Toquem nas vrias partes do rosto do paciente, bem deva-
gar, passando de leve sobre cada protuberncia e depresso, 
as pontas dos dedos deslizando pela estrutura ssea, a pele, 
a penugem. Fazem isso com o paciente e depois ele faz com 
vocs. E surpreendentemente relaxante e sensual.
"Na terceira sesso h um banho de p.  literalmente 
isso, um banho de p. Ficam vestidos, mas com os ps descal-
os, mergulhados em gua morna e massageados.
"Somente na quarta sesso  que se chega  nudez ini-
cial. Cada um se despe ou, se ambos assim desejarem, des-
pem um ao outro. Geralmente isso no  problema, mas s 
vezes no  muito simples. Muitas pessoas esto acostumadas 
a se despirem no escuro. Quando adolescentes, os homens as-
sim no se importavam de ficarem nus num vestirio, embo-
ra pudessem se preocupar por outros rapazes terem pnis 
maiores, serem mais cabeludos ou mais musculosos. E tam-
bm no se incomodam em ficarem nus na presena de um 
mdico ou enfermeira. Mas pode haver algum problema para
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se despirem na frente de outras pessoas. De um modo geral, 
porm, isso no acontece, j que quase todos os homens es-
to acostumados a se despirem para o sexo. No importa se 
 um sexo bom ou ruim, eles costumam ficar nus nessas oca-
sies.
"Aps tirarem a roupa, comea o exerccio que se cha-
ma projeo do corpo. A suplente sexual coloca-se diante de 
um espelho grande, deixando que o paciente sente e a con-
temple. Mostra as diversas partes de seu corpo, da cabea aos 
ps, confessa sinceramente o que gosta e o que no gosta em 
sua anatomia. Depois, o paciente a imita. Aprende-se muita 
coisa sobre si mesmo e um sobre o outro durante esse exerccio.
Freeberg fez uma nova pausa, pegou outra cigarrilha e 
acendeu-a. Olhou para seu relgio digital.
- No quero cansar vocs desnecessariamente .e por is-
so serei mais rpido daqui por diante. Afinal, tudo o que es-
tou falando agora ser demonstrado durante o treinamento. 
Depois da projeo do corpo, vem o chuveiro sensual... pode 
ser um banho de banheira tambm... juntos na gua morna, 
um ensaboando o outro, usando o sabonete como um lubrifi-
cante. Na sesso seguinte h a carcia nas costas nuas.  exa-
tamente isso. Em seguida, o exerccio da caricia frontal, sem 
tocar nos seios ou rgos genitais. Depois, vem a carcia frontal 
com contato nos seios e rgos genitais. Mas sem qualquer 
exagero. Os seios e rgos genitais no devem receber mais 
ateno do que o contato no nariz ou pescoo.
"Na prxima sesso ocorre o prazer genital sem retribui-
o.  justamente o que diz. O paciente deita de costas e vo-
cs acariciam seus rgos genitais. O objetivo no  estimular 
ou excitar, mas sim concentrar-se em proporcionar prazer a 
algum, que no precisa retribuir por qualquer forma.
"Durante a sesso seguinte vocs devem experimentar 
duas coisas. Uma  a excurso pela anatomia, e a outra  o 
que chamamos de `o relgio'. A excurso pela anatomia  rea-
lizada porque a maioria dos homens, embora familiarizados 
com seus pnis, no tem a menor idia de como parecem os 
rgos genitais femininos. De um modo geral, eles sobem na 
cama, tateiam no escuro, torcem para ter encontrado o lugar 
certo e penetram. Na excurso pela anatomia usa-se uma lan-
terna e um espculo para mostrar e explicar ao paciente como
a mulher  por dentro. E depois se faz `o relgio'. Conside-
rem que sua vagina tem um relgio interno, com nmeros de
um a 12 ao redor. O paciente enfia um dedo e pressiona em
uma hora, seis ou 11, para poder sentir como  a abertura va-
ginal de uma mulher, e como ela reage de maneiras diferentes 
s presses em vrios lugares. As vezes vocs podem deixar 
que o paciente continue a mexer o dedo na vagina, at alcan-
arem o orgasmo, um orgasmo genuno, para que ele possa 
compreender o que acontece dentro de vocs.
"A esta altura da terapia vocs podero perceber clara-
mente que o paciente est tendo erees, parciais ou totais. 
Mesmo quando o pnis est quase flcido, posso garantir que 
ele est tendo alguma espcie de ereo. Quando o paciente 
chega a esse ponto, j est pronto para os exerccios finais, 
talvez os ltimos dois ou trs. Se ele sofre de ejaculao pre-
coce,  fcil vocs control-lo pelo famoso mtodo do aper-
to. Vamos pratic-lo durante o treinamento.
"Seja como for, chegamos agora ao ato final. Esse ato, 
obviamente,  a penetrao, o intercurso sexual bem-sucedi 
do. Muito bem,  assim que vocs devem fazer...
Freeberg falou por mais dez minutos, consciente de que 
tinha a ateno total de todos. A cigarrilha apagara e ele jo-
gou-a no cinzeiro, pegou outra e levantou-se para espregui-
ar-se. Acendendo a cigarrilha, ele sorriu e acrescentou:
- Podem agora fazer as perguntas que desejarem.
Ele tornou a arriar no sof e levantou as mos, arrema-
tando:
- O plenrio  de vocs.
Lila Van Patten pediu a palavra.
- Dr. Freeberg, podemos revelar a nossos amigos e co-
nhecidos o que estamos fazendo?
- Por que no? - perguntou Freeberg. - Nunca vo 
revelar a quem quer que seja as identidades dos pacientes. Is-
so  absolutamente confidencial. Mas se desejarem falar a res-
peito de sua carreira, o que fazem profissionalmente, claro que 
podem conversar com qualquer pessoa. Mas devo chamar a 
ateno de vocs para um problema. A aceitao pblica. H 
aigumas pessoas que podem consider-las como prostitutas..
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certas mulheres podem ficar horrorizadas ao saberem que vo-
cs fazem amor com um estranho por pagamento, e muitos 
homens podem pensar que so uma conquista fcil. Vocs te-
ro que usar seu julgamento pessoal nas circunstncias.
Beth Brant levantou a mo.
- E o que devemos fazer se o paciente ficar to excita-
do que queira ir do estgio quatro ao 14 imediatamente? E 
se ele quiser chegar ao coito o mais depressa possvel?
Freeberg balanou a cabea.
- Isso acontece com freqncia. No instante em que to-
car nos rgos genitais do paciente, ele vai achar que isso  
um convite para penetr-la o mais depressa possvel. Mas no 
concorda que esse  justamente o problema dele? Se quer passar 
logo do estgio quatro para o 14  porque est muito ansioso 
para consumar o ato e vai perder toda riqueza e aprendizado 
das etapas intermedirias. Qualquer tentativa desse tipo deve 
ser abortada de imediato.
Janet Schneider estava acenando com um bloco.
- Tomei algumas anotaes enquanto falava da carcia 
no rosto.  apenas carcia? E se o paciente quiser nos beijar?
- No h nada de errado nisso. Deixe que ele a beije 
e procure orient-lo. Muitos homens no sabem direito como 
beijar.
Consultando outra vez suas anotaes, Janet perguntou:
- Quando ele tocar meus rgos genitais, posso me apro-
ximar de um orgasmo. O que deveria fazer nesse caso?
Freeberg balanou a cabea, com uma expresso solene.
- Tenha o orgasmo. Deixe que acontea naturalmente. 
Procure apenas controlar a reao exterior, se possvel, por-
que isso pode assustar o paciente e fazer com que ele se sinta 
ainda mais inadequado. Por outro lado, pode excit-lo e fa-
zer com que se sinta viril. Ter de julgar a situao por si 
mesma.
O nico suplente masculino, Paul Brandon, interveio na 
conversa:
- Sobre a nudez. Trabalhamos nus da etapa de proje-
o do corpo em diante?
- Exatamente. Vo acabar to acostumados com a nu-
dez que no significar nada.
- No estou preocupado com isso - Brandon apressou-
se em dizer. - Queria apenas a informao.
-  minha vez - disse Elaine Oakes. - Na penetra-
o, o intercurso...  seguro?
- Posso lhe garantir que ser feito um exame meticulo-
so em cada paciente. Ele no ter doenas. 
- Eu estava pensando na possibilidade de gravidez.
- Ah, sim. Provavelmente est tomando a plula. Se no 
estiver, uma alternativa  usar o diafragma quando chegar o 
momento do coito.
Freeberg esperou. No houve mais perguntas. Mas a pa-
lavra coito acarretava uma pergunta sua. Ele avaliou por um 
momento o grupo ali reunido.
- Tenho uma pergunta a fazer - disse ele. - Agora 
que j ouviram tudo, que tm uma viso global do programa, 
algum de vocs deseja se retirar?
As cinco pessoas  sua frente permaneceram imveis. Nin-
gum se mexeu nem falou. Freeberg sorriu.
- Muito bem - murmurou ele, levantando-se. - Ama-
nh de manh, s nove horas, aqui mesmo. Comearo ento 
a se tornarem suplentes sexuais profissionais. Que Deus nos 
abenoe.
30
31

II
Seis semanas e um dia se passaram. Agora, o dr. Arnold Free-
berg estava sentado atrs de sua mesa, faltavam dez minutos 
para as duas horas da tarde e ele aguardava o incio iminente 
da ltima reunio do grupo. Olhando pela janela, ele podia 
constatar que o dia em meados de julho estava nublado, um 
tanto desolado. Gostaria que o sol estivesse brilhando. Por-
que se sentia ensolarado por dentro. O extenuante perodo de 
treinamento fora um sucesso total. Tinha uma equipe inteli-
gente e competente de seis suplentes sexuais, estava ansioso 
para comear a trabalhar.
Esperando na sala pela chegada de seus suplentes, s duas 
horas, ele pensou no que fizera naquela manh. Revisara as 
gravaes dos primeiros quatro pacientes que lhe haviam si-
do encaminhados por colegas. Eram todos homens com dis-
funes sexuais. Ainda no havia nenhuma mulher para Paul 
Brandon, mas ele sabia que vrias estavam sendo considera-
das por psiquiatras para lhe serem encaminhadas. Assim, Bran-
don tambm estaria ocupado muito em breve. Freeberg 
entregara as gravaes  sua secretria, Suzy Edwards, para 
transcrever no processador de palavras.
Depois disso, Freeberg reunira-se com Gayle Miller, sua 
primeira suplente sexual, que finalmente viera de Tucson, uma 
semana antes, aps a formatura na Universidade do Arizona. 
Quase no a vira durante a semana - exceto por uma visita
que ela fizera  clnica, quando a apresentara ao resto do gru-
po -, pois Gayle estivera ocupada a encontrar e se instalar
num bangal em Hillsdale. Tambm se concentrara em pre-
parar o pedido de matrcula no curso de ps-graduao na Uni-
versidade da California em Los Angeles - queria fazer o
doutorado de psicologia - e na solicitao de uma bolsa de
estudos ou ajuda financeira. Ela j entregara todos esses do-
cumentos, assim como uma cpia de seu registro escolar na
Universidade do Arizona e trs cartas de recomendao.
Quando ela aparecera naquela manh, para ajud-lo na 
cerimnia de concluso do perodo de treinamento, Freeberg
ficara to satisfeito e tranqilizado por sua presena profis-
sional confiante que a convidara para almoar na lanchonete 
que ficava ao lado, chamada Market Grill. Andando atrs de 
Gayle ao sarem da clnica e depois pela rua at a lanchonete, 
Freeberg conclura que ela era indubitavelmente a mais atraente 
de suas suplentes sexuais.
Ao sentarem num reservado, Freeberg ooservara mais uma 
vez como Gayle era graciosa e bonita, usando uma blusa de 
seda rosa, apertada na cintura por um cinto amarelo de cou-
ro, com uma saia de seda pregueada que aderia s coxas quan-
do ela andava. Contemplando-a, enquanto ela estudava o 
cardpio, Freeberg apreciara intensamente o lindo rosto de 
Gayle. Ela tinha cabelos escuros lustrosos, cortados bem cur-
tos, emoldurando um rosto com as feies de uma boneca de 
porcelana oriental; por trs dos culos escuros havia seduto-
res olhos verdes e por baixo um nariz arrebitado e uma boca 
generosa, com um polpudo lbio inferior. Ele se recordara que 
o resto de Gayle era igualmente fascinante. Vira-a nua vrias 
vezes, h cinco anos, em Tucson, quando ela fazia o treina-
mento para suplente sexual. Estavam gravados para sempre 
em sua memria os ombros suaves e ligeiramente curvos, os 
seios cheios e firmes, com mamilos grandes e escuros, a cin-
tura fina, quadris estreitos, coxas amplas e pernas bem tor-
neadas. Freeberg tentara se lembrar: ela devia ter em torno 
de 1,65m de altura. E, um tanto obscura em sua memria, 
havia tambm uma tragdia, algo que a motivara a aceitar o 
trabalho de suplente sexual.
O mais importante em Gayle Miller, ele dissera a si mes-
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mo, no era a aparncia fsica. Ela demonstrara ser inteligen-
te, flexvel, franca, articulada, com uma personalidade meiga 
e generosa. Fora ela quem lhe permitira alcanar um sucesso 
total com seus pacientes mais perturbados e aparentemente ir-
remediveis.
No almoo, ele a acompanhara no pedido de uma salada 
e um hambrguer, exultante ao pensar que aquela experiente 
jovem de 27 anos seria a lder de sua equipe.
Mas isso acontecera no almoo. Agora,  sua mesa, Free-
berg viu que j eram duas horas, e as novas suplentes sexuais 
comeavam a chegar. Ele cumprimentou cada suplente,  me-
dida que chegavam e se instalavam sem formalidades no sof 
e nas cadeiras dobrveis  sua frente. Folheou suas anotaes, 
decidindo que no falaria muito, depois chamaria Gayle Mil-
ler da sala de Suzy e a apresentaria, deixando-a dizer as lti-
mas palavras de garantia.
Freeberg no se levantou. Recostou-se na cadeira girat-
ria e contemplou o grupo.
- Quero lhes dar as boas-vindas. Tiveram folga ontem 
e espero que tenham se recuperado do perodo de treinamento. 
Devo dizer que senti falta de vocs. Estivemos to ntimos du-
rante as ltimas seis semanas que sinto que nos tornamos uma 
famlia. No estou aqui para fazer outro discurso. J ouviram 
o suficiente antes do treinamento comear e durante cada dia 
das seis semanas de exerccios. Tenho certeza que j conhecem 
seu trabalho, vo se dedicar com afinco e faro tudo muito 
bem. Tentei construir uma ponte em cada uma de vocs... uma 
ponte humana para ajudar pessoas perturbadas a fazerem a 
travessia do lugar em que se encontram agora... um lugar ter-
rvel... para um lugar melhor, em que desejam estar, um lugar 
que far com que se sintam vivas outra vez, no apenas se-
xualmente, mas tambm em suas carreiras e vidas pessoais.
"Lembrem-se de que os homens que viro procur-las 
querem aprender alguma coisa. Querem aprender a ser seres 
humanos amorosos. Chegaro aqui com seus distrbios e de-
sespero discreto. Esto na verdade suplicando, tentando di-
zer a vocs: `Aqui estou e no sei o que fazer com o problema 
que me deixa incapacitado. Por favor, ajudem-me.' Para eles, 
vocs so o ltimo recurso.
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"Vamos comear amanh. Elaborei uma programa para 
reunies com vocs e seus pacientes amanh de manh e  tar-
de. No dia seguinte estaro em grande parte sozinhas no tra-
balho, exceto pelos relatrios sistemticos que me apresentaro. 
Antes de irem embora, vou me reunir em particular com cada 
uma para discutir os primeiros casos.
"Mas j chega de me ouvirem. Vou agora chamar Gayle 
Miller, a suplente sexual que usei em Tucson, antes de treinar 
vocs. J a conheceram na ltima semana de treinamento, 
quando ela passou por aqui para dar um ol. Mas no tive-
ram a oportunidade de conversar com ela. Achei que seria til 
se Gayle lhes falasse um pouco de suas experincias e desse 
a chance de perguntarem o que quiserem. Depois disso, o ex-
pediente estar encerrado por hoje. Ouviremos agora Gayle
Miller.
Antes de deixar a sala de Suzy para o gabinete mais imponen-
te de Freeberg, Gayle hesitou, querendo conversar mais um 
pouco com o terapeuta.
- O que devo dizer?
Freeberg sorriu.
- Est com medo do palco? Basta entrar l e dizer com 
toda naturalidade o que surgir em sua mente. Sente atrs da 
minha mesa ou fique de p ao lado, como achar melhor. Con-
verse informalmente sobre seu trabalho. Elas esto esperan-
do l dentro, cordiais, mas apreensivas. O que eu lhes disse 
 importante, mas estou um tanto distante da ao principal. 
J voc  uma pessoa que fez pessoalmente o trabalho. Suas 
palavras faro com que se sintam mais  vontade. Fale alguns 
minutos sobre sua experincia, e se tiverem perguntas, responda 
com toda franqueza. Pode faze-lo, Gayle. Boa sorte.
Entrando na sala de Freeberg, Gayle decidiu postar-se de 
p atrs da mesa, enquanto falava. Os cinco novos suplentes 
sexuais pareciam alertas, inteligentes, receptivos e tambm um 
pouco curiosos.
- J conhecem todo o procedimento - disse Gayle. - 
S posso lhes falar sobre minha experincia pessoal com o dr. 
Freeberg, em cinco casos em Tucson. Dois eram casos de ho-
mens que no conseguiam ter uma ereo ou mant-la. Dois
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outros sofriam de ejaculao precoce. O quinto era um caso 
de extrema inibio e falta de conhecimento... o problema dele 
no estava na incapacidade de levar uma mulher para sua ca-
sa, mas sim como dar o passo seguinte depois que estavam 
l, como lev-la da sala ou cozinha para o quarto, depois o 
que dizer, o que fazer. E tenho a maior satisfao em lhes in-
formar que todos esses casos foram resolvidos a contento.
Janet Schneider interrompeu-a.
- Fez amor com todos eles, Gayle?
- Claro que sim. Est se referindo ao intercurso sexual, 
no  mesmo? Acabei fazendo com cada um. Os terapeutas 
gostam de dizer que o intercurso no  o objetivo do trata-
mento. Preferem dizer que  ensinar algum a entrar em con-
tato com seus sentimentos, aprender a ser ntimo, aprender 
a encarar o sexo com naturalidade. Tudo isso  verdade. Mas 
o objetivo final  o intercurso bem-sucedido. Se um homem 
que era incapaz de concluir o intercurso chega ao ponto em 
que pode faze-lo, assim como quase todos os outros homens, 
ento acredito que o objetivo final foi alcanado.
Janet Schneider levantou a mo outra vez.
- S mais uma coisa - disse ela. - O que pode nos 
falar sobre a transmisso do vrus da AIDS em nosso traba-
lho? At que ponto corremos perigo?
- Serei franca:  uma ocupao de alto risco - respon-
deu Gayle. - O vrus da AIDS, pelo que sabemos,  transmi-
tido atravs do esperma ou do sangue de uma pessoa conta-
minada. Pode-se ficar infeccionado pelo vrus atravs do in-
tercurso sexual ou de uma injeo intravenosa. No se con-
trai a AIDS pelo simples ato de pegar em outra pessoa. O vrus 
no sobrevive por muito tempo no ar ou depois da esteriliza-
o. Mas pode sobreviver nos fluidos do corpo e na corrente 
sangnea. Por mais arriscado que o trabalho seja, h coisas 
que podem fazer para se protegerem. Numa reunio de su-
plentes sexuais em Nova York, sobre o problema da AIDS, 
participei de um grupo de trabalho que estudou um meio de 
praticar um sexo mais seguro. Primeiro, no se deve beijar 
muito profundamente os pacientes, para no haver intercm-
bio de fluidos em qualquer momento. Segundo, no permitir 
a penetrao sem o uso de um preservativo pelo paciente. A
suplente deve se precaver duplamente com o uso de um esper-
micida.
Gayle fez uma pausa e depois continuou, baixando a voz:
- Aqui entre ns, no exijo que meus pacientes usem 
um preservativo, a partir do momento em que sei que fizeram 
um exame de sangue para pesquisa da AIDS e o resultado foi 
negativo. Para mim, o preservativo  inibidor demais, para 
pessoas que j so inibidas. Muitos terapeutas exigem que a 
suplente sexual faa um exame depois de cada penetrao. 
Acho que isso  um pouco exagerado, e o dr. Freeberg con-
corda. Ele quer que as pacientes sejam examinadas apenas de 
trs em trs meses. Seja como for, adotem as sugestes de se-
xo seguro que apresentei no tero nada a temer.
Antes que Gayle pudesse continuar, houve outra pergunta, 
desta vez de Lila Van Patten:
- Eu gostaria de saber uma coisa. Como voc, uma su-
plente sexual, define uma ereo bem-sucedida?
Gayle balanou a cabea.
- A melhor definio foi formulada por Masters e John-
son, e o dr. Freeberg concorda. Se depois do tratamento um 
homem que era impotente consegue ter uma ereo e mant-
la, em cada trs de quatro encontros, ento ele est bem, al-
canou a cura. - Ela olhou para o nico homem do grupo, 
Paul Brandon, antes de acrescentar: - Quanto s mulheres 
no-orgsticas, concordamos com Masters e Johnson, que con-
sideravam dois orgasmos em cada quatro encontros um sinal 
de sucesso.
Gayle olhou para as mulheres, esperando por mais per-
guntas. Como no houvesse nenhuma, ela disse:
- Eu sempre falei a meus pacientes que no sou uma 
professora. Sou apenas uma parceira, mas uma parceira que 
sabe um pouco mais do que eles e quer ajud-los. Alguns pa-
cientes eram advogados e especialistas em computadores. Eu 
lhes disse que se estivesse com um problema legal ou precisas-
se falar com algum sobre computadores, procuraria um es-
pecialista para descobrir o que precisava saber. Mas minha 
especialidade era o sexo. Assim, se eles tinham um problema 
nessa rea, nada mais natural que me contratassem para des-
cobrir mais a respeito.
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- Eles sempre confiaram em voc?
- No, nem sempre. As vezes ficavam ressentidos, por-
que precisavam de ajuda e sentiam-se dependentes de mim. 
E tambm se ressentiam com freqncia por contratarem uma 
parceira temporria, que tinham de pagar. Eles sabem que es-
to pagando ao dr. Freeberg cinco mil dlares pelo tratamen-
to completo. E sabem que ele nos paga 75 dlares por hora 
ou 150 dlares para uma sesso de duas horas. H ocasies 
em que os pacientes no gostam desse aspecto do tratamento. 
Um deles chegou a me dizer: "Voc est na folha de paga-
mento, Gayle. No d para me relacionar com voc como uma 
pessoa que gosta de mim." Mas isso acabou acontecendo e 
o mesmo se deu com os outros. Descobri que se eles confia-
vam no dr. Freeberg, logo estavam confiando tambm em mim. 
No chega a ser um grande problema.
Ela fez outra pausa.
- O maior problema  a atitude do homem inadequa-
do. A partir do momento em que tem o problema, a cada no-
vo encontro assume o papel de espectador durante o ato sexual, 
sem qualquer espontaneidade, apenas esperando para obser-
var se alguma coisa vai acontecer, se pode fazer com que tu-
do d certo. Esse  o verdadeiro problema. Como o dr. Masters 
disse: "Urn homem impotente est infinitamente mais trau-
matizado acima do pescoo do que abaixo do cinto."
"Descobri que a maioria dos distrbios comeou quan-
do o paciente era jovem, provavelmente na adolescncia. Nessa 
ocasio o jovem compreendeu que no precisava dar ou rece-
ber qualquer contato ou carcia antes, porque podia ficar lo-
go excitado e efetuar a penetrao imediata. Geralmente podia 
encontrar uma parceira disposta, que achava que o sexo era 
apenas isso e estava pronta para reforar seus hbitos perni-
ciosos. Mas quando o nosso jovem tornou-se mais velho, dei-
xou de ter 19 e chegou aos 49 anos, descobriu que o treina-
mento deficiente nas preliminares estava lhe prejudicando. Os 
seios  mostra de uma mulher no mais o excitavam como an-
tes. Era mais difcil alcanar o excitamento e a ereo. Por-
que nunca dependia das carcias, apenas do que via e queria, 
ele deixou de ficar excitado to depressa. E comeou a entrar 
em pnico. Passou a procurar mulheres mais jovens e sensuais.
Quando esse estmulo tambm deixou de funcionar, todo o 
sistema sexual do homem desmoronou. Ele se tornou um ca-
so de disfuno.
"Tudo isso pode ser mudado, atravs dos exerccios, 
levando-se o paciente ao contato com seus sentimentos, para 
que ele desfrute os prazeres da intimidade. Em nenhum mo-
mento os exerccios sero suficientes. Vocs vo aprender, co-
mo aconteceu comigo, que devem se comunicar com o paciente 
durante todo o tempo... no como profissional, mas como ser 
humano, atravs de constantes carcias, aconchego e sensua-
lidade.
Gayle fez uma pausa, rebuscando a mente para descobrir 
se havia algo mais a acrescentar. Parecia no haver. Dali por 
diante, para as suplentes sexuais, s haveria os relacionamen-
tos e suas aes.
- Esta noite comearei a trabalhar em meu primeiro caso 
em Hillsdale - acrescentou Gayle. - No ser fcil. Envol-
ve um adulto ainda jovem com um problema de impotncia 
que est afetando seu trabalho. Fui informada de que a im-
potncia do paciente deriva de uma preocupao obsessiva de 
que seu pnis seja muito pequeno.
- E  mesmo? - perguntou Paul Brandon.
Por um instante, Gayle ficou sem saber o que responder, 
surpresa. Olhou para Brandon, o nico homem do grupo. E 
falou-lhe diretamente, tentando manter a voz sob controle:
- Sr. Brandon, no existe o que se poderia chamar de 
pnis muito pequeno. Tenho certeza de que j sabe disso. As-
sim como acredito que meu paciente acabar tendo um de-
sempenho to bom quanto o de qualquer outro homem... 
inclusive o seu.
Ainda irritada, Gayle virou-se para dizer s outras mu-
lheres, concluindo sua fala:
- Comearo a trabalhar amanh. Espero que encontrem 
tanta felicidade em seu trabalho quanto a que tenho experimen-
tado at agora. O dr. Freeberg j lhes desejou boa sorte. S posso 
acrescentar a isso que lhes desejo absoluto sucesso.
As trs e meia em ponto, Suzy encaminhou Adam Demski  
sala do dr. Freeberg.
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O doutor apertou a mo do primeiro paciente que se apre-
sentara em sua clnica em Hillsdale, vrios dias antes. Cum-
primentou-o cordialmente e apontou-lhe uma cadeira confor-
tvel, no outro lado da mesa.
Voltando  sua cadeira giratria, Freeberg sentia-se satis-
feito por Demski ter aparecido justamente naquele dia e ainda 
mais seu atraso. Depois do primeiro encontro, Freeberg tivera 
dvidas se o paciente, encaminhado por um psicanalista de Chi-
cago, aceitaria o tratamento ou mesmo se voltaria. Na reunio 
confidencial, Demski se mostrara constrangido, nervoso ao ponto 
de ser quase incoerente. S aps um hbil interrogatrio  que 
Freeberg conseguira saber os detalhes da impotncia do paciente.
Ao final da primeira sesso, Freeberg encaminhara Dems-
ki para os exames mdicos completos com o dr. Stan Lopez, 
o clnico em quem confiava e que tencionava usar em todos 
os seus casos. O objetivo era descobrir se a condio de Demski 
era orgnica ou o resultado de fatores psicolgicos. O mdico 
pessoal de Demski em Chicago informara que no encontra-
ra problemas orgnicos durante os exames preliminares. Mes-
mo assim, Freeberg precisava ter certeza absoluta e pedira ao 
dr. Lopez que reexaminasse o paciente. Se o problema tivesse 
alguma causa orgnica, o dr. Freeberg encaminharia Demski 
a especialistas que tratariam de sua disfuno sexual sob o pon-
to de vista clnico. Mas, por outro lado, se o problema fosse 
psicolgico, Freeberg planejava aplicar a terapia sexual, utili-
zando a sua suplente sexual mais experiente.
O objetivo do segundo encontro, naquela tarde, era revi-
sar o relatrio do dr. Lopez sobre o estado fsico de Demski 
e apresent-lo a Gayle Miller, discutindo com ele o procedi-
mento que seria adotado no tratamento.
Atravs das lentes grossas dos culos, Freeberg podia per-
ceber que Demski estava extremamente apreensivo. Um ho-
mem um tanto anmico na aparncia, Demski sentou irre-
quieto, o corpo magro no ficando imvel por um instante 
sequer, os olhos fixados no tapete.
O dr. Freeberg passou os dedos por seus cabelos escuros 
e rebeldes, depois alisou a curta barba grisalha, enquanto ve-
rificava mais uma vez o relatrio do dr. Lopez. Com seu sor-
riso mais cativante, ele disse:
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- Creio que posso tranqiliz-lo numa coisa, sr. Dems-
ki. Seu distrbio no  orgnico. O que j  algo por que se 
deve agradecer. - Ele bateu com os dedos no relatrio sobre 
a mesa. - Parece que o dr. Lopez fez um trabalho meticulo-
so. Pediu inclusive a um excelente urologista, o dr. Gerald 
Clark, para examin-lo.
Demski balanou a cabea e murmurou:
-  verdade.
- Vamos analisar juntos as concluses do dr. Lopez, s 
para eu ter certeza de que no esqueci nada.
Demski acenou com a cabea, desconsolado. Freeberg 
compreendeu que o paciente no se sentia tranqilizado. Ele 
puxou o relatrio do clnico para mais perto de sua viso de 
mope.
- Vejo que fizeram testes para conferir a possibilidade 
de diabetes no diagnosticado. Tal estado poderia prejudicar 
os vasos sangneos e talvez tornar difcil a reao fsica nor-
mal. Mas o dr. Lopez garante que voc no  diabtico. As-
sim, podemos excluir essa possibilidade. Em seguida...
Freeberg fez uma pausa. correndo os olhos pelo relat-
rio.
- ...ele verificou sua condio vascular.
- Vascular? - repetiu Demski, aturdido.
- Como o endurecimento das artrias... as artrias do pnis... 
que reduziria o fluxo de sangue para a rea genital e poderia 
impedir uma ereo. - Freeberg sacudiu a cabea. - No h 
nada de errado por esse lado. O urologista, dr. Clark, confir-
mou isso, ao verificar a presso sangnea em suas pernas e pnis.
Demski tornou a balanar a cabea, cada vez mais infe-
liz, aparentemente lembrando constrangido o teste genital. 
Freeberg sacudiu as duas folhas do relatrio.
- Tudo o mais parece normal. Voc no toma estimu-
lantes nem tranqilizantes. No bebe em excesso. No conso-
me drogas que alteram o nimo, como cocana. Nem anfe-
taminas ou barbitricos. E no sofreu cirurgia de prstata ou 
bexiga. No houve leses em qualquer ocasio na rea plvi-
ca, rgos genitais ou medula espinhal. - Freeberg fez uma 
pausa. - O nvel de testosterona est timo. Est na casa dos 
quarenta anos, no  mesmo?
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- Tenho 42.
- Ento sua libido no foi absolutamente afetada. Es-
tou vendo que o urologista achou que no havia necessidade 
de um implante prottico.
- Isso mesmo.
Freeberg largou o relatrio em cima da mesa e fitou aten-
tamente o paciente.
- Em suma, sr. Demski, seu problema no deriva de uma 
deteriorao orgnica.
- Mas... mas deriva de alguma coisa.
- Claro que sim. S que no de qualquer causa fsica. 
O que acaba de ser confirmado. Ao que tudo indica, seu pro-
blema  psicolgico e persiste apesar da psicoterapia.  pro-
vvel que, depois do seu primeiro fracasso, houve mais fra-
cassos e uma incapacidade de se concentrar nas sensaes.  
algo que acredito poder reverter e normalizar, atravs da re-
duo de sua ansiedade. Exige apenas a sua cooperao total 
em cada etapa do tratamento.
- Estou aqui - murmurou Demski.
- O que significa que pode ser ajudado. Como j sabe, 
a terapia da fala pode ser til, mas muitas vezes no  sufi-
ciente. Submeteu-se a essa terapia em Chicago e est compro-
vado que no foi o bastante. Por isso  que seu analista 
recomendou que viesse me procurar, aqui na California. Tra-
balharei com voc quase que diariamente,  claro, mas no 
estarei sozinho. Serei ajudado por uma suplente sexual, uma 
mulher especialmente treinada, que o orientar e ensinar, sob 
a minha superviso. J tem conhecimento dessas parceiras 
substitutas, pelo que ouviu em Chicago e aqui. Conhece as 
funes de uma suplente sexual, no  mesmo?
- Eu... eu acho que sim - balbuciou Demski.
- timo. Designei para o seu tratamento a minha me-
lhor e mais experiente suplente sexual. Seu nome  Gayle Mil-
ler, uma jovem que deve ajudar, muito simptica e til. Ela 
j est pronta para iniciar os exerccios com voc.
- Quan... quando?
- Esta noite, s sete horas, na residncia dela. 
Demski estava plido e assustado. 
- Esta noite?
- Isto mesmo. Voc est pronto paia comear. E agora 
quero apresent-lo a Gayle Miller. Ela j conhece seu caso, 
 claro. Leu a transcrio de nossa primeira reunio e conver-
samos a respeito. Ela vai se juntar a ns e participar do resto 
desta reunio, enquanto lhe explico exatamente o programa 
que elaboramos e os exerccios que far com a srta. Miller.
Freeberg levantou o fone, apertou o boto e chamou:
- Suzy, por favor, pea a Gayle Miller para vir  minha 
sala. Estamos prontos para conversar com ela.

A tarde chegava ao fim, e as suplentes, inclusive Gayle Mil-
ler, j haviam ido para suas casas. A Clnica Freeberg estava 
praticamente vazia,  exceo do prprio Freeberg, guardan-
do seus papis, e Suzy Edwards, na sala ao lado, tirando c-
pias dos casos que transcrevera das gravaes.
Depois que arrumou tudo, com sua pasta na mo, o dr. 
Freeberg esticou a cabea pela porta da sala da secretria.
- Como esto as coisas, Suzy?
Ela levantou os olhos das pginas que verificava, empur-
rando para trs as mechas de cabelos ruivos que lhe caam pe-
la testa.
- Estou quase acabando, doutor. S falta conferir al-
gumas provas. J soube que correu tudo bem com as suplentes.
- Eu diria que muito bem.
Suzy ps a mo nos papis em cima da mesa.
- Embora eu j soubesse qual era o seu trabalho, dou-
tor, devo dizer que no podia imaginar como os casos seriam 
difceis e fascinantes.
- Concordo com voc. So mesmo fascinantes. Jamais 
me cansei do labirinto humano, a confuso, o conflito, at 
mesmo o suspense. Tem razo, so casos difceis, todos eles, 
mas estou confiante de que encontraremos as solues.
- Tenho certeza disso, doutor.
- Vou sair para jantar. Quando acabar, deixe as trans-
cries em minha mesa. E antes de sair verifique se o alarme 
est ligado e tudo trancado. At amanh, Suzy.
- At amanh.
Depois que ele saiu, Suzy ficou olhando por algum tem-
po para a porta fechada.
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Amanh, pensou ela. Por que esperar? Ainda havia aquela 
noite, uma longa noite pela frente.
Rapidamente, concentrando-se, ela acabou de tirar as c-
pias e conferiu para verificar se estava tudo em ordem.
Depois, sem qualquer hesitao, estendeu a mo para o 
telefone. A deciso de falar com Chet ocorrera-lhe enquanto 
tirava as provas. S quando a mo estava no fone  que ela 
hesitou.
Refletiu sobre o telefonema que estava prestes a dar e ten-
tou imaginar como ele poderia reagir, no apenas  ligao, 
mas ao que poderia se seguir.
Pensou um pouco sobre Chet Hunter, seu novo namora-
do, o melhor que j tivera. Lembrou como ele estava ao 
conhec-lo. Fora h um ms, na biblioteca pblica de Hills-
dale. Ela estava sentada a uma mesa de leitura, folheando al-
gumas revistas mdicas, tentando descobrir mais alguma coisa 
a respeito do dr. Arnold Freeberg, seu novo patro. O homem, 
provavelmente na casa dos trinta anos, que certamente no 
podia ser mais do que cinco anos mais velho do que ela, esta-
va carregando alguns livros que tirara das prateleiras. O ni-
co lugar vago era a cadeira ao seu lado. Ele sentara, com uma 
expresso de quem pedia desculpa pelo incmodo. Suzy sentira-
se atrada no mesmo instante. Ele era de compleio media-
na, cabelos castanhos bem penteados j apresentando entra-
das, testa larga, meigos olhos castanhos por trs de culos de 
aros de ao, nariz arrebitado, a atitude reservada, mas obvia-
mente um tipo intelectual.
Trocaram algumas frases sussurradas, principalmente so-
bre livros. Na hora de fechar a biblioteca, ele sara com Suzy, 
observando-a de lado de vez em quando. No momento de se 
despedirem, perguntara abruptamente se ela no gostaria de 
tomar um caf. Suzy aceitara, foram tomar o caf e inicia-
ram uma amizade.
O trabalho de Chet no ficara muito bem esclarecido. Dois 
anos antes ele fundara e ainda dirigia alguma coisa chamada 
Servio de Pesquisas Acme. Explicara que era um pesquisa-
dor por profisso, descobrindo fatos de incontveis fontes para 
escritores, estudantes de ps-graduao, revistas e jornais. Tra-
balhava na base de remunerao por hora, ganhava muito mal,
em nvel de subsistncia, dava apenas para comer, vestir e pa-
gar um apartamento de trs cmodos. Suzy perguntara o que 
ele pesquisava e para quem. Tudo o que era possvel e imagi-
nvel - quem fora o nico presidente dos Estados Unidos sol-
teiro para um candidato poltico, qual era a segunda montanha 
mais alta do mundo para um autor de livros de viagens, o pro-
gresso do processo de clones para uma revista mdica, quan-
tos casos de estupro registrados haviam ocorrido em Hillsdale 
e Los Angeles durante o ano passado para um advogado. Ela 
indagara como ele descobria as respostas e Chet explicara que 
consultava os livros na biblioteca, correspondia-se com estu-
diosos de diversos assuntos, entrevistava especialistas - che-
gara mesmo a estudar e fazer um curso para reservista da 
polcia de Hillsdale, para ter um maior acesso a material legal 
para muitos dos seus clientes.
- Um reservista da polcia? - repetira Suzy. - Mas o 
que isso representa?
- Um policial auxiliar eventual, um agente da reserva 
da polcia, da mesma forma como um integrante da guarda 
nacional  reserva das foras armadas - explicara Chet. - 
A polcia precisa de mais homens. Aceita voluntrios. Mas no 
 fcil se tornar um reservista. O candidato tem de fazer di-
versos exames mdicos,  entrevistado por um psiquiatra; se 
aprovado, passa a freqentar a Academia de Polcia de Hills-
dale trs noites por semana, durante quase cinco meses. Ape-
nas dois em cinqenta concluram o curso que eu fiz. A 
princpio, fui um reservista tcnico, fazendo trabalho inter-
no, como receber os relatrios na delegacia. Depois, fiz outro 
curso para a reserva da ativa, sendo treinado em tudo, inclu-
sive no manejo de armas de fogo e nas complexidades do c-
digo penal. Acabei com um uniforme azul e um emblema, uma 
pistola Smith & Wesson 38, algemas e todo o resto. Trabalho 
dois turnos de oito horas por ms e recebo quinze dlares por 
ms. Mas no estou muito preocupado com o pagamento.  
a pesquisa direta que me interessa.
- Fez tudo isso para ajudar em suas pesquisas?
Chet refletira por um momento na pergunta de Suzy.
- Para ser franco, tive outro motivo. O trabalho de pes-
quisa  apenas temporrio, algo para me sustentar at aue eu
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possa conseguir o que realmente quero. 
- E o que voc quer, Chet?
- Nasci para ser jornalista, e  essa a profisso que de-
sejo seguir. Minha ambio neste momento  me tornar re-
prter do Daily Chronicle de Hillsdale.  o que mais desejo, 
a coisa com que estou sempre sonhando. Foi por isso que me 
submeti a todo esse trabalho para ser um reservista da pol-
cia, a fim de poder estar prximo de uma grande histria e 
saber reconhec-la no instante em que ocorrer. Otto Fergu-
son, o editor-chefe do Chronicle, no tem certeza se j estou 
preparado para ser um reprter. Ele acha que devo primeiro 
provar do que sou capaz. Continuo tentando e esperando, na 
expectativa de deparar algum dia com a grande histria. E se 
algum dia encontr-la, tenho certeza de que Ferguson vai me 
contratar.
A esta altura, ele hesitara, embaraado, depois acrescen-
tara:
- Perdoe-me, Suzy, por falar tanto. Ainda nem pergun-
tei o que voc faz.  uma atriz ou qualquer coisa parecida? 
Ela corara.
- Claro que no. Acabei de aceitar um emprego como 
secretria mdica.
- Mas bem que podia ser uma atriz.
Duas noites depois eles haviam se encontrado mais for-
malmente. Suzy gostava dele. Era o homem mais interessante 
e atencioso que j conhecera. E desconfiava que Chet tam-
bm gostava dela. Na noite seguinte, depois do jantar, ela pe-
dira para ver alguns exemplos do trabalho de Chet. Fora para 
o seu apartamento de trs cmodos, onde tomaram duas vod-
cas com gelo e acabaram na cama.
Desde ento, ela j fora para a cama com Chet mais duas 
vezes, a ltima na noite anterior.
No restava dvida de que estava apaixonada por ele, mas 
havia um problema.
Mas Suzy sabia que podia ser superado. Tirou o fone do 
gancho e discou para Chet, torcendo para encontr-lo. Ele 
atendeu logo.
- Al?
- Ol, Chet. Sou eu, Suzy.
- Suzy, eu...
- Se est livre esta noite, Chet, eu gostaria de ir at a. 
- Fala srio? Mas claro que estou livre! Puxa, Suzy, acho
que eu no esperava que me procurasse depois da noite pas-
sada. Sabe muito bem o quanto quero v-Ia.
- E eu tambm quero v-lo. Posso ir ao seu apartamento
depois do jantar? Entre nove e nove e meia est bom?
- Ficarei esperando na maior ansiedade, Suzy. 
Depois de desligar, ela continuou sentada, olhando para
o telefone. E pensou: Eu tambm estou ansiosa. Aquela noite
era muito importante. Todo o seu futuro estava em jogo.

Gayle Miller, com as pernas por baixo do corpo, estava sen-
tada no sof que trouxera de Tucson, pregando um boto na 
suter azul de casimira.
O relgio eltrico no consolo da lareira, no outro lado 
da pequena mas aconchegante sala de estar do chal que aca-
bara de alugar em Hillsdale, informava que passavam alguns 
minutos das sete horas da noite.
Se no estivesse muito assustado, Adam Demski, seu pri-
meiro paciente em Hillsdale, chegaria dentro de poucos mi-
nutos.
A imagem em sua mente de Demski era muito vaga, em-
bora tivesse se reunido com ele e o dr. Freeberg por quase uma 
hora, depois do encontro das suplentes sexuais, naquela tar-
de. Conservava a impresso de um homem magro, alto, um 
pouco encurvado, talvez com quarenta anos, uma expresso 
submissa. Uma pessoa hesitante, sob todos os aspectos. Com 
uma preocupao pelo pnis pequeno. Duas mulheres, uma 
namorada recente e uma prostituta, haviam escarnecido dele. 
E depois disso fora incapaz de uma ereo. Concentrara-se 
em seu trabalho de contador, em Chicago, e evitara um rela-
cionamento maior com as mulheres. Tentara sair com umas 
poucas que haviam se mostrado mais gentis, mas isso no aju-
dara. O pnis permanecera flcido. Ultimamente, perdera tam-
bm o entusiasmo pelo trabalho. Fora ento que consultara 
um psicanalista; mas a verbalizao no resolvera o proble-
ma de ereo. Determinado a ajud-lo, o psicanalista enca-
minhara-o ao dr. Freeberg. Agora, Adam Demski estava em
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Hillsdale para voltar ao mundo dos vivos. 
A campainha da porta tocou.
Apressadamente, Gayle pegou a suter e a caixa de cos-
tura e guardou na gaveta da mesinha ao lado do sof, depois 
levantou-se e avaliou-se no espelho da parede. Afofou um pou-
co os cabelos. Afora isso, estava tudo no lugar.
Ela foi at a porta da frente e abriu-a.
Um homem ainda com aparncia jovem, bastante pli-
do, talvez mais alto do que ela lembrava, mais magro tam-
bm, estava parado sob a luz amarelada da varanda.
- Eu... sou Adam Demski - murmurou ele, com evi-
dente dificuldade. - No sei se se lembra de mim.
- Claro que lembro. - Gayle estendeu a mo, jovial-
mente. - E caso voc tenha esquecido, sou Gayle Miller. Te-
mos um encontro marcado. Pensei que no tivesse simpatizado 
comigo.
- Eu no...
Demski no continuou, fitando-a firme, mas sem aper-
tar a mo estendida.
Gayle estava acostumada a isso,  imobilidade e olhar fi-
xo de espanto, porque j lhe acontecera antes. Imaginava que 
isso ocorria porque os pacientes criavam uma imagem mental 
de como devia ser uma suplente sexual. Demski mal olhara 
para ela no gabinete do dr. Freeberg. Provavelmente espera-
va uma mulher mais experiente e profissional, jamais uma t-
pica moa americana, atraente e viosa, que podia ser a 
namorada de qualquer um.
Ela tornou a estender a mo, e desta vez Demski aper-
tou-a, muito rpido. Gayle levantou a mo, pousando-a em 
seu antebrao.
- Vamos entrar - disse ela, quase que o arrastando para 
a sala de estar. -  um prazer tornar a v-lo.
Demski parou no meio da sala, desconcertado. O que ele 
esperava?, especulou Gayle. Uma decorao de bordel, na base 
do cetim vermelho?
- ...  muito simptico - balbuciou ele. - Aconchegante.
- Ainda no est decorado direito. Acabei de alugar o

chal e no tive tempo. Trouxe alguns dos meus mveis do

Arizona... o sof, as cadeiras e a cama so peas antigas. Mas
j estou comprando o necessrio. Haver mais coisas na pr-
xima semana. Fique  vontade. Pode tirar o palet e afrouxar 
a gravata, se quiser. - Ela apontou para o sof. - Eu estava 
esquentando gua para fazer um ch. Aceita uma xcara... ou 
prefere um caf ou um refrigerante?
- A mesma coisa que for tomar, srta.... srta. Miller.
- Gayle. Vamos ser amigos, Adam. Daqui por diante 
me chame de Gayle.
Constrangido, ele sentou, lembrando depois de afrouxar 
a gravata, enquanto Gayle ia para a cozinha.
Ela voltou pouco depois com uma bandeja em que havia 
duas xcaras de ch e um prato com biscoitos de chocolate. 
Adam tirara o palet e o ajeitara com todo cuidado no encos-
to do sof. Estava folheando as pgimas do ltimo nmero 
da Vogue, sem o menor interesse.
Gayle sentou tambm no sof, no muito perto dele, e 
estendeu-lhe uma xcara de ch. Notou que a mo de Adam 
tremia ao peg-la.
- Pelo que me lembro, voc  de Chicago - disse ela.
- Nasci l.
- Em que lugar? J estive algumas vezes em Chicago.
- Ao norte.
- Mora sozinho?
- Moro. Tenho um apartamento.
- Tem muitas amigas?
Ele sacudiu a cabea.
- No... no agora. Ando muito ocupado.
Gayle tomou um gole do ch.
- O que faz quando no est ocupado, Adam?
- Uma poro de coisas. Ponho em dia a leitura. Vejo 
filmes. Sou scio de um clube de videocassete. Aos domin-
gos, durante a temporada, vou s vezes ao futebol americano 
com alguns colegas do escritrio.
Gayle refletiu por um instante sobre at que ponto podia 
pression-lo.
- Tem algum tempo para uma vida social, Adam?
Ele piscou, aturdido.
- Eu... no sei se estou entendendo. Est falando de ga-
rotas?
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- Voc vai a festas? Sai com mulheres para jantar fo-
ra?
Ele tomou todo o ch e largou a xcara vazia.
-- Eu costumava sair. No muito. Mas, agora, quase no 
saio mais. - Adam danou um olhar de soslaio para Gayle, 
tentando avali-la. - Acho... acho que sabe que tenho um 
problema. Estava presente quando o dr. Freeberg discutiu o 
assunto. Conhece o meu problema.
Gayle acenou com a cabea.
- E verdade. Talvez a metade dos homens deste pas te-
nha problemas nesta rea. A maioria deles trata de reprimi-los, 
ao invs de enfrent-los.
Ela no tinha certeza da estatstica, mas parecia vivel.
-  mesmo? - murmurou Adam. - Acho que tam-
bm preferi no discutir o assunto, por um longo tempo. Mas 
quando percebi que estava afetando meu trabalho... no con-
seguia mais me concentrar nas contas antigas... e no procu-
rava novas... pensei que devia haver uma relao.
- E estava certo, Adam. H uma relao. Se voc est 
com dificuldades sexuais, isto afeta no apenas a vida amo-
rosa, mas todos os setores da vida, a maneira como se rela-
ciona com as outras pessoas e com sua carreira.
- Eu estava tendo tambm... outros problemas. Tinha 
dificuldade para dormir. Mas me sentia muito envergonhado 
para procurar ajuda, at que um colega do escritrio mencio-
nou um grande analista para o qual mandara o filho. Fui pro-
curar esse analista e ele me ajudou a me abrir, a falar sobre 
o problema, e finalmente recomendou que eu viesse para a Ca-
lifornia por um ms, a fim de fazer um tratamento com o dr. 
Freeberg. - Adam deu de ombros. - E aqui estou. Mas... 
no tenho certeza se  possvel fazer alguma coisa.
- Pelo menos voc foi bastante inteligente e corajoso 
para tentar. E posso lhe garantir, Adam, que sempre  poss-
vel fazer alguma coisa. Se trabalhar com o dr. Freeberg e co-
migo, se aceitar nossas sugestes e no desanimar, tenho certeza 
de que no vai reconhecer seu antigo eu daqui a um ms... 
menos de um ms. Ser um homem novo em folha. Estar 
querendo todas as mulheres durante todo o tempo, e elas tam-
bm vo querer voc.
-  difcil acreditar. J fez isso para outros homens?
- Diversas vezes. Com pacientes em condies muito pio-
res do que as suas. O dr. Freeberg e eu nunca fracassamos.
- Quando comeamos? - indagou Demski bruscamen-
te, a palidez ainda mais acentuada.
- Agora. Neste momento, se voc estiver se sentindo re-
laxado.
- Acho que estou to relaxado quanto jamais conseguirei 
ficar. - Havia um ligeiro tique nervoso ao lado do olho di-
reito. Ele engoliu em seco. - Eu... eu devo me despir agora?
- No, Adam - respondeu Gayle, muito sria. - Isso 
seria precipitao. No momento oportuno, quando ambos es-
tivermos preparados, vamos nos despir. Por enquanto, fare-
mos apenas alguns exerccios simples, totalmente vestidos... 
e so exerccios muito importantes. Um deles se chama car-
cia de mo. O outro  carcia de rosto. Podemos comear com 
a carcia de mo.
- Carcia de mo... O que  isto?
- Exatamente o que diz o nome. Vou me concentrar em 
suas mos, me concentrar em toc-las, massage-las, senti-las, 
para deix-lo relaxado, com uma sensao de prazer, uma no-
o mnima de intimidade. Eu gostaria de sentar um pouco 
mais perto para comear, Adam. Voc se importa?
- Claro que no. O que quer que tenha de fazer, pode 
fazer.
Gayle levantou-se, ajeitou a almofada ao lado dele e tor-
nou a sentar, sua coxa mal roando na de Demski.
- A coisa funciona nos dois sentidos, Adam. Pegarei 
suas mos primeiro para mostrar como se faz o exerccio. Pe-
o a voc para no falar e eu tambm no falarei. E fique de 
olhos fechados.  melhor que no se deixe confundir por qual-
quer informao visual.
Ele estava visivelmente perplexo.
- Uma informao visual me confundir? Como isso po-
deria acontecer?
Gayle no sabia direito como explicar a necessidade de 
ele ficar de olhos fechados. Mas de repente se lembrou de uma 
coisa.
- Creio que posso lhe dar um exemplo, Adam. Quan-
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do eu estava sendo treinada em Tucson, aprendendo a ser uma 
suplente sexual, o dr. Freeberg arrumou um parceiro para tra-
balhar comigo, sob sua orientao. Na primeira vez em que 
esse parceiro e eu ficamos nus, deixei-me impressionar por sua 
beleza, como ele tinha um corpo bem-feito. Embora o dr. Free-
berg tentasse me mostrar a importncia do foco de sensao... 
a concentrao numa carcia nas costas... eu no prestava mui-
ta ateno, porque no fechava os olhos e admirava a beleza 
do parceiro ou o que podia ver dele. O dr. Freeberg percebeu 
o que eu estava fazendo. No mesmo instante tirou o leno do 
bolso, dobrou-o e vendou-me, para que eu parasse de me con-
centrar na coisa errada, passando a focalizar apenas as sensa-
es despertadas pela carcia. O dr. Freeberg conseguiu fazer 
com que isso acontecesse ao me vendar os olhos. Pode com-
preender agora a importncia de manter os olhos fechados, 
Adam?
- Eu... eu acho que posso.
- H outra coisa que voc precisa saber. Quando eu co-
mear a tocar em voc, ser para o meu prprio prazer. Farei 
isso por mim mesma e por isso no estarei exercendo presso 
sobre voc ou sobre mim para ter um bom desempenho. Fao 
por prazer, no pelo desempenho. O efeito da carcia de mo 
 a satisfao, primeiro para mim e depois para voc. O bom 
ato de amor consiste em primeiro amar a si mesmo e depois 
aprender a partilhar esse amor com outra pessoa. A partir do 
momento em que aprender a partilhar seu amor por voc mes-
mo, estar no caminho certo. Isso faz algum sentido?
- No tenho muita certeza.
Gayle concluiu que falar mais alguma coisa, quela altu-
ra, no adiantaria. Ela s poderia definir melhor o que estava 
tentando explicar atravs da demonstrao.
- Creio que ficar mais claro e far sentido  medida 
que continuarmos. Comeamos pela carcia de mo. Agora, 
quero que voc se recoste e fique confortvel, deixe-me pegar 
suas mos. Eu lhe direi quando acabar e depois quero que fa-
a exatamente o mesmo comigo. Entendido?
- Sim.
- E agora recoste, relaxe, feche os olhos, d-me suas 
mos.
Demski obedeceu, virando-se um pouco para ela, esten-
dendo as mos, que estavam tremendo outra vez. Gayle pegou-
as e colocou-as em seu colo. Os dedos de Demski eram com-
pridos, as articulaes grossas, as unhas bem-cuidadas. Ela 
soltou a mo esquerda e envolveu toda a mo direita.
- Em sua mente, procure se concentrar na temperatura 
das minhas mos nas suas, e qual a sensao quando o acari-
cio. Agora ficaremos em silncio.
Os dedos quentes de Gayle subiram suaves pelos dedos 
de Demski, pelo dorso da mo, at os cabelos no pulso. Len-
tamente, ela acariciou para baixo, entre o polegar e o indica-
dor, entre todos os dedos ossudos, contornou a mo inteira. 
Virou a mo de Demski, a palma para cima, recomeou com 
as carcias.
S depois que a mo direita estava inerte e quente  que 
ela pegou a esquerda, passando a massage-la, nos dois lados.
Ento Gayle pegou as duas mos, dentro das suas, foi 
deslocando os dedos, massageando, acariciando, compri-
mindo.
Aps uns vinte minutos baixou as mos de Demski para 
seu colo e soltou-as.
- Muito bem, Adam, pode abrir os olhos agora. Con-
versaremos um pouco. - Ela fitou-o nos olhos. - Como foi? 
O que sentiu?
- No sei dizer com certeza. Como posso descrever? Mas 
me senti muito bem.
Gayle deslizou os dedos por sua mo esquerda.
- Estava consciente de sensaes diferentes quando to-
quei sua mo em vrios pontos? Sentiu presses aqui... e aqui?
- Claro. Foi muito agradvel.
Gayle ps uma de suas mos sob a dele.
- Muito bem, agora  a sua vez de fazer a caricia de mo 
em mim. Feche os olhos e eu tambm fecharei os meus. Faa 
comigo o que fiz com voc. Por tanto tempo quanto desejar.
Depois de uma breve hesitao, Demski comeou a mas-
sagear e apertar as mos de Gayle. Continuou a faze-lo com 
uma intensidade cada vez maior. Quase dez minutos haviam 
passado quando Gayle entremeou seus dedos com os dele e 
deteve-o.
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- Muito bem, Adam, est timo. Pode olhar para mim.
Como foi? Experimentou alguma sensao especial?
- Ha... acho que sim. Foi como... como...
Ele no conseguia encontrar a palavra certa. Gayle ten-
tou ajud-lo.
- Talvez sensual?
-  isso!
- Houve mais - disse Gayle, em tom profissional. - 
Sentiu minhas mos macias, fracas ou firmes? Notou que eu 
tinha um pequeno calo? Notou como so minhas unhas, no 
muito compridas, mas com esmalte? E o dorso de minha mo 
 liso ou spero? Para a maioria das pessoas as mos nada 
representam, so apenas algo para se comer, escrever, aper-
tar. Mas h muito mais. O objetivo desse exerccio, Adam, 
 desenvolver e aguar seu senso de percepo e foco. Quero 
que saiba mais a respeito do seu corpo e do meu. Quero que 
conhea o formato e textura. Se fizer isso, comear a criar 
imagens em sua cabea... e quanto mais sensuais forem as ima-
gens que criar, mais vivo voc vai se sentir.
- Tive imagens sensuais ao fazer isso.
- Excelente, Adam. Os contornos de nossas mos, a sua-
vidade, a textura, todas essas coisas podem torn-lo consciente 
de si mesmo e de mim, como seres humanos. Ficamos acostu-
mados demais a ns mesmos e aos outros. Mas  medida que 
tivermos mais contatos, voc vai perceber a riqueza e varia-
es no seu corpo e no meu. Saber como  diferente tocar 
os cabelos em minha nuca e tocar os cabelos na virilha. Dei-
xar de se sentir repelido por seu corpo, vai se tornar mais 
alerta e desperto para cada experincia sensual. Como a car-
cia de rosto.  o que deveremos fazer em seguida, mas h 
tempo.
- O que  isso? - indagou Demski, preocupado.
- Apenas tocar o rosto um do outro, as diversas partes 
do rosto, de maneiras diferentes, sentindo a estrutura ssea, 
a pele, a penugem. Sempre achei que a carcia de rosto  uma 
experincia extraordinria. Alguns pacientes me disseram que 
fez com que se lembrassem do tempo em que eram crianas, 
a ternura com que eram acariciados nessa ocasio. Mas desde 
ento ningum os acariciava assim. Vamos experimentar,
54
Adam. Primeiro eu o acaricio, e depois voc faz a mesma coi-
sa comigo. Agora feche os olhos.

Ele obedeceu, e Gayle chegou mais perto, levantou as mos
e comeou a massagear-lhe a testa, com suavidade, depois des-
lizou as pontas dos dedos pelo nariz e faces, pelos lbios tr-
mulos, desceu pelo queixo.
Ela repetiu o procedimento vrias vezes e encerrou com
as duas mos a envolver-lhe o rosto.
- Muito bem, Adam. - Quando ele abriu os olhos, Gay-
le pde sentir a respirao quente em seu rosto. - O que vo-
c sentiu?
A princpio, ele foi incapaz de falar. Mas acabou sussur-
rando:
- Eu... queria beij-la. 
Gayle fitou-o nos olhos.
- E por que no? Pode beijar.
Demski inclinou o rosto e roou os lbios contra os dela. 
- Era isso o que voc queria fazer, Adam? 
- Era.
- Ou queria me beijar de maneiras diferentes? 
- Ha... no entendo o que est querendo dizer.
- Uma mulher tambm gosta de ser beijada de outras
formas. Nas plpebras, na ponta do nariz, na garganta, nos
lbulos das orelhas, nos ouvidos, por trs das orelhas. Algu-
ma vez j fez isso?
- No.
- Pois faa agora, comigo. Beijar pode ser quase to
ntimo quanto o intercurso. Comece pelas plpebras.
Ela fechou os olhos e sentiu os lbios nervosos de Dems-
ki adejarem em suas plpebras, depois esperou, enquanto ele
dava pequenos beijos em seus ouvidos, faces, nariz e quei-
xo. Sentiu-se tentada a agarr-lo, comprimir sua boca contra
a dele, abrir as duas, dar-lhe um beijo de lngua. Apenas para
relax-lo. Mas no sucumbiu  tentao. Seria ir depressa
demais, pressionar muito. Depois que ele acabou, Gayle dis-
se:
- Agora  sua vez de me fazer uma caricia de rosto. 
Os dedos de Demski percorreram seu rosto, hesitantes,
NICIP4,
        onlcIPe/ G '
55

explorando, esfregando cada ponto, por muitos minutos. Fi-
nalmente ela abriu os olhos.
- Como foi, Adam?
Ele sorriu mais relaxado.
- Eu gostei.
- E eu tambm.
- Foi... ha... sensual.
- Tambm pensei assim. - Gayle recostou-se. - Mui-
to bem, a est voc. J concluiu os dois primeiros exerccios. 
E descobriu que no havia nada de assustador. Talvez tenha 
at se divertido.
- Reconheo que gostei muito. - Demski inclinou-se 
para a frente, estendendo a mo para o palet no encosto do 
sof. - Acho que est na hora de eu ir embora. - Ele hesi-
tou por um instante. - O que... o que vamos fazer na prxi-
ma sesso?
- Banho de p. E depois... - Gayle estava pensando 
rpido. - Talvez possamos passar direto para a projeo de 
corpo.
- Projeo de corpo?
- Ns dois ficamos na frente de um espelho de corpo 
inteiro e dizemos o que gostamos e o que no gostamos em 
nossos corpos. Ambos estaremos nus.
A expresso de Demski no disfarou sua preocupao. 
- Vamos nos despir? Pensei que tivesse dito que isso s 
aconteceria mais tarde.
- Na maioria das vezes  assim mesmo. Um pouco mais 
tarde. Mas eu estava pensando que seria muito mais fcil pa-
ra ns dois, o progresso seria mais rpido, se pudssemos tra-
balhar juntos sem nada. - Ela examinou seu rosto atenta-
mente. - Como se sente em relao a isso, Adam?
- Eu... no sei...
- Vamos discutir o assunto com o dr. Freeberg primeiro. 
- Se fizermos isso... como poder me ajudar? 
Gayle exibiu um sorriso enigmtico. 
- Voc ver.
No silncio do moderno vicariato computadorizado, nos fun-
dos da Igreja da Ressurreio - uma sute onde o reverendo
Josh Scrafield residia e trabalhava - Darlene Young efetua-
va de modo eficiente a rotina de preparar o reverendo para 
o programa de televiso semanal.
Enquanto prendia o colarinho clerical na camisa branca 
engomada de Scrafield e o ajudava a pr o palet do austero 
terno escuro, Darlene sentiu outra vez o tamanho e a fora 
dele, que a esta altura j conhecia muito bem. Scrafield era 
um homem fisicamente forte, com mais de um metro e oiten-
ta de altura e musculoso, que considerava seu corpo um tem-
plo e fazia exerccios com halteres quatro vezes por semana, 
sob a orientao de um professor local. Ela sabia, pois Scra-
field lhe dissera muitas vezes que seu templo devia ser purifi-
cado e fortalecido regularmente, a fim de que pudesse ser uma 
inspirao para os fracos e frgeis de seu rebanho de adeptos 
cada vez maior. Ele gostava de dizer que compreendia os me-
dos e desejos de seus seguidores. Era apenas para entender ple-
namente suas tentaes que ele se forava, como explicava, 
a submeter-se pelo menos uma vez por semana aos ternos cui-
dados de Darlene.
Quando se candidatara ao emprego de secretria de Scra-
field e fora contratada, Darlene soubera desde o incio que 
teria funes duplas. No que ela se importasse. Scrafield era 
solteiro e Darlene h muito que estava divorciada. Quase ao 
final da casa dos trinta anos, Darlene queria um homem. Scra-
field no era desprovido de atrativos. Ao contrrio, as sobran-
celhas espessas por cima de olhos estranhamente mongis, 
olhos pretos ardentes, nariz arrebitado, queixo saliente e voz 
mesmerizante (uma grandiloqncia na fala) provaram ser ex-
tremamente sedutores. Ela se mostrara devotada a ele e sua 
generosidade, exibira uma astcia que se comparava  de Scra-
field, o que lhe valera uma promoo a divulgadora e produ-
tora de televiso, permitindo-lhe contratar uma secretria para 
si mesma. A esta altura, Darlene j no estava to encantada 
com o reverendo, mas tentava ignorar sua vaidade, dissimu-
lao e o que julgava ser uma certa insinceridade em sua su-
posta vocao. Ela tinha a impresso de que a verdadeira 
religio de Scrafield era a ambio de ser algum.
Agora que ele estava impecavelmente vestido, faltando 
apenas as calas, Darlene foi peg-las no cabide.
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- Ainda no - disse Scrafield. - Sabe que gosto de 
deixar as calas passadas para vestir no ltimo minuto.
Ela se certificou ento do que j sabia h vrios meses. 
Teve certeza do que lhe estava reservado.
Todo vestido, menos as calas, Scrafield encaminhou-se 
para a imensa escrivaninha, bastante grande para satisfazer 
qualquer Mussolini.
- Quero repassar o roteiro para esta noite mais uma vez 
- ele acrescentou, enquanto sentava atrs da mesa, pegava 
o roteiro e virava a cadeira em sua direo. - Voc se impor-
ta de escutar?
- Estou ansiosa para ouvir.
- Se alguma coisa soar errada, quero que me diga. 
- Claro.
- Muito bem. - Scrafield limpou a garganta. - Va-
mos comear.
Ela sentou num div ao lado da mesa, enquanto ele co-
meava a ler, com uma voz mais profunda e teatral do que 
o normal.
- Irmos e irms - disse o reverendo Scrafield -, mais 
uma vez recebi informaes sobre a ltima ameaa que de ma-
neira insidiosa e inexorvel se empenha em destruir nossas fa-
mlias e as prprias fundaes do sistema de vida americano.
"Esse tumor canceroso que invadiu as escolas de nossas 
crianas... as escolas primrias e secundrias...  conhecido 
como educao sexual. Tais ensinamentos, clamorosos e pro-
vocadores, esto sendo impingidos aos nossos jovens herdei-
ros, que ainda no se acham formados.
"Falem com algum que defende a educao sexual em 
nossas salas de aula e no em nossos lares e quase sempre se 
descobriro falando com algum que tambm defende o aborto 
irrestrito, os perigosos direitos dos gays, o atesmo e o comu-
nismo.
"Esta noite, meus irmos e irms, quero que escutem al-
guns fatos... fatos verdadeiros... que lanam alguma luz so-
bre a questo da educao sexual.
"Segundo as ltimas estatsticas disponveis, para os jo-
vens entre 13 e 19 anos de idade houve 1.181.000 casos de gra-
videz em apenas um ano... mais ou menos a metade terminando
em aborto e a outra metade levando a nascimentos.
" evidente que todos esses casos de gravidez indesejvel 
foram provocados pelo tipo de educao sexual que est ocor-
rendo em todos os estados da Amrica... os ensinamentos, por 
instrutores despreparados ou mal preparados, sobre todas as 
questes sexuais, do uso de anticoncepcionais s tcnicas se-
xuais para se alcanar o orgasmo. Isso acontece apesar do que 
ficou constatado numa recente pesquisa de Yankelovich, Skelly 
e White, revelando que 8401o dos pais de adolescentes consulta-
dos acham que lhes compete informar os filhos sobre os pro-
blemas sexuais, uma responsabilidade que s deve ser assumida 
por pais zelosos e no por escolas politizadas.
"Quero lhes contar uma histria terrvel que ocorreu h 
pouco tempo. Na escola secundria de San Marcos, Califor-
nia, descobriu-se que mais de 20010 das alunas estavam grvi-
das, em 1984. Quando tomou conhecimento do fato, o con-
selho da escola apressou-se em reavaliar o programa de edu-
cao sexual, modificando-o de maneira considervel.
"Quando se sabe da estatstica chocante de que 48010 dos 
estados no tm uma poltica orientadora para a educao se-
xual, deixando tudo aos cuidados dos conselhos educacionais 
locais, ento vocs devem compreender que precisam ter uma 
voz na tomada de decises a respeito, avisando aos conselhos 
que esto vigilantes e que responsabilizaro seus membros pelo 
comportamento pecaminoso que promovem, sob o disfarce 
de educao sexual.
"Devemos todos agir de comum acordo com o Comit 
Feminino por um Governo Responsvel, que j processou o 
estado da California por gastar dinheiro pblico em educa-
o sexual subversiva em nossas escolas. Devemos dar as mos 
para conter essa corrupo sistemtica dos inocentes. Deve-
mos nos tornar tambm a maioria moral, que teme e ama a 
Deus, desta nao maravilhosa.
Scrafield continuou a falar, sem interrupo, com Dar-
Iene Young ouvindo, atenta e submissa. Quando acabou, ele 
largou as folhas e levantou os olhos.
- O que acha, Darlene?
- Muito bom, muito assustador. As estatsticas so mes-
mo verdadeiras?
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- Pode apostar que sim. E j devia saber disso. Afinal, 
foi voc quem contratou aquele pesquisador, Chet Hunter, pa-
ra trabalhar para mim. Ele tem uma reputao de acurcia.
- Tem razo. Ele  mesmo bom.
Scrafield olhou para seu relgio de pulso.
- Ainda temos 15 minutos ou mais at a limusine che-
gar para nos levar ao estdio da televiso. Acho que estou pre-
cisando relaxar um pouco antes de entrar no ar. Est com 
vontade, meu bem?
Ela balanou a cabea com um falso entusiasmo.
- Sabe muito bem que sempre estou.
Enquanto Scrafield abria a cueca, ela se perguntou de pas-
sagem por que aquela mudana ocorrera, h poucos meses. 
Ele sempre tivera o hbito, antes de se apresentar na televi-
so, de lev-la para a cama. Alegava que precisava relaxar e 
dava uma trepada rpida.
Mas ultimamente no havia mais cama. Havia apenas 
aquilo. Darlene se perguntou se, chegando aos quarenta anos, 
no seria mais to atraente para ele. Seus cabelos louros esta-
vam mais descorados, o rosto mais flcido, os seios grandes 
mais cados, estava um pouco gorda na cintura e nos quadris. 
Tambm era possvel que ele estivesse se cansando dela, 
tornara-se mais impaciente, envelhecera e queria descarregar 
mais facilmente, sem precisar fazer qualquer esforo.
Ela viu que Scrafield j abrira a cueca e se mostrava para 
o seu prazer.
Sem qualquer hesitao e com um sorriso artificial, ela 
foi se postar de joelhos diante dele. Pegou o rgo flcido com 
uma das mos. Ao faze-lo, ele murmurou seu comentrio pre-
dileto, que Darlene j ouvira muitas vezes antes:
- Como W.C. Fields costumava dizer: "Nunca bebo 
gua porque os peixes fodem nela."
Depois Scrafield soltou uma risadinha. Habilmente, s 
com uma das mos, Darlene estava excitando-o. Percebeu que 
ele fechava os olhos e se recostava na cadeira, enquanto ela 
baixava a cabea entre suas pernas.
Em cinco minutos, Scrafield soltou um gemido gutural 
e em seguida deixou escapar um longo suspiro.
Depois, sentada outra vez em frente a ele, Darlene espe-
rou que Scrafield se recuperasse plenamente. Ele inclinou-se 
para a frente e afagou sua cabea.
- Bom, meu bem, muito bom. Como eu fui?
- Maravilhoso. Adoro cair de boca em voc.
Scrafield franziu o rosto.
- Sabe que no gosto dessa expresso. Sou contra esse 
tipo de fala.
Darlene sentia-se desafiadora.
-  alguma coisa. Como se pode chamar ento?
- Apenas um relaxamento antes do grande espetculo, 
s isso. Apenas uma brincadeira.
- Para mim  timo, qualquer que seja o nome.
Os dois se levantaram.
- E agora me ajude a pr as calas. O carro deve che-
gar dentro de cinco minutos. - O reverendo pegou o texto. 
- No acha que dei a impresso de ser contra o sexo, no 
 mesmo?
- Claro que no, Josh. Seu discurso foi saudvel. Era 
obviamente contra o sexo imoral. E agora vista suas calas.

Quando Suzy Edwards chegou  porta do apartamento de Chet 
Hunter, ele abriu-a no mesmo instante e recebeu-a com um 
beijo entusiasmado. A televiso estava ligada, e Suzy perce-
beu que ele queria voltar logo a assistir ao programa.
- Fique  vontade, Suzy. - Ele apontou para a televi-
so. - Preciso assistir at o fim. Mas j est quase terminando.
Desabotoando o bluso de couro, Suzy se perguntou o 
que tanto atraa Chet na televiso. Ele estava postado na frente 
do aparelho, refestelado em sua velha poltrona. Largando o 
bluso, ela foi ver ao que Chet assistia. Ele bateu com a mo 
no lugar a seu lado e Suzy sentou.
Um homem bonito, de cinqenta e poucos anos, com um 
rosto cheio de senador romano, ombros largos, braos mus-
culosos, usando um colarinho clerical e um terno azul-escu-
ro, ocupava toda a tela. Ele fez uma pausa, pegando um copo 
com gua na mesa ao lado do plpito.
Suzy reconheceu-o como o reverendo Josh Scrafield, o 
mais popular evangelista da costa oeste. Amarrou a cara no 
mesmo instante.
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- Como pode perder tempo a escutar esse fantico, 
Chet? Ele  terrvel. Encontrei-o por acaso um dia e tratei de 
me afastar. Ele estava fazendo uma lamentvel pregao contra 
a educao sexual nas escolas.
- Essa  a rotina habitual dele - comentou Chet, sem 
desviar os olhos da televiso.
- Mas voc no precisa perder seu tempo...
-  uma questo de negcios. Ele  um dos meus clien-
tes de pesquisas. Encarrega-me de fazer pesquisas ocasionais, 
quando est procurando material para o seu programa de te-
leviso.
A voz trovejante de Scrafield tornava a se espalhar pela 
pequena sala. Suzy levantou-se de um pulo e foi desligar a te-
leviso.
- No posso suportar isso por mais tempo, Chet. Te-
mos coisas mais importantes para fazer.
Chet comeou a protestar, mas deu de ombros quando 
Suzy voltou e sentou na poltrona grande, ao seu lado, depois 
sorriu e abraou-a.
- Isso  muito melhor, Suzy. Fico contente que voc te-
nha vindo.
Chet deslizou a mo pela blusa de Suzy, contornando os 
seios cheios. Comeou a desabotoar a blusa. Ela tentou deter 
sua mo.
- Eu queria antes conversar com voc sobre uma coi-
sa, Chet.
Mas a mo j estava por baixo do suti, os dedos procu-
rando pelo mamilo.
- Deixe para depois. Tenho outra coisa que est em pri-
meiro lugar.
- Estou falando srio, Chet... - A voz definhou, en-
quanto ela sentia os mamilos ficarem rgidos e deixava que 
ele a puxasse para seu colo. - Chet...
Suzy sentiu ento a ereo contra sua coxa e deixou esca-
par um pequeno gemido. Ele estava tirando sua blusa.
- Podemos conversar depois, meu bem. Quero ir para 
a cama. Desta vez ser sensacional. Vamos, querida.
A resistncia de Suzy sumira, assim como sua blusa. O 
suti se soltou e ela se levantou, cambaleando, puxando o z-
per da saia. Enquanto a saia caa no cho, ela murmurou:
- Est bem, querido. Vamos.
Ela baixou a meia-cala, enquanto Chet se despia rapi-
damente.
Um minuto depois ela estava na cama, deitada de costas, 
as pernas bem abertas. Observou-o se ajoelhar na cama ao seu 
lado. Podia ver que ele estava pronto e sua excitao aumentou.
Estendeu os braos para Chet, que num instante se colo-
cou entre suas coxas rolias.
- Meta logo, querido - balbuciou Suzy.
Ele estava se inclinando sobre ela, procurando a abertu-
ra, que no demorou a encontrar. Suzy soltou outro gemido.
Chet comeou a penetr-la, quando de repente engasgou, 
quase convulsivamente, comeou a ter o orgasmo.
- Oh, Deus! - exclamou ele.
Suzy ficou imvel, impotente, os olhos fixados no rosto 
torturado de Chet.
Ejaculao precoce.
Outra vez.
Um minuto depois ele se inclinou para trs, acocorado, 
pronto para chorar. Suzy levantou-se, afagou-lhe a cabea e 
saiu do quarto. Ele ouviu o barulho do chuveiro. Ao voltar, 
ela postou-se ao seu lado.
- Oh, Deus, sinto muito... - balbuciou ele. - Peo des-
culpas. Estou to irritado comigo quanto voc deve estar.
Suzy passou o brao por seus ombros nus encurvados.
- No estou zangada com voc, querido. Continuo a 
am-lo.
- Como pode? - Chet sacudiu a cabea. - No sei o 
que h de errado comigo.
- Talvez eu saiba - murmurou ela, tentando consol-
lo. - Talvez eu saiba exatamente o que est errado. E conhe-
o algum que sabe o que pode ser feito, algum que pode aju-
dar-nos. Foi por isso que vim aqui esta noite.
Ele fitou-a nos olhos, desolado.
- Como? Como algum pode ajudar?
- Por favor, Chet, preste ateno ao que vou dizer. Sa-
be que comecei num novo emprego como secretria h pouco 
tempo... secretria mdica...
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- Voc me falou.
- Talvez eu tenha dito tambm a voc com quem estou 
trabalhando... ou talvez no, porque  um trabalho confiden-
cial. Seja como for, o homem para quem estou trabalhando 
 o dr. Arnold Freeberg. Isso lembra alguma coisa a voc?
- Vagamente. Parece que li algo...
- Ele abriu h pouco tempo a Clnica Freeberg, no cen-
tro.  um respeitvel terapeuta sexual. Treinou seis suplentes 
sexuais para trabalharem com ele.
Chet franziu a testa.
- Suplentes sexuais? Est falando das mulheres que aju-
dam os homens... os homens com dificuldades?
- Exatamente. O dr. Freeberg acaba de aceitar quatro 
ou cinco pacientes. Ele e as suplentes sexuais vo tentar cu-
r-los. Sei de tudo a respeito. Passei o dia de hoje transcre-
vendo as histrias dos pacientes.
Ela comeou a relatar os casos, um dos quais tinha um 
problema igual ao de Chet Hunter.
- Ejaculao precoce - disse Suzy. - O dr. Freeberg 
comentou para a suplente que vai trabalhar no caso: "Este 
no deve ser difcil.  um dos problemas que se resolve com 
mais facilidade." A suplente vai fazer exerccios com o pa-
ciente que devem cur-lo.
Pela primeira vez, Chet empertigou-se na cama.
- Suplentes sexuais - murmurou ele -, bem aqui em
Hillsdale, suplentes sexuais na pequena e doce Hilisdale. 
Suzy ficou desconcertada.
- O que h de to excepcional nisso?
Chet reagiu com surpresa. Era evidente que sua mente es-
tava em disparada.
- Ser que no percebe, meu bem? Esta tpica cidade 
da famlia americana conservadora no tem suplentes sexuais. 
No pode ter.  uma coisa sem precedentes.
- Ainda no entendi.
Chet levantou-se e comeou a pr a cueca.
- Suzy, esta  uma histria e tanto, uma grande hist-
ria. Se eu fornecer a Otto Ferguson no Chronicle uma infor-
mao assim, ele pode me destacar para trabalhar na hist-
ria. E isso pode me trazer a grande oportunidade, o empre-
go no jornal com que sempre sonhei.
Suzy tambm estava de p.
- Esquea esse aspecto, Chet.  tudo confidencial. Posso 
ter falado com voc, mas ainda sou a secretria confidencial 
do dr. Freeberg.
- Sei disso. No se preocupe.
Ela foi abra-lo pela cintura.
- S lhe contei porque acho que pode ajudar a ns dois. 
Quero que voc fale com o dr. Freeberg. Ele o aceitaria como 
paciente. Vai conseguir cur-lo, e nunca mais teremos pro-
blemas.
Chet balanou a cabea e beijou-a.
- Tem toda razo, Suzy. Voc  maravilhosa. E pode 
estar certa de que irei conversar com o seu Freeberg. Se ele 
me aceitar, tudo acabar bem. Mas no sei se tenho dinheiro 
suficiente para esse tipo de tratamento.
- No se preocupe com isso, Chet. Posso emprestar o 
que precisar.
- No, obrigado. Posso arrumar o dinheiro sozinho. 
Deixe tudo comigo.
Ela comeou a se vestir.
- Mas vai falar com o dr. Freeberg? O mais cedo pos-
svel?
- Voc sabe que sim. No prometi? Pode contar comi-
go. E agora vamos tomar um drinque para comemorar. Voc 
e eu, juntos, estaremos nos entendendo perfeitamente muito 
em breve.
Aps concluir a primeira sesso com seu primeiro paciente em
Hillsdale, Gayle Miller foi  Clnica Freeberg, trancou-se nu-


ma das trs pequenas salas  prova de som no poro, reserva-


das para a gravao dos relatrios, e descreveu na mquina

tudo o que acontecera em seu encontro com Adam Demski.

Depois, deixou a gravao na mesa do dr. Freeberg, para que

ele pudesse escut-la pela manh. Saiu e foi ao Market Grill,

ao lado, a fim de tomar um caf e comer um po de queijo.

Sentada  nica mesa vaga junto da grande janela que

dava para a rua, ela reconheceu um vulto familiar entrar e pro-


curar um lugar para sentar. Os cinco bancos no balco da lan-

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chonete estavam ocupados, assim como o resto das mesas. Ob-
servando Paul Brandon procurar uma mesa, Gayle no tinha 
certeza se queria que ele sentasse  sua frente, recordando seu 
comentrio irritante naquela manh. Depois, percebendo que 
ele se resignara a esperar de p, Gayle amoleceu. Por um la-
do, ele era seu colega de profisso. Por outro, era muito atraen-
te... em torno de um metro e oitenta de altura, um corpo forte 
mas esguio, cabelos escuros desgrenhados que precisavam de 
um corte, rosto anguloso. Usava um blazer cinza sobre uma 
camisa esporte axadrezada aberta no pescoo e uma jeans des-
botada.
Vendo-o se aproximar, olhando ao redor para descobrir 
se alguma mesa estava prestes a vagar, Gayle levantou a mo 
e fez-lhe um sinal. Quando Brandon olhou, ela apontou para 
a cadeira vazia  sua frente.
Percebendo quem era, Brandon sorriu, acenou com a ca-
bea e fez seu pedido a uma garonete que passava. Quando 
ele se aproximou, Gayle tornou a indicar a cadeira  sua fren-
te e disse:
- Se voc quiser...
- Claro que quero. Obrigado, Gayle. Eu no tinha cer-
teza se voc apreciaria minha companhia, depois da nossa pe-
quena discusso hoje.
- Ora, esquea.
Brandon deu de ombros.
- Voc me arrasou e eu bem que mereci. - Ele esperou 
que a garonete servisse o caf puro. - Seja como for, peo 
desculpas por ter tentado bancar o espertinho. No  meu es-
tilo. Acho que eu queria apenas chamar sua ateno.
Gayle tomou um gole de seu caf.
- Por qu? Para ser franca, tive a impresso que voc 
me desaprovava por algum motivo.
Fitando-a nos olhos, ele sacudiu a cabea com vigor.
- De jeito nenhum! No foi essa a minha inteno. Eu 
a aprovo totalmente. Mas, por um lado, voc se dirigia com mais 
freqncia s mulheres, e eu queria que tomasse conhecimento 
de minha presena. - Brandon hesitou por um instante. - Por 
outro, eu... ha... observando-a, no pude deixar de indagar co-
mo uma garota to linda, to desejvel, podia... no sei...
- Ir para a cama com homens diferentes?
- Acho que  isso. Sei que  uma besteira, depois de to-
do o meu treinamento.
- E  mesmo. Afinal, voc fez todo o trabalho junto 
com as nossas outras suplentes.
- No  a mesma coisa. Elas formam um grupo timo, 
mas voc  diferente, mais jovem, mais viosa, parece incon-
cebvel que seja uma suplente sexual. Por isso, quando comen-
tou que teria um paciente esta noite... sem pensar, eu quis 
chamar sua ateno... talvez inconscientemente desejasse im-
pedir que se envolvesse com outro homem.
- Quaisquer que sejam as suas boas intenes, Paul, que-
ro que saiba que no tenho qualquer problema em me encon-
trar e trabalhar com homens. Fao isso porque acho que estou 
realizando alguma coisa boa, ajudando outro ser humano a 
se tornar saudvel.
Ele tomou o caf.
- Muito bem. Se queria que me sentisse envergonhado, 
conseguiu.
- S quero que voc compreenda minha motivao.
Brandon balanou a cabea.
- E compreendo... eu acho. Estou jogando a toalha. Por 
falar nisso, como se saiu com seu paciente esta noite?
- Como de rotina, bem. Fizemos a carcia de mo e a 
carcia de rosto. Ele  muito tmido, por isso estou tentando 
conquistar sua confiana. E acabei de fazer meu primeiro re-
latrio para o dr. Freeberg. - Ela deu uma mordida no po 
de queijo e tomou mais um gole do caf. - E por falar nisso, 
o que voc est fazendo aqui a esta hora? Ainda no tem ne-
nhuma paciente, no  mesmo?
- No, no tenho. E tambm ainda no tenho um apar-
tamento. Continuo num hotel de segunda. Vim  clnica para 
buscar uma lista de possveis apartamentos que Suzy deixou 
para mim e acabei me absorvendo na leitura de um livro de 
psicologia que peguei na biblioteca.
- Livro de psicologia? - repetiu Gayle, com o maior 
interesse. - Psicologia  a minha matria e objetivo. Tam-
bm  o seu?
- No sei ainda. Talvez psicologia. Talvez educao se-
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xual. Neste momento, estou indeciso. Est querendo dizer que 
o trabalho de suplente sexual no  o seu objetivo?
- No, Paul, no . J estou nisso h algum tempo e 
no me importo de continuar. Mas h muita tenso no traba-
lho, como voc vai descobrir. Acho que eu ficaria numa posi-
o melhor depois que conclusse os estudos. Psicologia sexual 
seria perfeito, se eu puder fazer a ps-graduao enquanto con-
tinuo como uma suplente sexual. Poderia ento permanecer 
nesse trabalho por um longo tempo, sabendo que estou fa-
zendo algo til.
- Est fazendo com que eu me sinta mais desprezvel 
do que nunca.
- S estou dizendo como me sinto - respondeu Gayle, 
muito sria.
- E acredito em voc. - Brandon ps de lado a xcara
de caf, pegou o cachimbo e suspendeu-o. - Importa-se? 
- De jeito nenhum. H alguma coisa contemplativa e
madura num cachimbo.
Brandon riu.
-  justamente esse o objetivo. - Ele encheu o cachim-
bo e encostou a chama do isqueiro no fumo, observando-a. 
- Estou curioso, Gayle. Como algum como voc, do tipo 
de animadora sexual, tornou-se uma suplente sexual?
Ela sorriu.
- Acho que foi uma questo de sorte. No me importo 
de contar a verdade. Voc me parece muito aberto. Tive umas 
poucas ligaes amorosas no colgio. E no pude continuar. 
Culpava a mim mesma e me angustiava porque era no-
orgstica. Ouvi falar do dr. Freeberg, que acabara de se mu-
dar para Tucson. Fui procur-lo e conversamos a respeito. Ele 
me sugeriu que experimentasse a automasturbao. Eu nunca 
tinha feito isso desde a infncia. Talvez pensasse que era pe-
cado. No era. E foi maravilhoso. Pareceu romper o gelo. Nos 
dois encontros sexuais seguintes fui muito orgstica. Sem qual-
quer problema. Estou chateando voc?
- Ao contrrio. Estou fascinado.
- E depois me apaixonei por um colega, um jovem in-
trovertido, estudante de histria, chamado... oh, Deus, ser 
que j esqueci seu nome?... era Ted... Ted alguma coisa. Ele
era muito inteligente, mas do tipo fechado. Um jovem muito 
perturbado, mas eu no sabia at que ponto na ocasio. Ele 
tambm se apaixonou por mim. Fomos para a cama, mas is-
so foi tudo. No aconteceu nada. Ele no foi capaz de fun-
cionar. Outra vtima da me. Esforcei-me ao mximo. Creio 
que fomos juntos para a cama seis, sete ou dez vezes. Ele no 
conseguiu ficar duro uma nica vez. Seja como for... no quero 
entrar em detalhes... encontraram-no morto uma manh. Ha-
via tomado uma overdose. Um suicdio aos vinte anos. No 
d para descrever como isso me abalou. Tornei a procurar o 
dr. Freeberg e despejei meus sentimentos. Acabei compreen-
dendo que no fora culpa minha e me recuperei. Entre o epi-
sdio e minhas visitas ao dr. Freeberg, uma deciso comeou 
a se formar em minha mente. Disse a mim mesma que a tra-
gdia que ocorrera com Ted nunca mais deveria ocorrer com 
ningum, se fosse possvel evitar. Eu queria ser til, ajudar 
na recuperao de outros homens sexualmente incapacitados. 
O dr. Freeberg me falara um dia em suplente sexual, e pedi 
que explicasse o que isso significava. Ele o fez. E acrescentou 
que j pensara em me usar como suplente sexual. Tinha al-
guns casos aparentemente irrecuperveis e achava que o tra-
balho com uma suplente sexual poderia resolve-los. Pergun-
tou-me se eu no estaria interessada. Claro que eu estava. Ele 
me treinou e comecei a trabalhar. Era estimulante, mas tam-
bm ilegal. Quando descobriram, o dr. Freeberg foi obrigado 
a trocar o Arizona pela California. Eu estava ansiosa em segui-
lo. Ele se sair muito bem aqui. E eu tambm.  uma histria 
muito longa?
- No o suficiente. Uma noite dessas, quando tiver tem-
po, eu gostaria de ouvir mais. Voc  uma mulher muito inte-
ressante.
Gayle ignorou a sugesto verbal.
- E voc, Paul? Por que est aqui?
- Quer mesmo saber?
- Conte tudo. O que voc estava fazendo e onde, por 
exemplo, quando resolveu vir para Hillsdale?
- Tentarei fazer com que seja uma histria bem curta. 
Formei-me pela Universidade do Oregon, em Eugene. Fiz o 
curso de biologia. Tambm tive algumas aulas de educao
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sexual. Depois, por causa do envolvimento com algum, pas-
sei um breve interldio em Los Angeles. Voltei para o Ore-
gon e me tornei um professor substituto de cincia, ao nvel 
de escola secundria, enquanto tentava decidir o que fazer com 
a minha vida. Soube que o dr. Freeberg estava precisando de 
um suplente sexual masculino e me candidatei. Mas sabia que 
no podia ganhar a vida apenas com isso. Por isso, ao mes-
mo tempo, candidatei-me a uma vaga de professor substituto 
de cincia no Distrito Escolar de Hillsdale. Fiz o teste bsico 
de capacidade pedaggica da California e fui aprovado. Ve-
nho dando aulas periodicamente desde ento por aqui, enquan-
to fazia o treinamento para suplente e esperava o primeiro 
trabalho do dr. Freeberg. Isso  tudo, Gayle.
- No, no  tudo - protestou Gayle, que escutara aten-
tamente. - Eu contei por que estou nesse trabalho. Mas voc 
ainda no me explicou os seus motivos. Por que est nisso, 
Paul?
Ele exibiu um sorriso artificial.
-  o momento da verdade?
- Claro. Prefiro que voc seja franco. Por que se tor-
nou um suplente sexual?
Ele deixou escapar um suspiro lento.
- Por dinheiro. Tenho algumas economias e no que-
ria que acabassem. Precisava de alguma coisa para comple-
mentar o salrio de professor. O trabalho de suplente sexual 
parecia o ideal. Poderia me ajudar a viver, temporariamente, 
com o que acontece de maneira natural... isto , ao mesmo 
tempo em que me divertia um pouco.
- Nem sempre  divertido, como voc vai descobrir 
quando estiver envolvido. Apenas dinheiro? 
- Apenas dinheiro.
- Voc  mesmo honesto.
Brandon forou outro sorriso.
- Neste momento, eu gostaria de no ser. Gostaria de 
ter um motivo mais elevado.
- No pense assim. Voc  o que . Para mim  um pou-
co difcil encarar a questo como voc. Acredito sinceramen-
te que estou fazendo uma coisa boa, ajudando os outros.
- E est, Gayle - disse ele, batendo a cinza do cachim-
bo. - Seus pacientes so muito afortunados por contarem com 
uma jovem to bonita e ainda por cima devotada.
Gayle pegou a bolsa e a conta. Levantando-se, ela fitou-
o atentamente.
- Quer saber de uma coisa, Paul? No tenho certeza se 
acredito em tudo que me contou... que est fazendo isso ape-
nas por dinheiro. Afinal, voc se tornou professor, uma pro-
fisso de baixa remunerao. Deve querer ensinar por outros 
motivos que no apenas o de ganhar dinheiro. Talvez tam-
bm queira ajudar os outros com essa atividade. O que o le-
varia ao trabalho de suplente sexual pelo mesmo motivo.
Ela fez uma pausa, fitando-o com uma expresso inqui-
sitiva, antes de acrescentar:
- Isso mesmo, desconfio que h mais do que se v na 
superfcie.
Levantando-se, ele sorriu.
- S h um meio de descobrir. Torne a se encontrar co-
migo. - Ele inclinou-se rapidamente e tirou a conta da mo 
de Gayle. - Se voc pagar, ter sido apenas um encontro for-
tuito. Se eu pagar, ser o nosso primeiro encontro como ami-
gos. O que me diz de um segundo?
- Telefone-me quando puder. Suzy tem o meu nmero. 
Veremos ento. - Ela sacudiu a cabea. - Dois suplentes se-
xuais juntos em seu tempo de folga? Parece muito estranho. 
- Ela tocou na mo de Brandon. - Mas por que no?
E, depois, deixou o caf.
70
71

III
Era de manh, e em sua sala na clnica em Hillsdale o dr. Ar-
nold Freeberg aguardava a chegada a qualquer momento do 
dr. Max Quarrie, mdico e psicanalista de Los Angeles.
No incio daquela manh, depois do desjejum e antes de 
sair para a clnica, Freeberg recebera um telefonema inespe-
rado do dr. Quarrie.
Aps breves cumprimentos sociais, o dr. Quarrie passa-
ra a falar de modo profissional.
- Recebi sua carta, Arnold. Quer dizer ento voc j est 
em atividade.
- Isso mesmo - concordara Freeberg, especulando so-
bre o que estava para vir.
- Talvez eu tenha algum para voc. Tudo vai depen-
der de vrios fatores. Voc tem um suplente sexual masculino 
em sua equipe?
- Tenho um. Plenamente treinado. E creio que muito 
competente.
- Eu estava me lembrando daquela nossa conversa no 
seminrio sobre disfuno sexual em Buffalo. Voc comen-
tou que no era fcil encontrar suplentes sexuais masculinos 
bem treinados.
- Porque a demanda  mnima, Max. Muitas mulheres 
com problemas poderiam us-los, mas concordamos na oca-
sio que a maioria reluta em ter contato com homens estra-
nhos hoje em dia. Por recentes indagaes que recebi de cole-
gas, no entanto, cheguei  concluso de que mais e mais mu-
lheres esto aceitando a idia, desde que no haja qualquer 
risco envolvido. Por isso recrutei um suplente masculino, que 
est agora plenamente treinado. Tem algum caso para mim?
- Tenho, sim, Arnold. Um caso que me foi encaminhado 
por um clnico amigo. A moa tem um problema. Estou con-
vencido de que pode ser curada. No por mim, j conclu, nem 
por um ginecologista. Experimentei isso tambm. Mas talvez 
por algum como voc. Eu gostaria de conversar pessoalmen-
te com voc, e quanto mais cedo, melhor. Quando posso ir 
 sua clnica?
- Agora, se quiser. Ficarei livre daqui a uma hora.
- timo. Estarei l dentro de uma hora, e voc poder 
decidir ento se  possvel fazer alguma coisa, depois de ouvir 
o relato do caso.
- Combinado, Max. Terei o maior prazer em receb-lo.
Freeberg estava agora em sua sala, sentado atrs da me-
sa, enquanto o mope e rolio dr. Max Quarrie sentava no outro 
lado, com uma pasta azul no colo. Corn a mo livre, ele tirou 
um leno do bolso e enxugou a testa.
- A umidade por aqui  terrvel, e a viagem de carro 
no  to curta assim. - Quarrie tornou a guardar o leno 
e estendeu a pasta azul com as duas mos. - O nome dela 
 Nan Whitcomb Single. Nunca foi casada, mas tambm no 
 inexperiente. Perto dos quarenta anos. Feia. Fisicamente sau-
dvel. Ficou rf no incio da adolescncia e passou a ser criada 
por uma tia idosa. A tia nunca teve muito dinheiro. Morreu 
h cerca de trs meses e deixou Nan sozinha. Quando j ha-
via gasto quase todo o pouco dinheiro que herdou, Nan com-
preendeu que precisaria arrumar um emprego para sobreviver. 
Tambm precisava de companhia. Tinha poucos amigos do 
sexo masculino, mas nada representavam. Todas as suas ami-
gas so casadas e tm famlias.
- Ento ela precisava de um emprego e de um lar?
- Isso mesmo, Arnold. Nunca tivera antes um empre-
go fixo, limitando-se a trabalhar como caixa, em carter tem-
porrio, em vrias lojas, durante o grande movimento da 
temporada de Natal. Ela  muito boa em nmeros. Comeou
72
73

a ler anncios de empregos de caixa, encontrou vrios, mas 
no teve sorte. H cerca de dois meses ela viu um anncio pe-
dindo uma caixa experiente no principal restaurante de Hills-
dale, de propriedade de um homem chamado Tony Zecca, 
possuidor de uma cadeia de restaurantes. No o conheo. Pe-
lo que Nan me contou, no entanto, sei que  um veterano do 
Vietnam, com 45 anos, um homem rude. Nan desconfia que 
ele tem ligaes com o crime organizado... apenas uma pe-
quena engrenagem, mas eu diria que foi gente de fora que fi-
nanciou sua cadeia de restaurantes. Nan candidatou-se ao 
emprego de caixa no Hillsdale Mall, e ao final de uma tarde 
o prprio Zecca entrevistou-a, em seu escritrio. Pelo que sei, 
 um homem baixo, de ombros largos, olhos empapuados. 
Foi uma entrevista longa, quase toda de perguntas rotineiras. 
Durante todo o tempo, Zecca a observava compenetrado.
"Nan contou que em determinado momento ele se em-
pertigou subitamente, sem desviar os olhos dela, sacudiu a ca-
bea e disse: `Isso  muito esquisito.' Confusa, Nan indagou: 
`O que, sr. Zecca?' E ele respondeu: `Voc. Parece uma garo-
ta que eu conheci. Foi pouco antes de eu entrar para o exrci-
to. Ela se chamava Crystal. Eu comeava a conhec-la melhor, 
ainda no havia nada de ntimo, mas j pensava que gostava 
dela, quando fui convocado para o Vietnam. Obtive a pro-
messa de que ela me esperaria at eu dar baixa e poderamos 
ento pensar em casar. Ela concordou. Mas no cumpriu a 
promessa.' Ela mandou para Zecca uma dessas cartas do tipo 
`Caro John', ou como quer que chamem agora, dizendo que 
lamentava muito, mas conhecera outro homem, iam casar e 
se mudar para o leste. Zecca ficou amargurado, como no po-
dia deixar de ser. Jurou que nunca mais confiaria em outra 
mulher. E depois Nan entrou em sua vida. Zecca disse a ela: 
` estranho a maneira como voc se parece tanto com Crystal. 
No posso acreditar.  como se ela estivesse voltando para 
mim.' Acho que Nan respondeu: `Sinto-me lisonjeada se acha 
que pareo com algum que conheceu.'
"A esta altura, j estava comeando a escurecer, quase 
na hora do jantar. Zecca perguntou-a Nan se podiam conti-
nuar a entrevista enquanto jantavam, no reservado de seu res-
taurante.
74
O dr. Quarrie apontou a pasta azul, abruptamente.
- O resto est aqui. Pelo menos os pontos mais impor-
tantes. Pode ver pessoalmente. E no h pressa. - Ele ps 
dois pedaos de goma de mascar na boca. - Importa-se que 
eu d uma olhada em sua clnica enquanto l?
- Claro que no.
Sozinho, Freeberg balanou para trs na cadeira girat-
ria e abriu a pasta de uma pessoa chamada srta. Nan Whit-
comb - e presumivelmente do sr. Tony Zecca - e comeou 
a passar os olhos pelas pginas datilografadas de maneira im-
pecvel, em espao dois. Parou em alguns pontos e releu os 
trechos com mais ateno.
Freeberg tinha o hbito, sempre que estudava um caso 
escrito, de reconstitu-lo como achava que deveria ter aconte-
cido na vida real. Voltou a um ponto inicial, a parte que rela-
tava a prolongada entrevista de emprego de Nan e seu jantar 
com Tony Zecca, comeou a reconstituir a cena...

Sentado no reservado, Zecca no estava interessado na comi-
da. Seu interesse maior era pelos drinques. Nan tomou um drin-
que, notando nervosa que Zecca j estava no quarto scotch.
Suas perguntas sobre as qualificaes de Nan para o emprego
comeavam a se repetir, e a voz se tornava um pouco engro-
lada. Ele ficava cada vez menos e menos comunicativo e a fi-
tava mais e mais fixamente, observando o semblante nervoso,
o busto que subia e descia.
Subitamente, rompendo outro momento de silncio, Zecca
inclinou-se para a frente e baixou a voz ao perguntar:
- Voc  virgem?
Nan tentou no dar muita importncia  indagao. 
- Alguma pessoa com mais de 14 anos  virgem hoje
em dia?
- Tem toda razo. J teve ligaes mais srias? 
- No.
- O que estou querendo saber  se j se apaixonou por
algum loucamente.
- No... ainda no.
A resposta foi nervosa, mas tambm um pouco provo-
cante. Ela queria aquele emprego. Precisava muito.
75

- Muito bem. - Uma pausa prolongada. - Acha que 
pode se apaixonar por mim?
Nan no sabia como controlar a situao. 
-  possvel. Mas depende.
- Depende do qu?
- Do que est querendo, sr. Zecca.
- Pois vou lhe dizer o que estou querendo.
Ele se comprimia contra a mesa, de tal forma que o es-
pao entre os dois reduzira. Nan reparou que ele tinha o ros-
to largo, nariz de pugilista, braos e peito muito grandes para 
um homem baixo. Distrado, Zecca terminou o quarto drin-
que. Ela podia sentir o bafo de scotch em sua respirao quan-
do ele acrescentou:
- Vou ser franco com voc. No sou de esconder as coi-
sas. Gosto de ir direto ao ponto. Foi assim que cheguei onde 
estou... uma casa enorme em Sherman Park, cinco restauran-
tes, muito dinheiro no banco. Sendo franco. Seja franca co-
migo da mesma maneira, e nos daremos muito bem. Est me 
entendendo?
- Creio que sim.
- timo. E agora vou fazer minha proposta. Preciso de 
uma caixa,  verdade, inteligente, honesta, de confiana, mas 
tambm preciso de uma amiga permanente. Uma mulher sim-
ptica que me faa companhia. Cuidarei bem dela, se ela cui-
dar de mim. Entende o que estou querendo? Mas h uma regra. 
Ela tem de ser totalmente fiel. Nada de diverso por fora. Nada 
de me enganar. Acha que pode cuidar de mim assim?
Nan estava com um pouco de medo e confusa. No sa-
bia o quanto gostava realmente dele ou mesmo se gostava. Era 
um homem rude, talvez at mesquinho, mas talvez no. A sua 
maneira, estava sendo gentil. Oferecia-lhe tudo o que ela pre-
cisava no mundo: segurana, companhia, um lar. Tambm es-
tava dizendo que gostava dela e queria que pertencesse apenas 
a ele. Havia virtudes inegveis.
- O que me diz, menina?
- Eu... acho que posso cuidar de voc da maneira co-
mo est querendo.
O rosto de Zecca iluminou-se num sorriso de satisfao. 
Os dentes eram amarelados e irregulares.
- Boa menina. No precisa se preocupar com mais na-
da. Tem um lar. Tem um emprego. Tem um namorado. Pode
se mudar amanh.
- Eu... agradeo, sr. Zecca. 
- Tony, daqui por diante. 
- Tony...
- Qual  o seu nome? 
- Nan.
-  melhor voc saber que tem um namorado de verda-
de, Nan.

Relendo o relato do encontro, tentando fazer com que adqui-
risse vida em sua cabea, Freeberg virou uma pgina do rela-
trio e estudou as informaes sobre o primeiro encontro 
sexual entre Nan e Zecca.

Ela se mudara para a casa de dois andares e dez cmodos de 
Zecca com seus poucos pertences. Fora levada a seu quarto 
pela empregada, que se chamava Hilda.
Fora emocionante, todo aquele luxo, aquele maravilho-
so casulo, que agora em parte lhe pertencia. Ela queria ser to 
atraente quanto possvel em seu primeiro jantar ali.
Zecca chegara em casa s quinze para as oito, cumpri-
mentara-a com um aceno de mo, dera a impresso de estar 
satisfeito ao contempl-la, num vestido justo de jrsei muito 
usado, as pernas compridas. Dissera-lhe que estivesse pronta 
para o jantar s oito em ponto.
Ele tomara dois drinques no incio da refeio e depois 
se concentrara no jornal. A no ser por umas poucas pala-
vras, indagando se ela estava bem instalada e satisfeita, no 
conversara.
Durante a sobremesa, Nan especulara o que aconteceria 
em seguida, o que se esperava dela.
Depois do jantar, Zecca lhe dissera para acompanh-lo 
 moderna sala de estar, decorada de forma espalhafatosa. 
Instalando-se numa poltrona, ele bateu com a mo no banco 
ao lado, indicando que Nan deveria sentar ali, depois apon-
tou o controle remoto para o aparelho de televiso.
- H dois programas de uma hora a que gosto de assis-
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tir todas as noites. So sensacionais, com muita ao. Voc 
vai gostar.
Ela detestara. A violncia era incessante. Entre os progra-
mas, ele pedira scotches para os dois. Terminara de tomar o seu 
e mandara que Hilda servisse outra dose. Nan fizera um esfor-
o para beber, mas no conseguiu. Ele nem prestara ateno.
 medida que o segundo programa se aproximava do fim, 
ela fora ficando cada vez mais apreensiva.
O que viria em seguida?
Zecca tomara o ltimo gole de seu drinque, levantara-se 
e espreguiara-se.
- Muito bem, menina, l vamos ns. Est na hora de 
ir para a cama. No gosto de ficar acordado at tarde.
Ela sabia que o momento chegara. O primeiro pagamen-
to pelo conforto e segurana. Acompanhara-o a seu quarto, 
que estava escuro.
Esperava que ele a beijasse, acariciasse, preparasse para 
o ato. Mas Zecca no se dera a esse trabalho. Enquanto tira-
va a camisa, gritara para ela:
- O que est esperando? Tire logo as suas coisas. Va-
mos nos meter na cama.
Hesitante, ela tirara os sapatos de saltos altos, comeara 
a puxar o zper do vestido.
- Eu... ha... devo pr uma camisola?
- No. - Zecca soltara uma risada. - Quem precisa 
dessas coisas? Gosto das minhas mulheres peladinhas.
Enquanto tirava o vestido, Nan se virara para observ-
lo, encaminhando-se para a enorme cama. Zecca parara  beira 
da cama para puxar as cobertas. Estava nu e ela tivera a pri-
meira viso real do homem com quem deveria viver. Ele era 
mesmo musculoso e forte, inclusive na rea genital. Nan no 
fora capaz de decidir se ele estava mole ou j duro. Parecia 
que estava duro, mas ela achou que podia ainda estar mole, 
e apenas dava a impresso do contrrio. Zecca subira na ca-
ma, olhara para ela e dissera bruscamente:
- O que est esperando, meu bem? Vamos comear lo-
go o espetculo.
Com os dedos trmulos, ela abrira o suti. E ouvira-o co-
mentar:
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- At que voc no  das piores em matria de peitos.
Quase sem respirar, ela baixara a calcinha ordinria de 
nylon e empurrara-a para o lado com o p. Tinha uma massa 
grande de cabelos pbicos e desejava que cobrisse tudo, mas 
sabia que isso no acontecia e que em breve Zecca veria as 
dobras rosadas por trs. Com as pernas bambas, ela se enca-
minhara para a cama.
Ele estava erguido, apoiado num cotovelo, os olhos fixa-
dos em suas partes ntimas.
- Um lindo talho - murmurara Zecca. - Acho que 
acertei na mosca. Muito bem, vamos descobrir.
Ela subira na cama e se aproximara de Zecca.
- Assim  que eu gosto - dissera ele.
Nan fechara os olhos por um momento, esperando por 
um beijo, um abrao, as mos acariciando-a, todas as preli-
minares. Ao abrir os olhos, no entanto, compreendera que no 
haveria preliminares.
- Apague a luz, Tony.
- De jeito nenhum. Gosto de ver o que estou fazendo. 
De saber que vale o dinheiro que estou pagando.
Ela suspirara, embaraada, enquanto Zecca se ajoelhava 
por cima, as mos cabeludas lhe abrindo as pernas.
Nan no conseguia desviar os olhos do que estava apon-
tado em sua direo. Agora ele estava mesmo duro. Parecia 
um instrumento rombudo.
Enquanto Zecca arremetia entre suas pernas, ela rezava 
para que pudesse ser bom, no final das contas.
No fora.
A penetrao a deixara atordoada. Ainda estava seca, mas 
ele empurrara com toda fora, de maneira brutal. Cravara o 
mais fundo possvel e iniciara os movimentos. A dor a levara 
a tentar se desvencilhar, mas ele encarara o movimento como 
cooperao. As arremetidas se tornaram mais brutais e im-
placveis. Zecca parecia um bate-estacas automtico. Nan es-
tava toda dolorida por dentro. As ndegas magras doam.
Fora interminvel, uma verdadeira punio, ela pensara 
que nunca mais acabaria. Mais tarde, no banheiro, ela tenta-
ra dizer a si mesma que o desempenho brutal de Zecca fora 
uma decorrncia de seu excitamento intenso. Nas ocasies sub-
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seqentes, ele seria mais atencioso, preocupado mais com ela, 
talvez mesmo gentil,  sua maneira.

Lendo a histria no relatrio do dr. Quarrie, animando-a em 
sua imaginao, Freeberg refletiu que no lhe era de todo des-
conhecida. Havia seres humanos no mundo e muitos ainda 
eram animais.
Ele retomou a leitura e chegou ao sumrio feito pelo dr. 
Quarrie:

"O mesmo se repetiu por seis semanas. No apenas Zecca 
era insacivel em seu desejo de intercurso, mas tambm 
em cada episdio subseqente ele foi to inconsiderado 
quanto no primeiro e cada vez mais brutal. Segundo Nan, 
a dor sofrida durante essas relaes era quase insuport-
vel.  medida que os intercursos foram se tornando mais 
prolongados, como era inevitvel que acontecesse, Nan via-
se obrigada a morder o lbio para sufocar os protestos - 
e mordia at sangrar. Ela chegou a um ponto em que no 
podia mais agentar e comeou a gritar durante o intercur-
so. Zecca, em sua extrema insensibilidade, interpretou os 
Rritos como sinais de excitamento e ficou to satisfeito quan-
to uma criana que ganha um presente. Demonstrou seu pra-
zer ao dar a Nan um modesto aumento de salrio e depois 
de um ms presenteou-a com um colar de imitao de 
ouro.
"Recentemente, segundo Nan, aps terminar o inter-
curso ele se deitou de costas ao seu lado, resfolegando, e 
disse: `Gosto de voc. E gosto muito. Vou ficar com voc 
para sempre. No quero que se meta com nenhum outro 
homem. De jeito algum. Se voc fizesse isso, eu acabaria 
descobrindo. E poderia mat-la com a maior facilidade. Ma-
tei muita gente no Vietnam. Matar  fcil, se algum tenta 
liquidar voc. Se algum dia me trasse, eu mataria de novo. 
Por isso, trate de se comportar.'
"Nan alega que respondeu: `Claro que vou me com-
portar. Estou com voc, Tony. Sou toda sua.' 
"E ele arrematou: `Boa menina.'-"
Lendo isso, Freeberg estendeu a mo para a mesa,  pro-
cura do pacote de cigarrilhas, tirou uma e acendeu-a. Fuman-
do, ele continuou a ler, esperando deparar com a cena que 
sabia ser inevitvel. E no demorou a encontr-la. Leu e re-
leu a descrio. Dramatizou-a em sua mente.

Acontecera h duas semanas, menos de duas semanas.
Eles estavam na cama,  noite. Zecca abrira as pernas de 
Nan e sem qualquer preparativo arremetera com o membro 
rgido, pronto para penetr-la, como sempre - s que desta 
vez no entrara.
Empurrando com toda a fora de que era capaz, ele ten-
tara penetr-la. No conseguira.
- Ei, mas que porra est acontecendo? - indagara Zec-
ca. - Qual  o problema? No estou enfiando no lugar certo?
- Est, sim. Continue, Tony, por favor.
Ele tentara outra vez, mas no conseguira. Praguejara em 
sua frustrao.
- Voc est trancada como a porta de um cofre l em-
baixo. O que est acontecendo?
- No sei. No estou fazendo nada para impedir. Ten-
to me abrir para voc, como sempre.
Determinado, Zecca arremetera pela quarta vez entre as 
pernas de Nan. E no adiantara.
- Vamos descobrir o que est acontecendo - murmu-
rara ele.
Zecca levantara a plvis de Nan, com as mos sob suas 
ndegas. Puxara uma das mos e enfiara trs dedos nela.
- Parece que agora est tudo certo. Vamos descobrir.
Ele a largara na cama e tentara pela quinta vez forar a 
penetrao. No conseguira avanar por mais que dois ou trs 
centmetros.
- Alguma coisa est errada. O que est sentindo?
- Parece muito apertado, Tony. E di um pouco. Tal-
vez seja alguma coisa orgnica.
- Alguma coisa o qu?
- Orgnica. Fsica. H algo errado comigo. Talvez seja 
melhor eu consultar um mdico amanh.
- Tem um mdico?
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- Um ginecologista. Ele deve saber qual  o problema. 
Zecca concordara.
- Faa isso, meu bem. Descubra o que a est afligindo.
E ponha tudo nos eixos. - Ele olhara para seu membro mur-
cho. - E como vamos fazer esta noite? 
- Eu... eu ainda posso faze-lo feliz. 
- Ento cuide logo disso.
Ela estendera a mo entre as pernas de Zecca, a fim de 
segurar o membro e deix-lo feliz. Mas antes que pudesse fa-
z-lo, ele lhe puxara a cabea e a comprimira entre suas pernas.
Fechando os olhos, Nan abrira a boca e se pusera a tra-
balhar.

Terminando a pgina, revivendo a cena da histria de Nan 
Whitcomb, Freeberg murmurou para si mesmo: 
- Pobre mulher...
Ele concluiu a leitura do relatrio e largou a pasta azul 
em cima da mesa, a fim de aguardar a volta do dr. Max Quar-
rie. Para sua surpresa, descobriu que o dr. Quarrie j retor-
nara  sala e estava sentado  sua frente.
- E ento, Arnold, o que acha?
- No resta a menor dvida de que se trata de um caso 
de vaginismo, sob forma extremada. No creio que ela tenha 
alguma fobia em relao ao coito. Est tendo espasmos mus-
culares na regio para evitar o intercurso com ele.
- Confirma meu diagnstico e o do ginecologista - co-
mentou o dr. Quarrie. - O problema  o seguinte... acha que 
pode fazer alguma coisa? No posso lev-la a melhorar ape-
nas pelo poder da palavra. Desconfio que ser preciso algo 
mais.
- Tem razo. - Freeberg pensou em seu nico suplen-
te sexual masculino, Paul Brandon, aguardando a primeira 
paciente. Ele a teria agora. -  um caso de encomenda para 
ns. Eu e um suplente trabalharemos com ela. Tenho certeza 
de que poderemos ajud-la. Quando posso v-Ia?
- Agora mesmo - respondeu o dr. Quarrie, levantando-
se. - Ela est esperando em meu carro. Vou cham-la.

Chet Hunter no conseguiu marcar uma reunio com Otto Fer-
guson, o editor-chefe do Chronicle de Hillsdale, antes do fi-
nal da manh. Desde que recebera a informao sensacional 
de Suzy na noite passada, a grande histria - e a grande opor-
tunidade - se avolumava na cabea de Hunter, e ele estava 
ansioso em oferec-la a Ferguson. Por mais indiferente que 
Ferguson parecesse, por mais ctico e negativo, Hunter tinha 
certeza absoluta de que poderia entusiasm-lo com a histria.
Depois de esperar por um longo tempo, Hunter finalmente 
foi chamado  sala envidraada de Ferguson.
Ficou olhando para a careca de Ferguson, inclinado so-
bre alguma matria. O editor-chefe do Chronicle acabou le-
vantando a cabea e fixou os olhos empapuados de so-ber-
nardo no visitante.
Muito nervoso, Hunter instalara-se na beira da cadeira 
de encosto reto em frente a Ferguson.
- Muito bem, Chet, o que o traz aqui desta vez? Quer 
nos vender uma informao exclusiva de seus amigos da pol-
cia? Ou o reverendo Scrafield? Ou uma pesquisa que voc an-
dou fazendo?
- No quero vender nenhuma pesquisa. Desta vez tra-
go uma histria... uma histria completa.
-  bom que seja algo muito melhor do que as coisas 
que tem nos oferecido at agora.
Hunter foi enftico:
-  maior do que qualquer coisa que eu j tive. Uma 
histria sensacional.
-  mesmo? - Ferguson manteve sua mscara de ceti-
cismo. - Muito bem, meu rapaz, pode comear a falar.
Hunter respirou fundo e alteou a voz, como se estivesse 
lendo uma manchete em letras garrafais:
- Exclusivo do Chronicle. OPERAO DE SUPLENTES SE-
XUAIS TOMA CONTA DE HILLSDALE!
- Como?
- Exatamente o que eu disse. Descobri na noite passa-
da. Uma fonte de toda confiana. Suplentes sexuais treina-
dos de todo o pas comearam a trabalhar hoje para uma nova 
clnica sexual que foi aberta em nossa linda cidade. Sabe o 
que so suplentes sexuais?
- J sabia quando voc ainda estava mijando nas cal-
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as. - Um lampejo de interesse insinuou-se no rosto do edi-
tor. Era como se ele estivesse monologando. - Suplentes se-
xuais em Los Angeles, Chicago, Nova York, era de se esperar. 
Na pequena e pura Hillsdale, nunca. Tem certeza?
- Absoluta, Otto. E posso provar.
- Fale-me a respeito.
Muito excitado, sem revelar o nome e o cargo de Suzy 
Edwards, Hunter contou a Ferguson sobre a nova Clnica Free-
berg, o dr. Arnold Freeberg, os seis suplentes sexuais de todo 
o pas que estavam na cidade para trabalhar.
- Esto neste momento em Hillsdale.  solta em Hills-
dale. No  uma mera notcia, mas uma histria sensacional.
-  possvel...  bem possvel - admitiu Ferguson. - 
Mas depende. Como voc poderia descobrir toda a histria?
- Entrando l. Tornando-me um paciente. Conversan-
do com o dr. Freeberg como um paciente. E trepando com 
uma de suas suplentes sexuais pagas. E depois denunciaria toda 
a histria. Voc teria manchetes para vrias semanas.
- Uma operao excitante - murmurou Ferguson, meio 
para si mesmo. -  verdade, seria a melhor maneira de tra-
tar a histria. E no resta a menor dvida de que pode ser 
uma coisa sensacional.
Ele pensou por um momento, franzindo o rosto.
- Mas vejo alguns problemas, especialmente um. Se voc 
se apresentasse como paciente, um terapeuta profissional co-
mo Freeberg logo perceberia tudo. No iria muito longe se si-
mulasse. - Ferguson estreitou os olhos, fixados em Hunter. 
- Ou ser que voc no estaria simulando... que realmente 
precisa do tratamento?
O rosto de Hunter ficou ligeiramente avermelhado.
- No se preocupe com isso, Otto. E no me pea para
explicar como vou fazer. Digamos apenas que eu poderia me
qualificar. Mas o problema  que no disponho do dinheiro
necessrio para pagar o tratamento de uma suplente sexual. 
- De quanto estamos falando, Chet? 
- Cinco mil na ficha.
-  um bocado de dinheiro.
- Fense em nossa histria, Otto. AS PROSTPi J AS MAIS BEM 
PAGAS DO PAS ESTO AGORA EM HILLSDALE! O que acha disso?
- De qualquer forma, o dinheiro no chega a ser um 
empecilho quando a histria  mesmo sensacional.
- Pois ento vamos comear logo.
Mas Ferguson ainda estava hesitante. Recostou-se em sua 
cadeira, pensando.
- Tem mais uma coisa... outro problema...  uma his-
tria bastante obscena para um jornal familiar como o nos-
so, Chet... a menos...
- A menos o qu?
- ... a menos que possamos pass-la de uma simples de-
nncia para um dever cvico do jornal... uma questo polti-
ca, uma cruzada para limpar Hillsdale. - Ferguson ps-se a 
meditar em voz alta. - A prostituio  a profisso mais an-
tiga do mundo. Temos agora a profisso mais nova do mun-
do, a suplente sexual, que tambm  paga para entregar seu 
corpo, sob o disfarce de uma cura. Se pudssemos converter 
numa campanha da comunidade... Talvez seu amigo, o reve-
rendo Josh Scrafield possa se interessar, como parte de sua 
campanha de limpeza permanente...
- Posso atrair Scrafield em um minuto, Otto. Depois 
que ele souber da histria, ningum vai conseguir segur-lo.
"...e h mais uma coisa, o elemento que arremataria tu-
do, permitiria que a histria fosse publicada. Se voc conse-
guisse que Scrafield pressionasse o promotor pblico, Hoyt 
Lewis, denunciando toda a operao secreta, se o promotor 
indiciasse o tal dr. Freeberg por proxenetismo ilegal pelas leis 
estaduais, se uma das suplentes sexuais fosse indiciada pela 
prtica de prostituio ilegal... e os dois fossem levados a jul-
gamento... poderamos partir da. Teramos um caso crimi-
nal, uma histria poltica, uma matria de virtude cvica. Os 
exemplares de cada edio no parariam nas bancas. Mas, pri-
meiro, Chet, voc precisa conseguir o apoio de Scrafield e Le-
wis. E, depois, tem de se infiltrar nas operaes de Freeberg 
e conferir tudo pessoalmente. Acha que pode fazer tudo isso?
Hunter estava de p, apertando a mo de Ferguson.
- Se posso? Espere s, Otto! Conseguirei tudo mais r-
pido do que uma bala. Pode comear a imprimir minha assi-
natura para as matrias!
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S no incio daquela tarde, enquanto escutava Chet Hunter 
no gabinete computadorizado nos fundos de sua Igreja da Res-
surreio,  que o reverendo Josh Scrafield encarou seu pes-
quisador eventual com algum respeito.
At ento, Scrafield sempre considerava Chet Hunter com 
um leve desprezo, um intelectual insignificante, plido e assus-
tado. H cerca de um ano, quando Scrafield planejava sua cam-
panha contra a insidiosa educao sexual que invadia as escolas 
pblicas, Darlene descobrira Hunter e sugerira que o jovem pes-
quisador poderia ser til na busca de fatos. Com alguma relu-
tncia, Scrafield contratara o rato de biblioteca, o toupeira.
Mas agora Scrafield tomava conhecimento de outra fa-
ceta do seu pesquisador. Pois Hunter, ao revelar seu conheci-
mento das atividades do dr. Freeberg e das prostitutas que ele 
trouxera para corromper a pureza de Hillsdale, demonstrava 
possuir um lado humano. Como o prprio Scrafield, o jovem 
Hunter tinha alguma compreenso da luxria e de como po-
dia destruir o paraso.
Depois de entender qual era o plano de Hunter e qual se-
ria a sua participao na histria, Scrafield marcou logo uma 
reunio dos dois com Hoyt Lewis, o esperto promotor pbli-
co de Hillsdale.
Ele levou Hunter para o imponente gabinete do promo-
tor, no prdio da prefeitura, de cho de mrmore. Scrafield 
sentia-se  vontade na reunio. Por um lado, Hoyt Lewis era 
um homem to esperto e perceptivo quanto ele. Apesar do bi-
gode irregular e ruivo e da tendncia para a obesidade, ressal-
tada pelo hbito de cruzar as mos sobre a barriga estufada, 
Lewis era um homem acima dos demais, determinado a subir 
na vida. Era bastante confiante para usar uma gravata preta 
muito estreita. Pertencia a uma das melhores famlias de Hills-
dale (dizia-se que a famlia possua uma segunda e terceira casas 
em Malibu e Palm Springs) e tinha uma compreenso profunda 
das necessidades e anseios das massas. O promotor pblico 
tinha a capacidade de se comunicar com os camponeses e ser 
popular entre as camadas mais baixas da populao, no que 
era parecido com Scrafield.
Hoyt Lewis levantou-se para apertar as mos de Scrafield 
e Hunter assim que eles entraram na sala e apontou para um
sof de couro. Depois que eles sentaram, Lewis puxou uma 
cadeira giratria e acomodou-se, parecendo transbordar.
-  um prazer recebe-los, senhores. - O bigode de Le-
wis levantou-se para revelar os dentes brancos e regulares. Ele 
se mostrava to cordial quanto um anfitrio num jantar. - 
A que devo a honra desta visita?
Enquanto Hunter parecia se encolher interiormente, Scra-
field ficou satisfeito com a formalidade atenciosa. Ele olhou 
para Hunter e depois para Lewis, antes de comear:
- Vamos falar bem claro, Hoyt.  um problema impor-
tante que, na minha opinio, merece sua ateno imediata. 
- Ele sacudiu o polegar para seu companheiro. - Chet Hunter 
aqui  um grande pesquisador. Tenho acompanhado seu tra-
balho pessoalmente. Ele foi me procurar, por uma questo de 
dever cvico, com as informaes mais estarrecedoras sobre 
os programas que os liberais estavam instigando para conta-
minar nosso sistema escolar. As informaes eram acuradas 
e pude aproveitar muita coisa, de maneira eficaz, em meus pro-
gramas semanais na televiso.
Hoyt Lewis balanou a cabea.
- Minha esposa e eu somos espectadores regulares de 
seus programas. Eles tm contribudo de forma considervel 
para o nosso trabalho de manter a comunidade limpa.
- Obrigado, Hoyt. Mas agora o dinmico sr. Hunter des-
cobriu algo muito mais insidioso e perigoso para a nossa co-
munidade. Minha luta contra a indecente educao sexual nas 
escolas empalidece diante da srdida poluio que Chet Hun-
ter descobriu.
A curiosidade de Hoyt era evidente.
- Estou ansioso em saber do que se trata, sr. Scrafield. 
Por favor, continue.
O reverendo balanou a cabea.
- Creio que seria melhor o prprio Chet repetir tudo o 
que me contou. Pode falar, Chet. No esconda nada.
Hunter respirou fundo, determinado a falar da maneira 
certa, com tanta coisa em jogo.
- A histria  sobre a Clnica Freeberg, inaugurada h 
pouco tempo, a cerca de dois quilmetros daqui. Sabe algu-
ma coisa a respeito?
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- Tenho conhecimento de sua existncia - respondeu 
Lewis. - A mais nova instalao mdica de nossa cidade.
- Mas a clnica  diferente de qualquer outro estabele-
cimento mdico da comunidade - declarou Hunter, enfti-
co. - O dr. Arnold Freeberg  um terapeuta sexual. No h 
nada de intrinsecamente errado nisso, a no ser o fato de que 
o dr. Freeberg usa suplentes sexuais como assistentes.
Hunter sabia que contava agora com a ateno total do 
promotor pblico. Relatou o que sabia, sem omitir qualquer 
detalhe. Hunter descobrira que o dr. Freeberg fora obrigado 
a deixar o Arizona por violao da lei e olhara para a Califor-
nia, uma terra de liberdade, como um campo frtil para suas 
prticas suspeitas. Freeberg contratara cinco mulheres e um 
homem, segundo um informante de confiana que trabalha-
va na clnica, para tentar reabilitar pessoas com problemas se-
xuais, atravs do uso de seus corpos, propondo at o intercurso 
sexual.
Um tanto ofegante, Hunter concluiu sua histria fants-
tica, enquanto Hoyt Lewis escutava, com bvia surpresa e fas-
cinao. No instante em que Hunter terminou, o reverendo 
Scrafield apressou-se em declarar:
- Hoyt, o que trouxeram para Hillsdale  pura e sim-
plesmente proxenetismo e prostituio, sob o disfarce de te-
rapia. O que Freeberg est praticando todos os dias, com suas 
mulheres de bordel,  um desafio s leis do nosso estado. Se 
prometer que vai agir contra essa afronta, assim que tiver as 
provas...
- Como posso obter as provas? - interrompeu-o Le-
wis.
- Por meu intermdio - disse Hunter. - Posso desco-
brir tudo. Eu me alistaria no programa de suplentes sexuais 
do dr. Freeberg como um paciente...
- E poderia passar por um paciente? - indagou Le-
wis.
- Sem a menor dvida - garantiu Hunter. - Confie 
em mim. Posso entrar l, observar e participar, manter um 
registro permanente, que depois lhe entregaria. E seria a sua 
testemunha principal.
- Minha testemunha principal? - Lewis torceu o na-
riz. - No sei... Normalmente isso exigiria uma investigao 
por um agente secreto da polcia. Ele estaria com um grava-
dor escondido, entraria em contato com uma das mulheres...
- Sou um membro da reserva da polcia de Hillsdale, 
sr. Lewis.
- Ele se alistou e fez o treinamento no cumprimento de 
seu dever cvico - acrescentou Scrafield.
- E para ajudar em minhas pesquisas - arrematou Hun-
ter, com absoluta franqueza.
- Reserva da polcia... - murmurou Lewis, levantando-
se. - Deixem-me verificar.
Ele foi at sua mesa, examinou algumas pastas, desco-
briu a que procurava e abriu-a.
- Quando voc e o reverendo Scrafield marcaram uma 
reunio, eu nada sabia a seu respeito. Resolvi verificar se t-
nhamos a sua ficha. E encontrei-a. Dei uma olhada, mas no 
atentei para esse detalhe de reserva da polcia. Confirmei agora. 
Voc  um membro oficial de nosso aparelho policial. Como 
um agente da reserva, com trs anos de treinamento, pode se 
qualificar a ser testemunha de quaisquer acusaes que apre-
sentarmos. Pode ser realmente a testemunha-chave da acu-
sao.
Ele largou a pasta na mesa e voltou para sua cadeira. Fi-
cou em silncio por um momento, absorto em seus pensa-
mentos.
- Antes de qualquer indiciamento e mandado de priso, 
eu precisaria fazer alguma pesquisa. O assunto no  novo na 
California. J li notcias sobre o uso de suplentes sexuais em 
outras partes do estado. - Ele fez uma pausa. - Por que se-
r que isso nunca foi contestado?
Scrafield soltou uma risada desdenhosa.
- Porque elas se apresentam como autnticas assisten-
tes de terapeutas legtimos. Ningum quer cair nesse atoleiro. 
Todos tm medo de enfrentar essa gente. Mas no tenho a me-
nor dvida de que tais pessoas devem ser detidas, fichadas, 
indiciadas e levadas a julgamento por violao do cdigo pe-
nal da California.
- Ainda assim,  um pouco arriscado - insistiu o pro-
motor pblico, cauteloso. - No estaramos lidando com um
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caso criminal claro e inequvoco. Teramos de redefinir e rein-
terpretar as leis que regem o proxenetismo e a prostituio, 
talvez fixar um precedente judicial. Mas parece possvel 
consegui-lo. Apesar disso, se eu ficasse convencido de que hou-
ve violao criminal, ainda assim avisaria o dr. Freeberg an-
tes de indici-lo, ia oferecer a oportunidade de suspender suas 
prticas, depois que tiver as provas necessrias.
Hunter no permitiu que seu entusiasmo fosse arrefeci-
do pela hesitao do promotor.
- Se Freeberg desistisse, seria uma vitria para seu ga-
binete - disse ele. - E se se recusasse a parar, teria um moti-
vo legtimo para lev-lo a julgamento. Tudo o que posso 
garantir  que, se optar pelo processo criminal, obterei todas 
as provas de que precisar e serei testemunha de acusao.
-  muita generosidade sua - disse Lewis. - Mas quero 
pensar mais a respeito, antes de entrarmos em ao.
O reverendo Scrafield virou-se para Hunter.
- Obrigado, Chet. Importa-se de sair para o corredor 
por um momento? Eu gostaria de conversar a ss com o sr. 
Lewis. Um assunto particular. Irei encontr-lo num instante.
Hunter lanou um olhar esperanoso para Scrafield, ace-
nou com a cabea e deixou a sala.
Scrafield esperou que a porta fosse fechada antes de se 
levantar e ir ocupar a cadeira ao lado do promotor pblico.
- Preciso conversar com voc em carter confidencial, 
Hoyt. Espero que tenha um momento para me conceder.
- Estou a seu dispor, sr. Scrafield - respondeu Lewis, 
inclinando-se para a frente, atento.
- Eu queria lhe falar sobre o seu futuro, Hoyt. Sempre 
achei... e algumas outras pessoas importantes nesta comuni-
dade concordam comigo... que voc  grande demais para o 
cargo que ocupa. No estou desdenhando sua posio, mas 
voc est qualificado para algo maior. Tem todas as condi-
es para galgar cargos polticos mais importantes.
- Agradeo suas palavras - murmurou Lewis, com a 
modstia apropriada - mas posso lhe garantir que nunca pen-
sei por um momento sequer em ocupar outro cargo... ou um 
cargo mais importante, como disse.
- Mas deveria, Hoyt, deveria. Hillsdale  um timo lu-
gar para ser bem-sucedido. Mas o estado da California  me-
lhor ainda... e um papel de destaque na California pode lev-
lo a funes importantes na esfera nacional. Deixe-me repe-
tir: um cargo mais importante e melhor no estado pode ser 
seu, se quiser.
- Vamos supor que eu esteja interessado nisso. No creio 
que esteja  minha disposio. Sou uma personalidade locai, 
um homem quase desconhecido fora desta comunidade, que 
 relativamente pequena.
Scrafield inclinou-se para a frente.
-  exatamente onde eu estava querendo chegar, Hoyt. 
Voc est em condies de se tornar conhecido em todo o es-
tado, da noite para o dia. Pode ter o eleitorado a seus ps.
Hoyt Lewis estava genuinamente perplexo.
- Como?
- Apoiando Chet Hunter, bancando o que ele ofereceu 
e o que eu ofereo. Ele ps em suas mos uma questo explo-
siva, uma autntica bomba pblica. A questo das suplentes 
sexuais. Prostitutas disfaradas em curandeiras para invadir 
de maneira insidiosa e solapar nossa sociedade.
O promotor pblico escutava compenetrado.
- Acredita mesmo que o pblico daria muita ateno 
ao assunto?
- Aceite a minha palavra, Hoyt, confie em meu conhe-
cimento do pblico. Sei quais so os problemas que mexem 
com os nervos das pessoas. Sei o que influi. Tenho um instin-
to para as preocupaes pblicas.  por isso que minha au-
dincia aumenta a cada semana e meus ndices sobem todos 
os meses. Confie em mim.
- Mas  claro que confio, sr. Scrafield! - Lewis 
apressou-se em dizer.
- Assim que Hunter receber a luz verde para obter as 
provas, depois que entreg-las a voc e  imprensa, depois que 
eu divulgar o escndalo pela televiso, poder processar os res-
ponsveis e ser impossvel perder. Vamos despertar as pes-
soas desta comunidade. Seu nome estar na boca de todos. 
Ter um apoio pblico unnime e uma total ateno. No se 
trata de uma questo nebulosa e incompreensvel como dfi-
cits fiscais, oramentos ou algum problema menor de crime
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organizado.  uma questo de suplentes sexuais, ameaando 
cada esposa, me e namorada, at onde a vista pode alcan-
ar.  uma matria para as manchetes dos jornais e os princi-
pais noticirios da televiso, Hoyt.  o caminho para o sucesso.
- Tem certeza?
- Se sei o que pode fazer por mim, sou duas vezes mais 
positivo sobre o que pode fazer por voc. Sempre achei que 
voc poderia se tornar procurador geral do estado e depois 
governador, se tivesse o trampolim certo para lanar sua ima-
gem por todo o estado. A questo das suplentes sexuais  esse 
trampolim. Um julgamento vigoroso dessas prostitutas e de 
seu proxeneta mdico vai promov-lo a astro. Pense nisso, 
Hoyt. Ter o meu apoio pela televiso. Ter o apoio de Fer-
guson no Chronicle, na primeira pgina. E teria Chet Hunter 
como seu Cavalo de Tria dentro do bordel do inimigo, ob-
tendo os fatos diretamente. E eu estaria ao seu lado do prin-
cpio ao fim, Hoyt. Est me entendendo?
O promotor pblico permaneceu em silncio por um mo-
mento, olhando distraidamente para o tapete, com um ar so-
lene. Por fim levantou a cabea e fitou o reverendo nos olhos.
-  um homem muito persuasivo, sr. Scrafield.
Os lbios do reverendo se contraram.
-  minha funo, sr. promotor distrital. - Uma pau-
sa e ele acrescentou, suavemente: - Conhece o meu ofcio. 
Sei que nunca me posso dar o luxo de errar.
- Eu tambm no posso - murmurou Hoyt Lewis, meio 
para si mesmo. Ele levantou-se abruptamente. - Muito bem, 
sr. Scrafield, estou convencido. Com tanto apoio, e o senti-
mento pblico do meu lado, creio que posso ganhar o caso. 
E concordo que pode ser da maior importncia.
Ele estendeu a mo e Scrafield, que tambm se levanta-
ra, apertou-a.
- Negcio fechado - acrescentou o promotor pblico. 
- Pode sair para o corredor e dizer a Chet Hunter que trate 
de obter as provas, o mais depressa possvel. Depois que eu 
souber o que tenho, pode deixar que cuidarei do resto.
Para Paul Brandon, foi uma tarde de primeiros aconteci-
mentos.
Primeira entrevista com uma paciente, primeira sesso de 
terapia e primeiro dia no apartamento de trs cmodos que 
acabara de alugar.
Brandon desconfiara, desde o momento em que conhe-
cera Nan Whitcomb e escutara sua histria junto com o dr. 
Freeberg, no gabinete do terapeuta, que seria uma luta do prin-
cpio ao fim. A preocupao imediata de Brandon, antes de 
encontrar a paciente, fora a de que ela pudesse ser gorda. Sentia 
repulsa por todas as mulheres gordas.
Para seu alvio, Brandon descobrira que Nan Whitcomb 
podia ser feia, mas no era inteiramente desprovida de atrati-
vos. Tinha cabelos castanhos presos por uma travessa e olhos 
cor de avel. Em vez de propensa  gordura, ela parecia um 
tanto magra, uma estrutura mais para esqueltica, exceto pe-
los seios proeminentes e os quadris largos. Mas o alvio de 
Brandon voltara a se transformar em preocupao quando ou-
vira o tmido relato de sua histria sexual, o relacionamento 
com Tony Zecca, e o problema vaginal. Ela mal lanara um 
olhar para Brandon, dirigindo-se o tempo todo ao dr. Free-
berg, num tom de voz apenas um pouco acima do sussurro.
Esforando-se para ouvi-la, a preocupao inicial de Bran-
don, de no ser capaz de um desempenho sexual com ela, aca-
Iv
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bara se dissipando. Compreendera que a dificuldade no caso 
era de confiana. Ela fora to abusada por um homem que 
podia resistir a reagir a qualquer outro, ainda mais a um es-
tranho, no permitindo qualquer aproximao ou intimidade.
No h a menor dvida, Brandon dissera a si mesmo, que 
ser uma luta rdua.
Por outro lado, o dr. Freeberg demonstrara uma grande 
confiana e fora absolutamente tranqilizador.
- Li o relatrio mdico do dr. Lopez e tenho certeza de 
que voc no apresenta nenhum problema orgnico - ele dis-
sera a Nan Whitcomb. - Trata-se de um caso de vaginismo, 
como j lhe expliquei. Havendo tempo, podemos cur-lo sem 
maiores dificuldades.
- No tenho muito tempo, doutor, como j falei. Se eu 
vier aqui com muita freqncia, Tony ficar desconfiado.
- Ento ainda acha que seria melhor fazer o programa 
de tratamento intensivo?
- Isso mesmo. Duas a trs semanas, no mximo.
- Tenho certeza de que  possvel obter um resultado 
satisfatrio. - Freeberg se virara para Brandon. - No con-
corda, Paul?
Brandon tentara assumir uma expresso tranqilizadora 
para a mulher.
- Claro que sim.
Mas ele continuara a se preocupar, pensando que pode-
ria no ser to fcil quanto parecia.
- Muito bem, estamos combinados - dissera Freeberg. 
-- Iniciaremos o tratamento amanh. Pode ser no incio da 
noite, depois do jantar, no apartamento de Paul, por volta 
de oito horas...
Nan o interrompera:
- No d para mim.
Freeberg franzira a testa e ela acrescentara:
-  noite  impossvel para mim. Tony no me deixa-
ria sair. Alm do mais, como eu poderia explicar a visita a 
um mdico comum  noite?
Freeberg acenara com a cabea, compreensivo.
- Tem razo. - Ele tornara a se virar para Brandon. 
- Pode ser s trs horas da tarde de amanh, Paul?
- Perfeito.
Mas nada fora perfeito desde o instante em que Nan Whit-
comb entrara hesitante na sala de seu apartamento. Ele esten-
dera as mos para pegar seu casaco e ela o tirara lentamente. 
Ficara parada no meio da sala, de blusa branca e saia bege, 
avaliando a sala furtivamente.
Brandon sentara-a no sof e fizera questo de se manter 
a alguma distncia.
Tentara puxar uma conversa amena, para deix-la  von-
tade, mas ela se mostrara essencialmente no-comunicativa.
- O que vamos fazer? - ela indagara abruptamente.
- Comearemos pela carcia das mos e do rosto.
Ele descrevera os dois exerccios e explicara os motivos 
pelos quais podiam ser teis.
- Isso  tudo?
- , sim, Nan. Uma coisa muito simples.
- Como quiser. Muito bem, vamos comear.
Sentando mais perto dela, Brandon lhe acariciara gentil-
mente as mos, embora estivessem muito rgidas. Depois, en-
corajara Nan a acariciar suas mos. Em seguida, acariciara 
o rosto de Nan com as pontas dos dedos, deslizara as palmas 
pelo queixo, faces e testa. O rosto dela estava tenso, como se 
moldado numa mscara. Assim que acabara, ele fechara os 
olhos e pedira a Nan que lhe fizesse a mesma coisa.
No incio os dedos de Nan apertaram seu rosto com al-
guma fora, mas pouco a pouco as mos foram relaxando e 
passaram a massagear suas feies de leve. Ele abriu os olhos.
- Bom.., muito bom.
- Isso  tudo?
- , sim, Nan.
- Acho que no havia nada de que ter medo.
- Claro que no.
- Vamos fazer mais alguma coisa?
Brandon verificara a hora. Haviam consumido apenas 
uma hora e 15 minutos da sesso de tratamento de duas ho-
ras. Ainda restavam 45 minutos. Ele especulara sobre a me-
lhor maneira de aproveitar esse tempo. Podia tentar conversar 
com ela outra vez. Muitas vezes, com as mulheres, a conversa 
era a abordagem mais relaxante e eficaz.
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E, agora, no sof, ele disse:
- Por que no conversamos um pouco? - Brandon no
fez qualquer meno de se afastar dela. - Eu gostaria de sa-
ber mais um pouco a seu respeito, se no se incomoda. 
Ela parecia aliviada, chegou mesmo a fit-lo nos olhos. 
- No me importo.
- Estou curioso sobre a maneira como voc vai cuidar 
de seu namorado.
- Est se referindo a Tony?
- Isso mesmo, Tony Zecca. Se ele perguntar, o que vai 
dizer que est fazendo?
- Tenho certeza que ele vai perguntar. Quando estiver-
mos jantando.
- E o que vai responder?
- No que estive com voc ou com o dr. Freeberg. Dis-
so pode ter certeza. O dr. Freeberg j me aconselhou sobre
a melhor maneira de cuidar da situao. 
- Como, Nan?
- Direi a ele que estou visitando meu ginecologista pa-
ra uma srie de injees. A fim de corrigir uma deficincia 
de hormnios.
- E se Tony quiser saber o nome de seu ginecologista? 
- Direi que  o dr. Lopez, o que me examinou para o 
dr. Freeberg.
- E se Tony tentar conferir sua histria com o dr. Lopez? 
Nan exibiu uma insinuao de sorriso.
- Isso j foi providenciado. O dr. Freeberg avisou ao
dr. Lopez que isso poderia acontecer.
- Tudo muito bem planejado.
Brandon sorriu tambm, sentindo que avanara alguns 
centmetros, havia um ponto de partida para estabelecer um 
relacionamento. Ele voltou a assumir uma expresso compe-
netrada e comentou:
- S h uma coisa que me preocupa. 
- O que , Paul?
-- Ele pode querer fazer sexo com voc esta noite. Acha 
que poder control-lo?
- Se eu seguir as instrues do dr. Freeberg. Nada de 
sexo esta noite ou em qualquer outra noite enquanto eu esti-
ver trabalhando com vocs dois. Devo dizer a ele que preciso 
acabar com a srie de injees antes... antes de irmos para a 
cama outra vez.
- E se Tony insistir em fazer sexo?
Ela riu pela primeira vez.
- Pode apostar que isso vai acontecer. Mas no vou dei-
xar. Sou muito firme quando preciso dizer no. E pode estar 
certo de que ser fcil.
- Talvez ele queira for-la.
Para sua surpresa, Brandon descobria-se apreensivo pe-
lo bem-estar de Nan.
- Est querendo dizer que ele poderia de alguma forma 
me violentar? Deixe-o tentar. Voc conhece o meu problema. 
Ele no vai conseguir nada.
- Mas um dia, quando voc puder, ele vai... - Bran-
don queria perguntar-lhe uma coisa, refletiu se deveria e aca-
bou fazendo-o. - Nan, j pensou em resolver parte de seu 
problema pela deciso de deix-lo?
- J pensei nisso.
- E qual foi sua concluso?
A voz de Nan era muito triste ao responder:
- Para onde eu iria, Paul?
- H...
Brandon estava sentindo simpatia por ela. Compreenden-
do que Nan sentia-se mais  vontade em sua companhia, ele 
teve o impulso de tornar aquela sesso inicial to intensiva 
quanto possvel. Queria que ela progredisse depressa, para po-
der sentir-se segura.
O instinto lhe dizia qual seria o melhor passo seguinte no 
relacionamento entre os dois. Deveriam se despir juntos, fi-
car completamente nus. Se esse passo fosse bem-sucedido, as 
inibies de Nan estariam eliminadas, o relacionamento esta-
ria consolidado e tudo se tornaria mais fcil.
Ele olhou para o relgio na parede. Ainda restavam 25 
minutos. Havia tempo suficiente para aprofundar a intimida-
de. Deveria fazer a sugesto?
Brandon verificou seus sinais instintivos interiores. No havia 
nenhuma luz verde. Mas ele percebeu algo que parecia uma luz 
amarela, dizendo que podia seguir em frente, mas com cautela.
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Experimente, mas devagar.
Projeo do corpo... mas ela ficaria muito assustada em 
se despir e ficar nua na frente do espelho. Ainda era uma cria-
tura tmida, embora no tanto quanto no momento em que 
entrara no apartamento. Apesar disso, continuava a ser uma 
pessoa psiquicamente abalada, teria medo de se despir toda 
na presena de mais um homem, que poderia se transformar 
em sua mente em outro Tony Zecca em potencial. Uma reve-
lao total poderia acarretar a perda de tudo o que fora con-
quistado naquela tarde.
Brandon recordou seu treinamento e lembrou-se de Free-
berg explicando sobre as solues conciliatrias que tinham 
de ser adotadas e deviam ser decididas na hora. Se uma pa-
ciente fosse inibida demais, faa o que for necessrio gradati-
vamente.
V devagar, Brandon, advertiu a si mesmo.
Ele virou a cabea para fit-la e descobriu, satisfeito, que 
Nan o estava observando.
- Voc parecia perdido em seus pensamentos - comen-
tou ela.
- E eu estava mesmo, Nan. Pensava em mais uma coi-
sa que poderamos fazer para tornar mais fceis as prximas 
sesses.
- E o que ?
- Experimentar uma carcia nas costas. Apenas para co-
mear. Poderemos fazer de forma completa na prxima vez.
- Uma carcia nas costas? Como se faz?
- Eu gostaria de tirar a camisa. No as calas, apenas 
a camisa.
- No me importo. Estou sempre vendo homens de peito 
nu na praia.
- E gostaria que voc tirasse a blusa.
- Tirar a blusa? - O pavor anterior ressurgiu. - Es-
tou de suti por baixo. O que faria?
Sinal amarelo. Tome cuidado. Brandon estava confian-
do completamente em seu instinto e no pouco conhecimento 
que tinha de Nan.
- No se preocupe com o suti - disse ele, em tom mui-
to casual. - Pode ficar com ele. Basta tirar a blusa e eu fica-
rei sem a camisa. Ficaremos de p. Eu me coloco atrs de vo-
c. E voc fecha os olhos, enquanto eu acaricio suas costas.
- Mais nada?
- S isso.
Brandon comeou a tirar a camisa, enquanto a observa-
va abrir e puxar a blusa.
Ele estava de peito nu, de p, esperando por ela.
Nan estava encontrando alguma dificuldade para tirar a 
blusa branca, mas acabou fazendo-o e se levantou. Estava r-
gida, constrangida com a projeo do suti de renda novo.
- Est bom assim? - indagou ela, quase que em tom 
de desafio.
- Excelente. Fique na minha frente, Nan, de costas pa-
ra mim.
Ela obedeceu. Pelo empinar dos ombros, Brandon per-
cebeu que ela estava com a respirao acelerada.
- O que mais devo fazer?
- Mais nada, Nan. Basta relaxar, se puder. Vou apenas 
acariciar suas costas, massagear um pouco.
- Se acha que vai adiantar alguma coisa, pode fazer.
- Vai ajudar, Nan. E, agora, feche os olhos. Chega de 
falar. Escute meus dedos. Sinta meus dedos.
Ele aplicou as pontas dos dedos na curva das costas, por 
cima e por baixo do suti, como se fossem borboletas. E apli-
cou mais um pouco de presso, de frico. Pouco a pouco, 
a contrao muscular de Nan foi se atenuando. No demo-
rou muito para que ela estivesse quase relaxando, absorven-
do e apreciando os movimentos circulares de suas mos.
Enquanto continuava a acariciar-lhe as costas, Brandon 
podia ouvir suaves sons involuntrios de prazer que ela dei-
xava escapar. E, depois, num sussurro, ela disse:
-  maravilhoso... maravilhoso...
Ele no disse nada. Suas mos falavam na carne de Nan, 
os dedos e as palmas agora deslizando para cima, deslizando 
para baixo.
Durante vinte minutos.
- Muito bem, Nan, acabou.
Ela subiu as mos pelas costas. Brandon pensou que ela 
quisesse pegar suas mos. Em vez disso, porm, os dedos pe-
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garam os ganchos do suti. Ela soltou-os, tirou o suti, virou-se
        fitou-o.
Os seios empinados, cnicos, estavam  mostra. Brandon 
no pde deixar de contempl-los. Os mamilos avermelhados 
eram pontudos. E estavam duros.
- Eu s queria que voc soubesse que no sou uma pu-
dica e no sou uma doente - murmurou ela. - Nunca tive 
um orgasmo com ningum, mas tenho certeza de que seria ti-
mo nas mos certas.
- Obrigado, Nan.
Ela baixou os olhos para os seios, sacudiu-os um pouco
        tornou a fit-lo.
- No so ruins para algum da minha idade. 
- So lindos, Nan.
Ela ps o suti, prendeu-o nas costas.
- Isso... isso  para comear - disse ela, pegando a blu-
sa. - Da prxima vez, se for to gentil, pode conhecer todo
        resto.

No incio daquela noite Adam Demski estava sentado no sof 
da sala de estar, enquanto Gayle Miller conclua o exerccio 
de banho dos ps. Demski estava de camisa e calas, as per-
nas das calas enroladas quase at os joelhos, os ps mergu-
lhados numa bacia de plstico, grande e quadrada, cheia de 
gua morna, com muita espuma.
Gayle, com as mos na gua, terminou de esfregar e aca-
riciar seus ps. Disse-lhe que podia tirar os ps da gua e pr 
num capacho que estava ao lado. Pegando uma toalha e co-
meando a enxugar um dos ps, ela perguntou:
- O que achou, Adam?
- Foi agradvel,  claro - respondeu ele, mexendo com 
os dedos dos ps.
Demski parecia bem menos tenso do que estava no incio 
do exerccio.
- Pode ser uma experincia deliciosa - comentou Gayle. 
- Deixa a gente com uma sensao boa sobre uma parte do 
corpo quase sempre negligenciada, mas bastante sensual. E 
pe a pessoa mais em contato consigo mesma. Infelizmente, 
a maioria dos meus pacientes no quer perder tempo com isso.
- Por que no?
Gayle continuou concentrada em enxugar-lhe os ps, en-
quanto falava:
- Porque no esto interessados em seus ps. Posso lhe 
assegurar que cada paciente est interessado apenas em seu 
pnis. Ele diz a si mesmo...  meu pnis que est com proble-
mas, no meus ps. Alm do mais, os ps no so to atraen-
tes assim. Ao contrrio, so mais para feios... por que ento 
perder tempo com eles? - Ela fitou-o. - Foi assim que voc 
se sentiu, Adam?
- Talvez eu tenha especulado um pouco... pensado se 
no seria um desperdcio de tempo.
- No foi, Adam. Aceite minha palavra. Os ps podem 
ser surpreendentemente erticos. E acarici-los nos propor-
ciona a oportunidade de continuar a desenvolver um relacio-
namento. Ou seja, temos a possibilidade de nos conhecermos 
um pouco melhor, antes de nos tornarmos mais ntimos.
- Est bem, aceito sua palavra. - Enquanto ela joga-
va a toalha para o lado, Demski acrescentou: - O que fao 
em seguida? Quer que eu massageie seus ps?
- Podemos pular essa parte.
- Devo pr as meias e sapatos?
- No.
Ela pensara com muito cuidado no passo seguinte. 
Discutira-o com o dr. Freeberg pouco antes do almoo. Espe-
culara se deveria iniciar a projeo de corpo na ltima parte 
de sua segunda sesso com Adam Demski.
- Acha que ele j est preparado para a nudez total? 
- indagara Gayle.
Freeberg, que estivera folheando uma transcrio da his-
tria de Demski e depois o relatrio de Gayle sobre a sesso 
inicial, recostara-se para refletir a respeito.
- Parece que conseguiu um bom, progresso com ele, Gay-
le.
- Acredito que sim. Ele estava muito mais relaxado 
quando a primeira sesso terminou. Mais  vontade. Quase 
no tinha mais medo de mim.
- Mas ele pode se mostrar relutante com a nudez total. 
Depois que Demski tirar as roupas, voc vai ver o que ele con.
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sidera seu verdadeiro problema. Ele ficar assustado, vai se 
sentir ameaado. Por outro lado, pelas conversas que teve co-
migo, cheguei  concluso de que ele quer realmente superar 
seu problema, concentrar-se nele, embora no esteja pressio-
nando. Apesar da aparncia exterior de resistncia, tenho o 
pressentimento de que ele est disposto a qualquer coisa, por 
mais difcil que lhe seja, para superar sua dificuldade. Sinto 
que ele est mesmo determinado. Muito bem, Gayle, acho que 
pode tentar a projeo de corpo com ele esta noite. - Free-
berg hesitara por um instante e acrescentara: - Mas tome cui-
dado.
- Como assim?
- No o apresse. Fale com ele durante todo o tempo. 
Converse sobre experincias de nudez. Procure deix-lo  von-
tade.
- No h problema quanto a isso.
Freeberg empertigara-se na cadeira.
- Tenciona fazer a projeo de corpo em seu quarto des-
ta vez?
- Claro que no - respondera Gayle, enfaticamente. - 
Ainda me sinto como em Tucson. O quarto  meu refgio par-
ticular, nunca uma parte do meu trabalho. Lembro de uma coi-
sa que me disse... quando se pede a um homem para tirar as 
roupas e ele sofre de uma disfuno sexual, sua ansiedade vai 
disparar para as alturas. Ele associa o ato de despir-se com a 
obrigao de um desempenho sexual. Lev-lo para o meu quarto 
representaria a mesma coisa. Deixei de usar o quarto com o pri-
meiro, como voc aconselhou. Arrumei uma sala de terapia na 
casa nova. Trouxe tudo de Tucson. Tem um enorme espelho de 
trs lados numa das paredes. Em frente ao espelho coloquei um 
grande sof, com uma poltrona em cada lado. Forrei no cho 
uma esteira grossa, do tamanho de uma cama de casal. Fare-
mos todos os exerccios ali. A no ser pela esteira, o ambiente 
 bastante austero e clnico. Sempre trabalharemos l.
O dr. Freeberg sorrira em aprovao.
- Assim  que eu gosto. Pode experimentar.
Agora, sentada junto de Demski, ela compreendia que 
estava prestes a dar um passo crucial. E ouviu Demski dizer, 
um pouco confuso:
- Voc disse no... no devo calar os sapatos?
- Isso mesmo. No precisa se incomodar. - Gayle 
levantou-se e estendeu a mo para Demski, querendo que ele 
ficasse de p. E assim que ele ficou ao seu lado, ela acrescen-
tou, jovialmente: - J que est sem sapatos e meias, pensei 
que poderamos seguir adiante.
- Tirando as roupas?
Ele falava como se tivesse uma lima na garganta.
- Por que no? - O tom de Gayle ainda era jovial. - 
Vamos querer fazer isso, mais cedo ou mais tarde. Por que 
no mais cedo? E necessrio para a projeo de corpo e bas-
tante saudvel. Posso lhe assegurar, Adam, que  um passo 
dos mais importantes.
- J... j falou com o dr. Freeberg a respeito?
- Claro que sim. Eu disse a ele que achava voc prepa-
rado para esse passo. Ele concordou. E aprovou.
- Acredita mesmo que estou preparado?
-  claro. - Gayle pegou-o pela mo. - Vamos l pa-
ra os fundos.
Demski resistiu.
- Para onde? Seu quarto?
- No. Meu quarto ser o fim da linha e talvez nem o 
usemos. Vamos para uma sala aconchegante que preparei nos 
fundos e que tambm uso como escritrio. Tem um espelho 
especial que quero lhe mostrar. - Ela apertou a mo de Dems-
ki. - Venha comigo.
Gayle levou-o pelo corredor.
- O que  a projeo de corpo? - perguntou ele, a voz 
meia rouca.
- Farei uma demonstrao para voc. - Seguindo  
frente dele, ela acrescentou: - A nudez  uma experincia mui-
to comum. Em uma ocasio ou outra, todas as pessoas ficam 
nuas. Quando era beb, voc ficava nu, enquanto sua irm 
ou me trocavam suas fraldas. No pas inteiro, os garotos cos-
tumam nadar nus em alguma enseada ou lago. Ou talvez mer-
gulhem nus na piscina da A.C.M. Voc fez isso alguma vez?
- Uma vez, na A.C.M.
- E tinha de se despir no vestirio da escola secund-
ria, antes da aula de ginstica.
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- Tem razo.
- E se despe quando vai fazer um exame mdico. s ve-
zes h uma enfermeira presente.
- Mas  uma situao diferente.
Ignorando o comentrio, Gayle continuou:
- Lembro que em alguns dos seus ltimos encontros voc
tentou fazer amor com mulheres. Tenho certeza de que se des-
piu completamente.
-  verdade. Mas no gostei.
Eles estavam agora diante da sala de terapia. Gayle abriu 
a porta e fez sinal para que ele entrasse. As lmpadas fluores-
centes no teto j estavam acesas. Era uma iluminao inten-
sa, profissional, no um ambiente meio escuro e sedutor.
- Vai descobrir que  muito mais fcil do que imagina. 
- Gayle apontou com a mo para os mveis. - Sente onde 
quiser, Adam.
Ele foi sentar, apreensivo, na beira de uma poltrona.
Gayle postou-se na frente do espelho e contemplou seu 
reflexo. Vestira-se de forma deliberada para a ocasio. Nada 
de roupas atraentes, nenhuma pea que pudesse ser conside-
rada sensual. Nada de blusa transparente, suti meia-taa, saia 
justa, meias de nylon ou botas. Usava um pulver folgado, 
com um recatado decote em V, uma saia de l, sem meias, 
sapatos de saltos baixos. Era uma roupa nada sensual que podia 
ser descartada sem muita demora.
Ainda vestida, ela virou-se na frente do espelho para fi-
tar Demski.
- Deixe-me dizer o que  a projeo de corpo, Adam. 
Ela explicou a tcnica. Depois que terminou, Demski bal-
buciou:
-  preciso ficar na frente do espelho?
- Sem nada. Inteiramente nu. Far o mesmo exerccio 
que vou demonstrar. Apontando para as diversas partes do 
corpo e me dizendo como se sente em relao a elas.
- Talvez eu no saiba fazer isso. Nunca experimentei.
- Tenho certeza de que saber, Adam. No estou dizen-
do que a projeo de corpo de homens e mulheres  exata-
mente igual. As mulheres costumam passar mais tempo falando 
de seus rostos. Preocupam-se mais com a maquilagem, cos-
mtica, a impresso que oferecem s pessoas estranhas. Os ho-
mens so mais propensos a passarem rapidamente por seus ros-
tos e se concentrarem no que lhes parece mais importante. Um 
homem pode ir direto para seu pnis e querer falar a respeito. 
Porque o pnis  a nica coisa que o interessa. Mas, com bas-
tante freqncia, os homens vo falando da cabea aos ps 
e passam pelos rgos genitais sem sequer mencion-los. Se 
isso acontece, comento depois, digo que esqueceram os rgos 
genitais, pergunto como se sentem a respeito. No estou inte-
ressada no motivo pelo qual omitiram essa parte, porque no 
preciso saber e no tenho julgamento a fazer. Mas quero que 
voltem aos rgos genitais e falem a respeito. Afinal, esse  
o objetivo, basicamente. Est entendendo todo o processo, 
Adam?
- No sei direito. Talvez sim.
- Trate de me imitar. Quando chegar sua vez, repita o 
que eu fiz. Tenho certeza de que  capaz.
- Se acha que sou...
Gayle presenteou Demski com um sorriso afvel e disse 
com suavidade:
- Agora, Adam, fique de p. Vamos tirar as roupas.
- Ao mesmo tempo?
- No importa. Vamos apenas nos despir. - Enquan-
to ele se levantava, quase cambaleando, Gayle acrescentou, 
em tom gentil: - O fato de despir-se, Adam, no significa 
que precisa ter urna ereo, ir para a cama comigo e fazer amor. 
Significa apenas o que j expliquei... estamos nos despindo 
para que voc possa ter contato com a maneira como se sente 
em relao a seu corpo, porque nunca pensou muito a respei-
to. Vai me dar algumas informaes sobre seu corpo e como 
se sente... e acima de tudo, isso vai nos proporcionar um re-
lacionamento mais fcil e mais ntimo. Est me entendendo?
- Claro - murmurou Demski, meio sombrio.
Gayle virou-se e comeou a puxar o pulver pela cabea. 
No prestou ateno aos desajeitados esforos de Demski pa-
ra tirar as roupas, a fim de no inibi-lo ainda mais.
Sem o pulver, ela estendeu as mos para as costas, des-
prendeu e tirou o suti, jogou-o numa cadeira, abriu a saia 
e deixou-a cair na esteira, empurrou-a para o lado, junto com
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os sapatos. Baixou a calcinha justa de nylon. Pelo espelho, 
verificou que Demski estava finalmente se despindo. Ele ti-
rou a camisa e as calas. Hesitou por um momento, apenas 
com a cueca de bolinhas.
- Pode tornar a sentar depois que acabar - disse Gayle.
Quando ela se virou em sua direo, descobriu que Demski 
j sentara. No podia ver seu pnis. Ele dera um jeito de co-
bri-lo, com os braos cruzados sobre as coxas.
Sem querer deix-lo ainda mais constrangido, Gayle tor-
nou a se virar para o espelho. Ainda podia v-lo num lado do 
espelho, os olhos arregalados, fixados na sua imagem refletida.
Tudo bem at aqui, ela disse a si mesma. Provavelmente 
ele nunca vira antes uma mulher jovem nua assim, sob uma 
luz forte, por tanto tempo. Podia relax-lo um pouco. Mas 
o que certamente o relaxaria ainda mais seria o desempenho 
dela na frente do espelho. Se trabalhasse direito, Demski fi-
caria to absorto em contempl-la que logo esqueceria que tam-
bm estava nu, sentado ali. Ele ficaria to fascinado pela 
maneira tranqila como ela se analisaria, se tudo corresse bem, 
que perderia qualquer senso de vergonha. E poderia estar me-
nos apavorado quando chegasse sua vez.
Mas agora era a vez dela, a sua deixa para desencadear 
todo o processo.
- Muito bem, Adam, vou mostrar como  o exerccio 
de projeo de corpo.
Ela virou-se toda para o espelho e comeou, afofando os 
cabelos curtos:
- Meus cabelos... gosto deles assim. E gosto de ser mo-
rena. Jamais desejei ser uma loura autntica e ter esse tipo de 
cabelos pbicos. H alguma coisa insubstancial em ser uma 
loura. Uma morena atraente como eu... sempre pode confiar 
em algum como eu, Adam. No se esquea disso.
Pelo espelho, Gayle percebeu um vislumbre de reao di-
vertida s suas palavras na contrao da boca de Demski. Ela 
baixou o dedo indicador para o nariz.
- No  to mau assim, mas tambm no tem nada de 
lindo. O nariz arrebitado tem suas vantagens. No concorda, 
Adam? Mas, para ser franca,  um pouco largo demais para 
o meu gosto. Um nariz mais estreito seria mais atraente.
O dedo indicador baixou para a boca.
- Nos romances, lbios como os meus so chamados de 
generosos. E so mesmo. Os homens parecem gostar de l-
bios assim, como se fossem mais macios ao serem beijados. 
Portanto, no devo me queixar. Desde que voc goste deles, 
Adam.
- Eu gosto, Gayle.
Ela ps as mos sob os seios.
- O que acha dos meus seios, sem um suti para sus-
tent-los mais firmemente?
- So lindos - murmurou Demski, a voz meio abafada.
Gayle contemplou os seios no espelho por um instante.
- No sei... Jamais esqueci quando era mais jovem, du-
rante a puberdade, e quase no tinha seios. Pensava que nun-
ca cresceriam, eu seria como os rapazes... e os rapazes no 
gostariam de mim. Mas finalmente os seios cresceram, no po-
dia haver qualquer dvida de que eu era uma garota. Mas nun-
ca tive certeza se os rapazes no esperavam e queriam mais. 
Sei que seios muito menores do que os meus parecem sensa-
cionais em modelos e nessas mulheres lindas que aparecem nas 
revistas femininas mais elegantes. Mas os homens no esto 
interessados nessas formas. Gostam do que vem nas revistas 
para homens, os seios enormes. Eu no sou assim e no te-
nho certeza se me sinto feliz por causa disso.
- Eles so lindos, Gayle - repetiu Demski. - Para 
mim, so perfeitos.
Os dedos de Gayle apalparam sua barriga lisa e firme.
- No tenho do que me queixar por aqui - disse ela. 
- Meu peso  o ideal e nem preciso fazer dieta.
A mo desceu lentamente para a mancha escura de cabe-
los pbicos.
- Muito bem, passemos  elevao vaginal e ao trin-
gulo de cabelos pbicos. Sou um tanto ambivalente nesse pon-
to, em termos estticos. Os cabelos so cheios e macios, o que 
me deixa muito satisfeita. Conheci algumas mulheres que ti-
nham cabelos pbicos to duros que pareciam palha de ao. 
Os meus parecem uma almofada das plumas mais suaves. Por 
que ento sou ambivalente em relao ao que vejo? Vou ex-
plicar. Talvez voc no possa ver direito agora, mas certamente
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perceber quando chegar mais perto. Meus cabelos pbicos 
parecem bastante densos aqui, mas no o so mais para o meio. 
Parecem ficar mais ralos e por isso d para ver... ou pelo me-
nos eu posso ver... o clitris e, por baixo, os lbios externos 
e a vulva... creio que no h nada de errado nisso, no fato 
de estarem expostos... mas penso s vezes que gostaria que 
essas partes vitais ficassem escondidas, at que algum tivesse 
o prazer de descobri-las.
Gayle levantou os olhos para o espelho. Constatou que 
Demski estava fascinado, engolindo em seco, incapaz de falar.
Ela estendeu as mos para trs e pegou as ndegas.
- Indiscutivelmente, h um exagero aqui. A natureza foi 
superabundante neste ponto. No gosto de usar cinta ou qual-
quer coisa que me aperte e por isso meu traseiro est sempre 
balanando. O que no me agrada.  uma coisa que me deixa 
infeliz.
Gayle passou para os quadris, as coxas, os joelhos, as per-
nas, foi at os dedos dos ps, sempre fazendo comentrios. 
Ao final, virou-se lentamente para fitar Demski. 
- Tem algum comentrio a fazer, Adam? 
- Bem, eu...
A voz baixou a tal ponto que se tornou inaudvel.
- Vamos, Adam... o que acha? Fale a verdade.
- H... eu acho que voc tem um traseiro maravilhoso. 
- Acha mesmo?
- No  to grande assim. E o resto...
- O que tem o resto? - Ela percebeu onde os olhos de-
le estavam focalizados. - Est falando de minha vagina? 
Ele acenou com a cabea vigorosamente.
- Est sendo crtica demais. Parece tudo perfeito pa-
ra mim.
Gayle sorriu, satisfeita.
- Voc est me oferecendo uma crtica de admirador. 
- E  isso mesmo.
Ela bateu palmas com um prazer indisfarvel e adian-
tou-se.
- Voc  um cavalheiro, Adam... um cavalheiro e um 
profundo conhecedor. - Gayle inclinou-se, um seio roando 
no rosto de Demski, beijou-o na testa. - Obrigada.
Ela pegou firmemente os antebraos dele, puxando-os de 
cima da virilha. Obrigou-o a se levantar. Demski encolheu-se 
um pouco, tentou se desvencilhar, mas ela no o largou, 
fazendo-o ficar  sua frente.
- Agora  a sua vez de me mostrar seu corpo, Adam.
Tentando escapar aos olhos de Gayle, ele quase que cor-
reu para a frente do espelho, como se ali pudesse se esconder, 
mostrando apenas as costas desprotegidas.
Tremendo, Demski empertigou-se na frente do espelho. 
Viu que Gayle se instalara na poltrona que ele acabara de de-
socupar, contemplando seu reflexo no espelho. Os braos pen-
diam impotentes nos lados. Ele no tinha mais como se 
esconder.
Gayle recostou-se, sem fingir no olhar, os olhos verdes 
sempre fixados na imagem de Demski no espelho.
At que ele no era to ruim, refletiu ela. Um tanto alto, 
talvez um pouco magro demais, as costelas aparecendo. Co-
xas lisas, joelhos ossudos, pernas musculosas. Mas o lugar que 
ela no podia deixar de focalizar era a fonte compreensvel 
dos problemas e medos de Demski. Era mesmo pequeno. Tal-
vez uns quatro ou cinco centmetros. O que fazia com que pa-
recesse ainda menor eram os testculos, o saco cado, cheio, 
como uma moldura grande demais para uma simples minia-
tura.
Mas ela aceitava o desafio. Sabia que no era impossvel. 
Tinha certeza de que podia fazer com que aquela miniatura 
se levantasse para ser contada, transformando-se para ele nu-
ma fonte de orgulho e no de vergonha. Sabia que isso podia 
acontecer. Demski viera procur-la com o que julgava ser um 
palito de dentes. Se ela fosse bem-sucedida, ele partiria pen-
sando que carregava um poste telefnico entre as pernas. Isso 
mesmo, se ela fosse bem-sucedida. Fana tudo para salv-lo.
Esperava conseguir. Comeando por aquela noite. Ha-
veria de se esforar ao mximo.
- Muito bem, Adam, voc me viu fazendo a projeo 
do corpo. Por favor, faa a mesma coisa para mim diante do 
espelho, comeando pelos cabelos da cabea.
Demski assentiu, mas permaneceu imvel, contemplando-
se no espelho, observando o reflexo de Gayle num lado. Qua-
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se que de forma imperceptvel, ele alterou a postura, apoian-
do-se mais na perna esquerda, depois separou um pouco as 
pernas. Era como se estivesse ignorando sua vergonha, por 
menor que fosse.
Percebendo isso, Gayle compreendeu o que se passava na 
mente dele. A atitude de relaxamento era uma espcie de ren-
dio. Ele estava totalmente nu, podia ser visto da cabea aos 
ps, seu problema se encontrava exposto. No havia mais na-
da a esconder. Ela sabia. Mas a expresso de Gayle nada ti-
nha de crtica, era de algum que o aceitava sem estranheza.
Exalando de forma prolongada, Demski levantou as mos 
para os cabelos, apalpou-os, murmurou que pelo menos no 
era careca. Talvez isso fosse bom, porque era esteticamente 
agradvel; ao mesmo tempo, era ruim, porque talvez os cabe-
los levavam algumas mulheres a pensarem que ele era viril.
Ele no teve pacincia para discutir suas feies, o peito 
um tanto estufado, a barriga lisa mas flcida. Murmurou uma 
ou duas frases curtas sobre cada uma dessas reas e depois 
fez o que Gayle j vira outros homens fazerem, em sua condi-
o. Foi direto para a zona problemtica.
Apontou para o pnis, enquanto se contemplava no es-
pelho, com um ar de infelicidade.
- E h isto aqui - disse ele, falando um pouco alto de-
mais. - Como pode ver... no adianta tentar nos enganar-
mos...  pequeno demais.
Gayle empertigou-se na poltrona.
- No acho to pequeno assim - protestou ela, decidi-
da. - No existe o que se poderia chamar de um pnis pe-
queno. O que exatamente o incomoda nele, Adam?
- Como eu disse,  muito pequeno. Ainda bem que a 
maior parte fica escondida. No quero que as mulheres o ve-
jam. Podem rir de mim ou fazer alguma piadinha. - Antes 
que Gayle pudesse dizer qualquer coisa, ele acrescentou: - 
Sabe muito bem que j aconteceu duas vezes.
- Sei, sim. Mas foram reaes excepcionais. As duas mu-
lheres estavam exprimindo sua raiva contra os homens em ge-
ral. Se cem mulheres vissem seu pnis, tenho certeza de que 
98 no reagiriam de maneira adversa, estariam dispostas a pros-
seguir com o ato sexual.
- No penso assim.
Gayle sentiu vontade de sacudi-lo.
- Deve acreditar em mim, Adam. Sou uma mulher. J 
tive alguma experincia com diferentes tipos de homens. Se 
nos despssemos juntos para fazer amor, eu no me importa-
ria se o seu pnis tivesse trs, dez ou trinta centmetros de com-
primento. De qualquer forma, ficaria com o dobro ou o triplo 
do tamanho depois que voc estivesse excitado. J deve ter 
reparado nisso ao se masturbar. O tamanho no tem a menor 
importncia. Eu haveria de quer-lo de qualquer maneira, sa-
bendo que seria muito agradvel tudo o que se seguisse.
- Mas como poderia, quando acabou de ver...
- Vi o qu? - interrompeu-o Gayle, com sarcasmo. - 
Sei o que o tem atormentado e posso garantir que est com-
pletamente enganado. Quando era garoto, na escola primria 
ou secundria, at mesmo na universidade, onde quer que ti-
vesse de se despir junto com outros rapazes, estava conscien-
te da diferena entre seu corpo e os outros. A seus prprios 
olhos, voc era fraco, insignificante, tinha o pnis muito pe-
queno. Em contraste, todos os outros eram musculosos, ca-
beludos, com pnis enormes. E depois disso, sempre que voc 
assistia a um filme pornogrfico ou abria uma revista, depa-
rava com homens com pnis enormes, assim como todas as 
mulheres tinham seios imensos. Porque os idiotas que esco-
lhem os modelos desconfiam que a maioria da populao mas-
culina ignorante acha que um pnis grande  igual a um ato 
sexual maravilhoso. Mas, na verdade, uma coisa no tem na-
da a ver com a outra.
- No tem? - indagou Demski, indeciso. - Uma mu-
lher no acha que... uma coisa grande dentro dela... pode 
satisfaz-la mais do que uma coisa pequena?
- Adam, a vagina  capaz de acomodar praticamente 
qualquer tamanho e obter prazer com isso. Voc pode enfiar 
o dedo mnimo em minha vagina, as dobras vo se fechar em 
torno dele, lubrific-lo, enquanto desfruto o movimento. Da 
mesma forma, a vagina pode absorver quatro ou cinco dos 
seus dedos. A vagina acomoda todos os tamanhos. Afinal, a 
vagina d espao para a passagem e nascimento de um beb 
de quatro quilos. Pode acomodar pnis de qualquer tamanho
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e obter o mesmo prazer. E falo por experincia pessoal.
Demski contemplou-se no espelho.
- Est querendo dizer que meu pnis poderia fazer uma 
mulher feliz, se eu conseguisse levant-lo? - Ele piscou para 
seu reflexo no espelho. -- Poderia fazer voc feliz?
Gayle sorriu.
-  o que vamos provar.
Ele parecia um pouco mais relaxado, mas ainda no es-
tava disposto a abandonar o pnis e passar para as partes res-
tantes de sua anatomia.
Ele queria ser tranqilizado outra vez. Gayle estava dis-
posta a faze-lo. Discutiram seu pnis, sua disfuno, as pos-
sibilidades de prazer sexual, por mais quase dez minutos. Gayle 
terminou com um sumrio de suas opinies sobre as revistas 
e suas histrias.
- Essas histrias sexuais so timas para a fantasia er-
tica, mas proporcionam uma pssima educao sexual. No 
apenas os heris tm pnis anormalmente grandes, mas tam-
bm conseguem funcionar a noite inteira. Lendo esses absur-
dos, um jovem impressionvel e inseguro acredita que  
verdade. Tenta imitar esses heris, mas no consegue. Entra
ento num processo de ansiedade. Tenho certeza de que essa 
foi uma das coisas negativas que aconteceram com voc.
-  possvel.
Satisfeito agora, Demski tornou a se virar para o espelho 
e passou a falar de seus quadris, pernas e ps.
Aps acabar, ele dispensou mais alguma ateno ao p-
nis. Gayle teve a impresso de que ele j o considerava menos 
uma abominao e mais uma parte amigvel de seu corpo. Ela 
se levantou.
- Muito bem.
Gayle adiantou-se, enquanto ele se virava para receb-la. 
Ela percebeu que Demski pensava em abra-la, mas se man-
teve a distncia.
- Quer se vestir agora, Adam?
- No muito. - Ele riu. A primeira risada espontnea. 
Uma pausa e ele acrescentou, para provar que estava grace-
jando: - Claro que vou me vestir.
Por Deus, pensou Gayle, entregando-lhe a cueca, ele pa-
rece finalmente um ser humano, no mais um coelho assustado.
Ela sentia vontade de cantar.
Depois que Demski foi embora, um tanto lpido, Gayle 
vestiu-se com extremo cuidado e saiu em seu Honda.
Meia hora depois estacionou no espao que lhes era reser-
vado ao lado do Market Grill e encaminhou-se para a clnica, 
na maior animao. Ficou surpresa ao descobrir que as luzes 
estavam acesas em cima e embaixo, a porta da frente destrancada.
Embora a recepo estivesse vazia, ela teve certeza de que 
Freeberg e Suzy Edwards ainda estavam trabalhando l em 
cima. Mas ela s estava interessada em concluir o seu traba-
lho naquele dia. Entrou numa das salas de gravao. Tirou 
o casaco e sentou, a fim de fazer a gravao para Freeberg, 
com o relato de sua segunda sesso com Adam Demski.
Falou durante vinte minutos. Tinha acabado no instante 
em que a porta  prova de som por trs dela foi aberta. A 
visitante era Suzy Edwards.
- Se ainda est trabalhando... - murmurou ela.
- J acabei.
- Se no se importa, se dispe de tempo, o dr. Freeberg 
gostaria que fosse v-lo.
- Terei o maior prazer. Espere s um momento, Suzy. 
Vou inverter a fita e rotul-la. Poder transcrever pela manh.
Aps Gayle lhe entregar a gravao, Suzy subiu na fren-
te dela para o gabinete do dr. Freeberg.
Parecia que o dr. Freeberg a aguardava na maior ansie-
dade. Ele estava sentado, batendo com a extremidade de um 
lpis na mesa. Recebeu-a com a maior jovialidade e gesticu-
lou para uma cadeira.
- Vou explicar logo do que se trata, Gayle. Queria con-
versar sobre a possibilidade de voc assumir um segundo pa-
ciente j. Sei que est bastante ocupada com o sr. Demski, 
mas especulo se no poderia cuidar de outro paciente ao mes-
mo tempo. Poderia encaminh-lo a uma das novas suplentes 
sexuais, mas o caso  de ejaculao precoce, do tipo com o 
qual voc teve tanto sucesso quando estvamos no Arizona. 
Se no for demais...
Gayle j tomara sua deciso. Sentia o maior orgulho de 
sua capacidade de retardar a ejaculao precoce. Seria grati-
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ficante recuperar outra alma perdida. E o dinheiro extra aju-
daria a cobrir suas despesas, se fosse aceita pelo Departamen-
to de Psicologia da Universidade da California.
- No, no  pedir muito - respondeu ela, jovialmen-
te. - Quando comeamos?
- Amanh, se for possvel.  um programa de tratamen-
to intensivo. O paciente no tem muito tempo. 
- Estarei livre pela tarde.
- timo. Podemos ter uma reunio preliminar com ele
s nove horas da manh. Est bom para voc?
- Estarei aqui. Pode me adiantar alguma coisa agora? 
Freeberg pegou um mao de papis em cima da mesa e
estendeu-o para Gayle.
- Eis o relatrio. Pode estud-lo esta noite. - Enquanto 
ela dobrava os papis e guardava na bolsa, Freeberg acrescen-
tou: - Ele  um jovem jornalista, que trabalha como aut-
nomo para diversas publicaes. Seu nome  Chet Hunter.
- No o conheo.
- Ele ainda est lutando para subir. A disfuno pode 
ser um empecilho para seu trabalho.
- Espero poder ajud-lo. Ele  um bom escritor? 
Freeberg deu de ombros.
- Eu diria que esta histria precisa ser reescrita. - Mais 
srio, Freeberg continuou: - Ele se mostra apressado e an-
sioso. Quer acelerar o nosso programa, o que nada tem de ines-
perado. Pode lev-lo a um ritmo acelerado, mas no faria mal 
algum diminuir um pouco seu mpeto.
- Farei isso, se puder.
- Estou confiante - disse Freeberg. - s nove horas 
da manh, Chet Hunter e eu estaremos esperando.

Passando pelo Market Grill, a caminho do estacionamento, 
Gayle sentiu vontade de tomar um caf.
O restaurante estava quase vazio. Ela j ia sentar prxi-
mo ao balco quando viu algum acenando de um reservado. 
No instante seguinte reconheceu o homem. Era Paul Brandon. 
Ele parecia to atraente quanto na ltima vez em que ela o 
encontrara ali, talvez at mais, com seu casaco e camisa es-
porte. Gayle decidiu ir ao seu encontro.
Depois de pedir o caf, ela foi para o reservado e sentou 
em frente a Brandon.
- Como vai, Gayle?
- Nunca estive to bem. Bastante ocupada. E soube que 
voc tambm anda ocupado, que Freeberg lhe arrumou uma 
paciente.  verdade?
- , sim. Uma mulher daqui mesmo. Um caso muito 
interessante.
A garonete trouxe o caf de Gayle, que ps acar e me-
xeu. Sem levantar os olhos, ela disse:
- Ento ela  interessante, hem? Isso  muita sorte. - 
Gayle fez uma pausa. - Ela  bonita?
- No chega a ser a miss Amrica, mas de certa forma 
 atraente.  um pouco tmida, o que lhe d um certo charme.
- J entendi. Ajudou-a a superar a timidez?
- Creio que um pouco. - Brandon parecia relutante em 
discutir o caso. - E voc, Gayle? Como esto indo as coisas 
para o seu lado? Soube que tambm tem um caso.
- Dois, para ser mais exata.
Ela tomou um gole do caf.
- Dois? - Ele fez uma careta. - No  uma carga um 
tanto exagerada?
- Nem tanto. Posso dar conta. O primeiro caso, como 
voc j sabe,  de impotncia, o mais difcil. Mas j estamos 
bem adiantados. O novo  de ejaculao precoce. Sou muito 
boa em curar casos assim, se me permite diz-lo.
- Dois casos? - repetiu Brandon. - Mas como...?
Ela soltou uma risada.
- No juntos, seu boboca. Vou trat-los alternadamente, 
se possvel. H alguma presso, mas no chega a ser um grande 
desafio.
Brandon sacudiu a cabea.
- Voc  demais. Mal consigo agentar um nico caso. 
Mas dois... acho que eu no seria capaz...
- Voc  homem. Em ltima anlise, precisa levantar. 
Assim, mais de um caso seria demais. Com as mulheres, co-
migo, esse problema no existe.
Brandon se tornara taciturno. Gayle tomou um gole do 
caf e tentou adivinhar o que ele estaria pensando. A meno
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aos dois pacientes o deixara perturbado. Estaria desaprovan-
do? Seria um homem competitivo acima do papel de suplente 
sexual masculino? Poderia estar considerando-a como uma es-
pcie de prostituta? No, isso era impossvel. Mas a verdade 
 que os homens eram imprevisveis em suas expectativas em 
relao a uma mulher.
Outro pensamento ocorreu-lhe. Ele estaria com cime? 
Isso era impossvel. Brandon mal a conhecia. No pode-
ria ser nem remotamente possessivo.
Mas quem podia saber?
Avaliando-o mais uma vez, Gayle confirmou que ele era 
de fato atraente e que ela sentia-se atrada. Especulou como 
seria estar em seus braos. Os dois nus na cama.
Ela concluiu que isso era um grande absurdo e tratou de 
passar para outro assunto, lanando-se ao relato de sua can-
didatura a uma bolsa de estudos na Universidade da Califor-
nia. Perguntou em seguida como ele estava se saindo como 
professor de cincias.
- Muito bem para manter a cabea acima da superfcie.
- Pode se afogar se a maior parte de seus ensinamentos 
estiver relacionada com aulas de educao sexual nas escolas 
secundrias.  o que acontece?
- , sim. Pode explicar?
- H um evangelista aqui em Hillsdale... creio que seu 
nome  Scrafield... que aparece todas as semanas na televiso 
arengando contra a educao sexual. Assisti a trechos de seu 
programa duas vezes. Para mim, foi revoltante. Mas talvez 
para outros ele seja muito persuasivo. Quer que a educao 
sexual seja devolvida  famlia.
- O que  a mesma coisa que devolver a evoluo  B-
blia - comentou Brandon. - Esse camarada... Scrafield, no 
 mesmo?...  obviamente um maluco. No estou preocupa-
do com ele. A educao sexual nas escolas veio para ficar. Por-
tanto, no se preocupe com a possibilidade de eu me afogar.
Assim que terminou o caf, Gayle pegou a xcara e a con-
ta. Brandon tentou lhe tirar a conta, mas ela no permitiu.
- No. Desta vez cada um paga a sua. - Gayle come-
ou a se levantar. - Est na hora de eu partir.
-  a minha hora tambm. Por acaso est de carro?
116
- Estacionado ao lado. Precisa de uma carona?
- Se no for incmodo. Terei meu carro amanh. Com-
prei um bom Chevy usado. Ainda esto regulando o motor. 
- Pois ento seja meu convidado esta noite.
Depois de pagarem a conta, eles se encaminharam em si-
lncio para o Honda de Gayle. Ela sentou ao volante e Bran-
don se instalou ao seu lado.
- Vire  direita - disse ele, quando saram do estacio-
namento.
Ele orientou-a at um prdio de apartamentos de cinco
andares.
-  aqui que estou me escondendo.
Gayle encostou no meio-fio e deixou o motor ligado, em
ponto morto, enquanto ele saltava. Brandon deu a volta para
o lado dela e abriu a porta.
- Por que no sobe para conhecer meu apartamento no-
vo?  muito agradvel. No gostaria de dar uma olhada? 
Gayle continuou sentada, com as mos no volante. 
- Est me convidando a ir a seu apartamento? 
- Isso mesmo.
- E depois?
Ele ficou aturdido.
- No sei... Podemos...
- Eu sei, Paul. Voc quer me levar para a cama.
- J que falou nisso, no seria uma m idia. Ao con-
trrio, seria at muito boa.
Ele estendeu a mo, mas Gayle ignorou-a.
- Paul, vamos comear com o p direito. Se eu fosse
a seu apartamento, acabaria indo para a cama com voc. Eu
gostaria muito, mas no esta noite. Por dois motivos. Primeiro,
no quero que voc pense que sou fcil. Segundo, acho que
eu no poderia dar conta de trs homens em uma semana. -
Ela fechou a porta. Ele inclinou-se em sua direo. - E nada
de beijo de despedida. Isso poderia acabar com a minha de-
terminao. Vamos guardar alguma coisa para a prxima vez. 
- A prxima vez... - murmurou ele, quase acarician-
do as palavras.
- Isso mesmo. - Ela ligou o carro e engrenou. - No
me procure. Fique esperando que o chamarei.
117

Gayle partiu com seu carro, enquanto ele ficava parado, 
olhando, o corao disparado, completamente atordoado.
V
Foi durante a entrevista e discusso com seu mais novo pa-
ciente, Chet Hunter, e a suplente sexual designada para o ca-
so, Gayle Miller, que o dr. Freeberg recebeu o telefonema 
inesperado.
As nove e vinte da manh uma tecla em seu telefone acen-
deu, ele apertou-a e a voz de Suzy Edwards, sua secretria, 
disse:
- Lamento incomod-lo, doutor, mas o sr. Hoyt Lewis, 
o promotor pblico, est na linha. Ele deseja lhe falar.
Aborrecido com a interrupo, Freeberg desligou o gra-
vador e respondeu:
- O promotor pblico? No tenho nenhum problema 
a tratar com ele, ao que eu saiba, e estou ocupado neste mo-
mento. No pode esperar?
- Acho que no, dr. Freeberg. O sr. Lewis insiste em 
lhe falar imediatamente. Diz que  importante.
Freeberg olhava furioso para o aparelho, mas a insistn-
cia de Suzy lhe causava alguma apreenso.
- Bom... - Sua resistncia diminuiu. - Est bem, Suzy. 
Se  to importante assim, pode completar a ligao.
Ele levantou o fone, ps a mo no bocal e pediu descul-
pas ao paciente e  suplente sexual.
- Com licena, sr. Hunter... Gayle. Vocs ouviram.  
o promotor pblico. Creio que devo ser respeitoso.
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119

Hunter e Gayle indicaram que compreendiam com ace-
nos de cabea, enquanto Freeberg tirava a mo do bocal e 
aproximava-o da boca.
- Al? Aqui  o dr. Freeberg.
- Ah, dr. Freeberg, fico contente em poder lhe falar - 
disse a voz do outro lado da linha, calorosa e jovial. - La-
mento interromper seu dia movimentado. Sou Hoyt Lewis, 
o promotor pblico. No nos conhecemos pessoalmente, mas 
j ouvi falar muito a seu respeito.
- Tambm j ouvi falar a seu respeito, sr. Lewis. Em 
que posso servi-lo?
- Precisamos marcar um encontro, doutor. Surgiu um 
problema local e no  um assunto que possa ser tratado por 
telefone. Temos de discuti-lo. E quanto mais cedo, melhor.
- Quando?
- Hoje mesmo, se possvel. At no final da manh, an-
tes do almoo. Pode dar um jeito?
Freeberg inclinou-se para verificar os compromissos mar-
cados na agenda.
- Deixe-me dar uma olhada... - Ele acenou com a ca-
bea para o fone. - Podemos ter uma reunio esta manh. 
Terei a tarde inteira ocupada, mas esta manh estarei livre de-
pois das onze horas. Est bom assim?
- timo. Conversaremos s onze horas.
- Onde  seu gabinete, sr. Lewis?
- Fica no prdio da prefeitura, mas no se preocupe.
Irei at a.
- Sabe onde  minha clnica?
- Sei, sim. At mais tarde. Aguardo ansioso o nosso en-
contro.
Desligando, Freeberg no tinha certeza se tambm sentia 
o mesmo. Mas o tom de voz do promotor pblico no tinha 
qualquer senso de urgncia, indicando apenas que a reunio 
possua alguma prioridade. Freeberg decidiu afastar o encon-
tro de sua mente, pelo menos por enquanto. Limpou a gar-
ganta, pediu desculpas a Hunter e Gayle outra vez, estendeu 
a mo para pegar suas anotaes... e se lembrou que no ha-
via anotaes, porque estava gravando a conversa.
- Muito bem, vamos verificar onde paramos - disse ele.
Freeberg fez a fita voltar no gravador, apertou o boto 
de parar e depois ps para funcionar. Ouviu sua prpria voz 
saindo do aparelho:
- ...e como deve estar lembrado, discutimos a terapia 
de suplente sexual em nossa conversa inicial. J tem uma idia 
do que  e do que no . Creio que j tem uma noo.
Ele ouviu a voz de Hunter responder:
- Acho que sim, doutor.
E ouviu sua prpria voz continuar:
- O objetivo desta reunio no  apenas p-lo em con-
tato com a suplente sexual que vai trabalhar em seu caso, Gayle 
Miller, mas tambm analisar o propsito da terapia, ser o mais 
especfico possvel a respeito. Essencialmente, o propsito no 
 apenas faz-lo sentir-se melhor e ter um desempenho me-
lhor...  fazer com que funcione melhor em tudo. Por isso...
A esta altura a campainha e a voz de Suzy entraram na 
gravao e no havia mais nada da por diante, porque Free-
berg desligara o gravador.
Ele parou o aparelho, apertou dois botes para recome-
ar a gravar e virou-se para Hunter e Gayle.
- Podemos continuar agora - disse Freeberg. - Hou-
ve uma coisa que no lhe perguntei em nossa primeira sesso, 
sr. Hunter. Presumo que sentiu algum descontentamento com 
sua disfuno sexual desde o incio de qualquer relacionamento 
ntimo que teve com mulheres.
- E verdade - respondeu Hunter.
- Presumo que se trata de um problema que o vem preo-
cupando h muito tempo. No aconteceu ontem e tomou lo-
go a deciso de que era preciso fazer alguma coisa. Talvez o 
esteja angustiando h muitos meses, talvez mesmo anos.
- Pelo menos trs anos - disse Hunter, dirigindo-se em
parte a Gayle.
Ela no pareceu ficar surpresa e acenou com a cabea em
compreenso.
- Toda vez que tentou ser ntimo com uma mulher, sen-
tiu-se contrafeito, e sua ansiedade continuou a sabot-lo. -
Freeberg empertigou-se na cadeira. - Sr. Hunter, achou que
a disfuno afetava de alguma forma o seu trabalho?
Hunter pareceu ficar surpreso.
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121

- Meu trabalho? Acho que no estou entendendo.
- Voc escreve. J escrevia em Nova York, antes de se 
mudar para a California. E durante todo esse tempo teve o 
problema sexual. Sentiu que esse problema interferia com sua 
concentrao, sua criatividade?
- Fazia parte de meus pensamentos - admitiu Hunter. 
- Eu tentava trabalhar, mas estava sempre me preocupando 
com... com meus fracassos.
- Esses supostos fracassos resultaram num retraimento 
emocional, at mesmo fsico, em seu comportamento? Pas-
sou a sair com mulheres com menos freqncia? E quando 
saa passou a evitar a intimidade com mais freqncia, por 
estar preocupado com a possibilidade de no ter um desem-
penho satisfatrio?
Hunter remexeu-se em sua cadeira, constrangido. 
- So perguntas difceis...
- Desculpe. Pode responde-las?
- Claro. Continuei a sair com mulheres durante todo 
o tempo. No desisti. Mas acertou na outra coisa: passei a evi-
tar o sexo. Ainda tentei, mas continuei a ejacular cedo demais 
e por isso comecei a parar de me testar com as mulheres. Sa-
bia que no ia dar certo. Depois que vim para c, tornei-me 
quase que um celibatrio. No totalmente, mas quase. E de-
pois conheci uma mulher aqui em Hillsdale e me apaixonei. 
Pensei que poderia ser um novo comeo. Se voc est apaixo-
nado e quer uma mulher de verdade, quer muito, tudo tem 
de correr bem. - Ele sacudiu a cabea, tristemente. - Mas 
no correu.
Freeberg acenou com a cabea em simpatia.
- E resolveu ento, de modo sensato, fazer alguma coisa.
- Pode estar certo de que no foi fcil.
Gayle, em tom suave, disse ao paciente:
- Em nossa sociedade, com todas as suas presses, suas 
ansiedades so absolutamente compreensveis. Mas o proble-
ma no deve embara-lo ou humilh-lo. O que aconteceu com 
voc acontece com muitos homens, todos os dias, s que eles 
no falam a respeito entre si, porque acham que so os ni-
cos que esto sofrendo... e por isso sofrem sozinhos, em si-
lncio. O dr. Freeberg j lhe garantiu que seu problema pode
ser curado e eu tambm lhe ofereo a mesma certeza.
Hunter escutara Gayle com um novo interesse. Sorrin-
do, Freeberg retomou o comando da conversa:
- E agora vamos analisar o programa da terapia, como 
iremos trabalhar juntos.
A sesso prolongou-se por mais uma hora, com Freeberg 
sondando os antecedentes e a histria sexual de Hunter. Fi-
nalmente ele determinou que Hunter podia ter seu primeiro 
encontro com Gayle naquela tarde, na casa dela. As sesses 
intensivas prosseguiriam no dia seguinte e depois, se Freeberg 
estivesse satisfeito com o progresso do tratamento.
Aps dispensar o paciente e a suplente sexual, Freeberg 
ficou s. Contudo, de certa forma, no estava sozinho. Sen-
tia que Hoyt Lewis, o promotor pblico, ainda estava com 
ele. Tentou se concentrar em seu mais novo paciente, mas lo-
go chegou  concluso de que Gayle era bastante competente 
para cuidar muito bem daquele tipo de caso e tirou Hunter 
dos pensamentos. Estava livre para refletir sobre o telefone-
ma do promotor pblico.
Aparentemente, o pedido de um encontro por parte de 
Hoyt Lewis parecia bastante socivel. Talvez ele quisesse ape-
nas dar as boas-vindas da comunidade a Freeberg ou mais pro-
vavelmente exort-lo a ingressar em alguma organizao 
comunitria. Mas, no fundo, Freeberg sabia que tais idias 
eram absurdas. Por trs da abordagem aparentemente afvel 
do promotor pblico, houvera uma insistncia inequvoca em 
conversar com Freeberg j.
No seria uma visita social, concluiu Freeberg. Instinti-
vamente, como se procurasse um revigorante no trabalho, ele 
estendeu a mo para a ltima gaveta da escrivaninha, onde 
guardava as anotaes de pesquisas para um trabalho que h 
muito vinha preparando e adiando, sobre a evoluo da tera-
pia sexual e as mudanas que haviam ocorrido na profisso 
desde os dias pioneiros de Masters e Johnson.
Logo estava absorto na reviso de suas anotaes e quan-
do tornou a olhar para o relgio em cima da mesa faltavam 
apenas nove minutos para onze horas. Mais que depressa, Free-
berg guardou as anotaes e foi ao banheiro. Lavou-se, molhan-
do o rosto com gua fria, a fim de ficar o mais alerta possvel.
122
123

As onze horas estava de novo  sua mesa, pronto para 
qualquer coisa.

Hoyt Lewis, o promotor pblico, chegou cinco minutos de-
pois de onze horas e no estava sozinho. Um homem grande 
e exuberante, vestido de maneira impecvel, exceto por uma 
desconcertante gravata de tira, Lewis apertou com fora a mo 
de Freeberg e depois apresentou o homem muito menor que 
o acompanhava.
- Dr. Freeberg, espero que no se incomode por eu tra-
zer um velho amigo e consultor, o dr. Elliot Ogelthorpe, da 
Universidade da Virginia, onde chefia o departamento de edu-
cao sexual. Por acaso ele estava na cidade...
- Claro que no me importo - disse Freeberg, aper-
tando a mo de Ogelthorpe. - Prazer em conhec-lo.
Mas Freeberg no estava nada satisfeito. No apenas no 
gostava da aparncia de Ogeithorpe - o homem tinha olhos 
pequenos, uma boca sisuda e um cavanhaque impecvel (o que 
deixava Freeberg envergonhado por sua barba desgrenhada) 
- mas tambm detestava a sua reputao.
- Tenho lido seus artigos nas publicaes mdicas - 
acrescentou Freeberg. - Li inclusive sua publicao recente 
sobre as suplentes sexuais, "A mais nova velha profisso". 
Assim, posso dizer que conheo seu trabalho muito bem.
- E eu conheo o seu - anunciou Ogelthorpe, sem qual-
quer tentativa de cordialidade.
Freeberg orientou os dois para cadeiras no outro lado da 
mesa. Enquanto sentava, Hoyt Lewis ainda assumiu uma ati-
tude socivel.
- Quando me encontro com algum profissionalmente, gosto 
de convid-lo a ir a meu gabinete - Lewis soltou uma risada. 
-  mais intimidativo. Mas hoje pensei em dar uma olhada 
em sua clnica, antes de lhe falar.  um lugar bastante agradvel.
Freeberg ainda pensava numa palavra que Lewis usara, 
profissionalmente. Se o promotor pblico estava pensando nu-
ma reunio oficial, poderia ser algo perigoso.
- Fico contente que tenha gostado de nossa pequena cli-
nica - disse Freeberg. -  tudo novo, e me sinto muito or-
gulhoso de nossas instalaes.
Ele desconfiava que Lewis viera examinar o lugar -  
procura do qu? orgias? - e ficara desapontado. Esperou em 
silncio pelo que viria em seguida.
O promotor pblico passou a lngua pelos lbios, emper-
tigou-se, abandonou o ar socivel. Era todo oficial agora.
- Tenho certeza que deve estar perplexo com o motivo 
da minha presena aqui e por que eu queria v-lo o mais de-
pressa possvel.
Freeberg tentou sorrir, sem muito sucesso.
- Reconheo que refleti um pouco a respeito.
- Dr. Freeberg, desde que se instalou aqui em Hillsdale 
que alguma coisa de sua atividade foi levada  minha ateno 
por... h... por membros respeitados desta comunidade.
- Minha atividade? - murmurou Freeberg.
- Isso mesmo, seu trabalho como um terapeuta sexual... 
uma profisso perfeitamente honrada... e o uso de suplentes 
sexuais... empenhadas numa profisso um tanto duvidosa. Isso 
foi levado  minha ateno e tive de examinar o trabalho que 
voc e suas suplentes realizam. Fiz algumas profundas pesqui-
sas preliminares.
- E o que descobriu, sr. Lewis? - indagou Freeberg, 
ainda com suavidade.
- Que voc pode estar envolvido, de forma inocente, nu-
ma atividade que  ilegal, talvez mesmo criminosa. Estive in-
vestigando a possibilidade de que, como terapeuta sexual, possa 
estar envolvido em lenocnio, enquanto suas suplentes sexuais 
podem estar empenhadas no que no pode ser interpretado 
como outra coisa que no prostituio.
- Ora, pare com isso! - protestou Freeberg, tentando 
no dar muita importncia s acusaes. - Estamos vivendo 
nos tempos modernos, no progressista estado da California...
- Ah, a California... - Lewis tirou um pedao de pa-
pel de um bolso do palet e desdobrou-o. - Deixe-me dizer-
lhe uma coisa sobre as leis da California que talvez ignore, 
como um recm-chegado. H dois estatutos que probem ex-
pressamente o trabalho que voc e suas assistentes esto fa-
zendo.
Ele fez uma pausa, consultando o papel que tinha na mo.
- Aqui est uma referncia a lenocnio. Significa qual-
124
125

quer ao em que uma pessoa estimula outra  prostituio. 
- Lewis levantou os olhos. - Ao fazer suas suplentes sexuais 
trabalharem, no resta muita dvida de que est praticando 
o lenocnio. Isso, dr. Freeberg,  contra a lei na California 
e em cinqenta estados da unio.  um crime.
Freeberg fez meno de falar, mas Hoyt Lewis levantou 
a mo para silenci-lo e tornou a consultar seu papel.
- E temos tambm o estatuto da ofensa moral. Signifi-
ca uma pessoa que participa de um ato de prostituio, o que 
inclui qualquer ato libidinoso entre pessoas por dinheiro ou 
outra considerao. O que tambm  contra a lei na California.
Freeberg sentiu que ficara com o rosto vermelho e fez um 
esforo para se controlar.
- Ainda no definiu prostituio, sr. Lewis.
O promotor pblico tornou a consultar seu papel.
- Prostituio... Significa algum envolvido em relaes 
sexuais profissionais. - Ele levantou os olhos. - Considera-
se que prostituta  uma mulher que se empenha em intercurso 
sexual promscuo, especialmente por dinheiro. A est. E pe-
las minhas investigaes, parece que est perigosamente pr-
ximo ou de todo empenhado na prtica de providenciar 
mulheres para se empenharem em atos libidinosos com repre-
sentantes do sexo oposto e a se alugarem como prostitutas por 
pagamento. Sendo assim...
- Um momento, por favor, sr. Lewis - interveio Free-
berg. - Podemos discutir o assunto?
-  para isso que estou aqui. Para discutir sua ativida-
de e apresentar uma advertncia.
- Podemos primeiro conversar sobre o assunto? 
- Claro.
- Talvez tenha sido desorientado em suas pesquisas e 
desinformado em suas investigaes - disse Freeberg. - Posso 
lhe esclarecer algumas coisas?
-  vontade.
Tentando se controlar, Freeberg disse:
- Creio que  essencial que conhea a grande diferena 
que separa a prostituta da suplente sexual.
- Na minha opinio, constituem a mesma coisa - in-
sistiu Lewis.
126
- Deixe-me continuar, por favor. Afinal, sua compreenso 
do que  uma prostituta e uma suplente sexual pode estar errada.
Hoyt Lewis mudou a posio do corpo enorme na cadeira.
- Muito bem, dr. Freeberg, estou escutando.
- Vamos comear por uma exposio de carter geral. 
O clnico geral mdio neste pas ou em qualquer outro sabe 
muito pouco sobre problemas sexuais, a menos que envolvam 
alguma coisa organicamente errada com o paciente. Assim, 
sempre que um homem, jovem ou velho, tem um problema se-
xual, descobre que no adianta consultar o mdico da fam-
lia. Se ele for orientado de maneira apropriada, pode acabar 
procurando um consultor especializado... um psiquiatra, um 
terapeuta treinado em questes sexuais... e tentar chegar  raiz 
de seu problema, atravs de conversas. Mas logo no incio co-
meamos a compreender que a conversa no era suficiente. Co-
mo um psiclogo ressaltou: "Sexo  ao e no conversa" Uma 
terapia eficaz tinha de ser baseada na ao. Os primeiros ho-
mens da cincia a perceberem a necessidade de algo mais alm 
de conversa foram o dr. Joseph Wolpe, que sugeriu que fos-
sem recrutadas parceiras sexuais para ajudar os incapacitados 
sexualmente, e Arnold Lazarus, um Ph.D., que achou que as 
parceiras sexuais eram "necessrias" para se conseguir algu-
ma melhoria nos homens que apresentavam disfunes sexuais. 
Mas foram Masters e Johnson que criaram os termos "suplente 
sexual" e incluram essas esposas ou amantes de fantasia em 
seu programa de reabilitao. Pois Masters e Johnson...
- Dr. Freeberg - interveio Lewis -, se vai falar sobre 
Masters e Johnson seria melhor incluir o dr. Ogelthorpe na 
conversa. Como sabe de suas leituras, ele possui um profun-
do conhecimento de Masters e Johnson.
- Claro que o estou incluindo em tudo - disse Free-
berg ao companheiro do promotor pblico.
- Neste caso, tenho uma coisa a lhe dizer - anunciou 
Ogelthorpe. - Creio que isso deve ficar bem claro desde o 
incio. Masters e Johnson perceberam assim que comearam 
essa terapia que as prostitutas, as prostitutas de verdade, da-
riam excelentes suplentes sexuais, usando-as como tais.
- No  verdade! - protestou Freeberg, com veemn-
cia. - Est distorcendo os fatos.
127
t

- Estou?
- Por favor, deixe-me continuar.
O dr. Ogelthorpe ficou em silncio.
- Apresentarei os fatos sobre Masters e Johnson e as 
prostitutas. Eles nunca usaram... nem uma nica vez... uma 
prostituta como uma autntica suplente sexual. O que acon-
teceu foi que em 1954, Masters e Johnson, atravs de filmes 
e da observao de setecentas pessoas, efetuaram uma pesquisa 
para descobrir o que acontece psicologicamente com o corpo 
humano antes, durante e depois do coito e orgasmo. Para rea-
lizarem esse estudo, eles precisavam de alvos do sexo femini-
no. Por isso, no incio, contrataram prostitutas. Ficou com-
provado que isso era ineficaz, porque as anatomias e reaes 
das prostitutas no eram como as das outras mulheres. Eles 
abandonaram as prostitutas e passaram a usar voluntrias da 
Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, a se-
rem observadas e fotografadas. Depois, para suas pesquisas 
seguintes, eles resolveram estudar a utilidade de suplentes se-
xuais femininas em terapia.
Hoyt Lewis interrompeu Freeberg:
- Est querendo dizer que Masters e Johnson nunca em-
pregaram prostitutas como suplentes sexuais?
- Nuncal - respondeu Freeberg, de modo enftico, fo-
lheando suas anotaes. Ele suspendeu um papel. - Deixe-
mos que William Masters fale pessoalmente a respeito.
Ele passou a ler o que estava escrito no papel, citando 
Masters:
- "Deve ser ressaltado que jamais se pensou em empre-
gar a populao prostituta (como suplentes)... tanta coisa a 
mais  necessria e exigida de uma parceira substituta alm 
do desempenho sexual apenas fsico que usar prostitutas seria 
na melhor das hipteses clinicamente malsucedido e na pior 
psicologicamente desastroso." - Freeberg largou o papel. - 
Por isso, Masters e Johnson pediram que mulheres comuns 
se oferecessem como voluntrias para o trabalho de suplentes 
sexuais. Depois de uma cuidadosa investigao, encontraram 
13 mulheres, entre 24 e 43 anos de idade, para trabalharem 
como suas suplentes sexuais.
- E essas mulheres no eram prostitutas, embora desem-
penhassem o mesmo papel das prostitutas comuns? - insis-
tiu Lewis.
- Em absoluto! - protestou Freeberg, com veemncia. 
- O ofcio de uma prostituta  proporcionar ao homem uma 
rpida gratificao sexual. Uma suplente sexual... no progra-
ma de Masters e Johnson e no nosso, como devem saber... 
 qualquer coisa, menos uma atleta sexual. Seu trabalho  rea-
bilitar um paciente enfermo. Uma suplente sexual  treinada 
e contratada para ser a assistente de um terapeuta, assim co-
mo observadora, relatora e modelo. Em seu relacionamento 
com o paciente, a suplente sexual, atravs de uma srie de exer-
ccios de contato e carcias, tenta ensin-lo a aprender como 
experimentar a intimidade humana. Durante 11 anos, Mas-
ters e Johnson trataram de 54 homens solteiros com distr-
bios sexuais e 41 receberam ajuda de suplentes sexuais 
treinadas. Dos 41 homens assim tratados, 32 tiveram seus pro-
blemas sexuais resolvidos e 24 depois casaram e tiveram um 
desempenho satisfatrio.
O dr. Ogeithorpe interveio mais uma vez:
- Como podemos ter certeza disso? Como sabemos que 
os pacientes de Masters e Johnson ficaram realmente curados 
depois de receberem alta da clnica? Pelo que sei, o acompa-
nhamento posterior dos casos supostamente curados foi des-
cuidado, limitando-se a um contato com os pacientes cinco 
anos depois... e mesmo assim por telefone. Considera esse ti-
po de acompanhamento cientfico?
Freeberg sorriu.
- Sobre essa questo, permita-me citar as palavras de 
William Hartman, um renomado psiclogo do Centro de Es-
tudos Conjugais e Sexuais de Long Beach, California. Quan-
do o interrogaram sobre o acompanhamento posterior de 
ex-pacientes, Hartman reagiu com a seguinte pergunta: "Quan-
do foi a ltima vez que um mdico lhe telefonou dois anos 
depois para perguntar se ainda estava curado daquela gripe?"
Hoyt Lewis soltou uma risada divertida, mas o dr. Ogel-
thorpe permaneceu srio.
- Vamos nos ater a Masters e Johnson - disse Ogel-
thorpe. - H um fato que no pode negar. Masters e John-
son renunciaram ao uso de suplentes sexuais em 1970.
128
129

-  verdade, mas no foi porque o uso de suplentes se-
xuais se mostrasse ineficaz - respondeu Freeberg. - Um ho-
mem chamado George E. Calvert, de New Hampshire, pro-
cessou Masters e Johnson, pedindo uma indenizao de um 
milho e meio de dlares, sob a alegao de que sua esposa, 
Barbara, fora trabalhar para eles como suplente sexual e tive-
ra intimidades sexuais com sete pacientes masculinos. Mas-
ters e Johnson fizeram um acordo extrajudicial com o marido 
e depois disso renunciaram ao uso de suplentes sexuais. Por-
que eram to famosos, tornavam-se mais vulnerveis do que 
outros terapeutas sexuais e havia sempre a possibilidade de no-
vas aes judiciais. Sem as suplentes sexuais, confessou Mas-
ters: "A estatstica de sucesso com homens impotentes foi 
completamente revertida. Temos agora um ndice de fracasso 
de 70 a 75%." Contudo, com esse conhecimento do valor das 
suplentes sexuais, dezenas de terapeutas, inclusive eu, conti-
nuaram a trein-las e us-las como suplentes.
Hoyt Lewis estava comeando a ficar apreensivo.
- Senhores, vamos parar com essa discusso sobre Mas-
ters e Johnson. No so eles que esto em questo aqui. Nos-
sa preocupao  a suplente sexual feminina. E, para mim, 
qualquer uma delas parece igual a uma prostituta. No vejo 
a menor diferena.
Eles haviam chegado  essncia do conflito, e Freeberg 
tornou-se ainda mais determinado a resolver o problema de 
uma vez por todas. Falou diretamente para o promotor p-
blico:
- Pode estar certo, sr. Lewis, de que h enormes dife-
renas. A suplente sexual  orientada por um terapeuta licen-
ciado, que a controla com regularidade. O que no acontece 
com a prostituta. A suplente sexual  treinada no uso de exer-
ccios benficos que envolvem o contato. A prostituta no . 
A suplente sexual  motivada por um desejo profissional de 
ajudar um paciente com alguma disfuno, a fim de cur-lo. 
A prostituta  motivada apenas pelo desejo de ganhar dinhei-
ro, um dlar rpido, nada mais. A suplente sexual quase sem-
pre provm de uma famlia que tem pelo menos o pai ou a 
me compadecido e afetuoso. A prostituta geralmente provm 
de uma famlia arruinada, dominada pelo dio e abuso. A su-
plente sexual devota-se a um paciente como mestra por um 
longo tempo. A prostituta entrega-se a um nmero intermi-
nvel de homens num curto perodo, porque procura ganhar 
um dinheiro rpido, s se interessa em conseguir o mximo 
possvel. Como Barbara Roberts, uma terapeuta das mais co-
nhecidas, resumiu certa ocasio: "A maioria das suplentes se-
xuais daria pssimas prostitutas, enquanto a maioria das 
prostitutas, porque no tem treinamento e sua motivao  
diferente, daria pssimas suplentes sexuais."
Hoyt Lewis ps as palmas das mos nos joelhos e fitou 
Freeberg nos olhos.
- Falou muito bem, doutor, mas ainda no estou conven-
cido da diferena essencial entre a prostituta e a suplente sexual.
- A diferena essencial? - repetiu Freeberg. - Como 
assim?
- As duas tm uma semelhana bsica. Tudo se resume 
a isso, dr. Freeberg. E permita-me usar a linguagem das ruas. 
As duas so contratadas e pagas para foder.
Freeberg tentou permanecer calmo.
- Gostaria de responder tambm no jargo das ruas. A 
atitude da prostituta  a de dar uma trepada rpida e depois 
cair fora. De um modo geral, a prostituta no  uma pessoa 
por quem seu parceiro tenha algum afeto. A suplente sexual, 
por outro lado, no  apenas uma vagina disponvel para se 
descarregar o esperma acumulado.  uma profissional ami-
ga, treinada para pr um homem em contato com seu pr-
prio corpo. E uma pessoa que pode ressuscitar sua capacidade 
de ser sensual, um sentimento que ele provavelmente perdeu 
atravs da criao e condicionamento. Vamos ver as coisas por 
outro ngulo, sr. Lewis. A diferena se resume a uma ques-
to de motivao e propsito.  a diferena que vai encon-
trar entre um cirurgio e um assaltante. O cirurgio usa a faca 
para cort-lo, mas sua inteno  cur-lo. O assaltante tam-
bm usa a faca para cort-lo, mas sua inteno  tirar todo 
o seu dinheiro.
O promotor pblico torceu o nariz.
- Ainda no vejo qualquer diferena concreta entre uma 
prostituta e uma suplente sexual. Para mim, em ltima anli-
se, as duas fazem a mesma coisa.
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131

- No poderia estar mais enganado nessa concluso - 
protestou Freeberg. - A prostituta devota-se totalmente a atos 
libidinosos e ao intercurso sexual. A suplente sexual pode... 
apenas pode... devotar o ltimo ou os dois ltimos de 12 exer-
ccios ao intercurso sexual, para provar que ocorreu a cura. 
Menos de 20% da atividade de uma suplente sexual com ho-
mens envolvem o intercurso sexual. Posso lhe garantir que a 
suplente sexual no  uma vigarista.
- Podemos deixar que um tribunal decida isso - anun-
ciou Hoyt Lewis, levantando-se. - Seja como for, no estou 
aqui para amea-lo de priso. Ou pelo menos ainda no. Es-
tou aqui porque sou um bom sujeito, porque voc  novo na 
comunidade, porque pode estar desorientado mas tem boas 
intenes e porque quero lhe oferecer a oportunidade de cor-
rigir seu comportamento. Estou aqui para lhe propor o mes-
mo que propuseram em Tucson, Arizona, antes que aban-
donasse a cidade. Aconselho-o a renunciar totalmente ao uso 
de suplentes sexuais e voltar a ser um bom e decente terapeu-
ta como se limita a falar, como todos os psiquiatras que exis-
tem por aqui. Faa isso e estar dentro da lei, com todas as 
garantias. Mas tem de dispensar suas suplentes sexuais.
Freeberg levantou-se tambm, indeciso.
- Dispensar todas? Est falando srio?
- Se voc se recusar a suspender de imediato o uso de 
suplentes sexuais, no terei alternativa que no process-lo por 
lenocnio e a elas por prostituio. Pela primeira acusao, 
se condenado, voc estaria sujeito a uma pena de um a dez 
anos de priso. E suas suplentes sexuais poderiam passar seis 
meses na priso. E voc no poderia mais exercer a profisso 
em Hillsdale ou em qualquer outro lugar da California. Repi-
to: estou falando srio. Renuncie a suas prticas anti-sociais 
ou agente as mais graves conseqncias. Se no aceitar este 
acordo, serei obrigado a pedir sua priso e das suplentes se-
xuais. Isso acarretar uma audincia pblica e posteriormen-
te um julgamento aberto, daqui a dois meses. Sugiro que pense 
bastante e decida o que prefere. Tem uma semana. Durante 
esse perodo, voc ou seu advogado pode me informar da de-
ciso. Combinado?
Freeberg acenou com a cabea. Pegando o dr. Ogelthor-
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pe pelo brao, o promotor pblico encaminhou-se para a porta. 
Parou por um instante, antes de sair, virou a cabea para trs 
e acrescentou:
- Obrigado por sua pacincia. Espero que tome a deci-
so mais sensata.
Depois que teve certeza de que os dois j haviam ido em-
bora, Freeberg arriou na cadeira giratria e virou-se para o 
telefone.
Atordoado, tentou lembrar o telefone de seu velho ami-
go e advogado, Roger Kile, em Los Angeles. Por fim conse-
guiu e discou para o escritrio de Kile.
Quando a secretria atendeu, ele disse que precisava fa-
lar imediatamente com o sr. Kile, um problema urgente.
- O sr. Kile acabou de sair para almoar, mas acho que 
ainda posso alcan-lo no corredor.
- Faa isso, por favor. Diga a ele que  o dr. Arnold 
Freeberg.
Ele ficou segurando o fone de modo aptico at ouvir a 
voz de Roger Kile.
- Roger? Sou eu, Arnold. Desculpe atrapalhar a sua ho-
ra de almoo, mas  um problema de alguma importncia.
- No se preocupe com isso, Arnie. Voc parece muito 
nervoso.
- E estou mesmo. Acredite ou no, tenho de novo um 
problema.
- Que tipo de problema?
- O promotor pblico de Hillsdale, Hoyt Lewis, acaba 
de deixar a clnica. E no foi uma visita social.
- Falou que tinha um problema. O que o promotor p-
blico queria com voc?
- Se dispuser de alguns minutos...
- Disponho de todo o tempo que voc precisar, Arnie. 
Conte-me o que est acontecendo.
E Freeberg contou. Durante mais de dez minutos, ele re-
latou tudo o que podia lembrar da visita de Hoyt Lewis, sua 
ameaa, a proposta de um acordo.
- A est - concluiu Freeberg. - O que vou fazer? Pa-
rece que ele me encostou contra a parede.
- Fique calmo, Arnie. No se precipite. Pode haver mui-
I
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ta coisa a revolver antes de tomar uma deciso.
- Mas por que isso est acontecendo, Roger? E ainda 
por cima na California. No faz sentido. O que h por trs 
disso?
Houve silncio por um momento no outro lado da linha. 
E, depois, Kile respondeu com uma nica palavra: 
- Poltica.
- Poltica?
- Isso mesmo. Jamais me encontrei pessoalmente com 
seu promotor pblico, mas j ouvi falar a seu respeito, at 
mesmo aqui, em Los Angeles. Ele  popular e quer ser ainda 
mais popular. Meu palpite  de que Lewis deseja aproveitar 
a oportunidade para subir. Quer ser conhecido em todo o es-
tado, e se lanar contra voc e suas suplentes sexuais  um meio 
seguro de atrair a ateno dos meios de comunicao. Ele po-
de se tornar bastante conhecido e at mesmo obter um cargo 
mais importante, se conseguir ganhar o caso.
- E tudo indica que ele pode vencer o meu caso.
- No se precipite, Arnie. Pode haver muito mais do 
que um mero caso criminal. As conseqncias legais podem 
ser profundas. H muitas ramificaes.
- Eu poderia lutar contra ele, Roger? Teria alguma chan-
ce?
-  o que vamos descobrir. Estudarei todos os aspec-
tos do problema. Tambm farei uma pesquisa. Antes de des-
ligar, quero que voc d  minha secretria uma lista de pessoas 
qualificadas... mdicos, terapeutas, suplentes sexuais, pessoas 
em quem voc confia e que no vo se importar de responder 
a algumas perguntas e me fornecer as informaes de que pre-
ciso. Certo?
- Certo.
- Depois que eu tiver os nomes, passarei esta tarde e o 
incio da noite, assim como todo o dia de amanh, conver-
sando com essas pessoas, pessoalmente ou por telefone. De-
vo ter tudo pronto at amanh  noite. E depois ns dois vamos 
nos encontrar para conversar.
- Quando?
- O mais depressa possvel,  claro. Por que no pega 
o carro e d um pulo a Los Angeles? Podemos nos encontrar
no La Scala, em Beverly Hills, s sete horas.  um restauran-
te discreto e de classe, onde podemos conversar  vontade e 
esclarecer tudo.
- Estarei l - prometeu Freeberg. - Ter condies 
de me dizer o que fazer no jantar?
- Creio que sim.
- Acha que tenho uma chance de lutar, Roger?
- No sei ainda, mas poderei responder amanh de noite, 
quando nos encontrarmos.

Na noite seguinte os dois estavam sentados num reservado com 
muito brocado e veludo, nos fundos do restaurante La Scala, 
numa rua conhecida como `Pequeno' Santa Monica Boulevard.
Seguindo pela estrada litornea para Beverly Hills, a fim 
de se encontrar com o advogado e amigo, o dr. Arnold Free-
berg estava nervoso, obcecado pela ameaa que pairava so-
bre sua cabea. Se o promotor pblico, como Kile sugerira, 
estava determinado a usar Freeberg e suas suplentes sexuais 
como um trampolim para promover sua carreira poltica, ha-
veria pouca esperana de conseguir det-lo. Ele iria process-
lo de qualquer maneira. Mas houvera alguma concesso em 
sua atitude. Encontrara-se com Freeberg no dia anterior, pa-
ra adverti-lo, oferecer a oportunidade de recuar na questo 
das suplentes sexuais e suspender esse tratamento. Se Hoyt Le-
wis fosse mais intransigente, oportunista e ambicioso, no se 
daria ao trabalho de advertir Freeberg. Iniciaria a ao judi-
cial sem qualquer aviso.
Mas Freeberg percebera que no havia qualquer indcio 
de aodamento e irresponsabilidade no comportamento de Le-
wis. Ele no iniciaria uma ao judicial se no tivesse quase 
certeza de que poderia vence-la. No era um tolo. Em pol-
tica,  preciso vencer sempre. Um caso sem vitria seria de-
sastroso. Portanto, tudo dependia do que Kile estivera pes-
quisando desde o dia anterior. Suas descobertas  que deter-
minariam a deciso final. Se Kile conclusse que a posio de 
Lewis era muito forte, ento Freeberg teria de fechar a clnica 
em Hillsdale e no haveria outro lugar para onde pudesse ir 
na California. Claro que ele podia continuar com a clnica e 
trabalhar como um terapeuta sexual da palavra, no muito
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eficaz, sobrevivendo de alguma forma. Mas seria triste, mui-
to triste, negar a tantas pessoas decentes e necessitadas uma 
cura positiva.
No restaurante, os dois comearam a tomar martinis, sem 
abordarem por enquanto o motivo para o encontro.
- Trabalhei muito ontem e hoje - dissera Kile, logo no 
comeo. - Estou exausto. Vamos tomar primeiro um drin-
que para nos animar, depois pedir a comida e em seguida po-
deremos conversar.
Eles beberam e conversaram sobre assuntos pessoais. Free-
berg falou da esposa e do filho. Kile, solteiro, de feies atraen-
tes e o tipo de queixo saliente e viril que aparece em anncios 
de cigarros, falou de uma nova namorada, compradora da loja 
de departamentos Saks, e de alguns dos casos mais importan-
tes de seu escritrio. A salada Caesar que eles haviam pedido 
foi servida. Ao terminar de comer a salada, Roger Kile 
inclinou-se para o lado do reservado e levantou sua pasta pa-
ra o banco. Abriu-a, vasculhou em seu interior e tirou cerca 
de meia dzia de fichas. Colocou-as ao lado do prato, mas 
antes que pudesse consult-las, o garom chegou com sua cos-
teleta de vitela e com o espaguete  Ia carbonara de Freeberg. 
Depois que o garom tornou a deix-los a ss, Kile consultou 
as fichas.
- Muito bem, Arnie, vamos logo  prioridade A. Voc 
me forneceu uma boa lista de pessoas para telefonar e visitar. 
Todos se mostraram dispostos a cooperar quando souberam 
que voc estava envolvido e qual era a ameaa de Lewis.
- Contou a eles?
- Por que no? Os mdicos e suplentes sexuais que me 
indicou tambm esto ameaados, se voc est. Todos correm 
perigo pelo que est lhe acontecendo. E se mostraram indig-
nados. Dispostos a ajudar.
Freeberg espetou o espaguete em seu prato. 
- Ajudar como, Roger?
- Por um lado, aprendi muito sobre o seu trabalho. - 
Kile cortou a vitela e comeou a comer. - Ficou patente para 
mim que uma suplente sexual feminina no opera em absolu-
to como uma prostituta.
- J no sabia disso?
- Tinha de ouvir de novo de outras pessoas com expe-
rincia, e que no esto diretamente envolvidas. No tenho 
agora a menor dvida de que uma suplente sexual profissio-
nal tem motivao e atitudes bem diferentes da mdia das pros-
titutas. E os objetivos de uma suplente sexual tambm so 
diferentes dos da prostituta. Uma suplente sexual quer recu-
perar seus pacientes e acha que s foi bem-sucedida quando 
ele pode ter relaes normais com outras mulheres.
- Eu expliquei tudo isso a Hoyt Lewis ontem - comen-
tou Freeberg, impaciente.
Kile ignorou-o. Mastigando a vitela, ele tornou a consul-
tar as fichas.
- H muitas pessoas do seu lado. Aqui est uma decla-
rao do chefe da Clnica de Desenvolvimento de Recursos Hu-
manos de Chicago...
- Dr. Dean Dauw - disse Freeberg.
- Isso mesmo, Dauw. Ele disse, categrico: "As suplen-
tes sexuais no so nada prostitutas... Se um homem  impo-
tente e solteiro, como pode ser tratado sem a ajuda de uma 
mulher? Ela tem de ser uma pessoa que goste de ajudar os ou-
tros, mas de jeito nenhum uma prostituta. As prostitutas mui-
tas vezes odeiam os homens e so motivadas por dinheiro." 
Gosto disso.
-  a pura verdade.
- Por outro lado, h muitos especialistas, terapeutas, 
psiquiatras, que no esto do seu lado. De um modo geral, 
acham que as suplentes sexuais so destreinadas e falta uma 
regulamentao. H uma permanente ameaa legal, porque 
a profisso  indefinida. Temos a Associao Psicolgica de 
Massachusetts proscrevendo completamente as suplentes se-
xuais e apresentando os motivos para isso. - Ele folheou as 
fichas. - Muitos terapeutas tendem a tergiversar.  o caso 
da dra. Helen Kaplan, diretora de um programa de terapia 
sexual na Clnica Payne Whitney, no Hospital de Nova York.
- Ela  muito respeitada - disse Freeberg.
- Pois parece que ela est dos dois lados, mas menos 
do seu. Diz ela: "As pessoas solitrias podem ser ajudadas 
por suplentes sexuais, mas eu tentaria determinar atravs da 
psicoterapia por que a pessoa  to solitria. Precisamos le-
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var a humanidade e o erotismo de volta  cama. No se pode 
fazer isso quando se paga a algum cem dlares para ir com 
voc para a cama."
- Isso  til para mim ou para o promotor pblico? 
Kile largou as fichas e sorriu.
- Tenho certeza de que Hoyt Lewis usar argumentos 
mais fortes contra voc, se precisar. - Kile ficou em silncio 
por um instante, pensativo, como se lembrasse outra coisa. 
- H mais um fator contra voc que deve ser levado em con-
siderao, Arnie. O judicirio, ao que parece, tem um pre-
conceito tcito contra as suplentes sexuais.
- Como assim?
- Conversei com um colega que cuidou de um caso de 
divrcio em Burbank. Meu amigo representava a esposa, me 
de dois filhos, que ficaram sob sua custdia durante o pro-
cesso. O marido separado descobriu de alguma forma que a 
futura ex-esposa trabalhava ocasionalmente como suplente se-
xual, embora no o fizesse em casa nem perto dos filhos. O 
marido falou com seu advogado, que foi procurar o juiz. Sem 
uma audincia, o juiz logo tirou a custdia das crianas da 
me e entregou-as ao marido. Meu amigo e eu achamos que 
foi uma pssima deciso judicial, mas serve para mostrar que 
em nosso mundo real nem sempre se tem boas decises judi-
ciais ou a justia legal.
- No est contribuindo para me levantar o nimo - 
comentou Freeberg.
- Estou apenas tentando lhe dizer que existe algum pre-
conceito.
- Por que no vamos direto ao ponto, Roger? - Free-
berg empurrou o prato de espaguete para o lado. - Qual  
exatamente a minha situao?
- Esse  o prximo item na agenda. Eu estava certo no 
palpite que dei pelo telefone. O problema  poltico. Hoyt Le-
wis est procurando por sua grande chance. Acha que a en-
controu. Conta com o apoio de pessoas poderosas, sem dvida 
exortando-o a iniciar uma ao judicial contra voc.
- Quem so essas pessoas?
- A mais conhecida  um clrigo proeminente, o reve-
rendo Josh Scrafield, que  contra toda e qualquer educao
sexual nas escolas e acha que um terapeuta sexual como voc 
pode contaminar sua comunidade to pura. Ele aparece na te-
leviso aqui em Los Angeles. Faz o maior sucesso.
- Aquele ioi - murmurou Freeberg, com desdm. - 
No  possvel que Lewis o leve a srio.
- Eu diria que leva a srio apenas num sentido poltico. 
Scrafield sabe como conquistar amigos e influenciar pessoas. 
Possui uma audincia espetacular, para a qual sua palavra  
o evangelho. Uma pessoa para ter do seu lado, se voc quer 
subir na vida.
Freeberg balanou a cabea, com um ar de infeliz.
- E onde tudo isso me deixa?
- So elementos intangveis. A nica coisa concreta a 
se considerar  a lei.
- Posso imaginar.
- A lei na California  bastante especfica na definio 
de lenocnio e prostituio. Mas no h referncia a qualquer 
coisa que se relacione com suplentes sexuais. So guas tur-
vas. Em determinados estados, como Connecticut e Arizona, 
qualquer intercurso sexual mediante pagamento  prostitui-
o. Mas no na California. As suplentes sexuais no so ile-
gais aqui. Mas tambm no so expressamente permitidas. Elas 
no so licenciadas. Se fossem, isso seria da maior utilidade. 
Os mdicos e os psiclogos so obrigados a tirarem uma li-
cena aqui, Arnie. Se Hoyt Lewis apresentasse esse argumen-
to... que as suplentes sexuais esto tratando de distrbios e 
assim praticando a medicina ou se desempenhando como psi-
clogas sem estarem licenciadas... teria um caso mais forte. 
Mas como a medicina e a psicologia so amplamente defini-
das, esse ponto pode no ser muito importante se usado con-
tra as suplentes sexuais. Alm do mais, combater praticamente 
no-licenciados  uma coisa inspida. No atrai a ateno do 
pblico. Lenocnio e prostituio so diferentes, e foi por is-
so que Lewis escolheu-os.
- Mas qual  afinal a minha situao? - insistiu Free-
berg.
- Chegamos ao ponto crucial. Na minha opinio, voc 
est do lado seguro. - Kile falou sem a menor hesitao. - 
A lei define a prostituio como qualquer ato libidinoso entre
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pessoas por dinheiro. Uma suplente sexual treinada, orienta-
da por um especialista licenciado como voc, no deve estar 
sujeita  acusao de prostituio. Ela pode apresentar no tri-
bunal provas concretas de suas intenes e trabalho. Pode mos-
trar documentos, planos, programas, anotaes, todos os tipos 
de registros, para provar que est empenhada em terapia leg-
tima e no em atos libidinosos por dinheiro. Pode provar que 
 apenas uma assistente aceitvel na terapia da palavra.
Por trs dos culos, os olhos de Freeberg se arregalaram.
- Quer dizer que a lei est ento do meu lado?
Kile sorriu.
- No tenho a menor dvida quanto a isso. A lei pro-
be o comportamento promscuo. A inteno da lei  claramente 
a de evitar o vcio comercializado, que pode prejudicar as pes-
soas, famlias e a sociedade. No vejo esse risco nas ativida-
des de uma suplente sexual. A inteno dela  reabilitar pessoas 
que sofrem de disfunes sexuais diagnosticadas clinicamen-
te. O trabalho no inclui qualquer comportamento proms-
cuo. A inteno do trabalho da suplente sexual  ser 
construtivo, em termos fsicos, emocionais e econmicos, pa-
ra os indivduos, as famlias e a sociedade. - Kile fez uma 
pausa. - Em suma, meu amigo, o promotor pblico no tem 
muita coisa para basear sua acusao. Na minha opinio, seu 
caso  dos mais fracos, na melhor das hipteses. Voc tem uma 
posio muito mais forte e eu tambm, como seu represen-
tante.
- Est falando srio?
- Claro que estou. Lewis no pode ir ao tribunal certo 
do sucesso sem alguma testemunha de comportamento inde-
cente praticado por suas suplentes sexuais. E onde Lewis po-
deria conseguir uma testemunha assim? Voc tem um crculo 
limitado de suplentes sexuais, trabalhando sob sua cuidadosa 
superviso, e uma quantidade pequena de pacientes, que in-
vestigou de forma meticulosa. Nenhum deles jamais pensaria 
em desertar para o lado do promotor pblico e depor contra 
voc e uma suplente num julgamento. Todas as testemunhas 
possveis esto do seu lado.
- Quanto a isso, no tenho a menor dvida. 
Kile abriu os braos e deu de ombros, confiante.
- Pronto. Eu digo que voc no tem qualquer problema.
O rosto de Freeberg se iluminou, as linhas de tenso vis-
veis em seu pescoo relaxaram.
- Quer dizer que posso continuar a trabalhar como an-
tes?
- No apenas como antes, mas ainda mais. Mantenha 
as suplentes sexuais. Aceite mais e mais pacientes. Acumule 
estatsticas de sucesso cada vez maiores. Se Lewis for bastan-
te idiota para nos levar ao tribunal, voc ter essa prova ma-
ravilhosa para apresentar. Acho at que vamos querer que 
Lewis tome conhecimento de seu sucesso antes disso, no mo-
mento oportuno. O conhecimento de seu sucesso provavelmen-
te o far pensar duas vezes e impedir que promova uma ao 
judicial.
- O que devo fazer com Hoyt Lewis? Fiquei de lhe co-
municar minha deciso em uma semana.
- No faa nada. Pode deixar que cuidarei dele daqui. 
Deixarei que ele espere at o ltimo minuto. E depois telefo-
narei ou o visitarei pessoalmente. Direi a ele que pode fazer 
o que quiser, mas que no tem a menor chance. Voc vai pros-
seguir em seu trabalho.
- Ele no tem mesmo, Roger?
- No tem o qu?
- Nenhuma chance?
Kile tornou a dar de ombros.
- Acho que no, mas quem pode saber com certeza? Em 
geral h dois lados na justia americana. As vezes o lado mais 
fraco pode vencer. Mas se eu estivesse no seu lugar, continua-
ria como se nada tivesse acontecido. E no precisa preocupar 
suas suplentes sexuais com o problema. Pode seguir em fren-
te... E agora, Arnie, recomendo os sundaes de chocolate da-
qui para sobremesa. A cobertura  como uma celebrao.

Completamente vestida, parada na frente do boxe de seu ba-
nheiro, estendendo a mo para verificar se a gua estava bas-
tante quente para o prximo exerccio, Gayle Miller no estava 
Pensando em Adam Demski, que se despia na sala de terapia, 
mas sim em seu breve encontro com o dr. Freeberg, no incio
daquela tarde.
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Freeberg a convocara para reavaliar mais uma vez o caso 
de Demski. O que era muito estranho, porque houvera minu-
ciosas discusses a respeito, antes e depois de cada sesso com 
Demski. Mesmo assim, compulsivamente, Freeberg queria re-
visar tudo, como para ter certeza de que o caso progredia de 
maneira satisfatria.
- Acha mesmo que ele se sente um pouco mais  vonta-
de sem as roupas? - perguntara Freeberg.
- Na primeira vez, antes da projeo do corpo, ele se 
mostrou relutante, bastante tenso - respondera Gayle. - Mas 
conseguiu faz-lo e at pareceu relaxar um pouco. Anteontem, 
quando ele tinha de se despir para a carcia nas costas, pensei 
que haveria alguma dificuldade, mas ele tirou as roupas sem 
qualquer problema e se mostrou muito mais  vontade durante 
o exerccio.
Freeberg inclinara-se por cima de sua pasta aberta. 
- Gayle...
- O que ?
- Qualquer indicao de algum movimento de ereo? 
- Ainda nenhuma, doutor. Continua flcido. - Ela fi-
zera uma pausa. - Talvez seja cedo demais.
- Creio que voc est certa. Qual  o prximo exerccio
do programa? O banho de chuveiro nu? 
- Isso mesmo. No fim desta tarde. 
Freeberg a fitara nos olhos.
- No me interprete de maneira errada, Gayle. No es-
tou querendo apressar o caso. Tento apenas dizer que voc 
deve mant-lo num ritmo razovel, mas firme. O fator mais 
importante  o resultado. Conto com um sucesso real neste 
caso. - Ele hesitara. - Seria timo para todos ns ter um 
bom comeo na clnica.
- Farei o melhor que puder, doutor.
Recordando a conversa, a mo ajustando as torneiras de 
gua quente e fria, ela ainda experimentava uma sensao de 
presso de Freeberg. Ele queria que o caso progredisse depres-
sa, mas de forma meticulosa. Acima de tudo - e fora a pri-
meira vez em que falara a ela de um resultado - queria que 
o tratamento de Demski fosse bem-sucedido. Parecia um pe-
dido desnecessrio, e Gayle no podia deixar de especular por
que fora enfatizado. O que estaria acontecendo na vida de Free-
berg? Ele estaria sob alguma presso... para provar sua com-
petncia ou reprimir alguma concorrncia prevista?
E havia a indagao sobre o progresso ertil de Demski. 
No restava a menor dvida de que estava vinculada  neces-
sidade de sucesso. Nunca antes Freeberg formulara a pergun-
ta num estgio to inicial dos exerccios.
O chuveiro estava no ponto ideal. Morno e agradvel. 
Gayle decidiu tirar Freeberg da mente e concentrar-se no exer-
ccio. Despiu-se no banheiro e seguiu pelo corredor at a sala 
de terapia nos fundos. Adam Demski estava sentado numa pol-
trona, nu, folheando uma revista. Gayle ficou satisfeita ao 
constatar que nem as mos nem a revista cobriam o pnis. Caa 
entre as pernas, visvel, e sua postura indicava que no mais 
se sentia to inibido na presena dela. O que era timo. Tal-
vez tivessem feito algum progresso.
Ele levantou a cabea quando ela entrou e no mais des-
viou os olhos de seu corpo.
- Voc... voc est linda, Gayle.
- Gosto de elogios. - Ela estendeu a mo. - Venha 
comigo.
Demski largou a revista e levantou-se, pegando a mo es-
tendida.
- Para onde?
- Vamos para o banheiro, tomar um banho de chuvei-
ro sensual, juntos.
- Mas j tomei banho esta manh.
- Este ser diferente.  na verdade uma carcia de corpo 
em p, usando sabonete e gua. Depois que acabarmos, vamos 
nos enxugar e voltaremos  sala de terapia, para outra carcia 
nas costas e total, um com o outro, da cabea aos ps. O que acha?
- Parece timo.
- Pois ento vamos.
Ela levou-o pelo corredor. Entraram no banheiro e ela 
soltou sua mo, inclinou-se para sintonizar o rdio branco nu-
ma emissora de FM. A msica era suave, talvez dos anos qua-
renta, quando os casais danavam colados.
- Gosto dessa msica - murmurou Demski. - O que 
fazemos agora?
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Gayle abriu a porta de vidro do boxe.
- Pode ver que j aprontei a gua para ns. Est mor-
na. Vamos entrar, ficar debaixo da gua, de frente um para 
o outro. Assim que estivermos molhados, quero que voc pe-
gue o sabonete e passe em meu corpo, deixando-o to ensa-
boado quanto possvel. E depois comece a me acariciar, mas 
no os seios nem os rgos genitais. Tente manter os olhos 
fechados, a menos que queira ver onde esto suas mos. Eu 
ficarei de olhos fechados. Provavelmente falarei um pouco, 
para orient-lo. Ensaboe-me na frente e atrs, e depois farei 
a mesma coisa com voc.
- A idia  sentir-se bem?
- A idia  desfrutar. No fale, a menos que queria me 
dizer alguma coisa que o est incomodando ou constrangendo. 
- Est certo.
- Repito: a idia  desfrutar, ter um contato mais nti-
mo com seus sentimentos. Relaxe e procure sonhar de forma 
criativa. Pode ser sensual, at mesmo ertico. Tente sentir a 
sensualidade de seu contato e depois do meu. Vamos entrar.
Eles ficaram debaixo do chuveiro. A gua estava delicio-
samente morna. Gayle entregou o sabonete a Demski e recuou 
um pouco.
- Sente-se  vontade? - perguntou ela. 
- Estou relaxado.
- Eu tambm. Ento por que no comea a me ensa-
boar? Pescoo, ombros, braos, mos, coxas e pernas.
- Terei de ficar com os olhos abertos para ver onde...
- No tem problema - disse Gayle. - Mas feche-os 
sempre que puder.
Com a msica flutuando pelo banheiro, ele comeou a 
passar o sabonete pelo corpo de Gayle, tomando todo cuida-
do para no chegar perto dos seios ou da vagina. Gayle man-
teve os olhos fechados e depois disse, suavemente:
- Muito bem, Adam, agora largue o sabonete e use as 
mos para me acariciar e massagear de leve, na frente e atrs.
Ele seguiu as instrues, as pontas dos dedos deslizando 
pelo corpo de Gayle, em cima e embaixo. Involuntariamente, 
ela suspirou.
-  bom, Adam, muito bom...
Depois de quase dez minutos, ela abriu os olhos.
- D-me o sabonete, Adam. Agora  a minha vez de en-
saboar e acariciar voc. Feche os olhos. No fale. Deixe a mente 
vagar. Est num harm, com mil dedos deslizando por seu cor-
po. Relaxe. Lembre-se que deve ser sensual, e espero que se-
jam agradveis todas as sensaes que tiver e que as desfrute 
ao mximo. Vire-se, pois vou comear pelas costas.
Ele virou-se debaixo do chuveiro, e Gayle chegou mais 
perto. Passou o sabonete por seu pescoo, ombros, costas e 
ndegas, at deixar a pele coberta de espuma. Com a outra 
mo, ela o massageava gentilmente.
Depois de algum tempo, f-lo virar-se, ficando de frente 
para ela. Ensaboou-lhe o peito, os braos, os quadris, coxas, 
pernas. Depois, largando o sabonete, ps as mos na espuma 
e comeou a fazer suaves movimentos circulares, passou para 
movimentos longos com os dedos, at que a gua do chuveiro 
enxaguasse toda a espuma.
Ela chegou mais perto, as mos deslizando outra vez pa-
ra as coxas de Demski, enfiando-se pelas partes internas, os 
dedos subindo e descendo na pele mida.
Abrindo os olhos, para ter certeza de que no tocava em 
seus rgos genitais, Gayle viu alguma coisa se mexer.
Seus olhos se arregalaram.
O pequeno pnis inchara um pouco, no podia haver a 
menor dvida, levantara trs ou quatro centmetros.
Ressurreio, ela sentiu vontade de gritar.
Estava emocionada.
E ansiosa em contar ao dr. Freeberg. Quer deixasse trans-
parecer ou no, ele tambm ficaria emocionado. Pela primei-
ra vez, ela podia avistar a luz no fim do tnel. Faiscava uma 
palavra, a distncia. E a palavra era sucesso.
Incapaz de se controlar por causa da conquista, Gayle im-
pulsivamente se adiantou e abraou Demski, num gesto afe-
tuoso. Podia senti-lo contra seu corpo, comprimindo-se. Sur-
preso, ele abriu os olhos.
- O que aconteceu? Eu estava caindo?
- No precisei levant-lo. Voc j est de p. No sa-
bia disso?
- Eu... eu no posso acreditar.
144
145

-  melhor acreditar. Est a caminho, Adam. Para va-
ler. Como se sente?
Ele deu um sorriso tmido.
- Com trs metros de altura.
-  maravilhoso - murmurou Gayle, sorrindo.

Naquela noite, na cama, esperando Tony sair do banheiro, 
Nan Whitcomb resolveu fazer mais uma tentativa de conver-
sar com ele sobre a situao.
Conseguira esquivar-se durante uma semana inteira, ale-
gando que o ginecologista insistia que devia evitar o intercur-
so sexual enquanto recebia a srie de injees de hormnios. 
Mas a cada dia ele se tornara mais soturno e difcil, e Nan 
compreendera que no conseguiria evit-lo para sempre. Mais 
cedo ou mais tarde - mais cedo, ela tinha certeza - teria de 
ceder s suas exigncias e no tinha certeza se j progredira 
o suficiente na terapia para cooperar com Tony e lhe dar de 
maneira satisfatria o que ele queria.
Deitada na cama, ela sabia que no poderia manter por 
muito mais tempo a ttica protelatria. Tinha de enfrentar a 
vida que escolhera e queria mant-la, o que significava encon-
trar um meio de tornar seu relacionamento fsico com Tony 
Zecca aceitvel para ela.
Pensava ter encontrado um novo caminho e tomara a de-
ciso de experiment-lo com Tony. A rejeio sistemtica de 
Tony no resolveria coisa alguma. Mudar Tony, pelo menos 
um pouco, podia ser a soluo.
A idia de educar Tony para as necessidades dela prova-
velmente lhe ocorrera ao final da tarde, depois de deixar o apar-
tamento de Paul Brandon. Paul - Nan tinha dificuldade em 
pensar nele como um suplente sexual contratado e em si mes-
ma como uma paciente necessitada - mostrara-se muito ter-
no e gentil. No incio da sesso de duas horas, Paul explicara 
o exerccio seguinte, a carcia frontal, sem contato com os seios 
ou rgos genitais. Ela tirara as roupas com um crescente sen-
timento de expectativa. O exerccio fora realizado com um cui-
dado gentil da parte dos dois. Os dedos de Paul, deslizando 
por seu corpo, trouxeram calor  pele, ela fora invadida pelo 
desejo de pegar-lhe as mos e cobrir os seios, lev-las para a
146
vagina. Resistira  tentao porque no quisera violar as re-
gras, perturbar o relacionamento entre os dois ou ofend-lo 
por qualquer forma. Quando chegara a sua vez de acarici-lo 
frontalmente, a tentao fora ainda mais forte. Sentira von-
tade de pegar o pnis, gui-lo para dentro de seu corpo. No 
cedera a esse desejo, mas Paul dera a impresso de que tinha 
alguma percepo do que se passava por sua mente. Ele fora 
terno e muito atencioso, mesmo depois que estavam outra vez 
vestidos.
Voltando para casa, aps o jantar, quando ela e Tony 
se aprontavam para deitar, Nan decidira conversar com ele 
naquela noite. Tentaria transferir um pouco da ternura e gen-
tileza de Paul para Tony, o homem com quem tinha de viver.
Ouviu a porta do banheiro ser aberta e fechada e viu Tony 
Zecca aproximando-se da cama.  claridade amarelada do aba-
jur, constatou que ele estava nu. Tentou se preparar para a 
conversa.
Ele chegou  cama, puxou as cobertas que a cobriam e 
arrancou a camisola.
- As frias acabaram - resmungou Tony Zecca. - J 
deve estar bem descansada agora. E, como pode ver, estou 
pronto para voc. Vamos logo, abra as pernas para foder.
Nan ficou horrorizada no mesmo instante. Desvaneceu-
se toda a idia de argumentar com ele, sumiram todas as pa-
lavras que ensaiara mentalmente, com tanto cuidado. Aquele 
era um momento de sobrevivncia.
- Escute, Tony... no... ainda no...
- Vamos logo, meu bem. Ponha o travesseiro debaix-
do seu rabo.
Ela tentou resistir.
- No, Tony, no... no devo... O doutor me adv, t-tiu 
para no fazer enquanto estiver tomando as injees. D-me 
mais algum tempo...
Zecca estava na cama, por cima dela, as mos enormes 
segurando seus joelhos.
- J chega de ganhar tempo, garota. No quero mais 
saber dessa merda mdica. Diga a esse mdico que eu tenho 
teria injeo que  muito boa para os seus problemas.
As mos poderosas estavam abrindo as pernas de Nan.
147

Ela agarrou-as, tentando impedi-lo.
- No, Tony, por favor... d ao mdico mais... 
- O mdico que se foda!
Ele abriu suas pernas e arremeteu, soltando um grunhido. 
- Porra, como voc est apertada! - murmurou Zec-
ca, furioso.
Ele continuou a comprimir, com toda sua fora, at que 
conseguiu penetr-la.
Nan gritou de dor.
Com os punhos, ela bateu no peito de Zecca, gritando 
pela dor intensa.
- No... est me matando... vou morrer...
Ela gritava sem parar e comeou a gemer.
- Est comeando a gostar, hem? - disse Zecca, rindo
        arremetendo com mais fora ainda.
Ela chorava, as lgrimas escorrendo pelo rosto, enquan-
to Zecca acelerava os movimentos e gozava. Ele saiu de cima
        deitou-se de costas.
- Acabou. No foi to ruim assim, no  mesmo? 
- Doeu, Tony... doeu demais.
- As porras das mulheres esto sempre se queixando. 
- Quero voltar ao mdico mais duas vezes antes de fa-
zermos de novo, Tony.
- Est querendo dizer que depois vai parar de se queixar? 
- Claro, Tony. Estarei pronta para voc. 
Ele rolou para o seu lado da cama, bocejou e cobriu-se-
- Muito bem, v procurar a porra do seu mdico. Mas
depois disso no quero mais saber de nenhuma queixa. 
- No haver mais, Tony.

No incio da tarde seguinte Nan e Brandon estavam se des-
pindo no quarto do apartamento dele, preparando-se para mais 
um exerccio. Enquanto tirava as roupas, Nan relatava em voz 
baixa sua experincia com Zecca na noite anterior. No omi-
tiu nenhum detalhe. Baixando a meia-cala e tirando-a, ela 
disse:
- Ainda di l embaixo.
Tirando a cueca, Brandon sacudiu a cabea, com uma ex-
presso de incredulidade.
148
- O seu Tony Zecca  mesmo um animal.
- Pior do que isso.
- E tem certeza de que no h a menor possibilidade 
de deix-lo e viver por conta prpria?
- Como falei antes, Paul, para onde eu iria?
- Para algum lugar, qualquer um, o mais longe poss-
vel dele. Tenho certeza de que logo arrumaria um emprego 
para se sustentar. E no precisa ter medo de ficar sozinha.  
bastante atraente para conquistar uma centena de homens.
- Acha mesmo, Paul?
O tom esperanoso levou-o a fit-la, enquanto ele joga-
va a cueca para um lado. Nan estava parada na frente da ca-
ma, inteiramente nua... e ela era mesmo atraente,  sua 
maneira, Brandon disse a si mesmo. No chegava a ser uma 
beleza deslumbrante, como Gayle, por exemplo, mas era uma 
pessoa adorvel, que podia fazer muitos homens felizes,
- Claro que sim.
- E se eu conhecer algum que queira ir para a cama 
comigo e eu quiser tambm, mas no der certo?
- Como assim?
- Posso ter os espasmos musculares outra vez, como 
acontece com Tony.
- Provavelmente nunca mais tornar a acontecer, Nan. 
Estou convencido de que voc  uma mulher normal.
- Como pode ter certeza?
- Vai ver s, ao final da terapia.
Ser?
- Antes do tratamento terminar, Nan, espero ser capaz 
de provar a voc que o ato de amor pode ser agradvel e di-
vertido. - Aquele era um terreno perigoso e Brandon tentou 
desvi-la para outros rumos. - Enquanto isso, voc deve con-
versar mais francamente com o dr. Freeberg sobre o que est 
acontecendo com Zecca. Talvez ele lhe oferea algum apoio 
Para a perspectiva de viver por conta prpria. Ele pode apre-
8entar alternativas.
Quero ter certeza absoluta de que sou normal, Paul.
Estamos chegando l. No tenho a menor dvida 
quanto a isso. Vai ver s no prximo exerccio. Ns o chama-
mos de sexolgico... o sexo ou excurso pela anatomia.
149

- Estou lembrando agora da explicao. E me sinto apa-
vorada.
- No precisa ficar. Basicamente,  um exame plvico 
modificado. Aprendemos tudo sobre os rgos genitais femi-
ninos e masculinos, como so diferentes, como so parecidos. 
A maioria das pessoas, mesmo os adultos,  ignorante sobre 
os rgos genitais. Fazendo essa excurso juntos, aprendemos 
o que  ergeno e o que no . Ajuda a deixar a pessoa mais 
 vontade com o sexo oposto. - Ele estudou-a por um mo-
mento. - Como se sente? Se ainda est dolorido pelo que 
aconteceu ontem  noite, podemos adiar...
- No - disse ela, determinada. - Quero faz-lo. Co-
mo comeamos, Paul?
- Gostaria que eu estudasse voc primeiro ou prefere 
comear? Tanto faz comear pelo homem ou pela mulher. Quer 
me examinar primeiro?
- Quero, sim, Paul. - Ela engoliu em seco. - Vamos 
iniciar por voc. O que... o que fazemos?
- Antes de mais nada, vamos para a cama. Eu deito de 
costas, com as pernas abertas. Voc senta de pernas cruzadas, 
entre as minhas pernas. J examinou algum homem de per-
to... realmente de perto?
- Claro que no.
- Pois ento eu a guiarei, indicarei o que tocar ou segu-
rar, explicarei cada parte. Acha que pode faz-lo? 
- Posso.
- Pois ento vamos.
Eles foram para a cama, Brandon deitou-se de costas, 
abriu as pernas. Hesitante, ela sentou de pernas cruzadas, en-
tre suas pernas.
- Chegue mais perto, Nan.
Lentamente, ela arrastou-se para a frente. Brandon le-
vantou as pernas e colocou-as por cima de suas coxas.
- Vou orient-la agora, explicar cada parte dos rgos 
genitais masculinos, sua funo, reaes e assim por diante. 
Comearemos pelo saco escrotal e os testculos...
Ela se encolheu, tensa. Brandon inclinou-se, pegou uma 
de suas mos e puxou-a para os seus testculos. A mo trmu-
la de Nan tocou-os e ele fechou os dedos dela em torno.
- Concentre-se apenas no contato, enquanto explico al-
guma coisa sobre os testculos dentro do saco escrotal. A maio-
ria das mulheres no compreende... e poucos homens sabem...
que os testculos so uma das duas partes mais importantes
do aparelho sexual masculino. O que voc est segurando pro-
duz o esperma que fertiliza o vulo feminino. Os testculos 
tambm produzem os hormnios responsveis pelo funciona-
mento do pnis. Eles so responsveis pela masculinidade de 
um homem, por tudo, da voz grossa  fora muscular.
Brandon pegou a mo de Nan e guiou os dedos para a 
ponta do pnis mole.
- A outra parte vital do aparelho masculino  o pnis 
propriamente dito, Nan. A projeo que voc est segurando 
 a ponta do pnis, chamada glande. Estou agora baixando 
seus dedos para a haste do pnis. Dentro da haste h trs co-
lunas de tecido poroso. Quando um homem fica sexualmente 
excitado, esses tecidos porosos ou esponjosos se enchem de 
sangue e se tornam duros. A insero dessa ereo na vagina 
da mulher cria uma frico, e  essa frico que leva ao or-
gasmo masculino. Agora, vou lhe falar mais um pouco sobre 
o rgo masculino.
Ele levou a mo de Nan por cada etapa, comeando pelo 
meato, subindo para a coroa e a superfcie dorsal. Levou a 
mo de volta  glande e disse:
- Segure de novo, sinta com os dedos, com a mo toda.
Foi ento que Brandon percebeu que alguma coisa esta-
va acontecendo. O pnis se tornava cada vez maior na mo 
de Nan, mais duro, esticando-se por seus dedos.
Estava tendo uma ereo.
Torcera para que isso no acontecesse, mas refletiu ago-
ra que era inevitvel.
Nan olhava fixamente, e ele podia perceber que seu peito 
arfava, os seios subiam e desciam mais e mais depressa.
Tinha de por um paradeiro naquela situao, antes que 
algo mais acontecesse. Soerguendo-se, apoiado num cotove-
lo, ele tentou sorrir.
- Acho que isso responde a uma de suas perguntas, Nan. 
Voc  atraente para os homens? O que acha?
- Paul...
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151

Ele tinha de agir depressa.
- J chega disso, por enquanto. Vamos mudar. Agora 
 a minha vez de examinar voc.
Brandon afastou-a com todo cuidado e sentou na cama.
- Primeiro, trocamos de posio - disse ele, em tom 
to profissional quanto possvel. - Voc deita de costas e eu 
assumo sua posio anterior. Vamos fazer a excurso sexol-
gica feminina.
Nan estendeu-se de costas e ele pegou o espculo de pls-
tico e a lanterna que estavam na mesinha-de-cabeceira. Segu-
rando-os, adiantou-se mais entre as pernas de Nan, levantou-as 
para cima de suas coxas e comeou.
- Primeiro, Nan, quero que voc relaxe mais um pou-
co. Isso far com que tudo seja mais fcil. Deixe-me afagar 
suas coxas por um momento. Est tensa, o que  natural, e 
quero que fique descontrada.
Pouco a pouco, ele sentiu que alguma coisa da tenso se 
dissipava.
Ele pegou um vidrinho na mesinha-de-cabeceira, abriu-
o, comeou a aplicar um leo na abertura vaginal. 
-  para tornar indolor, Nan.
Ela fechou os olhos, enquanto Brandon acariciava os l-
bios vaginais, depois deslocava os dedos para fora e para ci-
ma, na direo do clitris. Com um dedo dentro dela, falou 
de tudo com que fazia contato, as partes lisas e protuberan-
tes, chegando ao colo do tero, explicando cada coisa. Cons-
tatando que ela j estava bastante lubrificada, Brandon pegou
 espculo e a lanterna e instruiu-a a notar no espelho tudo
        que mostrava.
Mostrou os lbios exteriores, mais escuros, depois pas-
sou para os lbios interiores, rosados, explicando como rea-
giam quando excitados. Indicou a base do clitris e explicou 
como os msculos vaginais se contraam durante o orgasmo
 se comprimiam contra o clitris por cima. Passou para o 
tecido grosso e macio entre o osso pbico e a uretra esponjo-
sa, falou de sua funo. Descreveu o tecido esponjoso adicio-
nal que se estendia do nus  abertura da vagina.
Em determinado momento, pensou ter ouvido Nan sus-
surrar alguma coisa. Teve a impresso de que era "Oh, Deus".
Ao terminar a explorao, Brandon compreendeu que no 
houvera espasmos para rejeitar a penetrao ou qualquer re-
sistncia que indicasse desconforto. Era um progresso consi-
dervel.
Os olhos de Nan no estavam mais hipnotizados pelo que 
ela vira no espelho do espculo. Seus olhos fixavam-se em 
Brandon.
- Foi fascinante... - murmurou ela.
- No sentiu dor?
- Absolutamente nenhuma. S uma coisa...
- O que foi, Nan?
- Como saberei quando estou pronta?
- Quando voc e eu tivermos um intercurso sexual e is-
so lhe proporcionar prazer. Saber ento.

 noite, despindo-se na sala de terapia, Gayle suspeitava que 
estava prestes a chegar a um momento crucial com Chet Hunter.
At aquele momento, a terapia intensiva que ele solicita-
ra transcorrera suavemente, pelo menos na superfcie. No 
houvera problema com a nudez e tambm no com a sua ca-
pacidade de alcanar e manter uma ereo. Durante a carcia 
nas costas, o chuveiro, a carcia frontal no-genital, ela ob-
servara que o pnis se tornara ereto em cada exerccio. Lem-
brou a si mesma que, no final das contas, ao contrrio de 
Demski, o problema de Hunter no era a impotncia. Mas ha-
via um problema. Embora ainda no o tivesse experimentado 
e conhecesse apenas do relatrio de seu caso, tinha certeza de 
que as suas histrias de ejaculao precoce eram sinceras.
O problema era patente em sua personalidade, pensou 
Gayle. Ele era vigoroso e slido sob todos os aspectos, mas 
se mostrava tenso e impaciente. Queria acabar tudo o mais 
depressa possvel e seguir adiante. No estava interessado em 
contatos ou carcias, no queria saber das sensaes de qual-
quer parte de seu corpo. S estava interessado no pnis, com 
a excluso de todo o resto. Queria chegar l depressa e faz-
lo funcionar da maneira certa. Hunter possua o que as su-
plentes sexuais femininas chamavam, entre si, de mentalidade de pau total.
pressa, e ela tinha dvidas se conseguiria 
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Ele tinha de agir depressa.
- J chega disso, por enquanto. Vamos mudar. Agora  a minha vez de examinar voc.
Brandon afastou-a com todo cuidado e sentou na cama.
- Primeiro, trocamos de posio - disse ele, em tom to profissional quanto possvel. - 
Voc deita de costas e eu assumo sua posio anterior. Vamos fazer a excurso 
sexolgica feminina.
Nan estendeu-se de costas e ele pegou o espculo de plstico e a lanterna que estavam 
na mesinha-de-cabeceira. Segurando-os, adiantou-se mais entre as pernas de Nan, 
levantou-as para cima de suas coxas e comeou.
- Primeiro, Nan, quero que voc relaxe mais um pouco. Isso far com que tudo seja 
mais fcil. Deixe-me afagar suas coxas por um momento. Est tensa, o que  natural, e 
quero que fique descontrada.
Pouco a pouco, ele sentiu que alguma coisa da tenso se dissipava.
Ele pegou um vidrinho na mesinha-de-cabeceira, abriuo, comeou a aplicar um leo na 
abertura vaginal.
-  para tornar indolor, Nan.
Ela fechou os olhos, enquanto Brandon acariciava os lbios vaginais, depois deslocava 
os dedos para fora e para cima, na direo do clitris. Com um dedo dentro dela, falou 
de tudo com que fazia contato, as partes lisas e protuberantes, chegando ao colo do 
tero, explicando cada coisa. Constatando que ela j estava bastante lubrificada, 
Brandon pegou
        espculo e a lanterna e instruiu-a a notar no espelho tudo
        que mostrava.
Mostrou os lbios exteriores, mais escuros, depois passou para os lbios interiores, 
rosados, explicando como reagiam quando excitados. Indicou a base do clitris e 
explicou como os msculos vaginais se contraam durante o orgasmo
 se comprimiam contra o clitris por cima. Passou para o tecido grosso e macio entre o 
osso pbico e a uretra esponjosa, falou de sua funo. Descreveu o tecido esponjoso 
adicional que se estendia do nus  abertura da vagina.
Em determinado momento, pensou ter ouvido Nan sussurrar alguma coisa. Teve a 
impresso de que era "Oh, Deus".
Ao terminar a explorao, Brandon compreendeu que no
houvera espasmos para rejeitar a penetrao ou qualquer re
sistncia que indicasse desconforto. Era um progresso consi
dervel.
Os olhos de Nan no estavam mais hipnotizados pelo que
ela vira no espelho do espculo. Seus olhos fixavam-se em
Brandon.
- Foi fascinante... - murmurou ela. - No sentiu dor?
- Absolutamente nenhuma. S uma coisa... - O que foi, Nan?
- Como saberei quando estou pronta?
- Quando voc e eu tivermos um intercurso sexual e is
so lhe proporcionar prazer. Saber ento.

 noite, despindo-se na sala de terapia, Gayle suspeitava que estava prestes a chegar a 
um momento crucial com Chet Hunter.
At aquele momento, a terapia intensiva que ele solicitara transcorrera suavemente, pelo 
menos na superfcie. No houvera problema com a nudez e tambm no com a sua 
capacidade de alcanar e manter uma ereo. Durante a carcia nas costas, o chuveiro, a 
carcia frontal no-genital, ela observara que o pnis se tornara ereto em cada exerccio. 
Lembrou a si mesma que, no final das contas, ao contrrio de Demski, o problema de 
Hunter no era a impotncia. Mas havia um problema. Embora ainda no o tivesse 
experimentado e conhecesse apenas do relatrio de seu caso, tinha certeza de que as 
suas histrias de ejaculao precoce eram sinceras.
O problema era patente em sua personalidade, pensou Gayle. Ele era vigoroso e slido 
sob todos os aspectos, mas se mostrava tenso e impaciente. Queria acabar tudo o mais 
depressa possvel e seguir adiante. No estava interessado em contatos ou carcias, no 
queria saber das sensaes de qualquer parte de seu corpo. S estava interessado no 
pnis, com a excluso de todo o resto. Queria chegar l depressa e fazlo funcionar da 
maneira certa. Hunter possua o que as suplentes sexuais femininas chamavam, entre si, 
de mentalidade de pau total.
Seria difcil superar sua pressa, e ela tinha dvidas se con
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Ele tinha de agir depressa.
- J chega disso, por enquanto. Vamos mudar. Agora  a minha vez de examinar voc.
Brandon afastou-a com todo cuidado e sentou na cama.
- Primeiro, trocamos de posio - disse ele, em tom to profissional quanto possvel. - 
Voc deita de costas e eu assumo sua posio anterior. Vamos fazer a excurso 
sexolgica feminina.
Nan estendeu-se de costas e ele pegou o espculo de plstico e a lanterna que estavam 
na mesinha-de-cabeceira. Segurando-os, adiantou-se mais entre as pernas de Nan, 
levantou-as para cima de suas coxas e comeou.
- Primeiro, Nan, quero que voc relaxe mais um pouco. Isso far com que tudo seja 
mais fcil. Deixe-me afagar suas coxas por um momento. Est tensa, o que  natural, e 
quero que fique descontrada.
Pouco a pouco, ele sentiu que alguma coisa da tenso se dissipava.
Ele pegou um vidrinho na mesinha-de-cabeceira, abriuo, comeou a aplicar um leo na 
abertura vaginal.
-  para tornar indolor, Nan.
Ela fechou os olhos, enquanto Brandon acariciava os lbios vaginais, depois deslocava 
os dedos para fora e para cima, na direo do clitris. Com um dedo dentro dela, falou 
de tudo com que fazia contato, as partes lisas e protuberantes, chegando ao colo do 
tero, explicando cada coisa. Constatando que ela j estava bastante lubrificada, 
Brandon pegou
        espculo e a lanterna e instruiu-a a notar no espelho tudo
        que mostrava.
Mostrou os lbios exteriores, mais escuros, depois passou para os lbios interiores, 
rosados, explicando como reagiam quando excitados. Indicou a base do clitris e 
explicou como os msculos vaginais se contraam durante o orgasmo
 se comprimiam contra o clitris por cima. Passou para o tecido grosso e macio entre o 
osso pbico e a uretra esponjosa, falou de sua funo. Descreveu o tecido esponjoso 
adicional que se estendia do nus  abertura da vagina.
Em determinado momento, pensou ter ouvido Nan sussurrar alguma coisa. Teve a 
impresso de que era "Oh, Deus".
Ao terminar a explorao, Brandon compreendeu que no
houvera espasmos para rejeitar a penetrao ou qualquer re
sistncia que indicasse desconforto. Era um progresso consi
dervel.
Os olhos de Nan no estavam mais hipnotizados pelo que
ela vira no espelho do espculo. Seus olhos fixavam-se em
Brandon.
- Foi fascinante... - murmurou ela. - No sentiu dor?
- Absolutamente nenhuma. S uma coisa... - O que foi, Nan?
- Como saberei quando estou pronta?
- Quando voc e eu tivermos um intercurso sexual e is
so lhe proporcionar prazer. Saber ento.

 noite, despindo-se na sala de terapia, Gayle suspeitava que estava prestes a chegar a 
um momento crucial com Chet Hunter.
At aquele momento, a terapia intensiva que ele solicitara transcorrera suavemente, pelo 
menos na superfcie. No houvera problema com a nudez e tambm no com a sua 
capacidade de alcanar e manter uma ereo. Durante a carcia nas costas, o chuveiro, a 
carcia frontal no-genital, ela observara que o pnis se tornara ereto em cada exerccio. 
Lembrou a si mesma que, no final das contas, ao contrrio de Demski, o problema de 
Hunter no era a impotncia. Mas havia um problema. Embora ainda no o tivesse 
experimentado e conhecesse apenas do relatrio de seu caso, tinha certeza de que as 
suas histrias de ejaculao precoce eram sinceras.
O problema era patente em sua personalidade, pensou Gayle. Ele era vigoroso e slido 
sob todos os aspectos, mas se mostrava tenso e impaciente. Queria acabar tudo o mais 
depressa possvel e seguir adiante. No estava interessado em contatos ou carcias, no 
queria saber das sensaes de qualquer parte de seu corpo. S estava interessado no 
pnis, com a excluso de todo o resto. Queria chegar l depressa e fazlo funcionar da 
maneira certa. Hunter possua o que as suplentes sexuais femininas chamavam, entre si, 
de mentalidade de pau total.
Seria difcil superar sua pressa, e ela tinha dvidas se con
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seguiria fazer com que ele fosse mais devagar. Nos casos de ejaculao precoce, isso era 
fundamental para a cura. Converter a pressa em lentido.
Enquanto o observava tirar a cueca, Gayle especulou sobre o grau de sua ejaculao 
precoce. Isso ainda no fora definido.
- Pelo que me lembro, Chet, voc tem uma namorada regular, no  mesmo?
- Tenho, sim.
- Quer me contar alguma coisa sobre ela? Ele se mostrou logo cauteloso.
- O que posso contar?
- Voc a ama?
- O suficiente para querer casar com ela.
-  a mesma moa de quem falou ao dr. Freeberg?
Aquela com quem foi para a cama vrias vezes? - , sim.
- Mas no conseguiu um desempenho certo com ela? - Infelizmente, no.  por isso que 
estou aqui. No te
nho problema para levantar. Mas gozo muito depressa. - Depressa como?
Hunter soltou uma risada.
- Bisbilhoteira, hem? Estou brincando. Voc est aqui para me ajudar. O quo depressa? 
No na minha cala, se  isso o que est querendo saber. Acontece quando entramos em 
posio. Quando estou prestes a penetr-la.
- J a penetrou alguma vez?
- No. Sempre gozo antes.
- Quando o pnis encosta nela por fora?
- Isso mesmo. - Ele estava abatido. -  uma situao que no me agrada. Tenho de fazer 
alguma coisa. De qualquer maneira.
- Estamos fazendo alguma coisa, Chet.
- Estamos mesmo? Ainda no d para perceber.
- Mas vai ver. Haveremos de superar o problema. O im
portante  fazer todos os exerccios comigo, sem atalhos. E
ser paciente. Confie em mim, Chet.
Ele deu de ombros.
- O que mais posso fazer?
- Para comear, pode deitar naquela esteira ali, de costas. - Est certo. E voc?
Hunter acomodou-se de costas na enorme esteira no cho. - Esta noite vamos fazer o 
exerccio do prazer genital. Ele se mostrou animado.
- Quer dizer que vai me segurar l embaixo?
Gayle sabia que aquele podia ser o problema. At aquela
noite, ela o tocara e acariciara por toda parte,  exceo do
pnis. Estava preocupada com a sua reao e grau de excita
mento. Ajoelhando-se ao lado de Hunter, ela passou leo com
delicadeza por toda a extenso do pnis.
- Para que seja mais realista e permitir que voc avalie
o ambiente vaginal - explicou Gayle. - Quando chegarmos
 penetrao, eu estarei mida por dentro. Assim,  melhor
voc se acostumar desde agora.
- Parece uma boa idia - concordou Hunter. -Depois de passar o leo, Gayle levantou a 
mo para o
abdmen de Hunter e comeou a esfreg-lo.
- Quando eu segurar seu pnis, a inteno no  excit
lo. Lembre-se de que  para lhe dar prazer sem querer nada
em troca. Vou toc-lo e acarici-lo sem que voc tenha neces
sidade de qualquer desempenho. Basta apenas fechar os olhos,
no tem de fazer nada. Limite-se a desfrutar. Muito bem, fe
che os olhos agora, por favor.
Ele fechou os olhos.
As pontas dos dedos de Gayle encostaram na haste do
pnis. Ela fez o contato gentilmente, depois com mais firmeza. - Est bom assim, Chet? 
Acha agradvel? - Pode apostar que sim. - Pode no estimul-lo muito, mas... - Voc s 
pode estar brincando.
Ela esperava que passassem vrios minutos antes de uma
ereo total. Mas quase que no mesmo instante o pnis inchou,
levantou, continuava a levantar.
Prosseguir poderia frustr-lo demais. Ela tinha de es
fri-lo, fazer com que ele desviasse os pensamentos do pnis. - Muito bem, Chet, j 
chega disso. Agora  a minha vez. Gayle inclinou-se para peg-lo pelo brao, f-lo 
sentar. - Sua vez?
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- Agora voc me d prazer da mesma maneira. - Entre suas pernas?
- Claro, Chet. Deixe-me desfrutar um pouco de carcia no-ertica.
- No-ertica? Gosto disso. S no entendo como pode ser no-ertica.
- Experimente comigo. Eu lhe mostrarei.
Logo ela estava deitada de costas na esteira, com Hunter ao seu lado, apoiado num 
cotovelo, tocando em seu clitris.
- Um pouco mais devagar, Chet. - Gayle no queria ser levada ao orgasmo. - Mais 
devagar e mais de leve.
Ele passou a fazer de acordo com a instruo. Os olhos fechados, ela chegou  
concluso de que Hunter no era to ruim assim. Abruptamente, a presso em seu 
clitris tornouse mais forte, mais rpida.
- Querida... - ela ouviu-o murmurar.
Gayle abriu os olhos e viu-o apontando entre suas pernas. - Olhe s para isso.
Hunter tinha uma ereo completa, reta, obviamente dura. Ela ficou desorientada, sem 
saber o que dizer. - Isso  timo...
- E pode ser maravilhoso para ns dois - disse ele, em tom de urgncia. - Deixe-me, 
Gayle. - Deixar o qu?
- Meter em voc. Estou pronto. Por que perder tempo? - No, Chet, voc ainda no est 
pronto. Precisamos de mais sesses.
Ele ficou de joelhos ao lado de Gayle.
- Tenho de entrar, meu bem, de qualquer maneira. Es
tou pronto. Posso garantir que desta vez conseguirei. - No, ainda no...
- Por favor, Gayle, enquanto eu posso. Ser maravilhoso. Deixe-me mostrar.
Ela pensou por um momento na splica de Hunter. Se pelo menos houvesse tempo para 
consultar o dr. Freeberg... Mas, como ela bem sabia, muitas daquelas decises eram 
deixadas ao critrio da suplente sexual. Refletiu mais um pouco. Em ltima anlise... o 
que havia a perder? Se ele de fato conseguisse, estaria a caminho da cura. Se no 
conseguisse, aprenderia a lio.
- Est bem, Chet - disse ela, impulsivamente. - Se voc acha que pode completar a 
penetrao, talvez seja uma coisa tima. V em frente. Eu vou cooperar.
- Vai ver s, vai ver s - balbuciou ele, ofegante, colocando-se em posio entre as 
pernas abertas de Gayle. - Oh, Deus, voc  uma coisa e tanto, uma coisa maravilhosa... 
Vamos conseguir. Tenho certeza que desta vez tudo vai dar certo.
Ela arqueou as costas, e levantou um pouco os quadris, enquanto Hunter guiava o pnis 
para a abertura vaginal. Ele estava agora com a respirao acelerada, muito excitado, 
ansioso em conseguir.
Gayle sentiu a cabea do pnis encostar em seu corpo e se preparou para a entrada. Mas 
no houve penetrao.
Ela levantou a cabea. As feies de Hunter estavam contorcidas.
E no instante seguinte ela sentiu a umidade do smen no exterior da vagina.
- Oh, Deus... - murmurou ele, enquanto terminava o orgasmo. - No consegui mais me 
controlar. Desculpe, mas no pude evitar. No sei como aconteceu.
Gayle ps a mo em seu ombro nu, com delicadeza.
- No se preocupe, Chet. J aconteceu antes.  por isso que estamos aqui. Mas eu 
prometo que se continuarmos  minha maneira e voc tiver pacincia, um dia, muito em 
breve, voc estar fazendo tudo perfeito.
- No sei, no... - murmurou ele, desolado. - Acho que nunca serei capaz.
Mais tarde, j vestido, Hunter foi retido por Gayle na porta da frente, ao se despedir. Ele 
escutou sem muito interesse enquanto ela dizia:
- Estou bastante confiante para lhe dar outro conselho. Sempre o dou quando chegamos 
a esta parte do programa. Nesse ponto, quando tornar a se encontrar com sua namorada, 
no deve haver sexo. Leve-a ao cinema ou sente com ela no sof e procure repetir 
nossos exerccios, s que na vida real. Pegue e afague suas mos, os cabelos, o rosto. 
Toque nos seios, mas por cima das roupas, no por baixo. Esquea as suas erees. 
Controle-se. Concentre-se em suas sensaes e nas dela,
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nada mais. Entre a moderao com sua namorada e o que estamos fazendo aqui, tudo 
vai dar certo, muito em breve.
Deixando-a, Hunter no estava to otimista. Angustiado, foi para seu carro, encostado 
no meio-fio, sentou ao volante.
E ficou imvel ali, no escuro, avaliando a situao.
Estava convencido de que conseguiria naquela noite, e com a penetrao seu problema 
estaria praticamente resolvido.
Espere s at Ferguson, Scrafield e Hoyt Lewis saberem disso, pensou ele. Poderia 
explodir todo o plano que eles haviam formulado e destruir seu futuro. Se no 
conseguisse nada com aquela mulher, no poderia entrar num tribunal e declarar sob 
juramento que o fizera, que pagara  ninfomanaca por uma trepada, quando nem a 
penetrara. E a tal de Gayle declararia sob juramento que ele no a penetrara. No podia 
correr o risco de uma mentira.
Isso mesmo, conhecida a verdade, no haveria caso contra Freeberg, no haveria uma 
histria nem o emprego no Chronicle.
E depois, sentado ali, no escuro, ao volante, Hunter chegou  concluso de que eles no 
precisavam saber. Ferguson, Scrafield e Hoyt Lewis no precisavam tomar 
conhecimento de seu fracasso naquela noite. Para todos, ele estava no meio de uma 
terapia com... com uma prostituta. S tinham de saber que ele consumara o ato e podia 
jurar que conseguira.
Esse era o problema.
Ser que algum dia conseguiria?
Ela dissera que no seria naquela noite e estava certa. Acrescentara que aconteceria em 
futuro prximo, tinha certeza disso. Ela podia estar certa tambm nisso, e ento tudo 
acabaria bem. Ele se tornaria a testemunha principal num julgamento vitorioso. Teria 
seu emprego na equipe permanente do Chronicle. E teria Suzy pelo resto da vida.
Se Gayle Miller estava certa, e ele manobrasse direito, aceitasse suas indicaes, 
poderia conseguir tudo.
Hunter enfiou a chave na ignio e ligou o carro.
Escutando o zumbido do motor, ele disse a si mesmo que teria mais pacincia, aceitaria 
a orientao de Gayle dali por diante. Prometeu a si mesmo que agiria assim. No 
pensaria mais em atalhos. No teria mais pressa. Faria como ela queria e talvez ainda 
chegasse l.
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Como o despertador na mesinha-de-cabeceira tocou quando Gayle ainda estava no meio 
do sonho, ela despertou com uma intensa noo momentnea do sonho em que estava 
com Paul Brandon.
Calculou que o sonho fora desencadeado por seus pensamentos na noite passada, 
quando se preparava para deitar, que devia telefonar para Paul e marcar um encontro, 
como prometera, que estava com vontade de ligar para ele e encontrlo. Mas sentia-se 
exausta demais para tentar a ligao e adormecera no mesmo instante.
Agora, pela manh, Paul Brandon ainda estava em sua mente. No sonho, ela estava em 
algum lugar que podia ser uma ilha dos Mares do Sul, talvez uma parte remota do 
Tahiti, correndo por uma floresta tropical, com Paul em seu encalo. Ela desconfiava 
que no estava correndo muito depressa.
Olhando para o relgio com os olhos semicerrados, ela compreendeu que no teria 
tempo de telefonar para Brandon. No podia correr o risco de chegar atrasada para o 
Teste de Analogias de Miller, que completaria o seu pedido de matrcula na escola de 
ps-graduao da Universidade da California. J fizera o Teste de Aptido para Ps-
Graduao e o Teste Avanado de Psicologia, achava que se sara muito bem nos dois. 
Restava o Teste de Analogias de Miller e seria melhor faze-lo sem quaisquer distraes 
na cabea.
VI
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Saindo da cama, ela tomou um banho de chuveiro rpido, enxugou-se, vestiu-se, 
maquilou o rosto, fez um desjejum apressado. Depois, com a pasta na mo, 
encaminhou-se para a porta... e foi nesse instante que o telefone na sala de estar 
comeou a tocar.
Ela voltou para atender, pensando que podia ser o dr.
Freeberg, Adam Demski ou mesmo Chet Hunter. Reconheceu a voz imediatamente. Era 
Paul Brandon. - Ol, Gayle. Tenho ficado sentado ao lado do telefo
ne quase que todo o dia e noite, esperando pela ligao que
voc prometeu. Mas o telefone no tocou uma nica vez. Es
t tentando me dizer alguma coisa?
Ela mal tinha tempo para chegar na hora ao exame, mas precisava dar uma explicao.
- Sinto muito, Paul. A estrada para o `sinto muito' est calada com boas intenes. Mas 
ando to ocupada que mal tenho tempo para me virar. Voc sabe que estou com dois 
pacientes agora...
- Sei disso, mas ainda assim...
- Isso significa que tenho duas consultas dirias com o dr. Freeberg. E dois relatrios 
detalhados para fazer depois das sesses. E h outras coisas, como manter esta casa em 
ordem. Neste momento, estou a caminho de Los Angeles para fazer outro exame na 
Universidade da California. Seja como for...
- Seja como for, onde isso me deixa, Gayle? - insistiu Brandon. - Pode deixar que eu 
respondo. Deixa-me sozinho e muito solitrio.
- Quero me encontrar com voc. - Uma pausa e ela acrescentou, com toda nfase: - E 
muito. Ligarei para voc  tarde. Vai trabalhar esta noite?
- No. Acabarei com minha paciente por volta das seis horas. E, depois, acho que estarei 
jantando sozinho.
- No vai, no - disse Gayle, impulsivamente. - Ter companhia para o jantar. E uma 
companhia ansiosa. Eu. Que tal uma refeio domstica, em minha casa? Gosta de 
massa?
- Adoro massa, se voc acompanhar. A que horas quer que eu esteja a? Oito?
- Mais perto de nove seria melhor,
- s nove est timo.
- Mal posso esperar.
Gayle desligou. Correndo para a porta, ela se lembrou
do sonho.
Conhecia o resultado do sonho. Paul a alcanaria. Era o que ela esperava.

A manh de Gayle foi ocupada com o exame em Westwood e depois ela teve de voltar a 
Hillsdale para duas conferncias sucessivas, a primeira com Freeberg e Demski e a 
segunda com Freeberg e Hunter.
A tarde tambm seria movimentada. Um exerccio com Adam Demski s duas horas. 
Um segundo exerccio s cinco horas, este com Chet Hunter, que ela esperava encontrar 
disciplinado. Depois disso, mal teria tempo para ditar seus relatrios na clnica, voltar 
correndo para casa e preparar o jantar para Paul Brandon, como um preldio para o que 
ela esperava que se tornasse uma noite longa e deliciosa. Tinha certeza de que Paul seria 
maravilhoso e ela merecia um pouco de ao. Descansar trabalhando, ela sabia... mas 
no era bem assim. Naquela noite seria a diverso sem pagamento. Naquela noite seria 
do corao. Ela corou, na expectativa.
No momento, agora, tentou concentrar seus pensamentos no encontro profissional.
Eram duas horas da tarde e Adam Demski chegou na hora marcada, irradiando mais 
confiana do que em qualquer outra ocasio anterior.
Gayle usava um chambre claro de seda, envolvendo castamente seu corpo, mas sem 
nada por baixo.
Aps cumprimentar Demski com afeto, ajudando-o a tirar o palet, conversando sobre o 
dia dele em Hillsdale, Gayle anunciou que estava pronta, e perguntou se ele tambm 
estava. Automaticamente, Demski encaminhou-se para o corredor e a sala de terapia nos 
fundos. Ela seguiu-o, consciente de que o exerccio daquele dia era ainda mais crucial 
do que o anterior. Se desse certo, seria um enorme passo para deix-lo seguro com seu 
corpo e permitir que alcanasse uma
ereo.
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Gayle j estendera na sala de terapia a esteira grossa, entre o sof e o espelho. Havia um 
lenol branco por cima, com duas toalhas grandes de praia e dois travesseiros. No 
momento, Gayle ignorou a esteira, sentou no sof e ficou observando Demski despir-se, 
satisfeita pela descontrao com que ele tirava as roupas.
Depois que ele ficou nu, Gayle levantou-se, tirou o chambre de seda e ficou nua 
tambm.
Ela abaixou para a esteira e bateu com a mo na toalha
ao seu lado. Demsk sentou na toalha.
- Quer saber o que vamos fazer hoje, Adam? - Quero, sim. O que ?
- Uma coisa que temos a opo de usar. Gosto de fazer este exerccio. Sempre o achei 
agradvel e eficaz. Tem o nome de `o relgio'.
- `O relgio'? No me lembro de ter ouvido falar a respeito. Como ?
- No h nenhum relgio - explicou Gayle. - Ou melhor, h um relgio imaginrio em 
minha vagina.
Demski franziu as sobrancelhas.
- Um relgio imaginrio em sua vagina? Como assim? - uma pausa e ele acrescentou: - 
Para qu?
Ela explicou todo o exerccio do relgio, em detalhes.
- Agora que j sabe o que , Adam, vamos comear? Primeiro, ns dois deitamos e eu 
acaricio suas coxas, barriga e peito. E depois continuamos.
Muito de leve, ela acariciou-o bem devagar. Encorajouo a acarici-la, tambm 
lentamente, entre os lbios exteriores da vagina e o clitris. Depois de algum tempo, 
Gayle ajudou-o a sentar e tambm sentou.
- Muito bem, Adam, agora vamos comear `o relgio'. Deitarei de novo, de costas, 
levantando os joelhos e abrindo as pernas. Voc se acomoda entre as minhas pernas e 
gentilmente enfia o dedo indicador por minha abertura, pouco a pouco, primeiro um 
centmetro, depois dois, trs e quatro. Vou orient-lo pelo relgio imaginrio l dentro e 
farei os comentrios.
- Isso  tudo?
Gayle sorriu ironicamente.
- Pode haver mais, muito mais. Pode haver fogos de artifcio.
Ele estava perplexo.
- Como assim?
- Posso reagir ao exerccio. Pode me deixar excitada. E posso ter um orgasmo.
- Mas... mas o que eu fao?
- Nada, Adam, a no ser esperar que eu acabe, antes de retirar o dedo. Apenas continue 
sentado e desfrute o que  capaz de fazer comigo.
- O quanto do meu dedo devo enfiar?
- Apenas uma parte. Muito bem, pode meter o dedo. bem devagar.
Hesitante, usando o dedo indicador da mo direita, ele se aproximou da abertura 
vaginal. Gayle abriu as coxas ainda mais.
- Continue, Adam.
Ela pegou o dedo de Demski e empurrou-o. O exerccio mostraria a ele que um homem 
no precisava ter um pnis grande para proporcionar prazer a uma mulher.
- J chega, Adam. Qual  a sensao?
- Quente, macia...
- E espero que sinta apertado, em torno de seu dedo,
- Claro que est.
- Isso acontece porque o canal vaginal se dobra sobre si mesmo e envolve por completo 
tudo o que nele penetra.  como se fosse uma bolsa elstica. No importa qual seja o 
tamanho do que est l dentro, a vagina se contrai ou expande, se fecha, envolve 
qualquer coisa, curta, estreita, comprida, larga, oferecendo um ajuste perfeito.
Gayle percebeu que ele estava finalmente absorvendo a noo.
- Vou dizer agora o que estou sentindo - murmurou Gayle. - H alguns terminais 
nervosos na entrada da vagina, mas bem poucos l dentro. Vou contrair os msculos 
plvicos e voc sentir. Pronto. Sentiu?
- Senti - balbuciou ele, engolindo em seco.
- Muito bem, vamos comear `o relgio'. Levante o dedo para a parte superior do 
centro. Meio-dia. Desa dando
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a volta, pressionando contra a parede vaginal. Mais baixo, mais baixo. Ei... - Ela se 
contraiu        seis horas.  maravilhoso. Est vendo? Eu reajo de verdade. Adam, 
Adam...
- O que , Gayle?
- Volte para seis horas. Esfregue a parede vaginal, comprima com mais fora.
- Assim?
- Oh, Adam, no pare, pelo amor de Deus! - Os olhos de Gayle estavam fechados, o 
lbio inferior contrado. - Estou... estou gozando...
O orgasmo estava no auge e foi prolongado.
- Veja o que est fazendo comigo, Adam - ela conseguiu balbuciar.
Depois que acabou e ela arriou para o travesseiro, Demski retirou o dedo.
- Fez isso comigo com o dedo, Adam.
Ele levantou-se, com uma postura quase militar, e apontou para o pnis, anunciando:
- E veja o que voc fez comigo.
Gayle olhou. Estava tudo l. A maravilha das maravilhas, para um homem impotente. 
Estava elevado, todos os dez centmetros.
- Maravilhoso, Adam, maravilhoso! Eu diria que, de um a cinco, est em quatro. Mas na 
prxima vez ou na outra, vamos chegar a cinco.
- Acha mesmo?
- Tenho certeza!
- Eu... eu espero que esteja certa!

Quando a campainha da porta tocou s cinco e quarenta, Gayle abriu a porta para Chet 
Hunter, refletindo que ele estava atrasado dez minutos, pela primeira vez.
Ele chegara at um pouco antes da hora nas sesses anteriores. Era parte de sua 
ansiedade em fazer logo, acabar de uma vez com as coisas. O fato de chegar atrasado 
agora indicava que ele estava relutante em apressar o processo depois de seu ltimo 
fracasso ou que ento abrandara seu aodamento. Cumprimentando-o, Gayle concluiu 
que ele no estava relutante. Apenas estava ansioso demais para ser bem-sucedido
e normalizar sua vida com a namorada. Assim, o atraso provavelmente indicava que 
estava fazendo um esforo consciente para adotar os conselhos de sua suplente sexual. 
De no querer apressar nada.
Como ele estivesse com esse nimo, Gayle resolveu mant-lo e prolong-lo. Iria mant-
lo sob controle.
- Eu estava fazendo um ch, Chet. No quer me acompanhar?
- Como achar melhor.
No restava a menor dvida de que ele se sentia contrafeito, disposto a atender a 
qualquer desejo de Gayle.
- Procure relaxar. Vou buscar o ch e poderemos conversar por alguns minutos.
Hunter estava arriado numa poltrona quando ela voltou com as duas xcaras de ch. 
Casualmente, Gayle comeou a interrog-lo sobre seu trabalho. Ele se mostrou evasivo 
sobre o trabalho como jornalista, mas disposto a falar sobre a variedade de pesquisas 
que realizava.
- Sua namorada costuma ajud-lo no trabalho?
- Ela se interessa muito, mas tem seu emprego.
- Quer falar sobre ela?
- No - respondeu Hunter, com firmeza. - Vamos conversar apenas sobre ns.
- Est bem.
- E voc? - perguntou ele, inesperadamente. - Tambm tem um namorado?
Gayle hesitou. Ser que tinha? Ela tentou ser franca.
- Talvez. Quase. Veremos.
- E se descobrir que ele tem ejaculao precoce?
Pensando em Paul Brandon, ela tentou manter o rosto impassvel.
- Ora, eu o trataria da mesma forma como estou tratando voc.
- Acha que daria certo?
- Eu esperaria que sim.
Hunter tomou o resto do ch e largou a xcara.
- Muito bem, aqui estou. O que vamos fazer agora?
- Vamos repetir o que fizemos ontem. Conversei com o dr. Freeberg, e foi essa a sua 
sugesto. Vamos nos despir
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e faremos de novo a carcia do corpo, incluindo os rgos ge nitais, sem retribuio. 
Mas com uma diferena. - E qual ser?
- Desta vez, quando me tocar, voc deve ter em mente que est fazendo isso para o seu 
prprio prazer, no pelo desempenho. Vai me proporcionar prazer,  claro, mas estar 
agindo no por mim, mas sim por voc mesmo. No fundo, o intercurso deve ser assim. 
Depois que enfiar o pnis na minha vagina ou de qualquer outra mulher, deve desfrutar 
por si mesmo. E eu devo ter minhas prprias sensaes e desfrutar tambm. Ambos 
devemos obter prazer um do outro.
- E se voc se sentir passiva?
- Isso pode acontecer e  uma possibilidade que se deve levar em considerao. Seja 
como for, hoje vamos nos acariciar um ao outro e extrair prazer disso. S que desta vez 
voc no vai insistir em montar por cima de mim e querer fazer amor. No vou permitir 
que o faa... ainda no.
- Est certo. Como voc achar melhor, assim ser feito.
- Mas lhe proporcionarei prazer de outra forma. Creio que chegaremos a isso.
- Chegaremos a qu?
- Quase no final do exerccio, pegarei seu pnis com a mo e o levarei quase ao orgasmo 
- explicou Gayle, muito sria.
- Est falando numa punheta? - disse ele, demonstrando surpresa.
- Chame como quiser. Vou levar voc quase ao orgas
mo e instruir sobre a maneira de retard-lo.
- Acha mesmo que pode retard-lo?
- Creio que sim - respondeu Gayle, levantando-se. -
Mas vamos descobrir se  possvel.
Logo os dois estavam nus, na sala de terapia. Hunter deitou-se na esteira e Gayle ficou 
de joelhos ao seu lado, iniciando a carcia frontal sem retribuio. Durante todo o tempo 
ela evitou o pnis, que endureceu rpido.
Por um momento, ela examinou o pnis e depois comentou:
- Voc est querendo ter um orgasmo agora. - Pode apostar que sim!
- Pois vai ter, Chet... mas, primeiro, ter uma peque
na preleo e o exerccio que a acompanha.
- Espero que no demore muito.
- Se eu fizesse tudo depressa, Chet, voc chegaria ao
orgasmo depressa, antes de poder entrar em mim ou na sua
namorada.
- Est bem, est bem, pode continuar como quiser.
Gayle fitou-o nos olhos.
- J ouviu falar do mtodo do aperto?
- Como?
- A tcnica do aperto para deter a inevitabilidade ejaculatria.
- Aperto? Claro, claro... j li alguma coisa a respeito em minhas pesquisas.
-  o que vamos fazer agora. A ejaculao precoce  o resultado da ansiedade. Deixe-
me formular o problema de outra forma. Quando eu comear a acariciar seu pnis, voc 
sentir um impulso real de gozar imediatamente. Por necessidade. Vai querer 
desempenhar o ato e acabar logo. Contudo, outra parte de voc est dizendo que quer 
demorar mais e ser um bom amante. No  verdade?
- Acho que sim.
- Pode estar certo de que  mesmo verdade, Chet. H dois meios tradicionais de superar 
a ejaculao precoce. O primeiro  chamado de mtodo do bom senso. Voc toma uma 
ou duas doses de uma bebida alcolica para arrefecer o excitamento ertico. Ou usa 
uma pomada anestsica ou um preservativo. Ou tenta reduzir o excitamento ertico pelo 
expediente de se distrair, olhando para os mveis ou cortinas, tentando pensar nos 
negcios. O outro mtodo  o de resolver o problema pela terapia da percepo, 
conversando a respeito com um psicanalista ou um psiclogo. Por esse mtodo, voc 
pode descobrir que a ejaculao precoce envolve conflitos inconscientes sobre 
mulheres, que comearam com problemas de infncia. Os dois mtodos podem dar 
certo, mas nenhum deles  to imediato ou eficaz quanto a terapia da suplente sexual, 
que envolve, repito, a tcnica do aperto. Eu sei, mas voc no sabe que a ejaculao 
precoce  o resultado de sua incapacidade de focalizar a ateno e sentimentos na sen
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sao do estmulo sexual antes do orgasmo. Est preocupado apenas em alcanar o 
prprio orgasmo. Espero que a experincia de contato e carcia mude tudo isso. At l, 
numas poucas sesses, o aperto evitar a inevitabilidade ejaculatria. Pode estar certo de 
que funciona, Chet.
- Qualquer coisa que disser, professora.
- timo. Explicarei agora o que faremos. Vou afag-lo e excit-lo, at o ponto em que 
estiver prestes a ejacular. E nesse momento voc me avisa para eu apertar.
- Quando exatamente?
- No um segundo antes de comear a ejacular. Talvez meio minuto antes ou por a. Na 
verdade, prefiro retard-lo antes, como margem de segurana. E, depois, aos poucos, 
podemos tentar chegar cada vez mais perto do orgasmo, talvez at cinco segundos antes 
da emisso.
- Espero poder avis-la a tempo.
- Isso vai acontecer - garantiu Gayle. - No instante em que me avisar, pegarei a glande 
ou cabea do pnis com o polegar e mais dois dedos e apertarei com alguma fora, logo 
abaixo da cabea, dois dedos por cima e o polegar comprimindo por baixo, durante 
quatro segundos. No vai doer. Geralmente o homem perde a ereo e o desejo de ter 
um orgasmo. Todo o mecanismo de tenso  reduzido. Vai ficar inerte. E depois 
recomeamos. Afagarei o pnis at tornar a ficar ereto. No se preocupe com isso. O 
pnis pode ser levado  ereo uma dzia de vezes ou mais, com a maior facilidade. Em 
cada vez retardarei seu orgasmo com um aperto e depois lhe proporcionarei o prazer de 
levantar outra vez. Fixaremos um objetivo hoje. Tentaremos conter voc por cinco 
minutos. E depois aumentaremos para dez minutos. O objetivo final  conseguirmos 
atingir 15 minutos. Voc deve conter o orgasmo, dentro ou fora de uma mulher, por 
quinze minutos. Quer tentar?
- Claro.
Ele perdera muito da rigidez. Gayle inclinou-se e comeou a acariciar sua barriga e 
coxas, chegando cada vez mais perto dos rgos genitais. Sua mo envolveu os 
testculos, e no mesmo instante o pnis comeou a estufar e um momento depois estava 
duro. Ela passou os dedos por toda a extenso,
envolveu a haste com a mo, iniciou os movimentos para ci
ma e para baixo.
Hunter, os olhos fechados, bem apertados, as ndegas
tremendo, comeou a gemer.
- Eu... no posso mais agentar - balbuciou ele. No mesmo instante Gayle ps o polegar 
e mais dois de
dos em posio e apertou.
- Ai! - ele gritou.
Mas no gozou. O pnis amoleceu na mo de Gayle, co
meou a escorregar entre seus dedos.
- Pronto, Chet, voc conseguiu. Houve a ereo, o ex
citamento, mas no a ejaculao.
- Muito bem - balbuciou ele, ofegante, olhando para
o membro flcido. - E agora?
- E agora eu vou faze-lo feliz outra vez, mas sem per
mitir que escape ao controle.
Mais uma vez, os dedos e a mo de Gayle acariciaram
o pnis, que tornou a ficar rgido. Mais uma vez, ela come
ou a masturb-lo, Hunter fechou os olhos, logo estava ge
mendo.
- Estou... pronto... - sussurrou ele. Ela apertou com fora.
No houve orgasmo. E o pnis voltou a ficar inerte. Gayle repetiu o exerccio, a cada 
vez retardando a ejacu
lao. Mas depois de cinco minutos, quando ele estava no au
ge de mais uma ereo, ela pegou um leno de papel dobrado,
ajeitou sobre a cabea do pnis e continuou com os movimentos
da mo.
Desta vez ela no apertou quando Hunter gemeu e
permitiu-lhe ejacular at o fim. Quando acabou, ele virou-se
de lado.
- Obrigado, Gayle. Isso  tudo?
- Apenas o comeo. Para ser realmente eficaz no retar
do da ejaculao, voc ter de fazer um dever de casa. - Como assim?
- Ter de se tocar. Ele sentou.
- Tocar... est falando de masturbao? - Isso mesmo.
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- Mas eu no...
- Chet, todo mundo se masturba... ou j se masturbou, em um momento ou outro da 
vida. Voc j deve ter feito.
- Claro que sim, quando eu era garoto. Todos os garotos se masturbam.
- Mas agora voc  um homem. Quero que faa isso de novo, antes do nosso prximo 
exerccio. E muito simples. Comece a se masturbar. E depois use a tcnica do aperto em 
si mesmo. Faa-o por cinco minutos ou mais, antes de ejacular. Com isso, estar 
ganhando muito tempo para ns dois. Vai chegar onde quer.
- Esse tipo de dever de casa no me agrada. No na minha idade. No posso me 
imaginar a masturbar. Se fosse alguma espcie de demonstrao com uma mulher, eu 
ainda poderia...
- Mas voc ainda no  capaz de se controlar com uma mulher. A masturbao pode 
lev-lo a conseguir chegar ao fim com uma mulher mais rpido. - Gayle tentou sorrir. - 
O dever de casa podia ser pior. E  de graa.
Ela se levantou, acrescentando, muito sria:
- Vou revelar um segredo, Chet. A masturbao  realmente a chave da terapia sexual. 
Pode estar certo de que a regra principal do tratamento sexual  simples: faa a si 
mesmo com sucesso e poder fazer com outras pessoas para sempre. - Gayle fitou-o nos 
olhos. - Por favor, aceite minha palavra quanto a isso.
Ele sacudiu a cabea, lentamente.
- Bem que quero, mas no posso. No me importo de voc fazer, mas...
- Podemos ganhar muito tempo se voc me ajudar, Chet. A masturbao no  to 
horrvel assim. - Pois eu no gosto.
Ela estudou-o em silncio por um instante.
- Chet, um homem que se sente constrangido com a masturbao pode ter muito 
trabalho a fazer consigo mesmo em termos psicolgicos. Se no concorda comigo, pode 
per
guntar ao dr. Freeberg.
-  o que tenciono fazer.
- S peo que me conte depois o que descobriu.
O dr. Freeberg escutou Chet Hunter e depois comeou a balanar a cabea.
- Basicamente, o que Gayle Miller aconselhou-o a fazer  correto. Talvez ela tenha 
formulado o problema de forma um tanto dramtica, ao dizer que a masturbao  a 
chave para a terapia sexual. Posso me sentir propenso a apresentar a questo sob outro 
ngulo. A masturbao  um exerccio valioso, junto com os outros procedimentos 
teraputicos. Por que objeta com tanta insistncia?
- Porque ficar em casa a me masturbar... no gosto disso...
- Por qu? - insistiu Freeberg.
- Prova que no posso conseguir com uma mulher.
- E aumenta seu senso de fracasso?
- Acho que sim.
- Tenho dvidas se isso  tudo. Ser que sua resistncia  idia no comeou muito 
antes? Voc disse que se masturbava quando era garoto. Como seus pais reagiam?
Hunter empertigou-se na cadeira.
- Ora, nunca me passaria pela cabea contar a eles!
- Ou seja, mesmo na infncia j tinha a convico de que a masturbao era uma coisa 
errada, e que seu pai e sua me desaprovariam se descobrissem. Portanto, j devia ter 
conhecimento da atitude negativa deles em relao  masturbao.
- Agora que est falando isso... acho que eu sabia que era considerada uma coisa 
horrvel. Devo ter ouvido meus pais comentarem em alguma ocasio que era uma coisa 
horrvel e prejudicial  sade. - Hunter refletiu a respeito por um instante. - Meus pais 
so batistas rgidos. Deviam ter a noo de que a masturbao podia levar a alguma 
espcie de doena mental, talvez mesmo  insanidade. Provavelmente essa noo se 
fixou em minha mente.
- Mas agora deve saber que no  esse o caso. Deve saber que no h o menor resqucio 
de evidncia cientfica de que a masturbao pode lhe fazer mal.
Hunter balanou a cabea em concordncia.
- Claro que sei disso. J fiz muita pesquisa para os artigos que escrevo, e esse foi um 
dos fatos que aprendi. Mas sinto que ainda estou dominado pelos medos da infncia.
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- Mas os medos da infncia no podem continuar a inibi-lo. O velho Relatrio Kinsey 
constatou que 94% de todos os homens se masturbam, em uma ocasio ou outra. Um 
estudo mais recente indica que quase 100% dos homens j se masturbaram em algum 
momento. No me importo de lhe dizer que eu j me masturbei.
- Quando era garoto?
Freeberg sacudiu a cabea.
- No apenas quando era garoto. Em anos mais recentes, quando minha esposa estava 
ausente, eu me sentia tenso e precisava descarregar.
Hunter ficou aturdido.
- Devo reconhecer que  um homem muito franco.
- E absolutamente normal - acrescentou Freeberg. - Sr. Hunter, peo que confie em mim 
quando lhe digo que a masturbao no  um pecado. No seu caso, quando estamos 
tentando retardar a ejaculao precoce, pode ser uma virtude. A masturbao, com a 
srta. Miller fazendo em voc, com voc fazendo pessoalmente, pode ser a base para 
ensinar um homem a se controlar. Sugiro que aceite o conselho da srta. Miller. Em casa, 
masturbe-se at a ereo e use o mtodo do aperto dez segundos antes da ejaculao.
- Eis outra coisa que no me agrada - comentou Hunter. - Posso aceitar quando uma 
mulher evita minha ejaculao precoce. Mas no me agrada faz-lo em mim mesmo.
- H outra coisa que pode fazer e que deve ter a mesma eficcia.
- E o que ?
- As suplentes sexuais chamam de mtodo de parar-ecomear. Os terapeutas chamam de 
procedimento Semans, pelo urologista James Semans, que comeou a us-lo, em 1956. 
Estimule-se quase ao ponto da ejaculao, depois pare por completo e espere a ereo 
desaparecer. Comece tudo de novo, pare, recomece.
- A esta altura, no sei se eu seria capaz de parar, se conseguiria me controlar - 
confessou Hunter, com um ar infeliz.
- Nesse caso, volte ao mtodo do aperto. Por mais desagradvel que possa ach-lo, vai 
descobrir que  sempre eficaz.
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- Se posso deixar que ela faa comigo, acho que sou tambm capaz de faz-lo.
- Essa  a melhor atitude. Experimente quando chegar em casa esta noite. Se tiver 
dificuldade para alcanar a ereo, procure alguma coisa que considere ertica ou 
pornogrfica...
- Est se referindo s fotografias de nu frontal nas revistas?
- Isso mesmo. Olhe para elas, fantasie, at estar pronto para o orgasmo. No se preocupe 
com a perda da ereo. As erees que pode ter na sua idade so incontveis. No vai 
esgot-las. Depois que terminar uma ereo, acaricie-se at alcanar outra. Faa isso 
cinco ou seis vezes esta noite, e amanh recomece com Gayle Miller. Combinado?
- Se acha que vai me ajudar a chegar ao fim com uma mulher, est certo.
- Gayle Miller prometeu que isso o levar ao intercurso normal. Eu posso quase 
garantir. - Freeberg levantou-se e estendeu a mo. - Boa sorte, sr. Hunter.
- No podemos fazer isso juntos? - perguntou Nan Whitcomb.
Ela estava deitada na cama de Brandon, suspensa num cotovelo, observando-o tirar as 
calas e depois a cueca.
- Juntos?
- O exerccio de prazer genital sem retribuio.
Nu, Brandon sentou na cama, aturdido.
- Para ser franco com voc, Nan, no sei. S conheo as tcnicas padronizadas. Voc 
deita de costas, fecha os olhos, relaxa, eu a acaricio da cabea aos ps. E depois voc 
faz a mesma coisa comigo.
- Mas fazer juntos  a mesma coisa. Nunca tm permisso para fazer coisas de maneira 
diferente?
- Acho que sim, desde que nos mantenhamos dentro dos parmetros do exerccio. Para 
dizer a verdade, o dr. Freeberg quer que sejamos bem flexveis quando h necessidade 
de algo inovador.
- Pois ento vamos tocar um ao outro ao mesmo tempo.
Brandon ainda estava hesitante.
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- Algum motivo para isso?
- No sei...  apenas uma coisa que pode ser boa. Quando voc me toca, e depois eu o 
acaricio, so duas coisas separadas... no de todo, mas pelo menos em parte. Eu gostaria 
de ter contato simultneo com um homem.
- Ora, por que no? - disse Brandon subitamente. Ele ainda tinha algumas apreenses, 
que no expressou, mas o exerccio parecia bastante razovel. - Deitarei ao seu lado. E 
ns dois fecharemos os olhos. Vou acarici-la e voc pode me acariciar tambm, 
imitando-me.
Por um momento, ela fitou-o nos olhos.
- Tem certeza de que no se importa, Paul?
- Vou gostar - murmurou ele, sorrindo.
Brandon estendeu-se ao lado dela e chegou para mais perto, at os quadris se tocarem. 
Viu-a fechar os olhos. Ele estendeu a mo para sua cabea, fechou os olhos tambm, 
comeou a passar os dedos pelos cabelos, em torno da orelha, descendo pelo rosto, 
contornando o pescoo.
Ao mesmo tempo, sentia os dedos quentes de Nan em seu rosto, imitando as carcias 
que fazia.
Lentamente, ele desceu as mos para os seios, segurandoos por um instante. Eram 
macios, a no ser os mamilos, que haviam endurecido. Ele sentiu as pontas dos dedos de 
Nan em seu peito, esfregando os cabelos ali, acariciando seus mamilos, porque ela no 
esquecera que aquela podia ser uma zona ergena tambm para os homens.
Continuaram as carcias por cerca de 15 ou vinte minutos. Finalmente Brandon desceu a 
mo at encontrar a margem superior dos cabelos pbicos. Foi quando ela estava prestes 
a lhe fazer a mesma coisa que sua maior preocupao aflorou. Pois sabia que estava 
tendo uma crescente ereo. Depois que os dedos de Nan o encontrassem, ele no sabia 
se seria capaz de se controlar.
No instante em que encontrou o clitris, ele sentiu os dedos de Nan envolverem seu 
pnis duro.
Seria preciso um esforo espartano para se conter e ele sabia que seria difcil, porque 
estava se aproximando de um orgasmo.
Com uma rapidez cada vez maior, os dedos de Brandon
massagearam o clitris. Um som escapou dos lbios de Nan, palavras estranguladas 
romperam o silncio.
- Ahn... ahn... no... no, pare! - A voz era trmula. - Continue!
A massagem tornou-se mais intensa, assim como o desejo de Brandon de ter um 
orgasmo na mo que o segurava.
- Ahn... ahn... - gemia Nan.
Ela arqueou o tronco e tremeu toda, os dedos apertando o pnis com toda fora.
No mesmo instante desapareceu por completo o desejo de Brandon de ter um orgasmo. 
Sem querer, ela aplicara a tcnica do aperto.
- Estou gozando... - balbuciou Nan.
Brandon balanou a cabea, atordoado, na escurido que se impusera.
- Isso  timo - ele se ouviu dizer.
Estava agradecido por ela ter evitado acidentalmente sua ejaculao. Quando os dois 
ficaram sentados, de olhos abertos, Nan mostrou-se contrafeita no mesmo instante.
- Desculpe, Paul. No pude me controlar.
- No fez nada de errado. Creio que o dr. Freeberg concordaria que foi benfico para 
voc, para sua terapia. Conseguiu relaxar, largar-se...
- Por completo - ela interveio. - Pela primeira vez.
- ...e isso s pode ser til.
Ela baixou os olhos para observ-lo.
- Mas voc no teve muito prazer.
- Tive todo de que precisava. Afinal, era um exerccio sem demanda.
Em sua mente, ele questionou o uso do termo sem demanda. Podia ser tecnicamente 
correto. Significava que o homem no precisava ter um desempenho, que podia apenas 
absorver o prazer e proporcion-lo tambm, mas sem qualquer outra demanda sexual. 
Desta vez ele quisera reagir e fora capaz de fazlo, num certo sentido. Era algo que 
deveria conversar com o dr. Freeberg. Mas, depois, ele compreendeu que no havia 
nada que precisasse discutir. Porque, l no fundo, ele sabia, enquanto a mo de Nan 
acariciava seu pnis, sua mente fantasiava que era Gayle Miller que o estava 
estimulando e excitando.
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Ele viu Nan pondo no pulso seu relgio de ouro.
- Um presente de Tony pelo meu aniversrio, que ele esqueceu - explicou ela. - Terei de 
partir em breve. Ele estar em casa para o jantar.
- To cedo?
- Ele gosta de jantar cedo, assistir  televiso um pouco e depois ir para a cama. E eu 
detesto deitar cedo.
- Porque detesta o que acontece quando vai para a cama. O que vai fazer esta noite?
- Vou tentar repeli-lo. - Ela hesitou. - Paul, ainda tenho dez minutos antes de me vestir e 
ir embora. Importa-se se ficarmos apenas deitados aqui, juntos?
- Acho uma boa idia.
Depois que eles se deitaram de costas, as cabeas nos travesseiros, ela virou-se para fit-
lo.
- Voc pode me abraar, Paul? - Com o maior prazer.
Ele passou um brao sob as costas nuas de Nan e abraou-a, ela virando de lado, os 
seios grandes se achatando contra o seu peito.
- Voc  maravilhoso... o homem mais maravilhoso que j conheci - sussurrou Nan. - 
No fique zangado se eu beij-lo. Gostaria muito de beij-lo.
Brandon inclinou o rosto e comprimiu os lbios contra os dela, tencionando ficar por a. 
Mas a boca mida de Nan se abrira e a lngua se esticara, entrando pela boca de 
Brandon, procurando sua lngua. Depois do beijo, ele separou-os gentilmente, enquanto 
Nan murmurava:
- Eu adoro voc...
Ele no pde responder, porque estava preocupado. Pouco depois, ela vestiu-se com 
rapidez. Examinando os
cabelos e feies no espelho, para certificar-se de que no ha
via sinais denunciadores, ela penteou-se meticulosamente e
maquilou-se. Durante todo esse tempo, s falou uma vez: - O que vamos fazer em 
seguida, Paul? Ele engoliu em seco.
- Penetrao. Primeira tentativa. Nan sorriu-lhe.
- Vai dar certo, Paul. Tenho certeza.
E, com isso, ela saiu do quarto.

Nan chegou em casa poucos minutos antes de Tony Zecca voltar do trabalho.
O jantar j estava na mesa quando ele deu a sua urinada ritual e lavou as mos. Ela foi 
ao seu prprio banheiro e lavou as mos antes de ir sentar em frente a ele, no outro lado 
da mesa.
Zecca j estava devorando um bife cru, como um canibal. Pegando seu prato, ela 
lanou-lhe um olhar furtivo, em que se misturavam averso e medo.
- Est me dando muito trabalho, boneca - disse Zecca, mastigando ruidosamente a 
carne, depois parando para sufocar um soluo com um gole de cerveja.
- Como assim?
- Ficando ausente durante todo o tempo. Contratei uma caixa e acabei com a porra de 
uma prima-dona. Est me custando uma fortuna com todo o pessoal que estou 
contratando por hora para substitu-la, enquanto vai consultar a porra de um mdico. A 
nova garota da caixa, a pele escura,  pior do que a negra.
- E quanto est lhe custando? - indagou Nan, sua irritao aflorando. - Paga a elas quase 
nada. Est acostumado ao trabalho escravo.
Ela o odiava, entre outras coisas, por seus comentrios desdenhosos sobre pretos e 
hispnicos.
- Elas me roubam da caixa registradora - resmungou Zecca, sem parar de mastigar. - 
Todas so safadas.
Olhem s quem est falando, Nan sentiu vontade de gritar. No entendia como ele 
sobrevivera ao Vietnam. E no estava pensando na sobrevivncia nos combates com os 
vietcongues, mas sim como ele escapara a ser morto por um dos seus companheiros de 
infantaria, preto ou hispnico, que sempre insultava com seus comentrios racistas. Mas 
talvez, como todos dispunham de armas iguais, ele se mantivesse de boca fechada e 
guardasse suas atitudes para si mesmo.
- Nem todas so ruins - Nan conseguiu balbuciar.
- Como voc pode saber? Mas no importa. Tudo isso vai acabar amanh, graas a 
Deus. Cuide de voltar ao emprego amanh s nove em ponto.
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No posso, Tony.
O qu?
Tenho uma consulta com o mdico.
- Essa no! - berrou Zecca, batendo com a palma da mo aberta na mesa e fazendo seu 
prato vazio balanar. - Eu disse que voc podia ir a essa porra desse mdico mais uma 
vez... mais uma aplicao... e isso foi hoje!
- E eu disse que ele tinha de me ver por mais uma ou duas semanas.
- De jeito nenhum! Por que esse sacana quer que voc v v-lo todos os dias? Para 
poder cobrar mais?
- Pare com isso, Tony. No admito esse tipo de conversa. Ele  um dos melhores 
ginecologistas da cidade. Precisa me tratar por mais uma ou duas semanas... ele vai 
decidir quanto tempo mais... ainda no estou em forma...
- E isso significa que voc no pode ir para a cama comigo esta noite e fazer o que uma 
mulher normal faz?
- No posso fazer nada, Tony. Tenho de esperar at estar curada. Perguntarei ao 
mdico...
- No vai perguntar porra nenhuma! Eu  que vou perguntar a esse seu mdico por que 
est me sacaneando, e por quanto tempo mais ele acha que pode continuar com essa 
besteira. Quando voc for visitar esse seu mdico amanh, irei junto. Quero descobrir 
qual  a do sacana. A que horas voc vai?
Apanhada de surpresa, Nan respondeu a primeira coisa que lhe surgiu  cabea.
- s dez... tenho uma consulta marcada s dez horas da manh. Por favor, Tony, no me 
deixe embaraada. Se voc for comigo...  um mdico de mulheres... talvez ele receba 
de vez em quando um homem com a esposa, mas ns no somos casados... voc no  
meu marido...
- Como ele vai saber?
- Eu... eu disse a ele quando comecei. Est na minha ficha. Sou solteira...
Zecca se levantou.
- Amanh voc no estar sozinha. Vai com seu namorado. Eu a verei no caf da manh 
e iremos juntos  porra do seu mdico. Chega de conversa fiada. E agora v se deitar e 
descanse. No farei nada hoje porque vou me guardar para
a noite de amanh. E vou foder voc at seus ouvidos sangrarem.
Depois que ele saiu da mesa, Nan empurrou para o lado o prato inacabado e continuou 
sentada, tremendo toda, pensando no que poderia fazer.
Somente quando foi para seu quarto de vestir e ps a camisola  que a resposta lhe 
ocorreu.
Zecca j estava na cama quando ela se deitou. Acomodou-se a seu lado, sob as cobertas, 
ficou pensando na situao. Quando pegava no sono, ele dormia como uma pedra e s 
acordava ao romper do dia. Ela ficou imvel, esperando que ele dormisse.
Dez ou quinze minutos depois, ela no sabia direito quanto tempo passara, ouviu sons 
irritantes ao seu lado. Compreendeu que ele estava roncando e s despertaria ao 
amanhecer.
Mesmo assim, ela tinha de agir depressa e silenciosa. Quase sem fazer barulho, ela 
levantou o seu lado das cobertas e saiu da cama. Ignorou as chinelas e seguiu descala 
para o banheiro, fechou a porta, deixou a luz apagada. Foi para o seu quarto de vestir e 
acendeu o abajur de copa verde.
Pegou sua mala, abriu-a, ajeitou em cima do banco da penteadeira.
Vestiu-se, com determinao e pressa, comeou a recolher seu escasso guarda-roupa - 
as poucas blusas, saias, vestidos, cintos, sapatos, roupas de baixo - e guardou tudo na 
mala. Abriu uma caixa de sapatos para verificar se o dinheiro ainda estava l, o pouco 
que guardara de seu salrio como caixa e as parcas economias da mesada para as 
despesas da casa. A soma total no daria para ir muito longe nem a sustentaria por 
muito tempo, mas era suficiente para sobreviver at conseguir outro emprego. Ela 
fechou a mala.
Restava uma coisa. Rasgando uma folha de seu bloco de rascunho, ela escreveu um 
bilhete apressado para Tony, agradecendo por tudo o que ele fizera, mas insistindo que 
precisava levar sua vida sozinha. A deciso de Tony de interferir com suas visitas ao 
mdico fora a ltima gota, uma invaso de sua privacidade que ela no podia admitir. 
Gostava dele e lamentava que tivesse de acontecer assim, mas era o adeus.
Com um pedao de fita adesiva, ela prendeu o bilhete no espelho da penteadeira.
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Voltou  porta do banheiro, encostou o ouvido, escutou
claramente os roncos ininterruptos de Tony.
At ali, tudo estava correndo bem.
Pegando as chaves de seu carro e a mala, ela deixou a
casa. L fora, descobriu que a noite estava fria, mas era de
certa forma mais hospitaleira do que o interior da casa. Entrou no seu Volvo usado e 
ligou o motor, preocupando
se com o barulho, saiu de marcha  r da garagem para a rua. Fez a manobra e afastou-
se. O mais depressa possvel. Estava finalmente livre. Ou pelo menos assim esperava.
A liberdade era assustadora, mas havia algum que se impor
tava com ela. Ou pelo menos assim esperava.

Na cozinha de sua pequena casa, Gayle Miller terminou os preparativos para o jantar 
ntimo com Paul Brandon.
Tinha uma posio ambivalente sobre a noite pela frente. Por um lado, sentia-se 
pressionada demais pela pressa e teria preferido um encontro mais descontrado. 
Receber Demski e Hunter na mesma tarde fora extenuante, embora o progresso 
alcanado fosse gratificante. Depois disso, ditar os dois relatrios para o dr. Freeberg 
lhe consumira muito tempo. Correra a um supermercado prximo, a fim de fazer as 
compras para o jantar, depois se ocupara a preparar uma refeio que gostaria que fosse 
mais sofisticada.
Com tudo pronto, ela olhou para o relgio na parede da cozinha. Ele deveria chegar 
dentro de vinte minutos. Tinha tempo suficiente para se aprontar.
Foi para o quarto e vestiu-se com todo cuidado. Como uma suplente sexual, sempre era 
cautelosa com as roupas que usava nas sesses com os pacientes. Adotava a poltica de 
jamais usar qualquer coisa que fosse sexualmente provocante, a fim de evitar que o traje 
levasse os pacientes a acreditarem que estavam lhe sendo feitas demandas e que teriam 
de apresentar um desempenho satisfatrio.
Mas Paul Brandon podia ser qualquer coisa menos um paciente. Era um ser humano 
integrado, um homem que funcionava direito, um homem que ela queria impressionar e 
excitar, um homem a quem ela desejava e muito. Por isso, para um encontro particular e 
pessoal, ela podia se comportar co
mo uma mulher que talvez estivesse apaixonada.
Vista-se sensualmente, ela disse a si mesma. E foi o que fez. Uma blusa branca de seda 
bem decotada, que revelava parcialmente a parte dos seios no coberta pelo suti meia-
taa. Acrescentou uma saia curta, cor de tangerina, uma meiacala transparente, porque 
suas pernas eram muito bem torneadas, e sapatos marrons de saltos altos. Passar para os 
cosmticos foi fcil, talvez tivesse aplicado um pouco mais de batom do que o habitual. 
A campainha da porta tocou assim que ela acabou de se arrumar.
Paul Brandon trazia para ela uma dzia de rosas vermelhas de hastes compridas.
Emocionada e satisfeita, Gayle aceitou o buqu, abraou-o com um brao, agradecendo 
e dando as boas-vindas com um beijo suave. Levando-o para uma cadeira, Gayle 
percebeu que quase esquecera como ele era atraente. Paul Brandon tinha a boa 
aparncia austera de um daqueles astros fortes e determinados do cinema mudo, os 
homens que conquistaram o Oeste. Usava um casaco esporte cinza, camisa esporte 
marrom e uma cala sob medida preta.
- Vou pr isto num vaso - disse ela, indicando as rosas. - E depois providenciarei 
alguma coisa para bebermos. O que vai querer?
- Qualquer coisa que voc tomar.
- Vou beber um scotch com gelo.
- Est timo para mim.
Depois de entregar-lhe o copo, Gayle arriou no sof ao seu lado, segurando seu prprio 
scotch.
- Sabe, Paul, eu sinto que somos estranhos. J nos encontramos duas vezes ao jantar, 
mas ainda no sei quase nada a seu respeito.
- No se pode dizer exatamente que jantamos juntos, Gayle. Apenas nos encontramos 
para tomar caf e comer qualquer coisa numa lanchonete. O que no  um clima 
propcio para uma conversa mais profunda.
- Tem razo. Mas esta noite pelo menos estamos a ss.
Brandon tomou um gole do scotch.
- Fale-me a seu respeito. Tem famlia?
Gayle sacudiu a cabea.
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- No exatamente. Meu pai morreu quando eu era pequena. Minha me ainda est viva, 
mas internada num asilo e prematuramente senil. Vou visit-la uma vez por ms, para 
me certificar de que est sendo bem cuidada. E tenho um irmo mais velho que vive em 
Toronto. Ele  uma espcie de mago dos computadores.
- Ele sabe o que voc faz?
- Somos muito francos um com o outro em nossa correspondncia e nos telefonemas 
ocasionais. Ele sabe, compreende e acha que no tem nada de errado. Porque ele sabe o 
que me motivou a ser uma suplente sexual. J lhe falei sobre isso, como o rapaz que eu 
namorava sofria de uma disfuno sexual e acabou cometendo suicdio.
- Estou lembrado.
- Continuei sozinha desde ento. E voc?
- Eu... eu tambm sou sozinho... deliberadamente. J me casei uma vez...
-  mesmo? E o que aconteceu? Brandon deu de ombros.
- Uma jovem atriz de Los Angeles, vinda do Oregon. Preciso dizer mais? Seu 
verdadeiro amor era por si mesma e seu futuro. Vou poup-la dos srdidos detalhes. 
Basta dizer que ela no gostava do sexo em geral, e eu no gostava do sexo com ela em 
particular.

- E voc acabou se divorciando?
- Depois de um ano - respondeu Brandon. - Mas permaneci atormentado por um 
sentimento de culpa. Ou uma incerteza, digamos assim. Eu tivera ligaes 
extraconjugais. Ela tambm. Mas, por algum motivo, no conseguamos fazer com que 
fosse bom quando estvamos juntos. Era eu quem sofria de uma disfuno. Mas, de 
certa forma, o mesmo acontecia com ela. Li a notcia sobre um seminrio sexual em La 
Jolla, dirigido por dois psiclogos. E resolvi me matricular. Foi muito esclarecedor. 
Descobri que meu caso no era to excepcional. De certa forma, eu no gostava da 
mulher com quem estava casado. Queria me afastar dela, e meu corpo recebeu o recado 
antes da cabea. A experincia estimulou de novo meu interesse por educao sexual, e 
voltei ao Oregon para recomear a dar aulas. Quando soube que o dr. Freeberg estava 
procu
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rando por um suplente sexual masculino, decidi me candidatar. E aqui estou.
- Est interessado no trabalho apenas como um meio de ganhar a vida?
- Para dizer a verdade, ainda no sei. Creio que sinto agora que h muito mais alm 
disso.
- Fico contente em saber disso - comentou Gayle, aliviada. - Voc tem famlia?
- Nem irmo nem irm. E, de certa forma, tambm no tenho pais. Eles ainda esto 
vivos, mas se divorciaram h cerca de dez anos, tornaram a casar, e quase no temos 
contato. - Ele avaliou Gayle. - Pode-se dizer que sou um solitrio como voc. No que 
eu queira ser. Obviamente,  por isso que estou aqui.
Gayle sustentou o olhar dele.
- Por que est aqui?
- Porque no gosto de ficar longe de voc.
Ela sorriu.
- Bem falado. - Gayle largou na mesinha seu copo de usque vazio, levantou-se e 
estendeu a mo para ele. - Vamos jantar.
Brandon tambm se levantou. Mas em vez de deixar que Gayle o conduzisse para a sala 
de jantar, puxou-a firme para si. Ela no resistiu.
- O jantar no pode esperar? - ele sussurrou em seu ouvido.
- Voc... voc tem algo melhor para sugerir? - balbuciou Gayle.
- Isto.
Ele baixou o rosto e comprimiu os lbios contra os dela, beijando-a com desejo. E, 
depois, acrescentou:
- Estou tentando dizer que a amo.
Ela recuou por um instante.
- Eu tambm o amo, Paul. No vamos mais perder tempo...
- Eu esperava que voc...
- ...continuasse daqui por diante? Mal posso esperar. - Gayle passou o brao pelo dele. - 
Meu quarto fica ali.
Ele seguiu-a para um quarto pequeno mas agradvel, as

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cortinas e o estofado das cadeiras em algodo estampado, dois abajures rosas e uma 
cama enorme, pronta para a ocupao.
Gayle ficou em silncio, enquanto ele a despia e depois tirava suas prprias roupas. 
Observou-o levantar e sentiu que ficara toda molhada.
Brandon agarrou-a, sufocando-a com beijos na boca, bem devagar desceu os lbios para 
os seios, lambendo e beijando cada um, at que os mamilos pardos ficaram 
intumescidos e
duros.
Ela pegou-o pelo brao e levou-o para a cama, murmu
rando, com a respirao acelerada:
- Estive sonhando com isto durante o dia inteiro... mesmo quando trabalhava.
Enquanto ela abaixava para a cama, Brandon disse, - Trabalhando? Trabalhando com 
quem?
- Primeiro com o paciente impotente de Chicago. Foi
uma sesso muito bem-sucedida. E acabei gozando.
- Voc gozou? - Brandon arriou para a cama, os olhos
fixados nela. - E como isso o afetou?
- Ele teve a sua primeira ereo. Afinal, era esse o ob
jetivo.
Brandon estava de rosto franzido. - E o que voc fez ento?
- Dei-lhe os parabns. Voc no faria a mesma coisa? - Tocando em Brandon, ela 
acrescentou: - S tem uma coisa, Paul. Se eu for muito lenta esta noite, peo que tenha 
um pouco de pacincia.
- Por qu? Tambm recebeu o outro paciente hoje? - O de ejaculao precoce? Recebi. 
Ele est fazendo um tratamento intensivo.
- E o que fez com ele?
- O de sempre. Ensinei-lhe a tcnica do aperto. - Como?
- Ora, Paul, apertando seu pnis antes que ele gozasse,  claro. E deu certo.
Brandon estava esttico.
- No precisava ser to explcita.
Gayle olhava para o pnis que murchava.
- Desculpe, querido. Deixe-me ajud-lo. Venha para c.
Ela afagou a cama ao seu lado. Abalado, Brandon obedeceu.
- O que voc tenciona fazer?
- Relax-lo. Deixe-me fazer uma carcia no rosto, talvez uma carcia nas costas...
- Espere um pouco. Pensei que nosso encontro fosse apenas social, sem nada de 
profissional.
Gayle estava confusa.
- Mas  apenas social. Eu s queria...
- No quero saber dos exerccios. No esta noite.
- Pois ento deixe-me fazer outra coisa.
Ela sentou e pegou o pnis inerte. Comeou a baixar a
cabea em sua direo.
- Ei, o que est fazendo?
- Vou beij-lo l embaixo. Tenho certeza que vai fun
cionar.
Brandon agarrou-a pelos cabelos e puxou a cabea pa
ra trs.
- Beijar-me l embaixo? Normalmente eu no me im
portaria, mas tenho a impresso de que  uma coisa que voc faz com seus pacientes. 
Voc os chupa?
- Nunca tive de faze-lo - ela balbuciou. - Nem uma nica vez.
Gayle fez uma pausa, fitando-o nos ollhos, depois acrescentou, com toda franqueza:
- Mas se eu tivesse, creio que poderia fazer tudo o que fosse necessrio.
Ele sacudiu a cabea com repulsa.
- Mas que merda! Voc  incrvel. - Brandon rolou pa
ra o lado e saiu da cama. - Voc est em busca de poder, e isso  tudo. No est 
interessada em amor. Quer apenas mostrar como  sensacional, como pode dominar 
qualquer homem.
E acho que isso  uma merda.
Gayle estava consternada.
- Paul, voc est doido?
Ele ps a cueca e comeou a vestir as calas.
- Louco por estar aqui, louco por acreditar que uma suplente sexual pode ser uma 
mulher de verdade. - Brandon enfiou os ps descalos nos sapatos, recolheu as meias, a 
ca
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misa e o casaco. - No tem jeito. Voc pode chupar seus pacientes ou fazer o que bem 
quiser com eles... mas no comigo. Eu deveria ter imaginado. Com dois suplentes 
sexuais... nunca a coisa poderia dar certo. Lamento, Gayle, minha jovem profissional. 
No daria certo. Boa noite.
Quando ela ps o chambre e correu para a sala de estar, para explicar tudo melhor, 
persuadi-lo a se acalmar, j era tarde demais.
A porta da frente acabara de ser batida. A sala de estar estava vazia.
VII
Ao acordar pela manh, Tony Zecca ficou surpreso ao descobrir que Nan no estava na 
cama, ao seu lado. Era uma coisa que no costumava acontecer, pois normalmente ela 
ainda dormia quando ele saa para o restaurante.  verdade que algumas vezes, ele podia 
se lembrar, Nan se levantara antes, a fim de fazer algumas compras para a casa.
Zecca vestiu-se rpido, sem se preocupar mais com a ausncia de Nan, porque precisava 
chegar cedo ao escritrio para entrevistar mais duas candidatas ao cargo de caixa 
temporria. Depois voltaria para casa a tempo de levar Nan ao mdico e resolver o 
problema de uma vez por todas com o filho da puta.
J vestido, Zecca foi para a sala de jantar e gritou para a empregada na cozinha que 
estava pronto para o caf da manh.
Sentando em seu lugar, ele dobrou o jornal matutino na seo de esportes, enquanto 
Hilda trazia o suco de laranja e o caf bem quente. Ele estava acabando de tomar o suco 
de laranja e de ler os resultados do boxe quando Hilda voltou com os ovos com bacon e 
as torradas.
Atacando os ovos com bacon e concentrando-se nos resultados esportivos, ele 
perguntou a Hilda, distraidamente:
- A que horas minha namorada tomou o caf da manh?
- Ela no tomou - respondeu Hilda, desaparecendo na cozinha.
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Zecca bateu com o garfo no prato e virou-se na cadeira. - Hilda, volte aqui!
Ele ficou esperando que a gorda empregada alem aparecesse. Quando ela se 
materializou na porta da cozinha, Zecca gritou:
- Que histria  essa de que ela no tomou o caf da manh? Ela nunca sai sem comer.
- Quem disse que ela saiu? Eu no a vi sair. Ela deve estar em algum lugar por a.
- Ento  isso.
Zecca ps na boca o que restava dos ovos com bacon, largou o jornal e levantou-se. 
Tencionava seguir direto para o restaurante, mas depois lembrou que planejara voltar 
para casa, pegar Nan e lev-la ao mdico impostor para uma confrontao. Daria uma 
boa lio ao sacana, dizendo tudo o que pensava, faria com que ele parasse de interferir 
na vida amorosa de Nan. No sabia a que horas deveria se encontrar com Nan para ir ao 
consultrio e resolveu verificar antes de sair para o restaurante.
A porta do banheiro de Nan estava fechada. Zecca abriu-a bruscamente e entrou. No 
havia ningum ali. Ento, com certeza a desgraada estava no quarto de vestir. Ele no 
entendia por que as porras das mulheres demoravam tanto tempo para se vestir, quando 
tudo o que os homens queriam era que elas ficassem peladas.
Zecca abriu com um puxo a porta do quarto de vestir, j gritando:
- Mas que merda, Nan!
No houve resposta. O quarto de vestir estava vazio.
Zecca virou-se. Alguma coisa estranha acontecera. As prateleiras de roupas de Nan 
estavam vazias. Ele completou o giro e avistou o bilhete pregado com fita adesiva no 
espelho.
Adiantou-se, arrancou o bilhete do espelho, tentou decifrar o que ela escrevera com a 
mo trmula. Alguma coisa sobre deix-lo. Deix-lo! Ele levantou o bilhete e leu cada 
palavra com toda ateno. Estava entendendo agora. Ela fora embora. A sacana o 
abandonara, algo que nenhuma mulher desde Crystal jamais fizera ou sequer se atrevera 
a pensar.
Num acesso de fria, Zecca amassou o bilhete, transfor
mando-o numa bola, no punho enorme.
A raiva se misturava com o espanto. Por que Nan teria feito. uma coisa dessas? Fora 
bom para ela, dera a uma pobre coitada desamparada um lar e um emprego. Mesmo 
assim, ela o abandonara. Como era possvel? Ela no tinha para onde ir. No conhecia 
ningum, pelo que ele sabia, exceto...
Exceto a porra do mdico a quem ela visitava quase todos os dias.
Esse conhecimento e a lembrana da conversa no dia anterior, quando ela tentara 
desesperadamente evitar que ele fosse falar com o mdico, encaixavam-se e lhe 
contavam toda a histria.
Nan o passara para trs, deixara-o para ir trepar com seu mdico, que provavelmente a 
vinha comendo com freqncia, desde o primeiro dia.
Mas nenhum dos dois vai escapar impune, Zecca disse a si mesmo. Descobriria o 
sacana do mdico e lhe daria tanta porrada que ele nunca mais esqueceria, nunca mais ia 
se meter com a mulher de outro. E depois agarraria Nan e a arrastaria de volta ao lugar a 
que ela pertencia. Era isso. Seu caminho estava bem claro.
S havia um problema.
Quem era a porra do mdico? Ele precisava saber quem merecia uma surra antes de sair 
para o lugar em que eles estavam e arrastar Nan de volta.
Mas quem era a porra do mdico?
A esperta sacana nunca lhe dissera, pelo que podia se lembrar. E ele bem que podia 
levar um chute no rabo por nunca ter se dado ao trabalho de perguntar. Pensando nisso, 
sua fria aumentou de novo, por saber que ela o enganara.
Ele tentou raciocinar. Para ir a um mdico, era preciso pagar. Portanto, devia haver 
contas. Mas ele sempre controlava as contas de Nan e as arquivava no escritrio do 
restaurante, para seu contador e o Servio da Receita Federal. S que nunca vira 
nenhuma conta ou recibo do suposto mdico. Ela sempre pagava em dinheiro, das 
pequenas economias que tinha quando fora viver com ele, de seu salrio ou do que 
poupava da verba para as despesas de casa.
S que no havia nenhuma conta.
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Errado. Houvera uma conta, ele se lembrava agora, com o cabealho de um mdico, 
logo acima. Escapulira  ateno de Nan, antes que ela se tornasse esperta. E Zecca 
tinha essa conta.
Ele pegou o telefone do quarto de Nan e ligou para o restaurante. Falou com a 
garonete-chefe, que tambm funcionava como gerente.
- Estou indo para a, Marge, mas no tenho tempo para as entrevistas com as candidatas 
a caixa temporria. Cancele por hoje e deixe aquela mexicana escrota continuar nos 
roubando, at eu mand-la embora. Tenho de resolver um problema de impostos. 
Ficarei no escritrio e no quero que ningum me incomode.
Deixando o quarto de vestir da sacana, Zecca saiu de casa, sentou ao volante de seu 
Cadillac e partiu para a doce vingana.
Meia hora depois, no cubculo que servia de escritrio, nos fundos do restaurante, ele 
verificou quando Nan comeara a trabalhar ali, sabendo que ela passara a consultar o 
mdico logo em seguida.
Dez minutos transcorreram antes que ele encontrasse o recibo do mdico, triunfante.
Dr. Stanley Lopez - ainda por cima um mexicano nojento - e a conta era por um 
primeiro exame geral.
O nico recibo. No havia outros, porque Nan pagara em dinheiro ou talvez porque ele 
cobrara em trepadas. Que injees ela estava tomando!
Tendo na mo o recibo, no qual constava o endereo do dr. Lopez, Zecca voltou a seu 
Cadillac e seguiu para o centro de Hillsdale.
Quinze minutos depois Zecca parou na frente de um prdio de consultrios de seis 
andares, com um estacionamento subterrneo. Ele desceu a rampa, deixou o Cadillac 
com um manobreiro, encontrou o nome do dr. Lopez no quadro ao lado dos elevadores 
e subiu.
Saltou no quarto andar.
A porta de vidro fosco logo  direita do elevador informava: Stanley M. Lopez, M.D. 
Zecca empurrou a porta, com os punhos cerrados, entrando na luxuosa sala de recepo, 
on
de uma atraente garota latina estava ocupada em algum servio burocrtico.
Ela ficou aturdida ao olhar para Zecca.
Ele calculou que sua fria devia transparecer em seu rosto e fez um esforo para se 
controlar.
- O que deseja? - perguntou a recepcionista.
- Quero falar com o dr. Lopez sobre... sobre minha esposa.
- Ela  uma cliente?
- E regular.
- O nome, por favor?
- Zecca - respondeu ele, automaticamente, para logo em seguida corrigir: - No. Ela 
gosta de usar o nome de solteira. Seu nome... o nome de minha esposa  Nan 
Whitcomb. Ela tinha consulta marcada com o dr. Lopez hoje.
A recepcionista latina franziu a testa.
- Lamento, mas isso no  possvel. O dr. Lopez no tem nenhuma consulta marcada 
para hoje, pois est dirigindo um seminrio na universidade. Tem certeza de que sua 
esposa  uma cliente que vem aqui com freqncia? No estou me lembrando do nome.
- Claro que tenho certeza - disse Zecca, sombriamente, enfiando a mo no bolso do 
palet para tirar o recibo. - D uma olhada nisto.  o recibo de uma conta que ela pagou.
A recepcionista pegou-o, examinou-o com uma expresso de perplexidade, depois 
levantou-se devagar e foi a um arquivo no final da sala. Agachou-se, abriu a ltima 
gaveta, verificou os indicadores e tirou uma pasta de papel pardo.
- Tem razo, senhor. Temos uma ficha em nome de 'Whitcomb, Nan'. Vamos dar uma 
olhada.
Ela voltou sem pressa para o balco, abrindo a pasta e estudando o contedo. Levantou 
a cabea subitamente, sorrindo para Zecca.
- Creio que est tudo esclarecido agora. Eu estava certa. Sua esposa no  uma paciente 
regular do dr. Lopez. Ela procurou-o apenas uma vez, para um exame geral. Foi 
encaminhada pelo dr. Freeberg. Ele sempre manda seus pacientes para o dr. Lopez 
efetuar um exame geral, antes de comear a trabalhar.  o dr. Freeberg que deve 
procurar para qualquer consulta.
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- Dr. Freeberg? Nan nunca falou dele.
A recepcionista hesitou, percebendo a expresso irada de Zecca.
- Talvez seja porque ela  tmida. Quase todas as esposas so, em casos assim.
- Que casos?
- A visita a um terapeuta sexual. O dr. Arnold Freeberg  um terapeuta sexual que dirige 
a Clnica Freeberg, na Market Street. A cerca de cinco minutos daqui. Sua esposa deve 
ser paciente l. Tenho certeza de que o dr. Freeberg ter o maior prazer em receb-lo.
- Tambm tenho - disse Zecca. - Dr. Arnold Freeberg, no  mesmo?
- Exatamente. Dr. Arnold Freeberg. Quando deixar o nosso prdio, vire a esquerda e 
depois  direita, no primeiro quarteiro. E a Market Street. Pode ir a p, em dez ou 
quinze minutos. Se for de carro, levar menos de cinco minutos. Escreverei o endereo 
da Clnica Freeberg.
Pondo no bolso o carto, Zecca murmurou um agradecimento e se retirou. Esperando o 
elevador, ele fervilhava de raiva.
Ento Nan, sua pequena sacana, estava se metendo com um terapeuta sexual, o que quer 
que isso significasse. Ele nem precisava adivinhar. Tinha certeza. O dr. Freeberg, um 
judeu com toda certeza, estava trepando com ela todos os dias. E Nan estava adorando. 
Um tratamento e tanto.
Pois muito bem, Zecca disse a si mesmo, enquanto as portas do elevador se abriam, ele 
teria um tratamento mais permanente para os dois, quando os pegasse. Faria picadinho 
do tal doutor. E levaria Nan para casa numa coleira e a manteria l, de costas, que era a 
sua posio, at que ela apreciasse o que tinha.
A primeira providncia era descobrir onde o tal de Freeberg escondera a sua Nan. Tinha 
de surpreend-los em flagrante. E saberia ento o que fazer com os dois.
Saindo do elevador, ele j sabia qual seria seu prximo passo.
Transformar Freeberg em picadinho era bom demais para o filho da puta. Devia comer 
o filho da puta - ou mandar
que um dos homens que lhe deviam fazer isso. Era a soluo.
Olho por olho, como dizia o Livro de Deus.

O telefonema de Roger Kile, que se apresentara como o advogado do dr. Arnold 
Freeberg, em Los Angeles, foi recebido no gabinete do promotor pblico de Hillsdale, 
Hoyt Lewis, s onze e quinze daquela manh.
Lewis especulara durante toda a semana se o telefonema seria dado pelo prprio 
Freeberg ou por seu advogado, e qual seria a deciso. Sabia agora que Freeberg 
contratara um advogado para procur-lo. E logo saberia qual fora a deciso de Freeberg.
- Estou ligando para falar sobre o ultimato que apresentou a meu cliente, dr. Arnold 
Freeberg - disse Kile. - Como advogado do dr. Freeberg, tenho poderes para discutir o 
assunto em seu nome.
- No sei se h muita coisa para se discutir, sr. Kile - disse Hoyt Lewis, friamente.
- Talvez no. Ao mesmo tempo, para ter certeza de que meu cliente entendeu direito o 
ultimato, eu agradeceria se repetisse os termos de sua proposta. Eu gostaria de ouvir, em 
suas prprias palavras, o que disse ao dr. Freeberg quando o visitou.
- Terei o maior prazer em atend-lo. Posso presumir que tenciona registrar exatamente o 
que eu disse ao dr. Freeberg?
- Isso mesmo, senhor.
- Muito bem. Em meu nico encontro com o dr. Arnold Freeberg, informei-o que 
investigara sua prtica de empregar suplentes sexuais, principalmente femininas, para 
coabitar com homens mediante pagamento. Eu lhe expliquei que, pelas evidncias 
disponveis, seu atual trabalho como terapeuta estava incurso na lei que considera o 
lenocnio como um crime. Disse tambm que suas suplentes sexuais enquadravam-se na 
lei que considera a prostituio como um crime. E que se ele fosse processado e 
condenado, podia pegar uma sentena de at dez anos de priso, enquanto a suplente 
sexual acusada poderia ser condenada a meio ano de priso.
- E depois ofereceu um acordo a meu cliente - disse Kile.
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- Isso mesmo, um acordo, por esprito de generosida
de. O dr. Freeberg no tem antecedentes criminais, seria um
ru primrio... no conta a confrontao com meu colega em
Tucson... e na convico de que ele no compreendera direi
to a lei da California, ofereci-lhe outra oportunidade. Infor
mei a ele, dr. Kile, que podia evitar quaisquer acusaes
criminais se suspendesse o uso de suplentes sexuais e limitasse
sua prtica apenas s atividades de um terapeuta licenciado.
Por outro lado, se ele resolvesse ignorar minha oferta, insis
tindo em continuar operando como vem fazendo, eu pediria
sua priso preventiva e o processaria.
- Quero deixar uma coisa bem clara e ser bastante franco - declarou Kile. - Quando 
resolvi assumir a defesa do dr. Freeberg e suas suplentes sexuais eu no estava muito 
certo sobre o seu trabalho e a lei. Sabia que o dr. Freeberg era sincero e estava 
orientando as suplentes, mas havia uma possibilidade que me preocupava. A de que ele 
pudesse estar se encobrindo com seus conselhos e orientaes, e as mulheres no 
passassem de prostitutas disfaradas em suplentes sexuais. Decidi fazer uma pesquisa e 
conversei com diversas suplentes. Logo descobri que havia uma diferena qualitativa 
entre uma suplente sexual e uma prostituta. Estou hoje convencido, em termos morais e 
legais, de que no resta a menor dvida de que a suplente sexual e a prostituta so 
qualitativamente diferentes. Freeberg e suas suplentes dedicam-se a curar. O proxeneta 
e suas prostitutas no passam de exploradores. Todo promotor da California e Nova 
York reconhece essa diferena, e  por isso que nunca houve, em 25 anos, uma ao 
judicial contra um terapeuta e uma suplente sexual.
- Principalmente porque o clima moral neste pas no se deteriorara tanto quanto agora - 
protestou Hoyt Lewis. - Est no momento em seu ponto mais baixo, e quero pr um 
paradeiro a isso. O processo de limpeza precisa comear em algum lugar, e resolvi que 
ser aqui. Repito: no vejo nenhuma distino clara entre um proxeneta e suas 
prostitutas e um terapeuta sexual e suas suplentes sexuais. Este caso provar que estou 
certo. E quando eu acabar, nenhum estado da Unio permitir o uso de suplentes 
sexuais.
- Mas no reconhece que uma vasta diferena na moti
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vao e comportamento separa uma suplente sexual feminina de uma prostituta comum? 
- insistiu Kile.
A voz de Hoyt Lewis endureceu:
- No reconheo nada disso e devo dizer que estou a par dos argumentos. O dr. Freeberg 
apresentou-os com muito eloqncia. Na minha opinio, eles no so vlidos e no 
resistiro num tribunal. Uma suplente sexual feminina  to ilegal quanto uma vigarista 
que circula pelas ruas...
- Sr. promotor pblico - interrompeu-o Kile -, creio que a suplente sexual  
secundariamente licenciada, nos termos da lei. Afinal, ela opera com a orientao 
permanente de um terapeuta licenciado, na qualidade de sua assistente.
- Lamento, sr. Kile, mas eu discordo. As suplentes sexuais do dr. Freeberg, por 
instigao dele, esto desempenhando atos sexuais mediante pagamento. So prostitutas 
disfaradas. No permitirei isso em Hillsdale. - Ele fez uma pausa. - No vejo sentido 
em continuar este debate. Ofereci ao dr. Freeberg uma oportunidade justa. A liberdade 
para continuar a exercer sua profisso em Hillsdale sem o uso de suplentes sexuais, ou 
uma ao judicial por lenocnio e prostituio, se ele insistir no que est fazendo. Posso 
presumir que me telefonou para comunicar a deciso?
- Isso mesmo.
- E qual  a deciso?
- Como advogado do dr. Arnold Freeberg, estou autorizado a declarar que ele 
continuar sua prtica, com o uso de suplentes sexuais, pois est agindo dentro da lei.
Hoyt Lewis no esperava que fosse essa a deciso. Calculara que Roger Kile lhe 
apresentaria os dbeis argumentos em nome de seu cliente, a fim de faze-lo pensar duas 
vezes em relao ao processo, mas depois, na hora de pagar para ver, recuaria e aceitaria 
o acordo. Aquilo era melhor do que ele esperara.
- Est dizendo que o dr. Freeberg continuar a usar as suplentes sexuais? - Lewis sentia-
se estranhamente exultante. -  essa a deciso?
- Exatamente.
Lewis sentiu vontade de dizer: "O funeral  seu", mas sabia que estava sendo gravado e 
por isso absteve-se, limitando-se a comentar:
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- Lamento muito. Creio que no h mais nada a acrescentar, a no ser... voltaremos a 
nos falar no tribunal.
- Se tiver uma base para um processo - ressaltou Kile, suavemente.
- Posso lhe assegurar, sr. Kile, que tenho muita base.

Uma hora depois o promotor pblico estava com o reverendo Josh Scrafield sentado no 
outro lado de sua mesa.
- Detesto interromper seu dia de trabalho, sr. Scrafield, pois sei que  um homem muito 
ocupado. Mas como se trata do problema de Freeberg e suas suplentes sexuais...
- No h nada que me preocupe mais do que esse problema. Esse charlato est 
contaminando nossa comunidade.
- Ofereci um acordo a Freeberg, como sabe. Seu advogado acaba de me telefonar para 
comunicar a deciso.
- E qual foi? - indagou Scrafield, ansioso, inclinandose para a frente.
- O dr. Freeberg decidiu ignorar minha oferta. Tenciona continuar a usar as suplentes 
sexuais.
- Ele vai prosseguir em sua srdida prtica? - disse Scrafield, com uma satisfao 
evidente. - Vai continuar?
- E ns tambm vamos continuar - declarou Lewis, com toda calma. - Vamos indici-lo 
e process-lo com toda a fora da lei.
O reverendo Scrafield passou a lngua pelos lbios.
- Lenocnio e prostituio - murmurou ele, meio para si mesmo. - No pode perder, sr. 
promotor pblico. Comearemos a levantar o maior clamor no momento em que nos der 
o sinal verde. Vai ganhar o caso e desfrutar todos os benefcios e vantagens da vitria.  
a melhor coisa que poderia nos acontecer. O caso contra Freeberg  lquido e certo.
Hoyt Lewis acenou com a cabea.
- Tambm penso assim e  por isso que vou process-lo. Mas tudo vai depender da 
testemunha que me trouxe.
- Chet Hunter? No se preocupe com ele. Est registrado como paciente de Freeberg e 
todos os dias se encontra l na clnica ou em algum outro lugar com uma mulher 
chamada Gayle Miller.
- E esto fazendo tudo?
- Chet Hunter me garante que sim. No o vejo pessoalmente desde que estivemos juntos 
aqui, mas mantemos contato -por telefone.
- Espero que ele esteja mantendo um registro de suas... h... atividades dirias.
- Est, sim. Ele mantm um dirio, pe tudo no papel.
- Excelente! - exclamou Lewis. - Este  o momento de nos encontrarmos de novo com 
Hunter e descobrir o que ele tem para ns.
Lewis levantou-se por trs da mesa, antes de acrescentar:
- Ainda h uma coisa que precisa ser determinada, uma verdade que devo ter: a certeza 
de que eles esto mesmo fazendo o intercurso sexual. Isso  fundamental. Com essa 
informao, estamos a caminho. Indiciarei Freeberg e a srta. Miller imediatamente. At 
l, devemos esperar. Assim que Hunter nos informar que o intercurso ocorreu, 
entregando a gravao da sesso paga, vamos iniciar o processo. Ele est usando um 
gravador, no  mesmo?
- Claro que est. Ele sabe de tudo sobre essas coisas.
- Precisarei da confirmao gravada para apoiar o depoimento de Hunter no tribunal. - 
Lewis pareceu um pouco preocupado. - Ele pode conseguir? Como est fazendo?
- Hunter usa um gravador em miniatura ativado pela voz em suas pesquisas. Fica 
escondido no bolsinho do palet. Pode captar cada palavra, cada som.
Lewis ficou aliviado.
- No precisarei de mais nada. Assim que Hunter registrar a sesso de intercurso em seu 
dirio e tiver a gravao, deve inform-lo, e voc me avisar no mesmo instante. 
Providenciarei a priso e a denncia de Freeberg e da srta. Miller. Entre em contato com 
Chet Hunter o mais rpido possvel e descubra em que estgio ele se encontra.
O reverendo Scrafield tambm se levantou, sorrindo.
- Se Chet estiver em casa, eu o verei imediatamente. Parabns, sr. Lewis. Como muito 
bem disse... estamos a caminho.

Meia hora depois o reverendo Scrafield estava instalado na poltrona surrada e 
desconfortvel no apartamento de Chet Hunter, contemplando o ambiente acanhado 
com evidente repulsa.
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-  aqui que voc se encontra com ela? - perguntou Scrafield.
- Encontro com ela? - repetiu Hunter, da poltrona em frente. - Ah, sim, est falando de 
Gayle Miller.
- A prostituta de Freeberg com quem est envolvido. Ela vem aqui?
- No. Ela aluga uma casa... mais um chal, na verdade... a cerca de vinte minutos 
daqui.
- Talvez seja melhor me dar logo o endereo, para que Hoyt Lewis o tenha disponvel 
quando chegar o momento de prende-la.
Relutante, Hunter anotou o endereo de Gayle Miller num pedao de papel e entregou-o 
ao reverendo. Scrafield olhou para o que estava escrito.
- Onde fazem a coisa? No quarto?
- No, no  no quarto.  na sala de terapia. - Como?
- Uma sala extra que ela preparou para demonstrar os exerccios, meio escritrio, meio 
sala social, com um sof grande e uma esteira grossa no cho para se deitar.
- J trepou com ela?
- Bom... - Hunter hesitou. - Por que no l o que
tenho feito? - Ele pegou as folhas meticulosamente datilografadas que estavam em cima 
da mesa e entregou a Scrafield. - Venho mantendo um registro completo de todas as 
nossas atividades. Ao chegar em casa de noite, depois de um exerccio, escrevo um 
relato minucioso do que aconteceu. Datilografei mais trs pginas esta manh, e por isso 
o que tem nas mos  um relatrio atualizado. Sugiro que d uma lida, para
poder saber...
- Tudo o que me interessa saber  que nosso promotor pblico est ansioso para voc 
terminar logo o trabalho. Est to ansioso que me encarregou de procurar voc e 
descobrir
qual  a situao.
- Esse registro dos meus encontros com Gayle Miller poder dar a voc e ao promotor 
pblico uma viso ampla e completa de tudo o que est acontecendo.
- Muito bem, ento eu vou ler.
- Posso fazer um caf enquanto est lendo.
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Scrafield j comeara a ler.
- Caf  uma boa idia.
Hunter foi para sua cozinha mnima e demorou-se a fazer o caf, sentindo-se apreensivo 
com a leitura de Scrafield e preocupado com sua reao.
Finalmente voltou  sala com o caf e ps a xcara de Scrafield na mesinha ao lado da 
poltrona. Scrafield ignorou o caf, continuando a se concentrar na leitura. Hunter tomou 
seu caf, fingindo no perceber as reaes do visitante.
Mais dez minutos se passaram antes que Scrafield terminasse a leitura e largasse as 
folhas em seu colo. Fitou o pesquisador com uma expresso fria.
- Chet, tenho de lhe dizer uma coisa... tudo isto no passa de um monte de besteiras.
- Como assim?
- No d em nada. Vou lhe explicar melhor. Li certa vez em algum livro que s um 
crime conta... no  roubar jias ou desviar dinheiro dos outros... o nico crime que 
conta  homicdio. O mesmo acontece neste caso. Quando se quer provar prostituio, 
as carcias no contam, mas apenas o intercurso sexual. E no encontrei em seus 
registros qualquer referncia a um intercurso sexual.
- Tudo o que escrevi  parte disso - protestou Hunter, na defensiva.
- No para mim, e tambm no ser para Hoyt Lewis. - Scrafield pegou de novo as 
folhas datilografadas e comeou a folhe-las. - O que temos aqui... carcia de mo, 
carcia de rosto, carcia nas costas, projeo do corpo, chuveiro, carcia frontal mas sem 
tocar nos seios ou rgos genitais, contato em torno dos rgos genitais e assim por 
diante. O que tudo isso soma? Um monte de nada. No tribunal, haver uma nica 
pergunta. Voc trepou com ela? E por que no trepou? Por que no trepa?
Hunter podia sentir o suor na testa.
- Como expliquei, entrei na terapia com a alegao de que tinha um problema.
- No h problema que uma boa foda no possa resolver. Est querendo dizer que no 
consegue levantar o pau com ela?
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- Claro que consigo. E isso tem acontecido.
- Ento o que o est impedindo?
- Apenas tento seguir as regras, sr. Scrafield. H regras
na terapia e  preciso obedece-las.
Scrafield estava visivelmente irritado.
- Quem est preocupado com regras? Voc tem essa mulher bonita... diz que ela  um 
espetculo... inteiramente pelada, de costas, mas em vez de meter fica de sacanagem. 
Ela est acostumada aos homens meterem, isso  mais do que evidente... afinal,  o seu 
negcio... portanto, meta o seu negcio nela.
Hunter estava agora suando muito. No queria dizer a Scrafield que tentara, e o 
resultado fora um fracasso. Tambm no queria discutir a tnica de aperto que Gayle 
julgara necessrio usar com ele.
- Estamos fazendo progressos - balbuciou ele. - Espero ter intercurso sexual com ela 
amanh. - Tem certeza?
-  o prximo exerccio em nossa agenda. - Pode me prometer?
Hunter engoliu em seco.
- Claro que posso.
A expresso fria de Scrafield se desmanchou num arremedo de sorriso. Ele levantou-se.
- Assim  melhor, meu rapaz. Saia agora e tire fotocpias de tudo isto, depois entregue 
no gabinete do promotor. E quando o fizer, garanta a ele que ter a prova gravada a 
qualquer momento agora.
- Depois de amanh.
- timo. Assim que o promotor tiver sua declarao de que vai depor no tribunal, 
poderemos entrar em ao, detendo Freeberg e Gayle Miller. - Scrafield afagou o ombro 
de Hunter. - J que est metido nisso, no deixe de ser divertir amanh... antes de 
tirarmos a mulher de circulao.

Despindo-se em seu quarto, enquanto Nan Whitcomb sentava nua na cama, 
contemplando-o com uma expresso de adorao, Brandon no pde deixar de 
concentrar-se no que tinha imediatamente pela frente. Sua mente estava apenas ocupada
por Gayle Miller e o comportamento estpido que ele tivera na noite anterior, ao deix-
la sem qualquer motivo. Sentia-se angustiado pela culpa, dominado pelo medo de haver 
encerrado um relacionamento florescente e perdido uma pessoa por quem estava 
sinceramente apaixonado. Queria apenas pegar um telefone em particular, ligar para 
Gayle, descobrir se ela estaria disposta a recebe-lo de novo.
Ele acabou de tirar as roupas. Sabia que Nan estava esperando por seu prximo 
movimento.
E sabia qual deveria ser.
Penetrao.
Brandon ficou imvel, com receio de continuar. Por um lado, com os pensamentos em 
Gayle, preocupava-se um pouco com a possibilidade de no alcanar uma ereo com 
Nan. Fitando-a nos olhos, porm, ele compreendeu que no era bem isso o que temia. 
Seu receio era a adorao naqueles olhos, o relaxamento que ela acabara de adquirir em 
sua presena. Se a relao fosse bem-sucedida e ambos desfrutassem a experincia, ele 
temia que Nan pudesse interpretar erroneamente como amor. E se isso acontecesse, 
seria um problema e tanto.
- Est pensando em alguma coisa? - indagou Nan, jovialmente.
- Apenas no que devemos fazer em seguida.
- E o que ser, Paul?
Ele deveria dizer a verdade ou recorrer a uma ttica de ganhar tempo, a fim de dispor de 
um prazo maior para decidir aonde poderia levar o intercurso sexual com ela?
Instintivamente, Brandon queria mais tempo para pensar na maneira como poderia 
manipul-la.
- Para dizer a verdade, Nan, acho que seria melhor para ns dois repetirmos o ltimo 
exerccio, s mais uma vez, a fim de verificar como ambos nos sentimos.
Ela no foi capaz de esconder seu desapontamento.
- Vamos fazer o toque genital outra vez? No deveria ser alguma coisa nova?
- No necessariamente. No foi to ruim assim na ltima vez, no  mesmo?
- Foi maravilhoso, Paul - ela se apressou em declarar. - Eu no me importaria.
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- Pode se largar, at ter um orgasmo de novo. No  nosso objetivo, mas no tem nada 
de errado, se voc sentir vontade.
- Sei que vou gostar... mas gostaria ainda mais se voc tambm tivesse um orgasmo. Na 
ltima vez, infelizmente, eu no lhe dei o mesmo prazer. Gostaria de deix-lo feliz 
tambm.
- Vamos ver o que acontece - murmurou Brandon, em tom neutro, indo para a cama.
Eles se ajeitaram no meio da cama, deitados de lado, de frente um para o outro, os olhos 
abertos. Pegando um vidro, Brandon aplicou leo no corpo de Nan, evitando a salincia 
vaginal. Depois, entregou-lhe o vidro e pediu a ela que aplicasse leo em seu corpo. Ela 
o fez, meticulosamente, desviando-se com extremo cuidado da rea genital. Ao final, no 
entanto, ele reparou que os seios de Nan subiam e desciam mais depressa. Queria que 
aquela sesso fosse lenta e prolongada, mas o desejo evidente de Nan de ser tocada 
dizia-lhe que no duraria tanto tempo quanto esperava.
- Muito bem, Nan, vamos continuar o exerccio. Quer que um proporcione prazer ao 
outro ao mesmo tempo, como fizemos na ltima vez, ou prefere que concentremos as 
sensaes em separado, revezando-nos?
- Vamos nos revezar - ela respondeu no mesmo instante. - Assim posso me concentrar 
melhor. Voc faz comigo primeiro e depois eu farei em voc. Importa-se?
- Claro que no. Na verdade,  sempre prefervel fazer em seqncia. Deite de costas, 
feche os olhos, entregue-se s suas sensaes.
- Est bem.
Ela se estendeu de costas, os olhos fechados, bem contrados, mas os braos e pernas 
inertes.
Inclinando-se sobre ela, Brandon comeou pela cabea, passando os dedos pelos 
cabelos, depois acariciando cada detalhe do rosto, descendo para os ombros. Os seios 
arfavam quando ele alcanou-os, os mamilos j estavam duros.
Enquanto lhe afagava a barriga, houve um som quase inaudvel. Ele pensou que podia 
ser um gemido. Seus dedos tocaram nos cabelos pbicos e deslizaram pelo boto visvel 
do clitris. Os joelhos de Nan levantaram, as pernas se abri
ram. Brandon compreendeu que nunca chegaria s coxas.
- Quero gozar        urmurou ela, suspirando.
Ele tinha a inteno de passar para as coxas, mas no seria possvel. Afinal, era uma 
sesso de prazer genital, e Nan no merecia ser privada disso.
Os dedos de Brandon passaram do clitris para a vagina e voltaram. Abruptamente, ela 
levantou os quadris acima da cama.
- Paul, Paul! - ela gritou. - Estou gozando!
Ele sabia disso e ajudou-a at o final.
Depois que o prolongado orgasmo acabou, ela arriou na cama, inerte, tentando 
recuperar o flego.
Brandon passou ento para as coxas, acariciando-as, desceu para as pernas. Ela se 
manteve imvel durante o resto do exerccio. Brandon disse a si mesmo que ela estava 
exausta demais para lhe proporcionar prazer da mesma forma, o que at certo ponto era 
um alvio. Porque ele no queria que seu corpo subvertesse a determinao que tomara 
de no se envolver demais com Nan. Subitamente, para sua surpresa, ela estava sentada, 
os olhos abertos.
- Obrigada, Paul - murmurou Nan, inclinando-se e beijando-o. - Queria que eu tivesse 
sensaes... pois eu tive, e foram intensas.
Ele estava com receio de perguntar quais haviam sido e por isso manteve-se em 
silncio. Ela empurrou-o para trs.
- Agora  a minha vez, Paul. Farei tudo com voc e espero que tenha as mesmas 
sensaes.
Ele ainda evitou dizer qualquer coisa. Limitou-se a deitar, obediente, fechou os olhos, 
cheio de apreenses.
E foi envolvido pelo contato das mos de Nan, em seu rosto, pescoo, peito.
- Voc  maravilhoso... doce e deslumbrante... - ele ouviu-a sussurrar.
Brandon fez um esforo para sentir que era Gayle quem estava lhe falando. Podia ver 
Gayle nua e magnfica, como na noite anterior... e no instante seguinte percebeu o que 
estava lhe acontecendo.
O pnis intumescido estava subindo, cada vez mais duro.
No havia como cont-lo. Ele no tinha a menor possibilidade de se controlar.
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A mo de Nan envolveu sua rigidez, eficiente, experiente, perfeita, perfeita, perfeita.
Brandon no sabia quantos minutos haviam transcorrido. Talvez cinco ou seis. Talvez 
mais. Mas parecia uma eternidade de prazer e ele queria apenas a descarga suprema.
- Eu... eu... eu...
A mo de Nan deslocava-se mais depressa. - Eu sei, querido.
A mo cobriu o topo do pnis e ele gozou e gozou e gozou.
A prxima coisa de que ele teve conhecimento foi a sensao do corpo flexvel de Nan. 
Compreendeu que ela estava deitada ao seu lado, abraando-o.
E seus olhos o fitavam com ateno.
- Voc foi maravilhoso, Paul, simplesmente maravilhoso...
- Voc tambm.
- Eu me senti mais chegada a voc do que nunca.
- Eu esperava que isso acontecesse.
Brandon olhava para o teto, e ela se manteve em silncio
por algum tempo, mas acabou murmurando:
- Paul, tem uma coisa que eu preciso lhe contar.
Ele no tinha certeza se queria ouvir. Especulou o que
poderia ser. Acenou com a cabea.
- Deixei Tony Zecca - disse ela, como se estivesse lhe oferecendo um presente. - No 
podia mais agentar e fui embora ontem  noite, enquanto ele dormia.
Brandon estava alerta agora, apoiado num cotovelo.
- Voc o deixou?
Ela soltou Brandon.
- Como voc sugeriu.
- Mas eu... - Ele no sabia o que dizer. - Para onde foi? - Telefonei para voc, a fim de 
perguntar se podia su
gerir um hotel, mas no estava em casa. -  verdade.
Ele se lembrou que estava com Gayle e a deixara bruscamente. Oh, Deus, que idiotice!
- Liguei para o dr. Freeberg em casa, e ele foi bastante gentil para me arrumar um 
quarto no Hotel Excelsior, que fica perto da clnica.
204
- Fico contente por isso. - Ele sentou na cama, e Nan
tambm sentou. - O que voc vai fazer para ganhar dinheiro?
- Tenho o suficiente para viver por algumas semanas.
E, depois, terei de arrumar um emprego.
- Estou certo que vai conseguir.
Ele comeou a sair da cama, perturbado.
- Paul...
Ele virou-se para fit-la.
- O que ?
- ...se voc quiser, posso passar a noite aqui. Gostaria?
- Claro que gosto de sua companhia - respondeu ele, sem a menor hesitao -, mas no  
permitido, Nan. Eu perderia o emprego se o dr. Freeberg descobrisse. E mesmo que eu 
quisesse violar os regulamentos, esta noite no poderia. Tenho outro... outro 
compromisso.
- H...
O desapontamento de Nan era evidente.
- Lamento muito, mas voltaremos a nos encontrar amanh de tarde, para o prximo 
exerccio.
- Tem razo. No vou esquecer. - Ela parecia muito animada. - Qual ser?
A palavra saiu com dificuldade.
- Penetrao. - Uma pausa e ele se apressou a acrescentar: - Isto , se voc achar que j 
est em condies.
Nan sorriu.
- Posso fazer qualquer coisa com voc, Paul... qualquer coisa.
Poucos minutos depois de Nan se vestir, abra-lo e deixar o apartamento, Brandon 
estava ao telefone, torcendo para encontrar Gayle em casa.
Teve sorte, pois ela estava.
- Sou eu, Paul, com o chapu na mo. Quero me desculpar por meu comportamento 
ontem  noite, Gayle. Fui um idiota.
- Fico contente que tenha ligado - disse ela, muito sria. - Estive pensando em ns 
durante o dia inteiro. Quase telefonei para voc. Acho que tambm no me comportei 
direito. No fui muito sensvel. E queria lhe dizer isso.
- Quando posso tornar a v-Ia, Gayle? Quanto mais ce do, melhor.
205

- Tambm quero ver voc. Por que no vou ao seu apartamento?
- Quando?
- S posso ir depois do jantar. Prometi que comeria al
guma coisa com duas outras suplentes. Posso chegar a por
volta das dez horas.  muito tarde? - Nunca  tarde demais.
- Estarei a. D-me o endereo. Estou ansiosa em vlo, Paul... juro que estou.
Chegando ao apartamento, Gayle foi recebida por Brandon com um abrao e beijos. 
Recuando, ela correu os olhos pela sala, comentando:
- Nada mal, para um suplente sexual masculino lutando para ganhar a vida. Gosto 
dessas litografias de Giacometti nas paredes.
- Tento fazer o melhor possvel. - So autnticas?
- Quem tem condies de possuir autnticas? So re
produes. Fico contente por ter voc aqui, Gayle.
Ela enfiou a mo na bolsa e tirou alguma coisa.
- Trouxe um presente, uma oferenda de paz - disse ela,
sorrindo. - Creio que j fizemos as pazes, mas eu gostaria
que voc aceitasse assim mesmo.
- O que ?
Entregando o embrulho, ela explicou:
- Uma chave de minha casa. Quando marcarmos nosso prximo encontro, e voc chegar 
antes de mim, pode entrar e se aprontar. - Gayle gesticulou para o roupo felpudo que 
ele usava. - Estou vendo que voc j se aprontou. O que tem por baixo?
- Apenas eu. Sem camuflagem.
- E melhor eu tratar de alcan-lo. - Ela deu-lhe um
beijo de leve. - Onde  o quarto? Paul levou-a para o quarto.
- Fique  vontade.
Ela estudou o quarto.
- Voc costuma us-lo?
- Para qu?
206
- Para sua paciente. Eu uso uma sala de terapia espe
cial. Reservo minha cama para algum como voc
- Mas  aqui que eu fao os exerccios com ela. Gayle comeou a desabotoar a blusa.
- Como est indo com ela... qualquer que seja seu nome? - Nan.
- Est fazendo algum progresso com Nan?
- Espero que sim. Ela sofria de vaginismo. Tenho a im
presso de que est relaxando um pouco.
Gayle tirou a blusa.
- Mas ainda no sabe com certeza. - Saberei depois da prxima sesso.
- Penetrao? - indagou Gayle, baixinho.
- Isso mesmo. Mas h um problema que me deixa um
pouco nervoso. - Ele franziu a testa. - No sei como
manipul-lo.
- Qual  o problema?
- Para ser franco, creio que a paciente est se apaixo
nando por mim. Ela largou o namorado... no foi grande coi
sa, pois ele era um filho da puta... e hoje ela se ofereceu para
vir morar comigo.
-  impossvel, Paul.
- Foi o que eu disse a ela.
Gayle estendeu as mos para trs, a fim de tirar o suti.
- E o resto tambm. No pode permitir que um pacien
te se apaixone por voc.
- Pode ter certeza de que no a estou encorajando. Ain
da assim, posso perceber que est acontecendo. O que me deixa
constrangido. Ela  uma mulher simptica, e no sei como li
dar com a situao.
- Ser que voc no est sendo bastante profissional?
- Estou tentando, Gayle.
- Talvez no seja suficiente. Talvez sinta pena dela e es
teja se envolvendo demais. - Gayle fez uma pausa. - Como
a sua Nan deixou o namorado?
- No posso dizer que objetei. Na verdade, talvez at
a tenha estimulado. Pelo que ela conta, o homem  um verda
deiro animal. E pode ser a causa de seu problema. Seja como
for, ela abandonou-o.
207

Gayle ainda no tirara o suti.
- Porque voc a encorajou? Paul, tenho a impresso de que voc no est agindo da 
melhor maneira. Talvez seja melhor informar tudo ao dr. Freeberg.
- O que ele poderia fazer?
Gayle respondeu com firmeza:
- Tiraria voc do caso. Conhecendo o dr. Freeberg como eu conheo, sei que ele nunca 
permitiria que houvesse um envolvimento emocional entre suplente e paciente.
- No sou eu quem est envolvido - disse Brandon, paciente. -  Nan.
- Ento  Nan, mas voc deixou que ela se apaixonasse por voc, sem tomar 
providncias para impedir. O dr. Freeberg no permitiria que isso acontecesse e 
certamente no vai deixar que continue. J conversou com ele a respeito?
- No.
Gayle chegou mais perto de Brandon.
- Deve contar a ele.  seu dever contar a ele. - Acha mesmo que ele me tiraria do caso?
- Levaria apenas dez segundos para tomar essa deciso. - Mas a terapia ainda no est 
concluda. - Ele arrumar outro para termin-la. - Sou o nico suplente masculino neste 
estbulo, Gayle. - Posso garantir que ele arrumar outro. Brandon sacudiu a cabea.
- No gosto disso. Eu sair do caso e outro entrar pode mago-la muito.
- O dr. Freeberg saberia contornar a situao. Deve a si mesmo, Paul, a Freeberg e a ela, 
relatar tudo o que est acontecendo.
Brandon deu de ombros.
- Acho que voc tem razo. Fico um pouco triste por ter de fazer isso, mas no h outro 
jeito.
- Assim est melhor - disse Gayle, jovialmente. - E aqui est uma coisa que talvez o 
anime.
Ela tirou o suti, e os seios quase saltaram em cima de Brandon. Passando um brao em 
torno dela no mesmo instante, ele inclinou-se e beijou os mamilos, murmurando:
- Voc  fantstica...
208
Ele recomeou a beijar e lamber os seios, puxando-a en
quanto o fazia. Gayle comprimiu-se contra ele por um instante
e depois afastou-se.
- Ei, vamos com calma! No estou sentindo nada... de
voc. Tire o roupo.
Ele atendeu e os dois olharam para o penis flcido. - Qual  o problema, meu querido? - 
indagou Gayle.
- No est com vontade?
- Claro que estou com vontade. Acontece apenas... Gayle fitava-o nos olhos, 
atentamente. - Acontece o que, Paul?
- No vou mentir para voc. O fato  que tive um or
gasmo antes, mas d-me um pouco de tempo...
As mos de Gayle subiram, cobrindo os seios.
- Voc teve um orgasmo... quando estava com Nan?
- disse ela, incrdula. - Com Nan?
- Deixe-me explicar, Gayle. Estvamos fazendo o pra
zer genital sem demanda...
- E que prazer!
- Estvamos nos acariciando, de acordo com as regras...
e escapou um pouco ao controle... ela teve um orgasmo quando
estava comigo ontem... queria que eu tivesse tambm... e por
isso...
- E voc deixou que ela fizesse o que desejava! - Eu no queria, mas no pude evitar.
- Uma ova que no podia! O que voc queria era que
a mulher que o ama o fizesse feliz, talvez porque a ame tambm!
- Pare com isso, Gayle. Juro que voc est longe da ver
dade. No me importo com ela...
Gayle pegou o suti e tornou a p-lo.
- E eu no me importo com voc! Deixa que outra mu
lher o faa gozar e agora espera que eu entre na fila e a acom
panhe. - Ela vestiu a blusa. - De jeito nenhum, meu amigo!
Nem em um milho de anos!
Brandon agarrou-a pelos braos.
- Dou a minha palavra de que no h motivo para ter
cime, Gayle.
- Quem est com cime? Sou apenas uma antiquada mo
ngama. Um homem, uma mulher. E assim que tenciono le
209

var minha vida. No preciso de um polgamo para estragar tudo. Quanto a voc, esta 
noite pode se divertir consigo mes
mo! Boa noite!
E, com isso, Gayle Miller saiu do quarto e do apar
tamento.
Para Gayle, fora uma noite terrvel.
Voltara para casa e deitara, mas no conseguira dormir. Fantasias sobre a ligao - s 
podia imaginar como urna ligao amorosa, no como sesses teraputicas - que Paul 
estava tendo com a mulher chamada Nan povoaram sua mente. Gayle no tinha a menor 
idia de como a tal Nan se parecia ou como se comportava, mas repetidamente 
conjurava uma mulher jovem, mais atraente do que ela e mais espontnea na maneira 
como se entregava.
Deitada na cama, tentando encontrar o sono, Gayle fora totalmente envolvida pelas 
fantasias. Os rgos genitais de Nan eram lindos, perfeitos, mais adorveis do que os 
seus. Paul os idolatrava. Talvez os orgasmos de Nan fossem melhores do que os seus, 
assim como o orgasmo que ele experimentara sob a sua induo eficiente. No havia a 
menor possibilidade de Gayle competir com um amor assim.
Enquanto a noite avanava, Gayle tentou banir as fantasias e substitu-las pela razo. A 
tal Nan no era uma mulher normal, como ela. Nan se encontrava com Paul porque 
precisava ser tratada por coisas suas que estavam erradas. Gayle no tinha essas coisas 
erradas. Paul gostava de Nan, importava-se com ela, como no podia deixar de ser, mas 
j declarara seu amor total por Gayle.
Suas fantasias no tinham o menor sentido, ela concluiu. Sabia que no era assim. Amor 
e carinho no estavam entre as pernas, mas sim no corao. Paul a amava do seu 
corao, assim como ela tambm o amava. O problema no estava em Nan ou em Nan e 
Paul, mas sim em seu cime. Isso mesmo, Paul significava bastante para ela para faze-la 
sentir cime, se entregasse qualquer parte de seu corpo a outra mulher. Por suas sesses 
anteriores com o dr. Freeberg, Gayle sabia que o cime derivava de uma insegurana 
bsica, era uma questo teraputica que ela imaginava j ter superado. Era irrea
lista esperar um relacionamento completamente mongamo. Porque a monogamia total 
no podia existir. Os homens olhavam para outras mulheres, e as mulheres olhavam 
para outros homens. Tanto homens como mulheres flertavam e podiam at ir mais 
longe, mas isso no invalidava o amor predominante por um parceiro. Paul podia ter 
alguma coisa menor com Nan, mas mantinha Gayle em seu corao, como a mulher que 
mais amava.
Depois de pensar em tudo isso, ela sentiu-se mais  vontade e sonolenta. E, finalmente, 
pouco antes do amanhecer, conseguiu pegar no sono.
Quando ela acordou, o sol forte brilhando por trs das cortinas, e olhou para o relgio 
na mesinha-de-cabeceira, compreendeu que dormira demais. No muito, mas sempre 
fora de levantar cedo. Depois que a cabea se desanuviou, ficou contente por ter posto o 
sono em dia. Precisava de descanso, porque precisava de toda a sua fora.
Tinha um dia difcil pela frente. Primeiro, Adam Demski, ao final da tarde. Depois, 
Chet Hunter, ao anoitecer. O exerccio marcado para ambos era o de penetrao inicial. 
Era crucial e importante.
Mas, ela lembrou a si mesma, era tambm importante acertar as coisas com Paul 
Brandon.
Gayle sabia que, de um modo geral, ele dormia at tarde. Assim, era bem possvel que 
ele ainda estivesse em casa.
Ela sentou na cama, ps o telefone no colo e discou para Paul. Felizmente, ele atendeu, 
depois de uns poucos toques da campainha. A voz estava engrolada de sono.
- Paul, sou eu, Gayle. Eu o acordei?
- Acordou. Mas estou contente que o tenha feito. Eu...
- Quero lhe dizer logo uma coisa, Paul. Peo desculpas. Comportei-me como uma idiota 
ontem  noite. Posso agora admitir o motivo para isso. Eu estava mesmo com cime. 
Um cime incontrolvel. E acho que no havia razo nenhuma para isso. Estou certa?
- Gayle, eu amo voc mais do que qualquer outra pessoa ou outra coisa no mundo.
- Eu tambm amo voc, Paul. Pode vir aqui esta noite? Tratarei de compensar tudo.
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211

- Mal conseguirei esperar.
- s nove e meia, Paul. Tambm estou ansiosa.

Eles estavam estendidos na esteira, juntos, ambos nus. Gayle soergueu-se, apoiada num 
cotovelo, decidiu ser direta com Adam Demski.
- Se est especulando qual  o prximo exerccio, Adam,  a penetrao.
Ela percebeu a preocupao se insinuar no semblante de Demski. E acrescentou, 
descontrada:
- No ser a nica tentativa, Adam. Haver outra, talvez mais duas. No quero que fique 
nervoso e comece a se encarar como algum que est obrigado ao desempenho.
- Acha que posso conseguir?
- Sinto que pode.  por isso que vamos fazer o exerccio. Eu serei a parceira dominante, 
ficando por cima. O exerccio  chamado de envolvimento e penetrao suave.
- Envolvimento? O que  isso...?
- Vou explicar, Adam. A maioria dos homens pensa que para realizar o intercurso  
preciso ter uma ereo dura como pedra. Mas isso no  verdade... no  absolutamente 
verdade.
- No ?
Gayle continuou, com uma expresso compenetrada:
- Vou lhe revelar um segredo, Adam. O intercurso pode ser consumado com um pnis 
quase flcido. Se voc tem apenas cinco por cento de crescimento, no cem por cento, j 
 suficiente. Quase todos os homens preferem a chamada posio missionria, eles por 
cima, porque  mais machista. Mas neste exerccio, eu ficando por cima, poderei 
orientar e controlar melhor o que vai se seguir. Nessa posio, posso aproveitar a fora 
da gravidade, ao invs de lutar contra ela. Comearemos com essa penetrao suave. Na 
prxima vez ou depois, teremos a penetrao mais dura, com voc por cima e 
arremetendo. Mas, desta vez, eu  que fico por cima.
- No sei...
- Eu sei, Adam. Sei que voc j resolveu o problema de sua impotncia, porque eu vi. 
Sei que pode experimentar prazer, sentir-se sensual, deixar-me satisfeita. No vamos 
ficar solenes e sombrios. Deve ser uma coisa alegre, divertida.
pedirei a voc para me beijar os seios, passar as mos por meu corpo. Depois, eu vou 
acarici-lo todo, inclusive os rgos genitais. E direi quando voc estiver pronto.
A resignao desapareceu do rosto de Demski e foi substituda pelo interesse e 
curiosidade. Gayle recostou-se no travesseiro.
- Adam, acaricie meus seios, beije-os, acaricie todo o meu corpo.
Ele ergueu-se um pouco e ps-se a atender o pedido.
Depois de alguns minutos dessas preliminares, Gayle empurrou-o com delicadeza, 
fazendo-o deitar de costas. Comeou a passar os dedos por seu rosto, peito, pelas coxas, 
finalmente alcanou os testculos, acariciou o pnis.
Pde sentir o pnis inchando, no para uma posio plenamente ereta, mas sem 
qualquer dvida aumentando. J era suficiente, concluiu Gayle.
- Fique quieto, Adam, e no se mexa.
Graciosamente, ela montou-o, pegando o pnis mal intumescido entre os dedos de uma 
das mos e dirigindo-o para a vagina. Bem devagar, comeou a enfiar o pnis na vulva. 
Podia sentir a pequena haste dentro de si.
- Lembra-se do relgio, Adam? Quando usou o dedo dentro de mim? Agora  seu pnis 
que est dentro de mim.
- No tenho certeza se estou mesmo dentro de voc.
- Vou provar que est. - Gayle contraiu os msculos internos da vagina. - Sentiu isso?
- E como!
- No se mexa, Adam, no tente arremeter ou se desempenhar. Este exerccio visa 
apenas a provar que voc pode entrar em mim. O verdadeiro objetivo no  o 
desempenho, mas acostum-lo  idia de que  bastante potente para me penetrar, para 
enfiar o pnis na vagina de uma mulher, numa situao no-ameaadora, no-exigente. 
A idia  faze-lo saber que pode ter ereo suficiente para entrar em uma mulher e 
manter essa ereo dentro dela. Como se sente?
- Muito bem.
Embora tentasse ensinar aos pacientes para no se desligarem, Gayle tentava se desligar 
ao mximo nesses momentos. Queria ser uma espectadora da reao do paciente.
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Eles ficaram imveis por algum tempo. Dentro da vulva, ela pde sentir o pnis 
amolecer e recuar um pouco.
Para que ele no perdesse o que j conquistara, a fim de que sua confiana no fosse 
solapada, ela disse, suavemente:
- Muito bem, Adam, voc pode mexer um pouco, se quiser.
- Eu quero.
- Pode comear. Para a frente e para trs, algumas vezes. Pode fazer com que voc goze. 
Se isso acontecer, no se preocupe. Ser natural.
Gayle fechou as coxas por cima, enquanto ele comeava a se mexer em sua vagina. Por 
um instante, sentiu o pnis tornar-se mais rgido, e Demski se mexeu mais depressa, 
gozando em seguida, com gemidos de prazer.
Mais tarde, depois que ele tomou um banho de chuveiro e vestiu-se, Gayle, com um 
chambre, acompanhou-o at a porta. Ali, ele virou-se e beijou-a de leve no rosto.
- Acho que voc conseguiu que eu fizesse. Ou conseguiu mais ou menos.
- Voc se saiu muito bem, Adam, est aprovado. De um a cinco, chegou a quatro. - Ela 
beijou-o de leve tambm. - Na prxima vez, tente algo mais.
- Um cinco?
- Adam, prometo que ser um cinco.

Depois de se lavar e tomar um banho, Gayle ps um chambre limpo, a tempo de receber 
Chet Hunter.
Ao atravessarem o corredor, a caminho da sala de terapia, ela percebeu que Hunter 
estava mais nervoso e tenso do que o habitual.
Acomodando-se na esteira, enquanto ele se despia, Gayle perguntou-lhe se fizera o 
dever de casa.
- Exatamente como a professora mandou. - Ele tirou o palet com todo cuidado e 
colocou-o no sof. - No  l muito divertido fazer sozinho.
- O objetivo no  a diverso imediata - comentou Gayle. - Apenas o de prepar-lo para 
a diverso. - Espero que assim seja.
- Deu certo?
214
- Claro. Tive uma ereo, quando senti que ia ejacular
parei e apertei. Fiz isso umas quatro ou cinco vezes.
- Otimo.
Hunter j tirara todas as roupas.
- O que eu quero saber  o seguinte: quando vai acon
tecer a coisa de verdade?
- Agora.
A expresso sombria desapareceu.
- Est falando srio? Est mesmo querendo dizer que
vamos ter intercurso sexual?
- Penetrao - corrigiu-o Gayle. - O que chamamos
de penetrao mole... significando no que voc estar mole,
mas que iremos devagar, para acostum-lo a estar dentro de
mim, mas se contendo.
- Sensacional!
- Enquanto voc no puder evitar a ejaculao preco
ce, continuaremos a aplicar juntos a tcnica do aperto. Vai
verificar como  eficaz.
- Estou pronto quando voc estiver - disse Hunter. -
Podemos comear agora?
- Claro. Vamos deitar juntos e nos revezarmos a acari
ciar um ao outro, at voc ter uma ereo.
- No vai precisar muito tempo, meu bem. - Ele olhava
fixamente para os seios de Gayle. - Assim que eu tocar nes
ses peitos, vou subir at o cu.
- timo. E agora fique de costas e deixe-me subir em
voc...
- Ei, espere um pouco! No estou acostumado a ter uma
mulher por cima de mim. Qual  a idia?
- A idia  tornar mais fcil voc se controlar. H me
nos chance para voc se mexer e ejacular.
- No  assim que eu vejo.
- Mas vai ver, Chet, pode estar certo. Depois que tiver
sua ereo, fique deitado de costas e montarei em voc. Se
sentir que no pode mais se conter, avise-me no mesmo ins
tante. Aplicarei o aperto e retardarei sua ejaculao, depois
o acariciarei at que esteja pronto de novo.
- Isso no me parece muito uma penetrao.
- Chegaremos ao seu tipo de penetrao quando eu
215

achar que est na hora. Mas comearemos assim. Depois que estiver dentro de mim e 
sentir que vai ter um orgasmo, trate de me avisar imediatamente. Aplicaremos a tcnica 
do aperto e renovaremos a penetrao, at voc poder ficar cinco minutos dentro de 
mim. No se esquea: depois de entrar em mim e sentir que pode ejacular, no espere 
para me avisar. Diga logo e evitarei a ejaculao.
- Como quiser.
Gayle pegou-o pelo brao.
- E agora vamos deitar juntos e acariciar um ao outro, revezando-nos.
Assim que se acomodaram na esteira, Gayle comeou a acarici-lo, os dedos 
contornando os rgos genitais, a fim de no excit-lo cedo demais. Depois de algum 
tempo, ela ficou de costas e disse que Hunter podia acarici-la agora.
Quando a mo de Hunter chegou aos seios, sua ereo foi quase instantnea, como ele 
previra. Gayle pde senti-Ia.
Ela deu uma espiada. A ereo era total. No havia problema sob esse aspecto.
O problema estava no que poderia acontecer em seguida. Mas Gayle era experiente em 
casos assim e sentia-se confiante.
- Muito bem, Chet, deite de costas e deixe-me fazer o resto.
Obediente, ele assumiu a posio indicada. Gayle ficou de joelhos, montou-o 
gentilmente. Aproximou-se devagar, at que a ponta do pnis roava nos cabelos 
pbicos.
- Como se sente, Chet?
Ele estava com os olhos fechados, as feies distorcidas. - Quase gozando...
No mesmo instante Gayle baixou a mo para a cabea
do pnis, pegando-a com trs dedos e apertando.
- Oh, droga! - murmurou Hunter, quando o pnis fi
cou inerte. - Eu poderia conseguir.
- No, Chet, no poderia. Mas vai conseguir. - Quando?
- Seja paciente. Esta noite. E agora vamos recomear. Ainda montada nele, Gayle 
deslizou os dedos por seu rosto, pescoo, peito. Automaticamente, Hunter levantou as 
mos
para os seios. E no instante seguinte o pnis comeou a inchar e levantar.
Ela tornou a orientar o pnis para a vagina e outra vez ele avisou-a que estava prestes a 
ejacular.
Gayle pegou-o e apertou-o, retardou o orgasmo.
O processo recomeou e se prolongou pelo menos por mais dez minutos. A cada vez ela 
o chegava mais perto da vagina, a cada vez evitava uma ejaculao precoce.
Gayle podia sentir que ele estava relaxando, os msculos se soltando.
- Estou liquidado - murmurou Hunter. - Estou comeando a pensar que jamais 
conseguirei...
- Vai conseguir, sim - interrompeu-o Gayle. - Vai ver como conseguir, Chet.
Lentamente, ela tornou a acarici-lo. Desta vez demorou mais para ressuscitar o 
membro flcido. Passados dez minutos, depois que ele lhe acariciou os seios, o pnis 
comeou a crescer.
Quando ele alcanou uma ereo plena, Gayle baixou, deixando que o pnis entrasse 
todo em sua vagina. Quase que podia ouvir os segundos passando. Quatro, cinco, seis, 
sete, oito, nove, dez.
- No se mexa - murmurou ela. - Deixe que eu...
Mas nesse instante ele se mexeu, seu corpo comeou a tremer por baixo de Gayle. Ela 
ficou imvel, sentindo o orgasmo explodir em sua vagina.
Quando acabou, ele esticou-se por baixo dela, exausto. Gayle deslizou para o lado e 
sorriu.
- Eu diria que foi um bom comeo, Chet.
- Estive todo dentro de voc, no  mesmo?
- Uma penetrao completa.
- Mas no por tempo suficiente. Fiquei excitado demais,
no pude me conter, no tive tempo de avisar a voc.
- Apesar disso, fez o que antes no conseguia.
Ele fitou-a nos olhos.
- Intercurso sexual.- Exatamente. E vai ficar melhor, vai durar mais tem
po, se voc continuar com seu dever de casa.
Sentando, ele perguntou:
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- Qual  o nosso objetivo, Gayle?
- O homem mdio... o mdio... em geral mantm o intercurso antes do orgasmo por um 
perodo de cinco a sete minutos. Vamos continuar at que voc possa manter por dez 
minutos. Depois disso, voc ter se graduado. E far algum muito feliz.
- Tem razo - murmurou Hunter, balanando a ca
bea. - Algum ficar muito feliz.
s nove e meia daquela noite, depois de tocar a campainha por algum tempo sem que 
houvesse resposta, Paul Brandon usou a chave que Gayle lhe dera e entrou na casa.
Indo para o quarto, ele encontrou Gayle na cama, num sono profundo. Inclinou-se para 
ter certeza e ouviu sua respirao superficial. Ela apagara por aquela noite.
Depois de contemplar seu lindo rosto, no repouso inocente do sono, Brandon sacudiu a 
cabea. Era intil, ele disse a si mesmo, apaixonar-se por uma suplente sexual feminina. 
Por que ele no se apaixonara por alguma mulher comum, como uma espi, uma 
corredora de maratona ou a esposa de outro homem?
Por que logo uma suplente sexual? Era encrenca na certa.
Soltando um suspiro, ele largou a caixa de bombons que trouxera e saiu para a noite 
escura.
218
Foi quando Nan Whitcomb estava envolta por um roupo, aguardando seu exerccio 
crucial - a penetrao -, que Brandon, ao entrar no quarto para tirar as roupas, foi 
surpreendido pela campainha do telefone.
De um modo geral, Brandon desligava o telefone antes de iniciar um exerccio, mas 
dessa vez esquecera de faze-lo antes da chegada de Nan. Isso pode ter ocorrido porque 
sua mente ainda estava ocupada pelo fracasso em fazer contato com Gay1 na noite 
anterior e pela apreenso com os momentos que teria com Nan a seguir.
O telefone ainda tocava, e como Nan acabara de entrar no banheiro, Brandon sentiu-se 
seguro para atender. Era Gayle.
- Estou incomodando, Paul?
- Claro que no.
- Estou acordando neste momento, e minha cabea parece uma teia de aranha... mas 
encontrei os bombons e tenho o pressentimento de que voc esteve aqui ontem  noite. 
Esteve?
Brandon sorriu para si mesmo.
- Como costumam dizer, se uma rvore cai na floresta e ningum ouve, ser que 
realmente caiu? Pois eu ca a seus ps ontem  noite, minha querida, mas ningum me 
ouviu. Quer saber se eu estive a? Estive, sim.
Gayle parecia consternada.
- Esteve? Oh, Deus, perdoe-me! Lamento sinceramente. Eu cochilei.
VIII
219

- Estava exausta e por isso  compreensvel.
- Perdoe-me, Paul. Eu queria estar com voc. Como posso compens-lo?
- Encontrando-se comigo esta noite. Posso ir busc-la para jantar fora... isto , se no 
estiver muito cansada.
- No estarei cansada hoje. Vou apenas fazer os cabelos esta tarde.
- Irei busc-la s sete e meia. Farei uma reserva no res
taurante Lapin Agile.  francs, mas muito simples. - Estarei pronta quando chegar. - 
Mal posso esperar.
Ele desligou, tirou todo o som do aparelho, desligou as duas extenses, depois seguiu 
apressado para o quarto, a fim de preparar-se para o reaparecimento de Nan Whitcomb.
Acabara de tirar as roupas quando a viu, ainda usando o roupo, parada na porta do 
banheiro, fitando-o com uma expresso amorosa.
Lentamente, quase de maneira provocante, ela soltou o cinto do roupo branco e 
deixou-o escorregar. Jogando-o para um lado, deixando que Brandon contemplasse sua 
nudez por um instante, ela avanou em sua direo. Quando ela chegou perto, ele 
percebeu que seu corpo estava encharcado com um perfume de fragrncia extica. Nan 
beijou-o no rosto e seguiu at a cama, onde sentou.
- Hoje  o dia, no  mesmo?
Por um momento, Brandon sentiu-se enervado. Ela tratava aquela sesso como uma 
noite de npcias h muito aguardada.
- , sim.
- Penetrao - murmurou Nan.
Ele tentou fortalecer sua determinao de lembrar a ela, depois de acabarem, que no 
eram amantes, mas sim mestre e paciente, que o relacionamento terminaria depois da 
ltima sesso.
- Penetrao sem demanda - ressaltou ele. - Voc no deve reagir.
Ela no assumiu uma expresso amuada explcita, mas o movimento do pescoo e dos 
ombros teve esse efeito. - Por qu?
- Porque este exerccio visa a provar que voc pode ser
outra vez penetrada totalmente e sem dor... e no  necess
rio provar mais nada.
Ela piscou os olhos rapidamente.
- Espero que tudo corra bem, Paul. No gostaria de es
tar terrivelmente apertada para voc.
Ele tentou manter um pouco de postura profissional. - Se nossos exerccios correram 
bem... e creio que isso
aconteceu... no haver qualquer problema.
Nan ps as pernas em cima da cama e recostou-se nos
travesseiros que estavam na cabeceira. Brandon adiantou-se
e sentou ao seu lado.
- O que eu fao agora? - indagou ela, com um ar de
inocente.
- Comearemos pela carcia frontal, revezando-nos, para
ficarmos no nimo certo.
- Eu j estou com o nimo certo, Paul. - Isso ajuda.
- Estou toda molhada l embaixo. - Ela exibiu um sor
riso tmido. - No foi difcil. Estava pensando em voc. Brandon sentiu que precisava 
esfri-la um pouco.
- timo. Antes de comearmos, no entanto, eu gosta
ria de dizer algumas coisas.
- Como quiser, Paul.
- Seu nico relacionamento prolongado com um homemn
foi com Tony Zecca. Em decorrncia, voc ainda pode ter al
gumas imagens negativas sobre seu corpo.
- Acho que voc pode ter me ajudado a super-las. J
me sinto mais atraente agora.
- Voc  de fato atraente. Ao mesmo tempo, com Tony
voc no teve prazer, apenas dor... e tambm no teve or
gasmos.
-  verdade.
Brandon continuou, inexorvel:
- Voc desligou todos os seus receptores fsicos com
Tony, no experimentou qualquer sensao fsica de satisfa
o. Meu objetivo, em nosso programa, tem sido o de p-la
em contato com sua prpria sensualidade. Ela tornou a sorrir, agora menos tmida.
220
221

- Tenho certeza que voc conseguiu, Paul. Nunca achei que nosso relacionamento fosse 
apenas artificial. Embora seja pago e conversemos com um terapeuta, senti desde o 
incio que havia algo mais entre ns. Parei de pensar em voc como um suplente sexual. 
- Ela hesitou. - Isso no  bom?
Brandon no tinha certeza se estava suando, mas essa era a sua sensao. Queria dizer a 
ela, naquele momento, que uma parte vital do relacionamento teraputico era se 
separarem sem problemas muito em breve e poderem dar adeus a tudo o que acontecera 
entre os dois. Era a ocasio para explicar tudo isso, mas ele no se sentia capaz de faze-
lo, ao perceber a vulnerabilidade de Nan.
- Tem razo, isso  bom, e eu me sinto agradecido. - Ele fez uma pausa. - Muito bem, 
Nan, vamos deixar aflorar as sensaes, relaxar e encontrar prazer em nosso 
relacionamento. Feche os olhos, e vamos comear.
Brandon acariciou-a primeiro e depois ela o imitou. Nan estava muito receptiva ao seu 
contato e se tornara muito competente em acarici-lo.
No haveria problema com sua ereo. Estaria pronto para ela. Ele fitou-a.
- Muito bem, Nan, vamos tentar a penetrao. Eu ficarei deitado de costas. Voc fica 
por cima de mim e vai abaixando, devagar, at eu penetr-la por completo. No vou me 
mexer. E voc tambm no deve se mexer, depois que eu penetr-la. Se sentir alguma 
dor, avise-me no mesmo instante.
Nan acenou com a cabea ansiosamente e montou. A ereo se manteve e Brandon 
preparou-se para o primeiro contato.
- No se esquea, Nan, que no pode haver impulso e movimento de nenhum dos dois. 
Mesmo que voc sinta vontade, no faa nada. Apenas se acostume a me ter dentro de 
voc.
Ela segurava o pnis com uma das mos, enquanto se ajeitava por cima. Encostou-o nos 
lbios vaginais e depois baixou o corpo. O pnis entrou e ela continuou at o fim, 
engolfando-o por completo.
- No sentiu dor, Nan?
-  maravilhoso - balbuciou ela, ofegante. - Eu me
222
sinto extasiada. Deixe eu me mexer um pouco, Paul.
- No.
- Por favor...
- Absolutamente no!
- Mas estou maravilhosa agora. Estou bem, Paul, que
rido, eu amo isto, amo mais do que qualquer outra coisa...
Segurando firme os braos de Nan, ele levantou-a e reti
rou o pnis da vagina. Ela caiu ao seu lado, abraando-o,
aconchegando-se, beijando-o e sussurrando:
- ...e amo voc ainda mais. E amarei voc sempre.
Ele tentou responder  efuso dela, mas sem exagerar,
depois encerrou o exerccio to depressa quanto pde.
J vestida, na porta, ela hesitou por um instante.
-  mesma hora amanh, Paul?
- Exatamente.
- Repetiremos o que fizemos hoje?
- Isso mesmo.
- Mas de forma mais real? Poderei me mexer?
- Poder - respondeu Brandon, a voz quase inaudvel.
Ela beijou-o, murmurando:
- Eu amo voc.
Observando pela janela da sala de estar, Brandon viu-a partir em seu carro. Perturbado, 
ele circulou pelo apartamento, tornando a ligar os telefones.
A determinao de superar seu problema - o bvio envolvimento emocional de Nan 
com ele - tornava-se agora uma necessidade urgente. Ele foi para o telefone no quarto e 
ligou para a Clnica Freeberg. Pediu para falar com o dr. Freeberg. Foi informado de 
que o terapeuta sara para uma reunio profissional, mas voltaria dentro de uma hora. 
Brandon deixou recado para que Freeberg lhe telefonasse o mais depressa possvel.
Andando de um lado para outro da sala de estar, fumando cachimbo, Brandon refletiu 
sobre o problema. Tentou definir todas as indicaes do envolvimento de Nan, a 
determinao dela de ignorar o relacionamento profissional e consider-lo como um 
namorado da vida real. A situao no podia continuar, ele sabia, mas ainda assim 
sentia-se incapaz de dizer-lhe que era apenas um relacionamento profissional,
223

que acabaria dentro de uma semana. Por mais que detestasse, sabia que teria de permitir 
que o dr. Freeberg o removesse do caso e o substitusse por outro suplente sexual 
masculino, que concluiria a terapia de Nan.
Meia hora se passou antes que o dr. Freeberg telefonasse. - Como est, Paul?
- Muito bem.
- Deixou o recado que queria me consultar sobre alguma coisa.
- Preciso lhe comunicar uma coisa, doutor. Eu...
E nesse instante tudo o que ele se preparara para dizer,
o que tanto ensaiara, ficou preso em algum recesso da gar
ganta.
Imaginou Nan sendo chamada pelo dr. Freeberg no dia seguinte, sendo informada que 
Paul Brandon tinha de ser afastado de seu caso, e um substituto seria providenciado.
Imaginou a consternao de Nan por aquela reviravolta inesperada. Ela sentiria que fora 
rejeitada pelo homem que amava. Ficaria assustada com a idia de recomear tudo com 
um estranho. Isso faria com que sua terapia recuasse por semanas, se no acabasse por 
completo.
Brandon compreendeu que seria um golpe brutal para Nan, por melhor que Freeberg 
manipulasse a situao, um golpe to brutal quanto qualquer coisa que lhe fora infligida 
por Tony Zecca. E Brandon sabia que ele no podia ser o responsvel por infligir mais 
sofrimento a Nan.
- Por favor, Paul, continue - ele ouviu Freeberg dizer.
- Para dizer a verdade, doutor, eu no queria consult-lo, mas apenas dar uma 
informao.  uma boa notcia e achei que gostaria de saber logo.
- O que foi, Paul?
- Nan e eu tivemos hoje a penetrao inicial sem demanda. Eu diria que o vaginismo 
dela est curado. No houve obstrues. Tudo correu bem. Tenho certeza que ela est 
curada.
- Certeza absoluta?
- Praticamente.
- Mas ainda no tentou a penetrao com movimento, no  mesmo?
- Ainda no.
- Pois experimente amanh e depois me fale. Se correr bem, ento teremos certeza de 
que ela est mesmo curada, e voc merece parabns. Boa sorte.
Boa sorte, pensou Brandon, amargurado, enquanto desligava.
Ele estava numa situao pior do que antes. No tinha a menor idia da maneira como 
trataria com Nan Whitcomb no dia seguinte.
Mas, naquela noite, com Gayle, pelo menos, no teria qualquer problema. Nem sequer 
falaria de sua conversa tmida e evasiva com o dr. Freeberg.
Gayle no precisava saber.
Se uma rvore cai na floresta e ningum ouve, ser que realmente caiu?

Fora uma noite feliz para Brandon e Gayle.
Por um lado, o Lapin Agile era um restaurante aconchegante, proporcionando o cenrio 
perfeito para uma conversa descontrada. O pianista no outro lado da sala apinhada 
tocava suavemente antigas canes de Montmartre. Trs das paredes estavam cobertas 
por pitorescos cartazes emoldurados de Toulouse-Lautrec, apresentando muitos dos 
amigos do pintor, de May Belfort e Jane Avril a Aristide Bruant e a troupe de mile. 
Eglantine.
Acima de tudo, mantendo uma promessa que fizera a si mesmo quando fora buscar 
Gayle, Brandon cuidou para que no conversassem sobre suas atividades teraputicas. 
Foram rigorosamente evitadas quaisquer referncias a seus trabalhos como suplentes 
sexuais ou a seus pacientes. Ele no se deixaria cair outra vez nessa armadilha. E, de 
modo instintivo, Gayle aderia a essa deciso.
 mesa de madeira rstica, eles conversaram sobre seus passados e futuros, sobre 
msica, livros, filmes, sobre poltica, esportes e programas de televiso. Riram muito 
das aventuras de Brandon como professor substituto. Falaram apenas sobre eles, como 
se sentiam em relao um ao outro, o que queriam de seu relacionamento.
Nenhum dos dois podia lembrar, ao final do jantar, o que haviam comido, sabiam 
apenas que estava delicioso.
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Ao terminarem a sobremesa, ficaram em silncio, de mos dadas por baixo da mesa, 
falando apenas com os olhos.
Aquela noite, Brandon disse a si mesmo, era finalmente a noite to adiada. Estava 
ansioso em tomar nos braos aquela mulher deslumbrante, faz-la uma parte de si, como 
ele seria uma parte dela. Ele acabou rompendo o silncio para dizer isso. Gayle acenou 
com a cabea.
-  o que tambm estou querendo, Paul. Vamos voltar para minha casa.
Em seu carro, Brandon puxou-a bem para perto e partiu. Os dois se mantiveram em 
silncio durante o percurso. Brandon podia sentir seu corao acelerar na expectativa, 
como o de um excitado colegial.
Estacionando na frente do bangal, Brandon puxou-a, beijou-a com ardor, sussurrou em 
seu ouvido: - Vamos entrar.
Enquanto Gayle alisava o vestido e ajeitava os cabelos, Brandon deu a volta para abrir a 
porta do seu lado e ajud-la a saltar. Ao sair, Gayle disse, casualmente:
- Tinha uma coisa que eu queria lhe perguntar. Aquela paciente sua... a que estava 
apaixonada por voc... no consigo me lembrar seu nome...
Brandon ficou nervoso, pegou Gayle pelo brao, come
ou a subir o caminho junto com ela.
- Nan - murmurou ele, a voz quase inaudvel. - Voc disse Nan?
- Isso mesmo.
- Eu queria perguntar como voc se saiu com ela. Foi difcil dar a notcia de que 
terminaria tudo?
Bancando o estpido, Brandon levou Gayle pelos trs degraus para a varanda. Ela parou 
diante da porta, abrindo a bolsa para procurar a chave.
- Ela ficou muito desesperada? - insistiu Gayle. Brandon concluiu que teria de enfrentar 
o inevitvel e admitir a verdade.
- Gayle, simplesmente no pude dizer a ela que estvamos terminando.
- No?
- Seria como executar algum, Gayle. No fui capaz de
faz-lo e por isso...
Gayle estava ominosamente imvel, com a chave na mo. - E por isso comunicou o que 
estava acontecendo ao
dr. Freeberg?
- Comecei a faz-lo. Liguei para o dr. Freeberg, a fim
de discutir o assunto.
- E o que ele disse?
Brandon estava descobrindo que era ainda mais difcil do
que previra.
- Ele no disse nada, porque eu no contei nada. A expresso de Gayle era de 
incredulidade.
- No contou ao dr. Freeberg que sua paciente apaixo
nou-se por voc e espera ter um romance de vida real?
- Eu no podia, Gayle. Seria desumano. Depois de che
gar ao ponto em que estou com ela, seria impossvel para mim
recuar e deixar que o dr. Freeberg lhe comunicasse que outro
homem tomaria meu lugar.
Gayle estava completamente aturdida.
- E a que ponto exatamente voc chegou com Nan? - Eu... eu... acho que superamos seu 
vaginismo. - Est fodendo com ela?
- No  bem assim. Foi apenas uma penetrao sem de
manda.
- Est fodendo com ela e est adorando, ela tambm
est adorando e apaixonada por voc - insistiu Gayle, com
uma ira crescente. - E voc no toma nenhuma providncia. - No estou adorando e no 
a amo - protestou Bran
don, com veemncia. - Apenas tento ser decente.
- Chama a isso ser decente? Iludindo-a, quando me diz
que no a ama. Se  isso o que est fazendo, eu acho que 
nojento. Mas tenho a impresso de que no  isso o que voc
est fazendo. Creio que gosta do que recebe de Nan e no quer
renunciar.
- Pelo amor de Deus, Gayle, ento o que estou fazen
do aqui?
-  isso o que eu gostaria de saber. O que est fazendo
aqui, e o que estou fazendo aqui com voc?
Ela enfiou a chave na fechadura e virou-a. Brandon es
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tendeu a mo e agarrou-lhe o brao.
- Gayle, pare com essa besteira e seja razovel. Posso compreender uma pessoa 
ciumenta, mas quando o cime no tem qualquer motivo...
Gayle desvencilhou o brao bruscamente.
- Eu estou mesmo com cime! E com bons motivos! No  justo...
- Gayle, por favor, deixe-me entrar e...
- E o qu? Deixar que voc me foda como est fodendo ela? De jeito nenhum!
- Gayle, d-me uma chance de conversar com voc.
- No voltarei a falar com voc enquanto no romper com a sua pequena Nan ou deixar 
que Freeberg lhe d a ordem. At l        la abriu a porta        v se foder!
Com isso, ela correu cara dentro da casa, batendo a porta.

Brandon sentou ao volante de seu carro, desolado, na frente da casa de Gayle, tentando 
decidir o que devia fazer.
Por muitos minutos ele te-itou focalizar seu ressentimento em Gayle. Ela estava 
bancando a idiota, infantil, ele disse a si mesmo vrias vezes, deixando que um cime 
imaturo interferisse no relacionamento. O cime de Gayle era injustificvel, alm de 
inacreditvel.
Mas para Gayle era algo vivel. Por mais alguns minutos, ele tentou analisar seu 
envolvimento com Nan do ponto de vista de Gayle. Podia compreender que Gayle era 
uma parceira sexual profissional, mas no era uma fmea profissional. Talvez ela 
soubesse mais sobre o mecanismo do sexo do que sobre a mulher comum, assim como 
um mdico sabia mais sobre o mecanismo da sade do que o leigo - mas um mdico no 
podia curar a si mesmo, assim como Gayle no podia superar as inseguranas de uma 
mulher comum.
Analisando a ira de Gayle, Brandon chegou a considerar a possvel validade do 
sentimento que ela expressara. Ele gostava de fazer amor com sua paciente e ser amado 
por ela em troca? Gayle poderia intuitivamente ter acertado na verdade nesse ponto? Ele 
avaliou e reavaliou essa possibilidade e saiu
com dois fatos incontestveis. O primeiro era que sentia pena
de Nan e queria ajud-la, mas no estava nem um pouco apai
xonado por ela. O outro era que estava profundamente apaixonado por Gayle e corria o 
risco de perd-la, agora e para sempre.
S havia um meio de provar a Gayle que ela - e no uma paciente chamada Nan 
Whitcomb - era seu verdadeiro amor. Gayle se referira a uma prova que aceitaria. Ele 
devia ser franco com Nan e lembr-la que o relacionamento entre os dois era apenas 
profissional e acabaria com a prxima sesso. Ou devia, com toda franqueza, comunicar 
o problema ao dr. Freeberg e pedir sua orientao para uma soluo.
Como um suposto profissional, ele vinha realizando seu trabalho como um amador. 
Devia falar imediatamente com o dr. Freeberg e usar de toda franqueza.
Brandon acendeu a luz do painel, aproximou o pulso e verificou a hora.
Faltavam 15 minutos para as onze. Ele se lembrou de um comentrio de que o dr. 
Freeberg costumava dormir tarde, ficava escrevendo e lendo pelo menos at meia-noite. 
Se fosse verdade, o dr. Freeberg ainda estaria acordado. Brandon tinha de correr o risco. 
Quanto mais cedo, melhor.
Determinado, Brandon ligou o carro e comeou a circular pelo bairro, at encontrar uma 
rea comercial. Avistou ento um posto de gasolina, a um quarteiro de distncia, as 
luzes acesas. Seguiu para l, descobriu que o solitrio atendente estava fechando o 
posto, mas a porta da cabine telefnica envidraada encontrava-se aberta.
Brandon passou pelas bombas e estacionou numa vaga vazia ao lado da cabine 
telefnica. Saindo do carro, ele tateou nos bolsos  procura de moedas e procurou o 
caderninho de endereos, enquanto se encaminhava para a cabine.
Entrou e fechou a porta, a luz acendeu. Encontrando o telefone da casa do dr. Freeberg, 
Brandon pegou as moedas, ps as necessrias na fenda e discou. A campainha tocou 
apenas duas vezes antes que Freeberg atendesse.
- Dr. Freeberg? Aqui  Paul Brandon. Espero no tlo acordado.
- No acordou. Eu estava estudando algumas pesquisas para um ensaio que planejo 
escrever. O que deseja, Paul? -  um assunto que considero importante, envolvendo
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meu relacionamento com a paciente, Nan Whitcomb. Preciso do seu conselho.
Houve uma pausa.
-  o assunto que tencionava discutir quando me telefonou hoje?
- , sim - respondeu Brandon, surpreso. - Como soube?
Freeberg soltou uma risadinha.
- Porque seu telefonema esta tarde foi inslito. Era evidente que tinha algo importante 
na cabea, mas foi incapaz de falar. Fico satisfeito que tenha resolvido discutir o 
problema agora. Quer me contar qual  o problema?
- Minha paciente, Nan Whitcomb, apaixonou-se por mim.
- Ah, ento  isso... Est fazendo o que  certo ao me contar. Sugiro que relate tudo, sem 
omitir nada. Quer dizer que a srta. Whitcomb est apaixonada por voc, hem?  melhor 
me dar todos os detalhes.
Por mais de dez minutos Brandon relatou todos os detalhes de suas sesses com Nan. 
Deu uma nfase especial aos momentos em que percebeu que Nan estava se 
apaixonando por ele - de sua oferta de passar a noite no apartamento  declarao de 
amor naquela tarde.
- Eu deveria ter discutido o assunto esta tarde, dr. Freeberg, mas fiquei com receio que 
me tirasse do caso e substitusse por outro. Essa possibilidade me preocupou, pois 
poderia deixar Nan muito magoada e retardar o tratamento, depois que fizemos tanto 
progresso.
-- Posso compreender sua preocupao, Paul. Quantas sesses ainda restam com ela?
- Duas, no mximo. Se tudo continuar a correr bem, posso encerrar com o exerccio que 
marcamos para a tarde de amanh.
Houve silncio no outro lado da linha. Brandon sabia que o dr. Freeberg estava 
pensando numa soluo e aguardou na maior ansiedade.
- Muito bem, Paul, creio que j sei o que devemos fazer. Ligarei para Nan Whitcornb no 
hotel agora mesmo. Amanh conversarei com ela, transferindo a sesso para o dia 
seguinte.
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- Conversar sobre o qu?
- Em circunstncia nenhuma, a esta altura da terapia, eu julgaria conveniente retir-lo do 
caso, Paul. Voc tem razo, pode ser um choque brutal para ela, provocar um 
retrocesso, talvez leve um longo tempo para que consiga estabelecer um vnculo com 
outro, mesmo que eu pudesse arrumar logo outro suplente masculino. Portanto, essa 
possibilidade est excluda. Direi  srta. Whitcomb que preciso discutir seu caso. E 
depois... - Ele fez uma pausa        estou dando uma olhada na minha agenda e pelo visto 
ficarei ocupado at o final da tarde. Marcarei o encontro com Nan Whitcomb para esta 
hora. E terei com ela uma boa conversa paternal.
- Mas o que poder dizer?
- Basicamente, tentarei faze-la compreender que o relacionamento com seu suplente 
sexual no  pessoal, mas apenas profissional. Creio que posso conseguir isso, sem 
deix-la abalada. E, depois, tenho certeza de que ser mais fcil para voc encerrar o 
ltimo exerccio sem qualquer envolvimento adicional.
- Obrigado, dr. Freeberg... muito obrigado. Estou cruzando os dedos. Espero que d 
certo.
Depois de desligar, Brandon continuou por mais algum tempo na cabine telefnica. 
Acabou enfiando a mo no bolso para pegar mais moedas. E, na maior satisfao, 
comeou a discar para Gayle Miller...

Ao final da tarde seguinte Tony Zecca estava sentado ao volante de seu Cadillac, tenso e 
atento, a menos de meio quarteiro da Clnica Freeberg. Os olhos estavam fixados na 
entrada da clnica, como j acontecia h trs dias, observando cada pessoa que entrava e 
saa.
Ainda fervilhando de raiva pela atitude de Nan, Zecca dirigia sua raiva contra o homem 
que a seduzira e a levara.
Estava obcecado pela necessidade de descobrir quem era o sedutor e amante de Nan, 
pois queria fazer o filho da puta pagar caro por isso. At agora Zecca no conseguira 
descobrir com certeza a identidade do miservel. Desconfiava desde o incio que o dr. 
Arnold Freeberg, a quem ela estava sempre visitando, era o culpado, mas at agora 
ainda no fora capaz de prov-lo.
231

No primeiro dia de vigilncia da clnica, Zecca pensara que pegara Freeberg em 
flagrante. Estacionando em seu posto, no outro lado da rua e no muito longe da clnica, 
ele resolvera entrar na espelunca. Por sorte, encontrara na mesa da recepcionista uma 
pilha de folhetos descrevendo a funo da clnica, .inclusive com uma biografia e uma 
fotografia do eminente dr. Arnold Freeberg.
Depois de saber como Freeberg parecia e o que fazia para ganhar a sua vida suja, Zecca 
voltara ao carro estacionado, para vigi-lo. Fora uma espera longa e torturante, mas 
pouco antes do cair da noite daquele primeiro dia a pacincia de Zecca fora 
recompensada.
Ele vira e reconhecera Freeberg saindo da clnica, trancando a porta da frente, pegando 
seu carro no estacionamento ao lado e seguindo para o lugar em que instalara Nan. Em 
seu Cadillac, Zecca seguira o porra do doutor, tentando decidir o que fazer com o 
desgraado, assim que encontrasse sua Nan. Freeberg fora para uma casa nova, na beira 
da cidade, entrara na garagem e fora recebido na porta da frente por uma mulher feia e 
gorducha, obviamente sua esposa, a quem ele estava corneando, at onde Zecca podia 
saber. Isso significava que Freeberg escondera Nan em algum ninho de amor.
Ontem, Zecca tornara a esperar, sombriamente, que Freeberg fechasse a clnica, seguira-
o outra vez. E pela segunda vez observava o filho da puta traidor ir para casa e ser 
recebi
do pela esposa.
Um tanto desanimado, Zecca persistira em sua viglia por toda a tarde daquele terceiro 
dia.
De repente, pela janela do carro, ele reconheceu um vulto familiar encaminhando-se 
para a entrada da clnica. Observava-a por trs quando ela passou pela porta.
Nan em pessoa, indo ao encontro de seu amante e da aplicao diria. A sacana. Mas ela 
que se danasse. Era o filho da puta do doutor que ele queria acertar.
O impulso imediato de Zecca ao ver Nan foi o de saltar do carro e confront-la. Ele 
comeou a abrir a porta, mas depois mudou de idia. Seria intil pr as mos em Nan 
agora. Seria mais esperto esperar para ver se ela saa da clnica e com um homem, e se 
esse homem era Freeberg.
Zecca encolheu-se ao volante do Cadillac, observando com toda ateno e esperando.
Passaram-se mais de vinte minutos, e estava escurecendo quando a pacincia de Zecca 
finalmente foi compensada.
Ele viu Nan sair da clnica, algum abrindo a porta para deix-la passar. E depois a 
pessoa que segurara a porta tambm saiu. Era mesmo um homem, o homem, o velho 
sacana que era o seu doutor, nada menos que Arnold Freeberg, o homem que Zecca 
desconfiava desde o incio ser o filho da puta que roubara sua mulher.
Trancando a porta da clnica, Freeberg juntou-se a Nan,
pegou seu brao e os dois comearam a descer a Market Street,
na direo oposta em que estava estacionado o carro de Zecca.
Ele fez um esforo para se controlar. Quando teve certe
za de que havia uma distncia segura para o casal de desgraados, pela qual poderia 
mant-los  vista, mas sem que o percebessem, Zecca saltou do carro.
Mantendo-se nas reas mais escuras junto aos prdios de escritrios e lojas que estavam 
fechando, Zecca ps-se a segui-los.
Eles percorreram uma curta distncia, depois atravessaram a rua e entraram num prdio 
alto. Assim que Nan e seu doutor desapareceram, Zecca acelerou os passos para 
descobrir qual era o lugar dos encontros secretos.
Ele parou diante do prdio. Era um hotel. O Excelsior. Ento era ali que Nan se 
escondia, e o seu doutor ia procur-la todos os dias para uma trepada.
A primeira tentao de Zecca foi entrar tambm, descobrir o quarto de Nan, arrombar a 
porta para encontrar os dois na cama e encher de porrada o velho Freeberg, at que no 
restasse um s osso intacto em seu corpo, depois agarrar Nan pelos cabelos e arrast-la 
de volta para sua casa, que era o lugar a que ela pertencia.
Por mais ansioso que estivesse para peg-los, no entanto, algum instinto de 
sobrevivncia levou Tony Zecca a se controlar.
Se arrombasse a porta e surrasse Freeberg, poderia haver alguma encrenca. Zecca talvez 
fosse preso, seria a manchete dos jornais no dia seguinte. Era o ltimo lugar em que
232
233

pessoal cpula e do sindicato        u
es
tava luz menor ue conava apenas na margem        restando favores ocasionais,
mas
tapa com seu financiamento, p
ainda assim um deles. O pela olc polcia aparecessem na primeira mens fossem 
agarrado p
pgina dos jornais.
A vingana, ele decidiu, deveria ser consumada num lugar mais discreto e seguro. E 
seria efetuada por um dos pistoleiros do sindicato, mais experiente nessas coisas.
Talvez.
Ele comeou a voltar para seu Cadillac. Pensaria muito a respeito.
Havia duas poltronas no quarto ela ocupasse eunia, , antes de se e o dr. Freeberg 
esperou que
instalar na outra. para fumar, ele acendeu uma de suas cigarrilhas permisso
rilhas e recostou-se na poltrona.
- Eu queria conversar com voc tMas e depois faz-lo que clnica - comeou o dr. 
Freeberg. -
1        rivacidade de seu quarto
a conversa seria mais        na clnica ou no bar l embai oe hotel, ao invs de falarmos fNo 
se importa, no  mesmo?
- Claro que no - respondeu Nan, a curiosidade evidente.
O dr. Freeberg gesticulou para o quarto.
- Espero que o ache confortvel. Foi o melhor que pu
de conseguir quando me telefonou.
- Fico agradecida por ter me arrumado alguma coisa.
- O sr. Zecca sabe que voc est aqui?
- Claro que no. Ele seria a ltima pessoa a quem eu contaria.
- Acha que ele tentar descobrir? Nan deu de ombros.
- No tenho certeza. Ao encontrar meu bilhete, ele pode ter pensado que era melhor 
assim, que eu j ia tarde. Mas conhecendo seu ego, desconfio que ele tentar me 
descobrir e levar de volta. Mesmo que ele me encontrasse, eu no voltaria. Nunca mais. 
No depois de tudo o que aprendi.
234
O dr. Freeberg balanou a cabea, com uma expresso compreensiva.
- No posso dizer que a culpo por isso. Sofreu uma experincia particularmente brutal. 
Mas no pense que foi a nica. Sua experincia no foi muito diferente da que muitas 
mulheres enfrentaram, com seus maridos ou amantes
Nan parecia surpresa.
-  mesmo?
- Em geral, as mulheres com um parceiro incompatvel no sofrem a brutalidade fsica, 
mas suportam a brutalidade emocional.  provvel que isso acontea porque muitos 
homens se acostumam a suas mulheres e comeam a encar-las como uma coisa 
corriqueira. Pouco a pouco, esses homens passam a considerar suas mulheres no 
apenas como criadas, mas tambm como algum para servi-los sexualmente... algum 
com quem ter o intercurso... sem qualquer troca de amor e carinho, sem tempo para as 
carcias preliminares. Esses homens querem apenas ter seu orgasmo e se sentir melhor. 
No vem as mulheres como pessoas com sentimentos prprios. Esto fora de contato 
com suas companheiras como seres humanos sensveis, que devem ser bem cuidadas e 
amadas.
- Pode dizer tudo isso e mais alguma coisa quando falar de algum como Tony Zecca.
- O sr. Zecca  um exemplo extremo. Eu queria apenas tranqiliz-la com o 
conhecimento de que no est sozinha. Numa escala mais civilizada, o comportamento 
dele est ocorrendo durante todo o tempo, em toda parte. Mas logo vai descobrir que 
existem homens mais atenciosos e sensveis com que poder ter relacionamentos...
- J descobri isso, dr. Freeberg, desde que conheci Paul Brandon.
- Claro, claro, Paul Brandon... - murmurou Freeberg, soltando uma baforada da 
cigarrilha. - Para ser franco,  sobre Paul que desejo lhe falar.
Nan demonstrou um espanto genuno.
- Falar sobre o qu? J lhe contei tudo sobre ele, sobre o nosso relacionamento. Falta 
alguma coisa?
- Falta, Nan, falta. - O dr. Freeberg apagou a cigarrilha e inclinou-se para a frente. - 
Recorda-se do nosso pri
235

meiro encontro depois que voc se tornou minha paciente, Nan? Voc, uum 
acordo.nVoc Na um problema , e um contrato verbal, fixamos um objetivo. ara ajudala 
a alcanar esseoobjetivo,

ramos um programa p        escon que era o de desfrutar Esclarecemos prazer        todos 
slaspectos do trademos nada d
tamento e exerccios. No  verdade? - , sim.
- Eu lhe disse uma coisa com absoluta franqueza. Sob a minha orientao, mo um subst 
tuto,ensinando e guiando fissional, omo        parceiro Vo estava pagpagando ele pela
        d
Desde o comeo voc
velo emocional qu P com Paul, embora se tornasse
sabia que seu ntimo, era um relacionamento        profissional, uma
cada vez mais parceria temporria, por om nmero sexual resolvesse seu pro

blema, que depois que blema, o trabalho estaria pessoais. E vo~t concluda ai  sua e 
particular e relaciona
rapia, continuaria com sua vida particular e seus prprios relacionamentos
0 dr. Freeberg percebeu que Nan o fitava com uma expresso angustiada. Ele fez uma 
pausa, ficou esperando que ela falasse.
- Creio que sei o que est tentando me explicar - disse
ela, falando bem devagar. - Tenta me dizer que acha que me
apaixonei por Paul, e que isso no deveria acontecer.
-  o que penso, Nan, analisando os relatrios de Paul. - E acha que cometi um erro?
- Isso mesmo,  um erro - confirmou o dr. Freeberg,
em tom incisivo. - Como seu parceiro substituto, Paul gosta
muito de voc, desenvolveu um vnculo com voc. Este  o
relacionamento que espervamos que surgisse. Mas tambm
pa
ra o que aguarda voc no mundo exterior. Agora, s dois de
vem romper esse vnculo, Paul seguir seu caminho e voc o
seu. Ele tem uma vida particular, e o relacionamento m vo
c foi apenas profissional. Repito, voc est pagando
236
petncia de Paul, no por seu carinho. Seria errado esperar qualquer coisa mais. Quer 
conversar mais um pouco a respeito, Nan?
Ela parecia  beira das lgrimas.
- No creio que seja necessrio.
= Minha cara Nan, a realidade de uma situao  s vezes difcil de enfrentar para todos. 
Mas tenho certeza de que voc ser capaz e voltar a ser feliz. - Ele fez uma pausa. - E 
agora, que tal aquele copo de vinho? Posso servir para ns dois?
Em seu gabinete, o promotor pblico Hoyt Lewis, consciente da presena tensa do 
reverendo Scrafield no outro lado da mesa, ainda fazia um esforo para examinar pela 
segunda vez a fotocpia do relatrio de Hunter.
O dirio que Hunter mantivera de seus exerccios com Gayle Miller era meticuloso em 
todos os detalhes. Ao acabar a segunda leitura apressada, Lewis estava basicamente 
satisfeito com o relatrio. Mesmo assim, ele se concedeu meio minuto para ponderar 
sobre cada aspecto do depoimento.
Mas Scrafield,  sua frente, estava tendo a maior dificuldade em controlar a sua 
ansiedade para seguir adiante.
- Hoyt, diga-me logo: o que acha? Est tudo a, como eu lhe falei, no  mesmo?
- Acho que sim.
- Algo o incomoda?
- Talvez uma coisa. - Lewis largou a fotocpia do dirio de Hunter na mesa. - O que 
Hunter chama de penetrao.. Ainda no ocorreu. Quando se depende de uma 
testemunha,  preciso ter tudo to explcito quanto possvel.
Scrafield estava impaciente.
- Eu lhe disse que no precisa se preocupar. Chet Hunter me garantiu que vai trepar com 
Gayle amanh. E vai nos comunicar pessoalmente assim que acontecer.
O promotor coou o nariz, imerso em seus pensamentos, epois balanou a cabea em 
concordncia.
- Hunter parece merecer toda confiana. Investiguei-o e novo. Sua ficha como membro 
da reserva da polcia  abolutamente limpa, e ele est ansioso em concluir o trabalho,
237

segundo Ferguson, do Chronicle. Mas o que o est impedindo de trepar com a mulher? 
Afinal, no  a pior misso do mundo.
- Tudo no seu devido tempo, Hoyt. Ele tem de seguir as regras, mais nada. No se 
preocupe. Ele conseguir. Pode apostar.
Hoyt Lewis empertigou-se na cadeira.
-  isso o que vou fazer, apostar nele.
- Qual  o prximo passo? - indagou Scrafield. - O
que vai fazer agora?
- O de sempre. Comearei com um comunicado  imprensa... avisarei a Ferguson o que 
meu gabinete planeja fazer... que estou aprontando uma ao criminal contra o dr. 
Arnold Freeberg, por lenocinio.
- E Gayle Miller?
- No poderei fazer nada contra ela, enquanto no cometer realmente o ato de 
prostituio. Mas j dispomos de provas suficientes para anunciar o processo iminente 
contra Freeberg sob a acusao de lenocnio. Assim, o primeiro comunicado  imprensa 
falar apenas em Freeberg.
- Posso comentar sobre o assunto em meu programa de televiso na noite de amanh? - 
perguntou o reverendo Scrafield, ansioso.
- No tenho qualquer objeo, desde que limite seu fogo ao teor de meu comunicado.
- Quando poderei mencionar a prostituta?
- Assim que Hunter acertar as contas corn ela - prometeu Lewis. - Ou seja, depois de 
amanh. Comearei ento a agir contra os dois, emitindo mandados de priso contra 
Freeberg por lenocnio e contra Gayle Miller por prostituio. Os dois sero levados  
delegacia, fichados e soltos sob fiana. Pedirei ento a um juiz que decrete a priso 
preventiva dos dois, em 48 horas.
Scrafield estava sorrindo.
- E depois?
Hoyt Lewis tambm sorriu.
- Eles sero levados a julgamento e condenados, acabaro na cadeia.
- E voc estar na primeira pgina de todos os jornais
238
- comentou Scrafield, ainda sorrindo.
- E voc tambm, meu amigo - disse Lewis, levantan
do-se. -- Se Freeberg e Gayle Miller fizerem sua parte, tambm faremos a nossa.
e certo.        Posso lhe garantir que o caso  lquido
239

IX
- Gayle, este exerccio  a minha graduao? - perguntou ele.
Adam Demski e Gayle estavam nus na sala de terapia, sentados ao lado um do outro, na 
esteira estendida no cho.
- Pode eu
eu levantar  alturra dal ocasio - comentou Dems
ki, jovial.
- Vai levantar.
Observando-o, Gayle refletiu que gostava do que via, con
trastando com o seu comportamento tenso e assustado no primeiro encontro, poucas 
semanas antes. A seu lado estava um jovem que parecia confiante e bastante relaxado 
para dizer coisas engraadas e sorrir. A atitude de Demski a agradava, e no podia 
admitir que ele sofresse uma recada para sua antiga impotncia.        uando fi
- Gayle - disse ele, pegando-lhe a mo -, q

zermos a penetrao...
- O que ?
- Eu gostaria de estar por cima desta vez.
Gayle considerou o pedido, mas apenas por um instante. Concluiu que Demski estava 
pronto para a posio mais comum. Que ele nunca se consideraria um sucesso enquanto 
no pudesse consumar o intercurso sexual na posio masculina superior. A posio 
missionria era a essencial para a maio
240
ria dos homens, o que acreditavam que se esperava deles.
Agora, Adam Demski estava querendo provar, para si mesmo, que estava preparado 
para ter um encontro real, no mundo real. O que significava a penetrao por cima. O 
sucesso nessa posio reforaria plenamente o seu novo sentimento de potncia.
- Claro - Gayle ouviu-se respondendo. - No vejo qualquer problema.
Ela queria acrescentar que havia muitas outras posies que podiam ser melhores para 
ele, mais confortveis, ainda mais eficazes, com alguma futura parceira, mas achou 
melhor no confundi-lo naquele momento. Haveria tempo para discutir as variaes 
quando os dois se encontrassem com o dr. Freeberg para a conversa final.
Agora, Demski queria provar que era capaz na posio masculina mais popular, e ela 
resolvera fazer tudo o que era possvel para que desse certo.
- Vamos comear, Adam?
-  o que mais estou querendo.
Gayle estendeu-se na esteira, e Demski seguiu seu exemplo. De costas, ela estendeu e 
abriu as pernas. No instante seguinte Demski estava de joelhos na esteira, pairando por 
cima dela.
- No to depressa, Adam. Creio que ns dois podemos desfrutar algumas preliminares. 
Quero ficar lubrificada naturalmente e quero que voc alcance uma ereo completa 
antes de me penetrar.
- Est bem - murmurou ele. - Acho que fiquei um pouco ansioso.
- No h pressa. Vamos aproveitar cada momento, desde as preliminares at o clmax.
- Concordo com voc.
Demski estendeu-se ao lado de Gayle e indagou:
- Podemos ficar de olhos abertos?
- Como voc quiser.
- Eu quero assim.
Ele aconchegou-se contra Gayle e comeou a passar as pontas dos dedos da mo direita 
pela testa dela, desceu para o nariz, contornou a boca.
241

Logo alcanou os seios, acariciou-os, inclinou-se para bei
jar os mamilos.
forma        \', os ma
o
Ela pde sentir
mitos enrijeceram, e comeouva ficar mida entne as pernas.
E depois comeou a sentir algo mais pis flcido estav Deu uma olhada e constatou que o 
p
se levantando para urna  ou-o,eenquanto a outra mo ma
Estendeu a mo e p g
s costas de Demski.
sageava os ombros e a De repente, sem dizer nada, Demski estava de joelhos p cima 
dela.
A sensao foi de prazer o i ua ante e r depois come a cabea do pnis sondava p
va a penetr-la.
orao de Demski bater forte, e Gayle podia ouvir o c quanto ele se movimentava para a 
frente e para trs. Esper
o chega sSert Hunp
va que ele n        confundi docom Chet
compreendeu que o estava
Aquele no fora o problema de Demski e no era o seu pr blema agora.
Lanando um olhar para s haviam transcorrhdo desde
ficou que sete ou o
comeo.
firme. Ela descObr
Apesar disso, Demski continuava, se a levantar e baixar as ndegas, acomp
terminavelmente, e Gayle comeou alo
Continuava in nu sar que ele podia ser um ejaculadorretardado, q
gozasse - ou que ela podia goza
E foi nesse instante que ozando viu um grito rouco, e De
ki se soltou. Ele estava g
Quando ele parou, ainda r para oo s rio s cotovelos,
gante, Gayle tornou a
Doze minutos.
muito bom.
Nada mal. Na verdade, Ao se retirar, Demsk uxou seu rosto e beijou-o na b
Ela estendeu a mo, p
E depois abraou ele sussurrou de seuandoio suor em seu r ern e corpo. Feliz, e
- E ento, professora, consegui me formar.
- Adam - sussurrou Gayle em resposta -, hoje voc um homem, pronto para sair por a e 
fazer a alegria de uma
oro de mulheres receptivas. Isso mesmo, voc se formou om distino.
- Com distino?
- Assinarei seu boletim. Olhe bem para o meu rosto e a a nota que lhe dou.
- E qual  a nota, professora?
- Um cinco. A melhor nota. Voc ter o mundo a seus s. Meus parabns!
el se
ki
tn m jo sa, n ga

zei
es estavam no quarto do apartamento de Paul Brandon.
- Bem, acho que esta  a ltima vez - murmurou Nan hitcomb, suspirando.
Ela estava apenas com uma calcinha de nylon. Baixou-a irou-a.
Por um momento, ficou olhando para a projeo vagi-.
Distraidamente, comeou a alisar os plos pbicos crer, perdida em seus pensamentos.
Ela levantou a cabea para fitar Brandon, que ainda esa se despindo.
- Quero dizer uma coisa, Paul, antes de comearmos, ltima vez.
- Talvez no seja a ltima vez, se verificarmos que voinda tem um problema.
- No espero qualquer problema, Paul. Tenho certeza ue tudo correr bem. Mas quero 
dizer outra coisa. Eu... e sinto envergonhada por ter lhe causado tantos proas.
- Que problemas? Voc no me causou nenhum.
- Causei, sim. Est sendo muito gentil, mas sei que lhe el problemas. O dr. Freeberg foi 
muito franco a respeito. nte aberto, graas a Deus. - Ela fez uma pausa. - J saber que 
ele conversou comigo sobre o nosso relaciona
Co mu
puh
sul
randon acenou com a cabea, enquanto tirava as calas. an continuou:
O dr. Freeberg estava certo ao me falar sobre o que ecia, como eu deixava voc numa 
situao difcil. Ele me
24(
243
242

Logo alcanou os seios, acariciou-os, inclinou-se para beijar os mamilos.
Ela pde sentir a eficcia. De forma incontrolvel, os ma
milos enrijeceram, e comeou a ficar mida entre as pernas. E depois comeou a sentir 
algo mais contra sua coxa. Deu uma olhada e constatou que o pnis flcido estava
se levantando para uma verdadeira ereo.
Estendeu a mo e pegou-o, enquanto a outra mo mas
sageava os ombros e as costas de Demski.
De repente, sem dizer nada, Demski estava de joelhos por
cima dela.
A sensao foi de prazer misturado com triunfo, enquanto a cabea do pnis sondava 
por um instante e depois comeava a penetr-la.
Gayle podia ouvir o corao de Demski bater forte, enquanto ele se movimentava para a 
frente e para trs. Esperava que ele no chegasse a um orgasmo rpido, mas depois 
compreendeu que o estava confundindo com Chet Hunter. Aquele no fora o problema 
de Demski e no era o seu problema agora.
Lanando um olhar para o relgio na mesinha, ela verificou que sete ou oito minutos 
haviam transcorrido desde o comeo.
Apesar disso, Demski continuava, firme. Ela descobriuse a levantar e baixar as ndegas, 
acompanhando seu ritmo.
Continuava interminavelmente, e Gayle comeou a pensar que ele podia ser um 
ejaculados retardado, que talvez nunca gozasse - ou que ela podia gozar antes.
E foi nesse instante que ela ouviu um grito rouco, e Demski se soltou. Ele estava 
gozando.
Quando ele parou, ainda apoiado sobre os cotovelos, ofegante, Gayle tornou a olhar 
para o relgio. Doze minutos.
Nada mal. Na verdade, muito bom.
Ao se retirar, Demski entreabriu a boca num sorriso. Ela estendeu a mo, puxou seu 
rosto e beijou-o na boca.
E depois abraou-o com fora, desfrutando o suor em seu rosto
e corpo. Feliz, ele sussurrou em seu ouvido:
- E ento, professora, consegui me formar?
- Adam - sussurrou Gayle em resposta -, hoje voc  um homem, pronto para sair por a 
e fazer a alegria de uma poro de mulheres receptivas. Isso mesmo, voc se formou 
com distino.
- Com distino?
- Assinarei seu boletim. Olhe bem para o meu rosto e veja a nota que lhe dou.
- E qual  a nota, professora?
- Um cinco. A melhor nota. Voc ter o mundo a seus ps. Meus parabns!

Eles estavam no quarto do apartamento de Paul Brandon.
- Bem, acho que esta  a ltima vez - murmurou Nan Whitcomb, suspirando.
Ela estava apenas com uma calcinha de nylon. Baixou-a e tirou-a.
Por um momento, ficou olhando para a projeo vaginal. Distraidamente, comeou a 
alisar os plos pbicos crespos, perdida em seus pensamentos.
Ela levantou a cabea para fitar Brandon, que ainda estava se despindo.
- Quero dizer uma coisa, Paul, antes de comearmos, pela ltima vez.
- Talvez no seja a ltima vez, se verificarmos que voc ainda tem um problema.
- No espero qualquer problema, Paul. Tenho certeza de que tudo correr bem. Mas 
quero dizer outra coisa. Eu... eu me sinto envergonhada por ter lhe causado tantos 
problemas.
- Que problemas? Voc no me causou nenhum.
- Causei, sim. Est sendo muito gentil, mas sei que lhe causei problemas. O dr. Freeberg 
foi muito franco a respeito. Bastante aberto, graas a Deus. - Ela fez uma pausa. - J 
deve saber que ele conversou comigo sobre o nosso relacionamento.
Brandon acenou com a cabea, enquanto tirava as calas.
Nan continuou:
- O dr. Freeberg estava certo ao me falar sobre o que acontecia, como eu deixava voc 
numa situao difcil. Ele me
242
243

fez recuperar o bom senso. - Ela contemplou ansios
j        o corpo nu de Brandon. -  verdade que fui uma tolso agradecida de Nan dizia 
tudo o que ele queria saber.
bei me apaixonando por voc. No pude evitar. Fiz voo havia amais qual ela gemia, 
enquanto rBrandon continuasar por momentos terrveis, quando estava apenas realiseu 
trabalho, cumprindo o seu dever profissional, paz arremeter.
curar.        ~ Pa Finalmente ela estendeu as mos para agarr-lo, o rosto
- No seja to rigorosa consigo mesma Nan. N torcido. Brandon pde sentir que ela 
estava no meio do uma rua de mo nica. Posso perceber agora que tambt armo e se 
largou tambm.
Aps
envolvi emocionalmente com voc, talvez tenha encora        um intervalo, ele saiu e se 
acomodou na cama ao
lado. Pelo movimento dos quadris de Nan, percebeu que o seu amor, sem pretender. 
No deveria ter feito isso. ueria mais. E os-se a passar as pontas dos dedos pelo foi um 
comportamento profissional. - Ele pegou a m' q'        P Nan. - Quero que saiba que 
realmente gostei de voc.., ~,ris, para a frente e para trs. Num instante ela teve o se
an mesmo enquanto tentava orient-la.        elido orgasmo e logo o terceiro, depois 
ficou inerte, exaus
Ela abraou-o.        Algum tempo se passou antes que ela virasse a cabea e
- Voc  o homem mais gentil que j conheci. -rgunt Eu fui boa? sorriu, com ironia. -  
verdade que no conheci muito - Perfeita.
todos foram horrveis, at que encontrei voc.
Nan pegou o rosto de Brandon entre as mos bei' - Voc foi delicioso. Obrigada por me 
tornar capaz de
e depois murmurou:        ~        Jaer isso.
- No vou dizer que no o amo mais        Eles ficaram em silncio, mas Brandon acabou 
indaganque tenho de enfrentar o fato de que vaia acabar. amo,, porque sentia uma 
preocupao sincera com ela:
- O que vai fazer agora, Nan?
Ele retribuiu o beijo, passando os dedos elo rosto de r Ela pensou por um instante.
- Voc conseguir algo melhor daqui por diante... m - Acho que deixarei a cidade. No 
quero ficar aqui e melhor.
>rrer o risco de tornar a me encontrar com Tony Zecca. Tal
- Pelo menos saberei o que procurar.,. algum geri v para o Meio-Oeste. Tenho uma 
prima em Des Moines. carinhoso e inteligente... assicomo voc. - Nan esfrel outra em 
Chicago. Onde quer que eu v, porm, tenho vero seu corpo contra o dele. - Mas j que 
tenho voc aqui, a.za que encontrarei um meio de me sustentar, algum emprera, por que 
no vamos em frente e aproveitamos ao mxi). Usarei o dinheiro extra de que disponho 
para fazer um esta ltima vez?
Ela apertou com mais fora a mo de Brandon, antesrirso ego melhorte talezlenc nt a 
algumato bom quan o voacrescentar:
. O que acha, Paul?
- Quero provar a voc que estou pronta. - Com a m -  uma boa idia. Mas no parta j. 
O dr. Freeberg
livre, ela tocou na rgida ereo de Brandon. - Sei que v(ostaria que jantssemos com 
ele depois de amanh.  costuest.
- E como estou!        1e seu sempre que pacientes e suplentes concluem com sucesNan 
levantou os joelhos. As pernas estavam abertaso os exClaro. P ul. O dr. Freeberg me 
disse que voc tinha
. Voc vai aceitar?
Brandon se abaixou entre as pernas e devagar, bem a sua vida pessoal. Eu gostaria de 
conhec-la. vagar, penetrou-a.
No precisou perguntar se ela sentia alguma dor. A A noite comeava a cair na sala de 
terapia de Gayle.
244
245

fez recuperar o bom senso. - Ela contemplou ansiosament o corpo nu de Brandon. -  
verdade que fui uma tola. Aca bei me apaixonando por voc. No pude evitar. Fiz voc 
pas sar por momentos terrveis, quando estava apenas realizand, seu trabalho, 
cumprindo o seu dever profissional, para m curar.
- No seja to rigorosa consigo mesma, Nan. No fc uma rua de mo nica. Posso 
perceber agora que tambm m envolvi emocionalmente com voc, talvez tenha 
encorajad o seu amor, sem pretender. No deveria ter feito isso. NA foi um 
comportamento profissional. - Ele pegou a mo d Nan. - Quero que saiba que realmente 
gostei de voc... e gos to... mesmo enquanto tentava orient-la.
Ela abraou-o.
- Voc  o homem mais gentil que j conheci. - El sorriu, com ironia. -  verdade que 
no conheci muitos, todos foram horrveis, at que encontrei voc.
Nan pegou o rosto de Brandon entre as mos, beijou-( e depois murmurou:
- No vou dizer que no o amo mais, porque amo. St
que tenho de enfrentar o fato de que vai acabar.
Ele retribuiu o beijo, passando os dedos pelo rosto de Nan - Voc conseguir algo 
melhor daqui por diante... muita
melhor.
- Pelo menos saberei o que procurar... algum genti carinhoso e inteligente... assim 
como voc. - Nan esfrego o seu corpo contra o dele. - Mas j que tenho voc aqui, ag ra, 
por que no vamos em frente e aproveitamos ao mxim esta ltima vez?
Ela apertou com mais fora a mo de Brandon, antes d~ acrescentar:
- Quero provar a voc que estou pronta. - Com a m livre, ela tocou na rgida ereo de 
Brandon. - Sei que vo est.
- E como estou!
Nan levantou os joelhos. As pernas estavam abertas. Brandon se abaixou entre as pernas 
e devagar, bem d vagar, penetrou-a.
No precisou perguntar se ela sentia alguma dor. A ex
presso agradecida de Nan dizia tudo o que ele queria saber. No havia mais qualquer 
dor. Apenas prazer.
- HA... h... - ela gemia, enquanto Brandon continuava a arremeter.
Finalmente ela estendeu as mos para agarr-lo, o rosto contorcido. Brandon pde sentir 
que ela estava no meio do orgasmo e se largou tambm.
Aps um intervalo, ele saiu e se acomodou na cama ao seu lado. Pelo movimento dos 
quadris de Nan, percebeu que ela queria mais. E ps-se a passar as pontas dos dedos 
pelo clitris, para a frente e para trs. Num instante ela teve o segundo orgasmo e logo o 
terceiro, depois ficou inerte, exausta. Algum tempo se passou antes que ela virasse a 
cabea e perguntasse:
- Eu fui boa?
- Perfeita.
- Voc foi delicioso. Obrigada por me tornar capaz de dizer isso.
Eles ficaram em silncio, mas Brandon acabou indagando, porque sentia uma 
preocupao sincera com ela:
- O que vai fazer agora, Nan?
Ela pensou por um instante.
- Acho que deixarei a cidade. No quero ficar aqui e correr o risco de tornar a me 
encontrar com Tony Zecca. Talvez v para o Meio-Oeste. Tenho uma prima em Des 
Moines. E outra em Chicago. Onde quer que eu v, porm, tenho certeza que 
encontrarei um meio de me sustentar, algum emprego. Usarei o dinheiro extra de que 
disponho para fazer um curso de secretariado. isso deve me ajudar a conseguir um 
emprego melhor e talvez encontrar algum to bom quanto voc. O que acha, Paul?
- E uma boa idia. Mas no parta j. O dr. Freeberg gostaria que jantssemos com ele 
depois de amanh.  costume seu sempre que pacientes e suplentes concluem com 
sucesso os exerccios. Voc vai aceitar?
- Claro, Paul. O dr. Freeberg me disse que voc tinha a sua vida pessoal. Eu gostaria de 
conhec-la.
A noite comeava a cair na sala de terapia de Gayle.
244
245
Nua, ela estendeu-se de costas no sof, esperando por Chet
Hunter, observando-o terminar de se despir.
- Fez seu dever de casa? - perguntou ela. - Com dedicao.
- Como se sente?
- Com a sensao de que posso conseguir.
- Conseguiu da ltima vez, Chet. Tivemos a penetrao.
- No pelas minhas regras, meu bem. Voc ficou por cima, tratando-me como uma coisa 
fragil. Conseguiu fazer com que eu entrasse em voc,  verdade, mas no por muito 
tempo... talvez menos de um minuto...
- Mais do que isso.
- No importa. Ainda fui precoce. Voc queria que eu ficasse por cinco minutos...
- Dez, Chet. Falei em dez minutos.
- No sei... Talvez seja possvel... - Ele aproximou-se do sof, com um rosto srio e 
contrado. - Gayle, tenho de fazer com que de certo. H muita coisa em jogo para mim. 
Sabe que tenho uma namorada. Sou louco por ela. Quero casar. E no posso faze-lo 
enquanto no estiver curado. Acredita que j estou curado?
Gayle acenou com a cabea em concordncia.
- Acho que estar depois desta noite. - O que vai acontecer esta noite?
- Ser a sua festa de formatura, o desempenho final. - Pensei que no deveria ter um 
desempenho.
- E no ter, Chet. Apenas ter um momento dos mais
agradveis, talvez memorvel.
- Fazendo o qu?
- Voc sabe. A penetrao da maneira como sempre desejou. A posio masculina 
superior, e voc se empenhando num intercurso completo. Talvez eu tenha de cont-lo 
uma ou duas vezes, usando a tcnica do aperto, mas vamos continuar at que ambos 
estejamos satisfeitos.
Enquanto falava, Gayle pde perceber que ele sentia um excitamento crescente.
- J comeo a sentir vontade, Gayle.
Ela baixou para a esteira no cho.
- Venha para c, Chet. Deite ao meu lado.
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- Mas estou pronto. Pode ver.
No to depressa, Chet. No vamos ser precipitados.
Vamos levar co a pou
todo o o h direi quando ambos estivermos pron
tos. E agora deite ao meu lado, e vamos relaxar com alguma
caricias preliminares.
- Se voc quer assim... - murmurou ele, em tom que
xoso, acomodando-se na esteira.
- E assim que eu quero. Pode deixar que sua parceira
sabe como essas coisas funcionam.
- Ol, parceira. Como pode observar, estou realmente
pronto para comear.
- Sei disso, mas no vamos comear agora. Tire os pen
samentos do pnis e concentre-se na sensualidade por todo o corpo. Acaricie-me. 
Depois, vou acarici-lo. passar o Hunter soltou umgrunhido e Gayle. Logo es~ava 
absortos em dos por todo o corpo
acarici-la,  sensacional mu mu ou eles reaUma cosa - Voc e
espetacular. S Nem precisa. Po p favor f esquea o peni . Agora, dei
xe-me acarici-lo.
Enquanto Gayle passava as mos por seu rosto e barri
ga, ele se tornou menos urgente e comeou a soltar peq
suspiros de prazer.
- Preciso de voc, Gayle - sussurrou ele, tentando con
trolar a respirao.
- O que est esperando?
Ele montou-a.
Houve um momento de hesitao, enquanto o pnis en
trava. No houve ejaculao.        ara cima e Automaticamente, ele comeou a se mexer, p
para baixo.
- Devagar - disse Gayle. - Bem devagar. Est timo,
Chet. Sente vontade de gozar?
- No... ainda no.
Ela sentia vontade de agarr-lo pelas ndegas e ajud-lo,
mas no queria excit-lo demais. Ps as mos em seus ombros e repetiu:
247

-- Est timo... - falou Gayle.
- Est muito mais do que isso.., est sensacional! Ele ps-se a arremeter mais depressa e 
com mais fora.
Pouco a pouco, ela percebeu que seu rosto se contraa. - O que e, Chet?
- Acho que vou...

Ela desvencilhou-se, agarrou a cabea do pnis mida com, trs dedos e apertou com 
fora.
- Oh, Deus, eu quero...
- No se preocupe. Vai acabar acontecendo.
Gayle apertou outra vez, at que ele ficou inerte.
Olhando para o relgio, ela tornou a se concentrar em Hunter, fazendo-o se recostar e 
passando os dedos por seu corpo. O pnis comeou a subir e intumescer quase que no 
mesmo instante. E logo a ereo era completa.

- Entre em mim agora, Chet.
Ele assim o fez e comeou a se mexer dentro dela, firmemente, bem fundo.
- Continue, Chet.

Ele continuou.
- Gayle... eu... eu...
- Pode ir - disse ela, num tom jovial.
Foi um orgasmo ruidoso e prolongado. Depois, ele caiu para o lado, como se tivesse 
levado um tiro. E murmurou, ofegante:
- Foi uma maravilha...
Ela sorriu.

-  o que chamamos de uma ejaculao normal. E, agora, vamos descansar.

Aps algum tempo, Gayle levantou-se e ps o roupo. - Vou me lavar e depois irei  
cozinha para fazer um

ch, que vai nos revigorar. Voc aceita?
- Qualquer coisa serve, meu bem.
Quando ela voltou com o ch, Hunter sentou no sof para
tom-lo. Gayle sentou ao seu lado. Ele transbordava de entusiasma - Para dizer a 
verdade, no preciso de nada para me
revigorar. J tive tudo de que preciso. Voc  sensacional, Gayle.
Conseguiu me levar at o fim. Quanto tempo passou antes que eu gozasse?
- Sete minutos.
- Pense s nisso! Fantstico! - Abruptamente, a expresso de Hunter tornou-se sombria. 
- Mas eu gostaria de chegar a isso sem o aperto.
- Vai chegar, meu amigo - garantiu Gayle, com um sorriso, largando a xcara de ch e 
levantando-se para tirar o roupo. - Desta vez vamos conseguir... sem nenhum aperto, 
do princpio ao fim.
- No est satisfeita com sete minutos?
- Claro que estou. No deixarei voc sair daqui, aventurando-se pelo cruel mundo 
exterior, enquanto no me penetrar pelo menos por dez minutos. Pode estar certo de que 
isso acontecer. S ento o deixarei ir embora, para meu lamento. Vamos comear, 
Chet.

Prestes a abrir a gua do chuveiro, naquela noite, ainda inebriada com os dois triunfos 
naquele dia, Gayle teve a impresso de ouvir a campainha da porta. Constatou que eram 
quase dez horas, a hora em que Paul Brandon deveria chegar.
Largando o chuveiro por um instante, Gayle ps o chambre de seda e saiu do banheiro.
Estava na maior expectativa. H dias que o relacionamento entre os dois no engatava. 
At agora, cada um estivera muito ocupado e preocupado com as necessidades dos 
outros. E os outros haviam sido devidamente ajudados. Naquela noite, libertos, 
haveriam de se satisfazer.
Fora do banheiro, Gayle pde ouvir o barulho da chave girando na fechadura.
Viu Brandon entrar na sala de estar, e seu excitamento aumentou ainda mais. Esperou 
por ele, que avanou em sua direo. Os dois abraaram-se com ternura.
- Como est, meu querido? - perguntou Gayle, enquanto o levava para o quarto e o 
ajudava a tirar o casaco.
- Emocionado por conseguir ficar a ss com voc. - Enquanto ele desabotoava a camisa, 
Gayle abria o cinto e puxava o zper das calas. - Mas talvez um pouco cansado. Foi um 
dia comprido.
- Para mim tambm, Paul. Como foi com Nan? O dr. Freeberg tornou tudo mais fcil 
para voc?
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- Claro que sim. Ela no chegou a ser um problema de verdade. - Ele sentou na beira da 
cama, tirando os sapatos e depois as meias. - Nan foi at bastante razovel.
- E voc?
- Fui totalmente profissional, do principio ao fim - respondeu Brandon, tirando as 
calas. - E como voc se saiu? Acabou com os dois pacientes ou apenas um?
- Com os dois.
- Eles conseguiram finalmente?
- Conseguiram, graas a Deus.
Brandon tirou a cueca.
- Deve estar cansada agora...
- Estou bem...
- Depois de quatro horas com eles? Estou surpreso que ainda consiga ficar de p.
- No foi to cansativo assim. Lembre-se de que eles so pacientes. Na melhor das 
hipteses, no tm muita resistncia. Se estou cansada,  apenas devido  tenso. Depois 
de tantas sesses, quando se chega  ltima no se pode deixar de ficar preocupada se 
todo o trabalho desenvolvido dar resultado. E o que me deixa tensa.
- Mas teve sucesso, no  mesmo? Voc no acabou com eles?
- Completamente. - Gayle fez uma pausa, estudando-o. - Voc  que est cansado. S 
com uma paciente?
- No se esquea de que Nan foi a minha primeira paciente. E, como voc disse, h 
muita tenso. Mas vamos esquecer os outros. J acabamos com eles. Vamos nos 
concentrar apenas um no outro.
- Tem razo.
Ele estendeu os braos para peg-la. Gayle recuou.
- Deite na cama, Paul, e fique esperando por mim. Te
nho de voltar ao banheiro para tomar um banho. Estarei aqui num instante. - Ela virou-
se. - Espere por mim, Paul.
- Com a maior ansiedade. No demore.
Ela sorriu.
- No vou demorar, e pode estar certo de que valer a pena.
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Ela viu-o se esticando na cama, enquanto entrava no ba
nheiro.
O chuveiro foi maravilhoso, como o incio ritual de uma
vida nova. Depois que fechou a gua e enxugou-se, Gayle passou
colnia pelo corpo e um perfume que combinava atras das ore
lhas e entre os seios.
Deixando o chambre no banheiro, ela voltou ao quarto.
O corpo esguio de Brandon ainda estava estendido na cama. Gayle estava ansiosa em 
abra-lo, acarici-lo, finalmente
am-lo.
Avanou apressada para a cama, subiu, estendeu-se ao
lado de Brandon.
Ele no se mexeu.
Ela soergueu-se para observ-lo. Brandon tinha os olhos
fechados, no sono. O seu ronco era intermitente, os sons eram
quase inaudveis... mas existiam.
Pobre querido, pensou Gayle, ele caiu num sono profundo. Mas ela no se importava, 
porque podia compreender.
Ele tivera um dia exaustivo e inebriante, e o mesmo lhe acon
tecera, queria tambm descansar e dormir.
Ela aconchegou-se contra Brandon, desfrutando o calor
e o contato de sua pele macia.
Bocejou e sentiu que mergulhava no sono.
Haveria tempo suficiente para eles fazerem amor pela
manh.
Estariam revigorados. Estariam prontos. Tinham todo o
dia seguinte. E o outro dia. Dias incontveis.
Ela sabia que seria o amor mais memorvel de sua vida.
Queria apenas faze-lo feliz. Queria apenas...
Naquele momento ela queria apenas dormir e foi o que fez.

Voltando para o seu apartamento, depois da sesso final com a suplente sexual, Chet 
Hunter tinha a sensao de que andava nas nuvens.
Tinha vontade de ligar para Suzy e contar tudo o que acontecera, mas sabia que estava 
muito cansado para assumir tal excitamento e a possibilidade de que ela quisesse v-lo. 
Em seu estado, a excitao aumentada pela exultao, ele queria apenas coroar seu 
sucesso com um drinque forte, saboreado sozinho.
251

Mas antes mesmo de ir  cozinha para pegar a garrafa, ele compreendeu que havia outra 
coisa que precisava fazer primeiro. Havia um telefonema que tinha de dar. O reverendo 
Josh Scrafield estaria esperando, impaciente, pelos resultados da ltima sesso, 
esperando para saber se a penetrao com Gayle fora consumada. Scrafield certamente 
estava ansioso para descobrir se Hunter cumprira sua parte do acordo, e poderiam 
finalmente entrar em ao.
Ele sentou ao lado do telefone na sala de estar e discou para Scrafield. Uma voz de 
mulher atendeu, e segundos depois o reverendo estava ao telefone.
-  voc, Chet? - indagou Scrafield, tenso. - Isso mesmo.
- E ento?
Hunter aproximou a boca do telefone ainda mais e disse, em tom confidencial:
- Eu consegui, reverendo. Acabei de conseguir. - Meteu nela?
- Duas vezes. Positivamente.
Scrafield parecia incapaz de acreditar na boa notcia. - Conseguiu mesmo trepar com a 
mulher em troca de pagamento?
- Claro.
Hunter ouviu Scrafield deixar escapar um suspiro pelo telefone.
- Como membro da reserva da policia, voc jura que est me dizendo a verdade?
- Juro por uma pilha de Bblias. Tenho at a gravao. - Sensacional!
- Ainda no fiz um relatrio por escrito porque estou muito cansado...
- Ela obrigou-o a um esforo e tanto, hem?
- E como! Escreverei tudo pela manh, assim que acordar. Acho que devo agora 
telefonar para Hoyt Lewis e Ferguson...
- No se preocupe com isso - interrompeu-o Scrafield. - Pode deixar que eu cuido deles. 
Ligarei primeiro para Ferguson e depois falarei com o promotor pblico em casa, 
mesmo que tenha de acord-lo. Informarei que voc conseguiu, que tem a prova, que 
podemos entrar em ao.
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- Deve ser o suficiente para Hoyt Lewis, no  mesmo?
- No haver mais como det-lo agora. Escreva o relatrio amanh, assim que levantar. 
Conte tudo, cada detalhe saboroso, complete o seu dirio sobre Freeberg e a mulher 
Miller e leve para Hoyt Lewis, o mais depressa possvel. Fez um bom trabalho, Chet. 
Fico contente que voc tenha se mostrado  altura quando contava. Vamos pr aquele 
proxeneta do Freeberg e sua pequena vigarista atrs das grades. Maravilhoso!
Desligando, Hunter compreendeu que sofrera uma pontada de remorso. Quando 
Scrafield se referira a Gayle como uma vigarista. O rancor do comentrio deixara-o 
contrafeito por um momento. Mas, afinal, negcios eram negcios.
Ele mal podia esperar pela manh seguinte, quando concluiria sua histria e contaria a 
Suzy o que acontecera, depois entregaria as provas a Lewis.
Na maior animao, ele saiu da poltrona e foi para a cozinha, a fim de servir-se de uma 
dose dupla de scotch com soda.

Brandon acordou primeiro, tentando desanuviar a cabea recordar o que acontecera na 
noite anterior. Percebeu ento que no estava sozinho. Gayle se achava ao seu lado, na 
cama, despertando tambm. Ele abraou-a, murmurando:
- Finalmente...
O telefone por trs dela comeou a tocar.
- Deixe tocar... - sussurrou Brandon.
Ela esticou-se para espiar por cima de seu ombro pars o relgio na mesinha-de-
cabeceira. E disse, pesarosa:
- No posso. So oito e meia. Apenas o dr. Freeberg ligaria to cedo. Tenho de atender, 
Paul.
Ela pegou o fone. Era mesmo o dr. Freeberg.
- Gayle, preciso conversar com voc...
- Quer que eu v at a clnica?
- No. Preciso lhe falar agora mesmo. Pode conversar?
Ele fez uma pausa. - Est sozinha?
Ela olhou para Brandon, que estava de rosto franzido, e disse, hesitante:
- No... no estou, dr. Freeberg. Estou com Paul... Paul Brandon.
- No h problema. Ele  da famlia. H uma coisa mui
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to importante que preciso lhe dizer.
- Parece transtornado - disse Gayle, sentando na cama e cobrindo os seios com o lenol. 
- O que aconteceu?
- Estou muito transtornado e tenho bons motivos para isso. Quero que escute com toda 
ateno. Acabo de ser preso. A polcia est esperando l fora para...
Gayle ficou atordoada.
- Como? Disse que foi preso?
- Isso mesmo. Sob a acusao de lenocnio. Era uma possibilidade sobre a qual eu 
deveria ter lhe falado, mas no o fiz porque me garantiram que no se consumaria. No 
queria alarm-la sem motivo. Mas acaba de acontecer, e achei melhor lhe dizer antes...
- Vo lev-lo para a delegacia?
- Isso mesmo. Serei fichado.
Brandon sacudiu o brao de Gayle, indagando: - O que est acontecendo?
Ela cobriu o fone com a mo e informou a Brandon:
- O dr. Freeberg foi preso por lenocnio. - Retirando a mo, ela perguntou ao dr. 
Freeberg: - Mas quem est fazendo isso?
- O promotor pblico, Hoyt Lewis. Vou explicar. Tudo comeou h alguns dias. Lewis 
me procurou aqui na clnica para dizer que o uso de suplentes sexuais era lenocnio, 
contra as leis da California. Ameaou me levar a julgamento se eu no renunciasse ao 
uso de suplentes. Entrei em contato com meu advogado, Roger Kile... voc j o 
conhece... e depois de pesquisar as leis estaduais, ele me garantiu que Lewis no tinha 
nenhuma base para um processo. Kile me disse que continuasse a trabalhar como 
antes... lamento muito... eu deveria te-la avisado...
Gayle se empertigou.
- Me avisado? Mas por qu?
- Gayle, voc tambm vai ser presa. - Eu? Mas por qu?
- Prostituio. Eu por lenocnio, e voc por prostituio, porque est trabalhando para 
mim.
- No  possvel, dr. Freeberg. E os outros... as outras mulheres e Paul...
- S ns dois seremos acusados. Mas se eles ganharem o caso contra ns,  evidente que 
podem acusar os outros...
Mas por que eu?
- Tentei descobrir. O mximo que consegui saber, at agora,  que a principal 
testemunha de acusao foi um dos seus pacientes.
- Um dos meus pacientes? - repetiu Gayle, aturdida. -  impossvel. Conhece muito bem 
os dois. Adam Demski j deixou a cidade. Era um estranho aqui. Alm do mais, no 
faria mal a uma mosca. E Chet... Chet Hunter... ele no diria que sou uma prostituta em 
hiptese alguma. Eu o salvei, dr. Freeberg, fiz com que se tornasse um homem so.
A voz do dr. Freeberg era implacvel ao afirmar:
- Um dos dois denunciou-nos e vai depor contra ns no tribunal.
Gayle sacudiu a cabea.
- No faz o menor sentido. O que... o que vai acontecer conosco?
- H mandados de priso contra ns, mas vo nos acusar de crimes diferentes. Seremos 
levados  delegacia para sermos fichados... impresses digitais, fotografias de frente e 
de perfil...
- Oh, no!
- ...e fixaro fianas para ns. J avisei a Roger Kile, e ele est vindo de Los Angeles 
para providenciar a fiana. Portanto, seremos soltos imediatamente.
- Por quanto tempo?
- As situaes so diferentes. Terei uma audincia preliminar dentro de dez dias, quando 
um juiz vai decidir se houve ou no uma probabilidade de um crime ter sido cometido. 
Se ele decidir que houve, serei encaminhado ao tribunal superior, detido outra vez e 
depois levado a julgamento, em cerca de dois meses.
- E o que acontece comigo? - indagou Gayle, a voz trmula.
- Seu caso  mais simples. Comparecer  presena de um juiz em companhia de Roger 
Kile, e apresentaremos uma alegao de inocncia. Depois, voc pode ou no ser levada 
a julgamento.
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- Tudo isso vai sair nos jornais e na televiso?
- Infelizmente, Gayle, creio que sim. Mas no precisa se assustar. Roger estar nos 
defendendo...
- No me assustar? Ora, dr. Freeberg, eu estou apavorada! Quando a polcia vir me 
prender?
- Dentro de dez minutos. Tenho de desligar agora.
Gayle bateu com o fone e virou-se para Brandon.
- Paul, a polcia estar aqui a qualquer momento.
Ele abraou-a, tentando acalm-la e confort-la. Os olhos enchendo-se de lgrimas, ela 
acrescentou:
- L se vai tudo por gua abaixo. A coisa se tornar pblica. Pode imaginar uma mulher 
presa por prostituio ganhando uma bolsa de estudos da Universidade da California? 
Est tudo perdido...
- Nem tudo, Gayle. Ainda restam ns dois. - S que um de ns estar na cadeia... E ela 
desatou a chorar.
A primeira coisa que surgiu na mente de Chet Hunter, quando acordou pela manh, foi 
telefonar para Suzy Edwards e lhe transmitir a noticia fantstica.
Ainda de pijama, ele ligou para Suzy, na Clnica Freeberg. Foi logo dizendo, muito 
excitado:
- Suzy, preciso falar com voc hoje. Quando pode dar um pulo at aqui?
- Assim que acabar o expediente. Posso chegar a logo depois das seis.
- Tem de ser antes. Preciso me encontrar com voc o mais depressa possvel.
- Fala como se fosse algo muito importante - comentou Suzy, surpresa. - O que ?
- No d para falar por telefone. Tem uma coisa que quero lhe mostrar. E pode estar 
certa de que  mesmo muito importante.
- Acho que eu poderia aproveitar a hora do almoo...
- A hora do almoo? Est timo! Poder comer um sanduche aqui, enquanto 
conversamos.
- Sobre o que, Chet? No pode nem ao menos me adiantar nada?
- Vai descobrir o que  assim que chegar aqui. Estarei esperando voc ao meio-dia e 
quinze.
Assim que desligou, Hunter pensou em outra ligao que
257
X
precisava fazer. Tornou a tirar o fone do gancho e ligou para o prdio municipal. Pediu 
 telefonista que o ligasse com o gabinete do promotor pblico.
Hunter foi informado que Hoyt Lewis sara, mas a secretria acrescentou:
- Sei que ele estava esperando uma notcia sua. Tambm disse que os dois deveriam se 
encontrar ainda hoje.
-  por isso que estou ligando - explicou Hunter. - Gostaria que lhe transmitisse um 
recado. Avise a ele que  sobre a conversa que teve com o reverendo Scrafield na noite 
passada. Diga que estou escrevendo um relatrio detalhado e lhe mandarei algumas 
cpias antes do meio-dia. Passarei por a, para falar com ele pessoalmente, entre duas e 
trs horas da tarde, se no houver qualquer problema. Pode dar o recado?
- Claro, sr. Hunter. - A secretria soltou uma risadinha. - Aposto que conseguiu tudo 
ontem.
- Ei... como descobriu...?
Ela tornou a rir.
- Est esquecendo que sou a secretria particular do sr. Lewis. Datilografei as peties 
h cerca de duas horas.
- Ento  isso. - Hunter sorriu para si mesmo. - Isso mesmo, minha cara, eu consegui.
Depois de desligar, o bom animo de Hunter persistiu. Tinha quase duas horas para se 
preparar para aquele dia to importante. Tomaria um banho de chuveiro, faria a barba, 
se vestiria, comeria um bom desjejum e ainda teria tempo suficiente de escrever o 
relatrio para Hoyt Lewis.
Ele cumpriu tudo o que tinha de fazer naquela manh com a maior animao e com 
pontualidade. Mais do que isso, at se antecipou, pois queria concluir o dirio com todo 
cuidado - para impressionar Suzy, quando ela o lesse, depois o promotor pblico e por 
ltimo o editor do Chronicle.
Sentando diante da mquina de escrever eltrica porttil, Hunter tentou recordar to 
nitidamente quanto possvel, com os detalhes mais acurados, o que acontecera na noite 
passada, em sua ltima sesso com Gayle. O dilogo podia estar gravado, mas apenas 
sua mente era capaz de reconstituir os atos e o clima.
Ela estava sentada no sof, completamente nua, esperando
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que ele acabasse de se despir.
Perguntara como ele se sentia.
Ele respondera que achava que conseguiria.
Gayle admitira que haviam conseguido na ltima vez, que a penetrao ocorrera.
Hunter comeou a datilografar tudo. Resolveu omitir a parte sobre o seu medo de 
ejaculao precoce. Tais detalhes no eram necessrios. Afinal, no estava tentando ser 
James Joyce ou Henry Miller. Decidiu se concentrar apenas no que era relevante e 
verdadeiro.
- Voc disse que o objetivo era me levar a cinco minutos - comentara ele.
- Dez minutos, Chet, dez minutos - respondera Gayle.
Hunter recomeou a datilografar.
Escrevia mais depressa quando se aproximava das melhores partes, omitindo apenas 
umas poucas linhas do que acontecera.
- Voc vai se divertir muito, Chet - prometera Gayle. - A penetrao como sempre 
desejou. A posio masculina superior, com o intercurso completo.
Ele escrevia ainda mais depressa agora.
- O que estamos esperando? - indagara Gayle.
Ela demonstrara algum teso, refletiu Hunter, talvez no tanto quanto Suzy, mas ainda 
assim muito bom para uma parceira sexual paga.
Recordando a penetrao, ele engoliu em seco e transcreveu os detalhes da cpula. 
Recordou o que acontecera depois.
- Quanto tempo passou at eu gozar?
- Sete minutos. - Depois, Gayle acrescentara: - Mas no vou deix-lo sair enquanto no 
tiver me penetrado por dez minutos. E isso vai acontecer.
Ele conseguira, na segunda vez melhor do que na primeira. Escreveu tudo.
Chet tirou a ltima folha da mquina de escrever e releu o que estava ali. Era um 
datilgrafo meticuloso e s precisou fazer trs correes.
Recostou-se, exultante, quando acabou de ler.
O relato no deixaria o promotor pblico na maior alegria? E Scrafield? E, o que era 
mais importante, Otto Ferguson?
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Mas, acima de tudo, haveria a reao emocionada de Suzy Edwards.
Pegando as folhas datilografadas, Hunter desceu apressado, para fazer duas coisas. 
Primeiro, foi a uma loja e mandou tirar trs fotocpias do relatrio. Depois, foi ao 
servio de mensageiros no outro lado da rua e despachou as cpias, uma para Hoyt 
Lewis, em seu gabinete, outra para o reverendo Scrafield, na igreja, e a terceira para 
Otto Ferguson, no Chronicle de Hillsdale.
Era exatamente meio-dia quando ele concluiu o que tinha de fazer e voltou ao 
apartamento com o texto original, nara esperar por Suzy.
Ela chegou 14 minutos depois, beijou Hunter e o manteve a distancia, tentando 
encontrar em seu rosto alguma coisa lue satisfizesse sua curiosidade.
- Mas, afinal, o que est acontecendo, Chet?
- Isto. -- Ele entregou o texto original e levou-a para eua poltrona. - Sente e leia o 
relatrio da minha ltima sesso de terapia.
Haviam se encontrado com freqncia durante as duas ltimas semanas, mas Hunter 
evitara duas coisas: qualquer tentativa de fazer sexo com ela, uma advertncia que o dr. 
Freeberg fazia a todos os pacientes, nada de sexo fora da terapia (alm do mais, Hunter 
tinha medo de outro fracasso com Suzy); e discusses sobre suas atividades com a 
suplente sexual e seu progresso, porque no sabia se o resultado final seria favorvel.
Agora, finalmente, Suzy saberia de tudo.
Hunter ficou perto dela, enquanto Suzy, a sua curiosidade aumentando, comeava a ler, 
a princpio devagar, e depois cada vez mais depressa. Quase ao final, ela passou a 
murmurar, vrias vezes:
- Maravilhoso... maravilhoso... maravilhoso... Subitamente, ela acabou a leitura e se 
levantou, abraando Hunter, extasiada.
- Meu bem, voc conseguiu! - exclamou Suzy. - Oh, meu bem, deu certo, e agora voc 
no tem mais nenhum problema!
O entusiasmo de Suzy deixou-o um pouco nervoso.
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- Acho que sim, querida. Deu certo, mais ou menos...
Ela no o deixou continuar.
- Mais ou menos? O que est querendo dizer com isso? Conseguiu fazer com aquela 
mulher maravilhosa no apenas uma vez, mas duas... ou melhor, trs vezes. Por que est 
to hesitante?
- Porque no tenho certeza se os efeitos da terapia sero duradouros. Gayle provou que 
eu podia conseguir com ela. Deu certo. Mas agora que ela me largou no mundo, como 
posso saber que estarei curado com qualquer uma? Talvez no de certo com outra 
mulher.

Suzy agarrou-o pelos braos e fitou-o nos olhos.
- Voc est apaixonado por ela, Chet? Est?
- Claro que no! Estou apaixonado por voc. Ela foi apenas uma professora.  voc a 
mulher que eu amo.
Ela abraou-o.
- Pois ento mostre para mim, Chet. Prove que ela o curou o bastante para fazer comigo. 
Afinal, isso  tudo o que voc deseja saber. Vamos fazer agora.
Ele parecia surpreso.
- Agora? Eu... eu preciso sair daqui a pouco. E voc tem de voltar ao trabalho. - Uma 
pausa e ele acrescentou, contrafeito: - E o almoo?
- Ora, Chet, tudo isso no tem a menor importancia. H tempo suficiente para provar a 
si mesmo... e a mim...
Ele abraou-a apertado.
- El, no me leve a mal. Quero ir para a cama com voc a qualquer momento, durante 
todo o tempo...
- Pois ento este  um momento.
- Mas claro! - exclamou Hunter, comeando a tirar a gravata.
Ela tirou a blusa, largou-a no cho, encaminhou-se para o quarto.
- Venha comigo, Chet.
- Ei, menina, voc est me deixando com o pau mais duro do que pedra!
Ele estava tentando tirar as calas quando Suzy o pegou pelo brao e disse:
- Pois guarde tudo para mim.
261

Um instante depois os dois estavam na cama, e ela murmurou:
- H muito e muito tempo que eu estava esperando por isso, querido.
Hunter teve alguma dificuldade para se controlar, mas todos os exerccios que fizera 
durante os ltimos dias afloraram em sua mente. Devagar. Toque, afague, acaricie. 
Devagar, bem devagar, v despertando as sensaes e o prazer, no tente provar coisa 
alguma.
Depois de uns cinco minutos de preliminares, ele achou que j era o suficiente e 
concluiu que Suzy tambm pensava, pelos sons guturais que ela emitia.
Ela estava com as coxas abertas para recebe-lo e ele se colocou por cima.
Nenhum pensamento de ejaculao precoce ou possvel fracasso sequer passou pela 
cabea de Hunter. Ele penetrara na suplente sexual at o final, na noite anterior, no 
apenas uma mas duas vezes, mantivera as erees e controlara os orgasmos, pelo que 
lhe pareciam eternidades.
No havia a menor possibilidade de que no conseguisse tambm com Suzy, a sua 
deslumbrante Suzy.
O pnis estava encostando na macia abertura vaginal.
E nada de espasmo, nada de esperma, apenas a ansia de penetr-la, unir-se a ela.
Sem a menor hesitao, ele seguiu em frente, foi at o fundo, sentindo apenas o calor 
dos dois corpos, enlaados na primeira cpula.
Era finalmente o sonho da consumao, o momento de
maior exultao que j experimentara em toda a sua vida.
Eles continuaram juntos. Nenhum dos dois tinha noo do tempo. Estavam conscientes 
apenas de que no ocorrera uma ejaculao precoce para lhes frustrar o prazer.
Quando a ejaculao ocorreu, foi no auge do prazer mtuo e normal pela primeira vez.
Depois, eles ficaram abraados, em alvio e na celebrao do que o futuro lhes 
reservava.
Descansaram um pouco, foram para o banheiro e tomaram um banho de chuveiro 
juntos, depois se vestiram.
262
- Vou fazer agora uns sanduches para ns - anunciou Suzy.
- Faa apenas para voc mesma - disse Hunter. - Eu comerei depois. Tenho um encontro 
marcado agora.
Ele se encaminhou apressado para a sala de estar, e Suzy seguiu-o.
- Qual  a pressa, Chet? No quer relaxar e...
- No posso - falou ele, pegando as ltimas pginas do dirio. - Vou me encontrar com o 
promotor.
- O promotor pblico? Est fazendo alguma pesquisa para ele?
- J fiz. - Hunter acenou com as folhas. - Ele vai prender Freeberg por lenocnio e Gayle 
Miller por prostituio... e precisa desta prova. Por isso, eu...
A expresso de Suzy era de intensa consternao. Ela correu para postar-se na frente de 
Hunter, bloqueando-lhe a passagem.
- Espere um instante, Chet. Quer dizer que ainda no sabe...
- No sei o qu?
- Freeberg e Gayle foram presos esta manh. Freeberg no estava muito preocupado 
depois que seu advogado, Kile, convenceu-o de que nenhum paciente testemunharia 
contra eles. Mas... - Ela fitava Hunter nos olhos. - Est querendo dizer que  voc quem 
vai prestar o depoimento de que Freeberg  cafeto e Gayle uma vigarista?
-  apenas um trabalho, Suzy. Algum tem de ser testemunha, por isso eu providenciei 
as provas.
Ela estava atordoada.
- Voc fez o qu? No posso acreditar! - A fria de Suzy estava comeando a aumentar. 
- Voc deveria ser o homem que eu amo, mas descubro agora que no passa de um 
safado. - Ela respirou fundo. - Eu o encaminhei a Freeberg e Gayle para que superasse 
seu problema. Em vez disso, aproveitou a oportunidade para investig-los, para montar 
uma operao nojenta...
- Isso foi uma coisa secundria - explicou Hunter, constrangido. - Claro que meu 
verdadeiro objetivo era obter alguma ajuda e normalizar nosso relacionamento. Mas, no 
processo, obtive esta prova. - Ele tornou a acenar com os papis que
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262
- Sabe o que isso representa para ns? Sigm tinha na mo. ca que  agora uma questo 
poltica, e que tenho um empreg
Vai levantar nossa vida. garantido no jornal de Ferguson.
Ele tentou passar por Suzy, mas ela no saiu da frente
- Voc no vai a lugar nenhum. Se tentar, no previ
Nunca mais vou querer v-lo. Eu o consideraria a c voltar. sa mais repulsiva do 
universo. Pior do que um verme. Ch voc sabe o que est fazendo com eles... com o dr. 
Freeberg.
fizeram por voc? S
l
depois do que eles
com Gayle Milier.. depoimento pode pr os dois na cadeia, fazer com que Fre
arruinar a carreira de Gayl
berg tenha sua licena cassada, - Escute, por favor - suplicou Hunter. - As leis n so 
feitas por mim...
Mas  voc quem vai tentar provar que eles violar - a lei. Voc  a nica testemunha. 
Como pode se virar cont eles? Como pode destruir Gayle Miller, aquela mulher ma
vilhosa? Acabei de ler o que ela fez por voc. Pude tamb comprovar o que ela 
conseguiu l no quarto. E, agora, v
assa de uma criminosa
tentar provar que ela no p.
- Voc sabe muito bem que nunca foi essa a minha teno
.
Mas  o que conta agora. Chet... - Suzy o segur - pelos ombros        voc no pode... no 
pode fazer iss
mas j estou comprometido.
- Sinto muito, Suzy, Pois ento trate de ficar descomprometido. - Ela - rancou as 
pginas de sua mo. - Chet, foi uma prostit desclassificada que fez isso com voc? Ou 
foi uma suple
sexual legtima, trabalhando com um terapeuta licenciad
O tribunal
Suzy, no me prejudique.
- Por favor, decidir o que  certo ou errado. Tudo o que sei  o que  ce para mim, para 
ns. Quero ser algum, chegar a algum lug
- No vai chegar a lugar nenhum, Chet! Como ser mano, voc no  nada! Est se 
comportando como um ra
pare com isso...
- Suzy, - Pode continuar o que est fazendo. Vai acabar surgi uma oportunidade decente 
e voc poder progredir. Mas n
iver consigo mesmo e co
voc tem de v
sim. Neste momento, Como pode sequer pensar em denunciar as pessoas que fize
tanto por voc? Por favor, Chet, pense a respeito. Aense m
ony Zecca estava sentado  sua escrivaninha, na sala dos funos do restaurante, 
aguardando que o telefone tocasse.
Fizera a chamada para Big Manny Martin em Las Vegas  quase meia hora. Fora 
informado de que Manny deixara a sute, mas voltaria em breve e ligaria para ele. Fora 
acoalhado a ficar sentado ao lado do telefone, esperando.
E ali permanecera ele, durante todo o tempo, especulan
se fazia o que era certo, imaginando o que deveria dizer Manny.
No havia qualquer dvida na mente de Zecca de que anny faria qualquer coisa que ele 
pedisse. Zecca sempre manera o melhor relacionamento profissional com Manny e o 
dicato. Com sua cadeia de restaurantes, Zecca proporciova uma cobertura perfeita para 
que eles lavassem o dinheiilcito e adquirissem uma legitimidade aceitvel aos olhos 
Servio da Receita Federal. Em troca, o sindicato tambm judara a crescer. Mas ele os 
ajudara mais ainda e em coimais cruciais. Alm dos negcios, prestara muitos outros 
ores ao sindicato, deixando que a cadeia de restaurantes cionasse como um conduto para 
o trfico de entorpecenque vinham da Amrica do Sul. Zecca no tinha a menor vida de 
que o sindicato lhe devia um favor, e que Manny a pessoa a quem devia pedir a 
retribuio.
O que confundia Zecca era qual a retribuio que devepedir quando Manny ligasse.
Mas ele estava certo do seu objetivo final. Isso estava bem ro. Queria livrar-se do 
miservel dr. Freeberg, de um jeito de outro. Freeberg seduzira Nan e a estava 
mantendo esdida para umas trepadas seguras. Depois que Freeberg fosse finado, Nan 
estaria sozinha e perdida. Zecca no teria qualr dificuldade para traz-la de volta a seu 
controle.
O primeiro impulso de Zecca fora o de cuidar pessoalte de Freeberg. Sempre andava 
com uma pistola 45, onde r que fosse, seria fcil transformar o doutor num cad
Alguma coisa, porm, levara Zecca a hesitar na sua inao de cuidar sozinho de Freeberg. 
No que ele fosse avesso atar algum que o prejudicava ou se interpunha em seu mho. 
Mas o fato  que no matava ningum desde os anos
ietnam, poraue sua fachada e o valor que tinha para o
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265

sindicato era a sua respeitabilidade. Se provocasse alguma encrenca e se envolvesse 
com a polcia, perderia a utilidade para o sindicato, e talvez mesmo sua vida corresse 
perigo.
Zecca chegara  concluso que era melhor que o seu desejo fosse consumado pelo 
annimo sindicato. Eles eram especialistas em casos assim e no deixariam qualquer 
pista para a polcia. Ele prprio permaneceria a salvo - com as mos limpas -, livre para 
trazer Nan de volta  sua vida.
Por isso  que Zecca telefonara para Manny em Las Vegas.
Agora, esperando pela chamada em resposta, s havia uma dvida. O que exatamente 
ele queria pedir a Manny? Queria que Manny designasse um pistoleiro para liquidar a 
porra do doutor e dar sumio no corpo? Ou queria que Manny mandasse um ou dois 
capangas bem fortes para dar uma surra em Freeberg, deix-lo todo arrebentado, 
dizendo-lhe que sasse da cidade o mais depressa possvel, se queria continuar vivo?
Tentando determinar o que deveria dizer a Manny quando falassem, Zecca lanou um 
olhar furioso para o telefone e estendeu a mo para o exemplar do Chronicle que estava 
em sua mesa.
Quando ia abrir na seo de esportes, um ttulo na base da primeira pgina atraiu sua 
ateno. Na verdade, o que chamou sua ateno foi o nome do dr. Arnold Freeberg no 
primeiro pargrafo da matria.
Curioso, Tony Zecca apressou-se em ler a notcia.
Ao terminar, recostou-se na cadeira giratria, com um sorriso de satisfao. O promotor 
pblico, Hoyt Lewis, estava processando um terapeuta sexual local, o dr. Arnold 
Freeberg, por usar suplentes sexuais femininas para curar seus pacientes. Lewis 
prendera e fichara Freeberg e uma suplente sexual, cujo nome no fora revelado, por 
lenocnio e prostituio. Lewis levaria Freeberg a julgamento e acabaria com sua prtica 
em Hillsdale.
No dia seguinte o promotor pblico daria uma entrevista coletiva, apresentando detalhes 
do processo contra Freeberg.
O sorriso de Zecca se alargou.
Seu dilema acabara. A lei providenciara um meio perfeito de se livrar de Freeberg. O 
promotor faria o servio por ele. Liquidaria a porra do doutor, e Zecca teria a sacana da 
Nan de volta  sua cama, pelo tempo que quisesse.
Nesse instante o telefone tocou.
Era Big Manny Martin em pessoa, telefonando de Las
Vegas. .
- Ol, companheiro - disse Manny. - Tem alguma
coisa importante para me falar?
Zecca engoliu em seco.
- Nada de muito importante, chefe. Talvez eu tenha exa
gerado no meu entusiasmo. Na verdade, no passa de rotina. - Mas o que , Tony?
- HA... o embarque... a carga da Colmbia... chegou
uma semana antes do prazo. Pensei que gostaria de saber pa
ra providenciar o recolhimento.
- Isso e tudo? Pegaremos a carga no recolhimento re
gular. Obrigado por ficar atento, Tony. At a prxima. Depois de desligar, Zecca tornou 
a se recostar na cadei
ra, aliviado.
Ainda bem que o promotor pblico faria o trabalho de
Manny. No dia seguinte, decidiu Zecca, ele acompanharia a
entrevista coletiva de Hoyt Lewis.

Apenas um segundo antes de ser encaminhado  sala do promotor pblico, Chet Hunter 
sentiu alguma fraqueza nas pernas. Tinha certeza de que no era de nervosismo pelo 
passo to importante que estava dando, mas sim da exausto provocada pela segunda 
ida para a cama com Suzy Edwards. Fora melhor do que na primeira vez, muito melhor, 
muito mais prolongada.
Agora, os ombros empinados, sentindo-se forte e seguro, ele entrou no gabinete de Hoyt 
Lewis.
O reverendo Josh Scrafield, como era de se esperar, estava ali, com uma expresso 
radiante. Hunter desviou-se para apertar a mo de Scrafield e depois continuou at a 
mesa de Hoyt Lewis.
O promotor estava de p, a mo estendida. Hunter apertou-a rapidamente.
- Meus parabns! - Lewis bateu com a mo na cpia do ltimo relatrio de Hunter que 
estava em cima de sua mesa. - Um trabalho excepcional, perfeito.
- Obrigado - agradeceu Hunter.
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- Eu estava ansioso em ve-lo, Chet - continuou o promotor. - Quero determinar a 
estratgia com voc, antes da entrevista coletiva amanh. Sente, sente. Temos muito que 
conversar.
Hunter permaneceu de p, em silncio. Lewis acomodouse em sua cadeira.
- O mais importante  que voc preste depoimento no tribunal, repetindo tudo o que 
escreveu no seu relatrio. No podemos perder. Voc ser uma excelente testemunha de 
acusao, uma testemunha incontestvel.
Hunter limpou a garganta.
- Infelizmente, no poderei ser.
Hoyt Lewis levantou a cabea abruptamente, como se no tivesse ouvido direito.
- Como?
- No vou me apresentar como testemunha de acusao. Cheguei  concluso de que o 
dr. Freeberg no  culpado de lenocnio, e Gayle Miller no est empenhada em 
prostituio. Eles no devem ser processados. Esto realizando uma terapia legtima. 
So pessoas de bem e merecem que a sociedade lhes permita continuar em seu trabalho.
Hoyt Lewis sacudiu a cabea com uma expresso de incredulidade.
- Perdeu o juzo, Chet?  impossvel que eu tenha ouvido direito.
Hunter ouviu s suas costas o grito furioso do reverendo Scrafield.
- Voc est louco ou o qu? - Scrafield avanou pela sala. - Freeberg pagou a voc para 
fazer isso? Hunter permaneceu calmo.
- Ao contrrio. Eu paguei a Freeberg para me curar, e ele conseguiu.
Scrafield segurou as lapelas do palet de Hunter.
- Volte atrs, seu traidor, e eu juro que torcerei seu pescoo!
- Largue-o - ordenou Lewis, estudando Hunter por um momento. - Talvez essa atitude 
seja uma aberrao momentnea de sua parte, Chet. No sei o que h por trs disso, mas 
voc merece outra chance. Vai se ater ao que combinamos e
ser minha testemunha principal?
- No - respondeu Hunter. - Eu me recuso terminantemente a depor contra o dr. 
Freeberg e Gayle Miller.
- No pode se recusar a testemunhar - insistiu Lewis, calmamente. - Isso  crime. Se no 
se apresentar para depor por livre vontade, ento terei de intim-lo.
- Pode fazer isso, e cumprirei a intimao. Mas no pode fazer com que eu seja uma 
testemunha favorvel  acusao. A defesa ficaria feliz em me ver no banco das 
testemunhas Preciso dizer mais alguma coisa?
O promotor ficou em silncio, visivelmente furioso, enquanto Hunter arrematava:
- Creio que isso  tudo o que h para dizer.  melhor eu ir agora. Espero tornar a ve-lo 
um dia desses... mas que no seja no tribunal.
Ele virou-se e saiu da sala.

Avanando pelo corredor do prdio, Hunter experimentava uma profunda sensao de 
alvio. No sabia como resistiria  presso de Hoyt Lewis e do reverendo Josh Scrafield, 
mas descobrira que fora capaz de enfrent-los. No se acovardara. Demonstrara 
coragem. Desconfiava, como Suzy sugerira, que devia a Gayle mais do que a 
restaurao de sua sexualidade. Ao fazer isso, Gayle levara-o a recuperar a moralidade e 
confiana em seu futuro. Estava satisfeito por no te-la trado.
Teve a impresso de ouvir algum gritar seu nome. Parou e virou-se, pensando em 
deparar com Lewis ou Scrafield.
A pessoa que deixava o banheiro dos homens e o chamava no era Lewis nem Scrafield, 
mas algum que ele esperara no tornar a ver.
- Chet - disse Otto Ferguson, adiantando-se -, eu precisava conversar com voc. Tentei 
encontr-lo em casa, mas depois calculei que estaria aqui. A secretria de Lewis 
confirmou sua presena, e vim para c o mais depressa que pude, a fim de esperar sua 
sada. Pelo visto, teve uma reunio das mais difceis.
- Tem toda razo - respondeu Hunter, confuso pela presena do editor. - Foi uma 
reunio das mais difcei'.
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- O que aconteceu? - indagou Ferguson, fitando Hunter nos olhos. - Disse a eles que 
seria a principal testemunha ou mudou de idia?
Hunter ficou aturdido.
- Mudei de idia. Recusei-me a cooperar com eles. - Fico contente por isso. Se no o 
tivesse feito, nossa conversa no continuaria.
Hunter estava agora completamente atordoado.
- Mas do que est falando, sr. Ferguson? Foi a sua sugesto que me meteu nessa 
confuso.
- Isso foi antes de eu conhecer o trabalho que o dr. Freeberg e suas suplentes sexuais 
esto realizando. - Ferguson tirou um mao de folhas de papel do bolso do palet e 
acenou para Hunter. - Agora eu sei.
- O que  isso?
- Seu relatrio. O dirio que me enviou esta manh. Quando tudo comeou, Chet, eu 
ainda estava desconfiado da operao de Freeberg, achava que a histria poderia ser 
obscena demais para os nossos leitores. Foi por isso que o aconselhei a transform-la 
numa questo poltica. Assim, seria vlido publicar toda a parte sexual, ainda mais se o 
promotor pblico apresentasse acusaes de lenocnio e prostituio. Mas eu estava 
enganado. Deixei-me equivocar pela ausncia de informaes.
O espanto de Hunter era total. - No estou entendendo.
Ferguson sacudiu as folhas de papel  sua frente.
- Estou falando disto. Li com toda ateno e fiquei impressionado. Voc aparece como 
um sujeito decente, que precisa desesperadamente de ajuda, enquanto Gayle emerge 
como um anjo de misericrdia.
Hunter estava cada vez mais incrdulo.
- Mas... gostou da maneira como apresentei o tratamento das suplentes sexuais?
- Adorei! Tem todos os elementos para uma histria perfeita... um heri sofredor, 
dominado por conflitos interiores e pelo senso de derrota, uma linda herona, capaz de 
fazer qualquer coisa para salv-lo, depois o homem se encontra com a mulher, h 
algumas semanas de suspense, o homem  salvo
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e temos um final feliz. - Ferguson fez uma pausa. -  tudo verdade, no  mesmo?
- At a ltima palavra, sr. Ferguson.
- H milhares e milhares de pessoas por a sofrendo de disfunes sexuais, em silncio, 
secretamente. Seu relato pessoal pod lhes oferecer uma chance de felicidade.
Hunter sentia a boca muito seca. Tinha dificuldade para respirar.
- O que est querendo dizer, sr. Ferguson?
- Que vou publicar sua histria quase na ntegra, como uma srie de artigos, com a sua 
assinatura. Posso lhe pedir para editar alguma coisa dos atos sexuais mais explcitos... 
usando alguns cortes criteriosos, uns poucos eufemismos, para tornar a matria mais 
aceitvel, mas sem distorcer nem comprometer a honestidade de sua narrativa.
- Vai me deixar editar?
- Claro que vou, depois que voc estiver sentado  sua mesa no Chronicle. - Ele pegou a 
mo de Hunter e apertou-a. - Meus parabns, Chet.
- No posso acreditar...
Ferguson piscou-lhe um olho.
- A medida que ficar mais velho, meu filho, vai descobrir que a virtude s vezes 
compensa. Esteja em minha sala s dez horas da manh de amanh. Vamos discutir o 
seu salrio. - Ele comeou a se afastar, depois parou e virou-se. - Espero que tenha 
algum que v se beneficiar de sua sabedoria sexual recm-adquirida.
- Claro que tenho. Vamos casar.
- Espero que Gayle pegue o buqu jogado pela noiva.
Depois que Ferguson foi embora, Hunter continuou parado no corredor, atordoado pelo 
desenrolar dos acontecimentos.
Ento ele comeou a correr,  procura de um telefone, para avisar a Suzy Edwards que 
agora poderiam casar o mais depressa possvel.

Hoyt Lewis estava sentado em sua sala, os cotovelos em cima da mesa, as mos 
segurando a cabea dolorida, a imagem da extrema desolao.
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Uma hora antes ele era o homem mais feliz do mundo. Depois de ler o que Hunter 
descobrira e sabendo que ele estava disposto a ser a principal testemunha de acusao, 
seus sonhos mais delirantes de um futuro glorioso pareciam prximos da realidade.
Mas agora, por causa de uma testemunha sentimental, que se recusava a depor em seu 
favor, as ambies de Lewis haviam se dissipado como fumaa.
- Repulsivo, absolutamente repulsivo - ele murmurou.
O reverendo Scrafield, que continuou a andar de um lado para outro, na frente da mesa 
de Lewis, furioso, acenou com a cabea em concordancia.
- Tenho vontade de matar aquele filho da puta estpido - resmungou Scrafield.
Lewis levantou a cabea, fez um esforo para se empertigar.
- No h nada que possamos fazer agora. Hunter nos agarrou pelos colhes, por assim 
dizer. Devemos dar o caso por encerrado.
- E a entrevista coletiva que convocou?
- Terei de concede-la, mas farei apenas um breve comunicado, declarando que 
estvamos desinformados sobre a operao do dr. Freeberg e que retiramos as 
acusaes. Terei de dizer que foi um equvoco, e que j providenciamos para que 
Freeberg e Gayle Miller sejam liberados.
Hoyt Lewis percebeu que Scrafield parara abruptamente  sua frente, e o fitava.
- Espere um instante - disse o reverendo, falando bem devagar. - Creio que tenho uma 
idia que pode ressuscitar nosso caso.
- E o que ?
- Voc me lembrou de uma coisa. Essa Gayle Miller ainda est presa sob a acusao de 
prostituio, no  mesmo?
- Claro que est, embora isso ainda no tenha sido anunciado. Mas no podemos fazer 
nada contra ela. Sem uma testemunha, no temos qualquer base para o processo.
- Eu disse que tive uma idia - murmurou Scrafield. - E se eu apresentasse uma 
testemunha... uma testemunha duas vezes melhor do que Hunter?
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Lewis estava alerta.
- Quem poderia ser essa testemunha?
- Nada menos do que a prpria prostituta, Gayle Miller.
- Gyle Miller? No estou entendendo.
- Disse que ela est indiciada por prostituio. E no sabe ainda que no ser levada a 
julgamento.
- Ela saber amanh, depois de minha entrevista coletiva, quando retirarmos as 
acusaes.
- Mas ainda estamos no dia de hoje, e ela no sabe de nada. Vi sua ficha e me lembro de 
um detalhe. Ela solicitou uma bolsa de estudos da Univerdade da California. Se por 
acaso se espalhar a noticia de que est sendo julgada por prostituio, ela perder toda e 
qualquer possibilidade de conseguir a bolsa. A garota tem muita coisa em jogo.
- Onde est querendo chegar, sr. Scrafield?
O reverendo contornou a mesa e parou ao lado do promotor.
- Hoyt, a tal Gayle sabe apenas que foi indiciada e ser julgada como vigarista. Deve 
estar tremendo de medo. Aposto que ela daria qualquer coisa para escapar  priso, ser 
inocentada, solta. E se eu procur-la e apresentar uma proposta? Oferecer uma 
oportunidade de recuperar a liberdade?
-- Como conseguiria isso?
- Procurando Gayle esta noite e fazendo a seguinte proposta: "Voc est indiciada, 
prestes a ser condenada, ficando com a reputao arruinada. Mas h uma maneira de se 
salvar e sair dessa confuso como a miss Pureza. Torne-se testemunha de acusao, 
Gayle, venha para o nosso lado, preste depoimento contra Freeberg e suas prostitutas. 
Alegue que foi iludida a assumir esse tipo de vida, que Freeberg  culpado de lenocnio, 
e as outras mulheres se comportam como prostitutas, voc no quer mais saber disso. 
Seja nossa testemunha principal, Gayle, e o promotor vai retirar todas as acusaes 
contra voc." O que acha disso, Hoyt? Faria um acordo desses com a mulher?
- Claro que faria. Te-la como testemunha resolveria nosso problema. Pode conversar 
com ela antes da entrevista coletiva que darei amanh?
- Esta noite mesmo - declarou Scrafield. - Conver
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sarei com a nossa amiga Gayle esta noite.
-- Acha que ela vai aceitar o acordo? - indagou Lewis, ansioso.
- Vai, sim - afirmou o reverendo, com uma expresso determinada. - Cuidarei para que 
ela aceite.
XI
Ainda no eram oito e meia da noite quando o reverendo Josh Scrafield, trocando o 
colarinho clerical por uma gravata azul de tric, camisa branca e terno azul-marinho 
conservador, chegou  porta da casa de Gayle Miller. Ele notou que a luz por cima da 
porta estava acesa.
Por um momento, Scrafield permaneceu imvel, analisando com todo cuidado como 
deveria abordar Gayle Miller. Conseguir entrar para ve-la era a grande barreira. Depois 
que estivesse em sua sala de estar, ele tinha certeza de que no haveria qualquer 
problema. Seu esquema tinha de ser flexvel,  claro. Dependia muito do tipo de mulher 
que fosse Gayle Miller. Ele nunca a vira e, tirando o que estava no relatrio de Hunter e 
no dossi de Lewis, nada sabia a seu respeito. Houvera algumas indicaes, no relatrio 
de Hunter, de que se tratava de uma mulher atraente e franca. Mas tambm, Scrafield 
presumia, todas as mulheres naquele ofcio deviam ser atraentes e francas... ou pelo 
menos atraentes.
Entrar na casa era o passo principal, e Scrafield comeou a sentir mais certeza de que 
tinha o meio para conseguir isso.
Ele levantou a mo para a campainha, apertou trs vezes e esperou. Teve a impresso de 
ouvir algum se aproximando da porta, e um momento depois uma voz abafada 
indagou:
- Quem ?
274
275

O reverendo Scrafield chegou mais perto da porta.
- Estou aqui para falar com a srta. Gayle Miller sobre
uma questo profissional.  a Srta. Miller?
A porta foi entreaberta, apenas o suficiente para deixar
visvel uma parte de Gayle.
- Sou Gayle Miller. Sobre o que deseja me falar?
Por um instante, ao ve-la, Scrafield ficou surpreso demais para falar. Esperava encontrar 
uma mulher atraente,  claro, mas, pela natureza de seu ofcio e pelo fato de ela ter sido 
presa por prostituio, julgava que depararia com algum de beleza vulgar e rude. No 
lugar disso, o que ele via atravs da porta entreaberta era uma jovem viosa e adorvel, 
exuberante e bela, usando um chambre de seda verde-claro, que insinuava que o corpo 
estava  altura do rosto.
- Tenho um assunto importante a tratar, srta. Miller.
- No posso imaginar que assunto... mas o que quer que seja, no pode esperar at 
amanh? Tenho um encontro e preciso me vestir.
- Lamento, mas  um problema que precisa ser resolvido esta noite.
Gayle abriu a porta mais um pouco e espiou Scrafield com ateno. Tinha a impresso 
de reconhec-lo, mas no podia determinar de onde.
- Quem  voc? - perguntou ela. - E que tipo de assunto...?
- Sou o reverendo Josh Scrafield.
- O evangelista? Eu o tenho visto na televiso. Achei
que me parecia familiar. - Gayle fez uma pausa. - Sobre
o que deseja me falar?
- Sobre sua priso esta manh. Ela ficou surpresa.
- Como sabe disso? E por que acha que  da sua conta? Scrafield sentia-se mais 
confiante agora.
- Fui convidado a servir como intermedirio entre o pro
motor Hoyt Lewis e voc. Para conversar sobre o processo
que o promotor move contra voc. Ele me pediu que viesse
aqui esta noite para apresentar uma proposta. Posso entrar? Gayle abriu toda a porta.
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- Muito bem, acho que devo escutar qual  a proposta. Entre.
Com um sorriso satisfeito e agradecido, Scrafield entrou na modesta sala de estar.
Gayle indicou-lhe o sof, mas Scrafield ficou parado onde estava por um momento, 
incapaz de desviar os olhos dela. A delicadeza de suas feies, as curvas do corpo 
jovem, tudo nela contradizia por completo o que lera a seu respeito no re
latrio no a chocante e t experiente Aquela suplente sexual que ele virgem
vesta        ma
vestal,
ginara pela descrio de Hunter.
Ela puxara o chambre na frente, mas no pde esconder
do olhar de Scrafield que usava apenas um suti meia-taa e
uma calcinha sumria por baixo.
- Eu estava comeando a me vestir - disse ela. - Te
nho um encontro daqui a pouco. Por favor, seja breve. Sente-se
e me diga o que deseja.
- Obrigado, srta. Miller.
Scrafield sentou na beira da almofada do sof, especu
lando sobre o que teria acontecido ali. Observou-a puxar uma cadeira doorvel para 
sentar  sua frente, cruzando as pernas bem torneadas por baixo do chambre de seda, 
tomando cui
dado para no deixar os joelhos  mostra.
- Quer dizer que o promotor pediu que viesse me pro
curar? Ele tem alguma proposta sobre a minha priso? Scrafield limpou a garganta.
- Exatamente.
- Quer me contar logo do que se trata?
- Claro. O promotor investigou seus antecedentes e ati
vidades, o que  o procedimento normal, como deve compreender. Ele sabe, por 
exemplo, que voc trabalhou como suplente
sexual para o        Arnold m forados aodeixar oaArizona. isso era ilegal. O dois fora
Gayle ficou irritada.
- No foi bem assim que aconteceu, sr. Scrafield. Ofe
receram ao dr. Freeberg a oportunidade de continuar a prati
car a terapia sexual sem a aluda de suplentes. Ele acho oq isso seria ineficaz e preferiu 
deixar o estado. Eu propus
acompanh-lo. Viemos para a California, onde pensvamos
277

que as atitudes eram mais liberais. - Ela deu de ombros. - Obviamente, estvamos 
enganados.
Gayle fez uma pausa, fitando Scrafield nos olhos, antes de acrescentar:
- Seja como for, o que isso tem a ver com o qu?
- Talvez no seja exatamente relevante para o seu caso atual, mas menciono para que 
tenha uma idia do tipo de informaes que o promotor conseguiu obter a seu respeito. 
Mais relevante  a sua situao atual e suas atividades no momento. Por exemplo, 
sabemos o que tem feito aqui em Hillsdale.
- No  segredo. Os procedimentos de suplentes sexuais tm sido amplamente 
divulgados. - Ela estudou o reverendo, cada vez mais furiosa. - A meu respeito, sobre o 
que estou fazendo... quem contou?
Scrafield sacudiu a cabea.
- No me cabe revelar essa informao. O fato se tornar pblico quando for submetida 
a julgamento. Mas h outra informao de que o promotor dispe e que pode ser ainda 
mais interessante para voc.
- E qual  essa informao?
- Deseja fazer um curso de ps-graduao na Universidade da California. No tem 
condies de faze-lo sem uma bolsa de estudos. E solicitou-a h pouco tempo.
- H alguma coisa de errado nisso? - indagou Gayle, beligerante.
- No do ponto de vista do promotor. Apenas do seu. Porque assim que for divulgada a 
sua priso por prostituio e for levada a julgamento, parece improvvel que possa obter 
uma bolsa de estudos. - Scrafield fez uma pausa. - Isso pode prejudicar seu futuro. E o 
promotor Lewis deixou bem claro na conversa que teve comigo que no deseja 
prejudicar seu futuro.
Gayle parecia abatida.
- Onde est querendo chegar?
Ela arriou na cadeira, os seios se mexendo e deixando Scrafield fascinado. Eram seios 
cheios, firmes, os melhores que j vira em muitos anos. No era de admirar que Hunter 
fosse capaz de levantar com seios assim, pensou Scrafield, assim como tambm no era 
de admirar que Hunter no quisesse testemunhar contra ela. Talvez ele estivesse 
esperando
um bis com aquela criatura deslumbrante.
Scrafield no prestara ateno ao que Gayle estava dizendo. Distrado, ele murmurou:
- Ha... tem alguma coisa para beber em casa, srta. Miller? Estou achando a incumbncia 
muito difcil e um drinque poderia torn-la mais fcil.
- Tenho uma garrafa de scotch, mas no disponho de muito tempo. - Relutante, ela se 
levantou. - Est certo, vou lhe servir uma dose.
Ela comeou a se encaminhar para a cozinha. As ndegas ondulavam. Scrafield sentiu 
uma comicho entre as pernas. Era inadmissvel, e ele tentou ignorar sua reao.
- Sirva uma dose dupla, se no se importa, srta. Miller.
- Est bem.
Ela voltou com o scotch, sem gelo, entregou-lhe o copo e tornou a sentar. Enquanto 
Scrafield tomava o scotch, em dois goles, Gayle disse, resoluta:
- Onde est querendo chegar? Diz que o promotor no quer me prejudicar. O que ele 
espera ento ao determinar minha priso?
Scrafield saboreou os efeitos do scotch.
- Assim est melhor. Obrigado. O que o promotor de
seja? Ele determinou sua priso para assust-la, fazer com que
recupere o bom senso. Mas no quer lev-la a julgamento,
transform-la num espetculo pblico. Em vez disso, prefere
convert-la numa integrante til da comunidade.
- Como? - indagou Gayle, desconfiada.
Oferecendo um acordo que the permitiria retirar as
acuses contra voc, sem revelar seu nome.
A desconfiana de Gayle era cada vez maior.
- Que tipo de acordo?
- Ele me autorizou a inform-la que todas as acusaes
contra voc sero imediatamente retiradas se concordar em
se tornar testemunha do estado.
O rosto de Gayle exibiu um brilho de esperana. Mas ela
permaneceu cautelosa.
- Testemunha do estado? O que isso significa?
Atravs do chambre fino, Scrafield podia discernir os con
tornos das coxas, as linhas da calcinha. Ele fez um esforo
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desesperado para se concentrar.
- Ser testemunha do estado  uma grande oportunidade de se juntar  acusao como 
uma testemunha do promotor. Gayle se empertigou.
- Testemunha contra quem?
- Contra o ru no caso,  claro - explicou Scrafield, suavemente. - Precisa apenas subir 
ao banco das testemunhas e admitir que cometeu todos os seus atos sob a orientao do 
outro ru.
Gayle estava furiosa.
- O outro ru  o dr. Freeberg? - Isso mesmo.
Ela se levantou.
- Quer que eu testemunhe contra o dr. Freeberg? Est louco?
- Estou apenas tentando ajud-la - disse Scrafield, com um ar inocente. - S desejo 
livr-la de uma situao difcil.
- Pondo na cadeira um homem maravilhoso e decente, um homem que nunca fez nada 
errado? Quer que eu me volte contra o homem que ajudou tantas pessoas, inclusive a 
mim?
Scrafield tambm se levantou, suplicante.
- Srta. Miller... Gayle... seja razovel. O promotor e eu estamos lhe oferecendo uma 
oportunidade de permanecer livre. No teria de acusar Freeberg de coisa alguma no 
tribunal... bastaria relatar, sob juramento, como ele lhe pagava para ter atos sexuais com 
estranhos.
- Espera mesmo que eu crucifique o dr. Freeberg... que o leve a ser condenado como 
cafeto...
- Por lenocnio - Scrafield tentou corrigi-la.
- Quer que eu me volte contra um dos melhores seres humanos que j conheci em toda a 
minha vida? Parece que perdeu completamente o juzo. Eu jamais faria isso. Prefiro 
passar o resto da vida na cadeia do que testemunhar contra o dr. Freeberg.
- Ele  um proxeneta, Gayle - insistiu Scrafield, ainda controlado. - No se sacrifique 
por um...
- E voc no passa de uma porra de um santarro hipcrita! - interrompeu-o Gayle, 
furiosa. - Agora saia da minha casa com suas propostas nojentas! No quero ve-lo nem 
ouvi-lo nunca mais! Seu filho da puta miservel, suma da minha frente!
Scrafield tremia de excitamento  linguagem vulgar. Por trs da fachada virginal, ela era 
uma vigarista rematada que se entregara, por dinheiro e at mesmo de graa a dezenas e 
dezenas de homens.        Saia daqui e me
- Voc me ouviu! - berrou Gayle. - deixe em paz!
Scrafield encaminhou-se devagar para a porta, com Gayle em seus calcanhares.
- Por favor, reconsidere - murmurou ele.
- Suma da minha frente!
Enquanto ele estendia a mo para a maaneta, Gayle

virou-se, furiosa, e foi para o quarto.
Scrafield abriu        o a bater embora que ele viu no quarto levou
do na sala de estar.
Podia ve-la no quarto, tirando o chambre e jogando-o para o lado. Entre o suti e a 
calcinha sumria e transparente, seu corpo era mais sedoso do que o chambre. Ela se 
virou para um
espelho, e Scrafieldisar o t ngulor escuro de plos plbicos.,
achou que podia divisar sentiu o corao disparar. J tivera mulheres ao lon

go dos anos, muitas mulheres, inclusive paroquianas com casamentos infelizes, que 
idolatravam sua voz sonora e virilidade bvia. Tambm desfrutava com freqncia, h 
vrios anos,
os favores Darlmeent o omeasseta julga-la um tan gorda
ne, embora u ltima
e velha para lhe proporcionar uma excitao autntica.
Mas aquela vagabunda sensual no quarto era a mulher mais desejvel que elef al das 
contasn da sigri fcari pa a
nha de possu-la. No
ela. Era uma mulher que j conhecera mil homens antes. Ele
seria apenas o milsimo primeiro.        ara o quarto. Quase s cegas, Scrafield avanou p
Ele entrou, es sanuas. Ela sepencam nhava para uma caexibia-lhe as costa
deira, a fim de pegar uma saia.
- Gayle...
Sobressaltada, ela ficou imvel, depois virou-se, os ol os
arregalados.
281
280
- Voc! - exclamou ela. - O que est fazendo aqui? - Tentando argumentar com voc 
pela ltima vez. Por
favor, Gayle, reconsidere... concorde em trabalhar comigo... - Eu no o ajudaria por 
nada neste mundo! E agora su
ma daqui!
Ele estava hipnotizado pelo tringulo escuro que a calcinha mal escondia.
- Gayle... - Scrafield tinha dificuldade para falar. - Gayle, esquea tudo o que eu disse 
antes...  outra coisa agora... jamais conheci algum como voc... posso cuidar de voc 
agora, como nenhum homem jamais cuidou antes. - Ele estava se aproximando. - Eu a 
tratarei como uma rainha, Gayle. Voc ser uma rainha... no ter de ser uma puta 
comigo...
- No sou uma puta! - berrou ela. - E fique longe de mim!
Mas Scrafield estava em cima dela, levantando os braos.
Gayle desferiu um golpe com a mo aberta, tentando acert-lo no rosto. Mas ele 
segurou-a pelos pulsos, baixando as mos para os lados do corpo. Manteve-as 
comprimidas contra as coxas, respirando em cima de sua boca contorcida.
- Sabia que voc no passa de uma putinha? Trepou com todos os homens que seu 
cafeto lhe mandou. Posso provar isso. Posso provar que trepava todos os dias. E agora 
vou lhe dar a oportunidade de trepar com um homem de verdade, que sabe como tratar 
uma puta...
Ele soltou-lhe os pulsos. Antes que ela pudesse se desvencilhar, ele agarrou-a pelos 
ombros. Arrastou-a para o lado da cama e empurrou-a para baixo, de costas. 
Desesperada, ela tentou escapar, mas Scrafield golpeou-a com os punhos cerrados, 
deixando-a semi-inconsciente, gemendo.
Jamais desviando os olhos dela, ele tirou o palet, tirou as calas e a cueca. Sua ereo, 
que Gayle contemplou horrorizada, saltou para a frente.
Os dedos de Scrafield engancharam no suti, arrancaram
no. As mos enormes desceram para o elstico da calcinha. - No, no, no... - suplicou 
ela.
Gayle tentou se levantar e resistir, mas ele acertou-a na
cabea com um murro, tornando a derrub-la na cama.
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nao Ela tentou mantel a nas e ab hu asscoma as mos fortes. coxaS Scrafield segurou 
suas pernas Ela tentou resistir, mas a fora descontrolada do reverendo
era muito superior  sua.
Por um instante, ele saboreou a extenso dos plos pbi
cos, cobrindo a elevao vaginal.        para
Pegou a ereo com uma das mos, preparando-se penetrlae foi nesse instante que os 
dois ouviram um estalido metlico na sala de estar.
No podia haver qualquer da frente sendo abe ta chave girando na fechadura, a p
- Paul! - berrou Gayle, com toda a fora de que era capaz. - Socorro, Paul!
Ao som de entrava correndo no quarto Num segundo,
quanto Brandon entrava        ou em ci
ma        percebeu o que estava acontecendo e se jog
ma de Scrafield.
Agarrou o reverendo pela        agarganta, mas Scrafield des
vencilhou-e, com suas oder
i        berrou Brandon, segu
- Seu filho da puta nojento. -
rando o reverendo pela da cabe ca e jogando o no chocertando um soco no lado        e ou o 
telefone, e ligou para a
Gayle rolou na cama, p elo fone:
Central de Polcia, gritando p
- Emergncia! Estupro! Ele ainda est aqui! Chame a
policial Chame a policial
Ela estava gritando seu endereo, , engieldto Brandon de
saparecia na sala de estar,
Ali, levantando-se, meio nu, Scrafield esperava pela in
vestida de Brandon.        ela sala, derruban
do        dois se atracaram, esmurrando-Britandoe do mesinhas e abajures, grunhindo e g 
Eles circularam pela sala, interminavelmente, golpeando
um ao outro com toda fora, s veles certando, outras er
rando, mas brigando sem qualquer p
Embora ofegante, Scrafield, melhor treinado, mais for
te, comeou a recuperar o controle.
Viu o homem mais jovem at acert u ulm d eto,zcom tovou-se, aparando o golpe, depois
        283

da sua fora, no queixo de Brandon, que baixou os braos e cambaleou para trs. 
Scrafield atacou, os punhos martelando o rosto j sangrando de Brandon.
Brandon caiu de joelhos, atordoado.
Scrafield acertou um chute em sua cabea, derrubando-o no cho.
Sem perder mais tempo, Scrafield levantou as calas, enquanto cambaleava para a porta.
Abriu-a no instante em que dois homens em uniformes azuis saltavam de uma 
radiopatrulha e subiam correndo pelo caminho.
Os dois guardas agarraram-no pelos braos.
- Espere um instante, companheiro! - gritou-lhe o
guarda mais alto. - Onde pensa que vai? - Eu... eu...
Scrafield descobriu que no conseguia falar.
- Recebemos a informao de que houve um estupro aqui - disse o outro guarda.
- O estuprados est l dentro - balbuciou Scrafield. - Pois ento vamos entrar e ver... - 
No! - berrou Scrafield, tentando se desvencilhar.
.e se voc no quiser, vai direto para a delegacia - arrematou o guarda mais alto.
Scrafield percebeu nesse instante que o outro guarda puxara suas mos para trs e o 
algemara. Ele ficou inerte, desistindo de qualquer resistncia.

No inicio da manh seguinte, quando o promotor pblico Hoyt Lewis entrou na sala de 
recepo de seu gabinete, encontrou o dr. Freeberg, assim como Gayle Miller e um 
jovem que ele no conhecia, j  sua espera. Lewis parou, formulando um pedido de 
desculpas.
- Desculpem acord-los to cedo, mas achei que era importante que nos reunssemos 
antes que o dia se torne muito ocupado. Por favor, vamos para a minha sala.
Eles se levantaram, e Gayle, que estava segurando a mo do jovem, disse:
- Sr. Lewis, este  meu namorado, Paul Brandon. Importa-se se ele entrar conosco?
284
- Claro que no - respondeu Lewis, muito afvel.
Depois que todos estavam em sua sala, ele gesticulou para que sentassem e instalou-se 
em sua cadeira giratria. Olhou para Gayle e' disse:
- Lamento muito o que aconteceu ontem  noite, srta. Miller. Deve ter sido terrvel.
- E foi mesmo - afirmou Gayle, em tom brusco. - Tive sorte que Paul... Paul Brandon... 
chegasse naquele momento. O que vai acontecer com aquele horrvel pregador?
- Falaremos sobre isso daqui a pouco. Antes, tenho outro assunto a tratar.
Lewis pegou sua pasta, ajeitou-a nos joelhos, abriu-a e tirou dois manuscritos.
- Sabe o que  isto? - ele perguntou a Freeberg. -  um dirio, duas cpias de um dirio, 
feito por um paciente durante a terapia. Foi a base para que eu o processasse e a srta. 
Miller. Quer saber quem escreveu este dirio e nos entregou?
- Quem foi? - indagou Freeberg.
- Um paciente da srta. Miller chamado Chet Hunter.
- Chet Hunter? - repetiu Gayle, incrdula. - Mas ele no podia, no faria...
- Ele fez - declarou Lewis.
- Filho da me! - murmurou Brandon.
Lewis levantou a mo, num gesto apaziguador.
- Ele no  o nico culpado. Teve a idia,  verdade,
mas fui eu... com o apoio do reverendo Scrafield... quem lhe
deu o sinal para ir em frente e executar a operao traioeira.
Com esta prova nas mos, determinei a priso de vocs.
Gayle estava furiosa.
- O que vai acontecer conosco agora? Vai mesmo nos
levar a julgamento?
- Isso tambm pode esperar um pouco, se no se im
porta - disse Lewis. - Antes de responder, preciso saber de
uma coisa.
Ele inclinou-se por cima da mesa, entregou uma cpia do
relato de Hunter ao dr. Freeberg e outra a Gayle Miller, antes
de acrescentar:
- Gostaria que os dois lessem o dirio de Chet Hunter
285

e me informassem se sua descrio da terapia de suplente sexual  acurada.
- Um momento, por favor - protestou Freeberg. - Se esta  a prova contra ns e deseja 
que a confirmemos, eu quero que meu advogado esteja presente.
- No vai precisar de seu advogado, dr. Freeberg. Tem a minha palavra de que qualquer 
coisa que diga no ser usada contra o senhor. Tudo o que quero  que leia e me diga se 
o relato  acurado. - Lewis levantou-se. - Darei alguns telefonemas da sala de minha 
secretria. Estarei de volta dentro de meia hora.
Hoyt Lewis saiu e s retornou  sala meia hora depois, indo sentar de novo atrs de sua 
escrivaninha. - E ento? - perguntou ele.
- A parte a meu respeito, sobre a minha participao,
e perfeitamente acurada - respondeu Freeberg.
Gayle ps sua cpia em cima da mesa.
- Ele tambm reproduziu com preciso a parte a meu
respeito.
- Obrigado - agradeceu Lewis. - Agora vou explicar por que os chamei aqui. Quando li 
pela primeira vez o relatrio de Hunter, foi de maneira apressada e com muito 
preconceito. Estava apenas procurando a prova para um caso sensacional, no a 
verdade. Ontem  noite, antes do chefe de polcia me telefonar para comunicar o 
violento ataque do reverendo Scrafield  srta. Miller, comecei a mudar de idia sobre a 
narrativa de Hunter.
- Como assim, sr. Lewis? - perguntou Freeberg.
- Para ser franco, senti-me envergonhado de mim mesmo, de meu papel em toda esta 
histria. Hunter deveria ser nossa principal testemunha contra vocs. Mas ele ficou to 
comovido pelo que a srta. Miller fez para ajud-lo que recuou e saiu do caso. Eu estava 
disposto a recuar tambm. Mas quando Scrafield sugeriu procurar pessoalmente a srta. 
Miller, apresentando-lhe uma proposta estapafrdia, eu concordei com o plano. Depois 
que Scrafield foi embora, comecei a me sentir apreensivo com toda a histria. Foi 
quando reli o relato de Hunter sobre a terapia... e desta vez reli com toda ateno. Tive 
uma percepo melhor do trabalho de vocs, uma
compreenso maior dque e ~  farde demais Ele j estava mar Scrafield de volta,
        J
em sua casa, srta. Miller.
Hoyt Lewis fez uma pausa.
- Mais uma vez, quero dizer que lamento muito o que
aconteceu ontem  noite. Assumirei opinio l sobre ao que se deve fazer
isso, creio que devem dar com o reverendo ar sobre o futuro de vo s. Mas, antes,
do, passaremos a
como vou me encontrar ~ m ele, f dr~Freeberg,esrta~ Mihora ller, o que querem que eu 
faa
sr. Brandon? O que se deve fazer com o reverendo Scrafield.
Durante dez minutos, depois que o dr. Freeberg, Gayle Miller e Paul Brandon saram, o 
promotor pblico Hoyt Lewis permaneceu sentado em sua sala, sozinho, esperando pelo 
pr


ximo visitante. Olhou para porta no instante em que foi aber
ta, e o reverendo Jos
Lewis esperava qe tamento agressivos como umtatve empertigada e um 
comportamento ma inocente. No ficou surpreso ao constatar que a p de Scrafield era 
exatamente a que p
- Estou contente que tenha podido me receber - disse
Scrafield, a ao Se levantou par aocumpr ment lo e no ofere-s movimentos Lewis nao
ceu a mo para u ao pado dal mesa e esperou que Scrafield se ra a cadeira vazia
instalasse, antes de falar:
- Eu queria ser o primeiro a Ihe dizer isto: Scrafield, voc no passa de um estpido 
idiota.
A compostura do reverendo no foi abalada.
- Escute aqui, Hoyt, a histria  muito diferente.
- Li o registro da ocorrncia. Tive uma longa conversa
com as duas te        lmente que tenteie estupra-laBno  mes- No pensa re rea
mo? - Claro que no. Voc estava apenas querendo dizer que
lamentava atorment-la.
- Tem de ouvir o meu lado da histria.
287
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Hoyt Lewis acenou com a cabea.
-  por isso que voc est aqui, Scrafield. Para que eu possa ouvir a sua verso antes de 
prende-lo.
Ignorando a ameaa, Scrafield empertigou-se e, com a ansiedade to bem conhecida dos 
espectadores de seu programa de televiso, comeou a apresentar sua defesa numa voz 
cativante e melodiosa:
- Hoyt, quero que me escute com toda ateno e imparcialidade. Voc pode no 
acreditar, mas fui procurar Gayle Miller com a nica inteno de cumprir a misso que 
combinramos. No instante em que apresentei a proposta, a Srta. Miller perdeu a 
cabea, reverteu a seu tipo vulgar. No apenas recusou com veemncia, mas tambm 
passou a nos insultar, com as invectivas mais srdidas que j ouvi. Imagino que eu no 
deveria esperar nada melhor de sua parte, mas a verdade  que esperava e fiquei 
consternado, para dizer o mnimo.
Scrafield fez uma pausa, observando o promotor, para avaliar o efeito de seu relato. Mas 
o rosto de Hoyt Lewis no deixava transparecer qualquer reao. Scrafield apressou-se 
em continuar:
- Quando compreendi que no conseguiria coisa alguma com ela, resolvi ir embora. 
Estava me preparando para sair quando a vagabunda mudou de ttica. Comeou a se 
comportar de maneira provocante. Estava quase nua e se oferecendo para mim. Eu lhe 
disse que se comportava como uma prostituta, e que isso de nada adiantaria. Ela se 
aproximou e murmurou: "Tenho uma idia melhor, se voc quiser conversar a respeito." 
Ela me levou para o quarto... claro que eu deveria prever o que aconteceria a seguir... e 
disse que no seria testemunha do estado contra Freeberg, mas poderia fazer outra coisa. 
Disse que tinha uma contraproposta. Se eu pudesse convencer voc a livr-la, ela me 
daria uma trepada grtis, por conta da casa. Pode estar certo de que fiquei atordoado...
Hoyt Lewis interrompeu-o:
- No acredito em voc, Scrafield. No acredito em nada do que est me dizendo. Se ela 
estava lhe oferecendo uma trepada por conta da casa, por que brigava com voc quando 
o namorado apareceu? Por que chamou a polcia? E como
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a polcia encontrou voc a sair correndo de l, ainda prendendo as calas?
A compostura do reverendo Scrafield ficou um pouco abalada.
- Hle        namorado        c
est de onluio com
vagabunda mentirosa, e seu ela.
Hoyt Lewis avaliou Scrafield com frieza.
- Em suma, quatro pessoas mentiram, enquanto apenas voc est dizendo a verdade.
- Pelo amor de Deus, Hoyt, no vai aceitar a palavra dessa sem-vergonha contra a 
minha, no  mesmo? Voc mesmo concordou que ela era uma prostituta...
- E estava enganado, redondamente enganado, desde o incio, admito isso agora o 
bemelenvolvnte com as pessssoas. nheo que voc fala fDesde o comeo foi bastante 
ambio Issoamesmo, eu me de
minha nica fraqueza
a la
xei ser atrado        quando o mandei1falarocorn Gayle Miller
la
mentar plenamente ontem  noite. Tenho gostar q
Voc pode nao gue ela faz com os homens, para
to.., .-mas  um talvez isso problema meu, nao de Gayle. Ela  treinada. ue ela faz  til
 honesta. Acredita no qurecisamade ajuda. No  absolutapara muitas pessoas que p
mente uma prostituta, e admitirei isso para ais fez uma breve
en
trevista coletiva que darei esta tarde. -
pausa para respirar. - Voc de Gayle par promolver nossas
tutas, tentando usar o co p
ambies. Estou disposto a confessar isso em pblico. Voc
tambm est?
- No h nada para confessar.
A obstinao de Scrafield deixou Lewis ainda mais irri
tado.
- Scrafield, voc no passa de um hipcrita nojento e
foi apanhado com as calas ld assumiu seu tom persuasivo.
Mais uma vez, Scrafte
- No quero ir a julgamento, Hoyt. Mesmo que eu ven
289

cesse, estaria destrudo pelo resto da vida. Lewis sacudiu a cabea.
- Nunca pensei que diria isso para um clrigo... Scrafield, estou cagando para o que 
voc queira ou deixe de querer.
O tom persuasivo de Scrafield no se alterou.
- Hoyt, voc tem de demonstrar alguma bondade. Confessou uma fraqueza. Muito bem, 
estou disposto a confessar a minha. As vezes, como todos os seres humanos, eu sofro de 
luxria. - Ele se inclinou para a frente. - Hoyt, no se esquea de que estvamos juntos 
nisso. Voc me deve alguma coisa.
- No lhe devo absolutamente nada. Mas se acha que devo.., pode dizer o que deseja.
- Quero apenas que no me obrigue a ir a julgamento. Lewis fitou-o nos olhos.
- Voc quer que eu deixe um estuprados em potencial  solta em Hillsdale?
- Voc sabe muito bem que no sou um estuprados. Tive
uma aberrao fugaz, mas no sou um estuprados.
- Duvido muito que algum jri concordasse com voc. - Hoyt, farei qualquer coisa para 
evitar o julgamento. Lewis ficou em silncio por um momento, com uma ex
presso pensativa.
- Qualquer coisa?
- Isso mesmo, qualquer coisa.
- Talvez ento haja uma alternativa, que estou considerando apenas para poupar a 
cidade de um julgamento dispendioso e evitar a desiluso de seu rebanho. - Lewis 
tornou a ficar em silncio por um momento, imerso em seus pensamentos. - Estou 
disposto a retirar a acusao contra voc se deixar Hillsdale e o estado da California 
para sempre.
- Ora, Hoyt, isso equivale a me dizer que a alternativa  a guilhotina. Minha vida  aqui. 
Tudo o que tenho est aqui.
- Como quiser. Pode designar algum para cuidar de seus bens at sair da cadeia.
Scrafield baixou os olhos para o tapete. Assim ficou por
algum tempo. Quando levantou a cabea, disse sem rodeios: - Vai retirar a acusao de 
estupro se eu deixar a cidade? -  esse o conselho que lhe dou.
290
- No tentar me trazer de volta?
- Para ser franco, no quero ve-lo nunca mais. Voc poder reconstituir sua vida em 
qualquer outro lugar, desde que no sej na minha jurisdio. Devo dizer que essa 
alternativa no  idia minha. Chamei as duas testemunhas, junto com o dr. Freeberg, 
para ouvir suas histrias. Depois, perguntei o que achavam que eu deveria fazer com 
voc. Eu era favorvel a mete-lo na cadeia. O dr. Freeberg achou que isso era o melhor. 
O namorado de Gayle, Brandon, era de opinio que voc deveria ser pendurado pelos 
colhoes. Gayle foi mais caridosa. Sugeriu que voc fosse exilado. Achava que seria 
punio suficiente. Demonstrou alguma compaixo. Disse que conhecia os homens. 
Sabia que muitos estariam dispostos a vender suas almas, renunciarem a qualquer coisa, 
para terem sexo com uma mulher cobiada. Compreendendo isso, Gayle estava disposta 
a perdoar e esquecer. Ela  uma verdadeira crist, enquanto voc no passa de uma 
fraude. Por isso, atenderei  sugesto de Gayle.
Scrafield suspirou. Parecia mais um grasnido.
- Bom... acho que no tenho opo, a no ser aceitar.
- No tem mesmo opo... e s dispoe de 48 horas para arrumar suas coisas e deixar a 
cidade.
- Est certo, Hoyt. -- Scrafield balanou a cabea. - Farei isso.
No adiantava resistir.
Tinha de fazer o que lhe era ordenado, sair da frente de Hoyt Lewis. Mas, ao se 
levantar, Scrafield sabia que a histria ainda no chegara ao fim. Ainda no estava 
disposto a dei
xar a cidade.
Tinha um problema inacabado para resolver. Uma raiva
intensa o agitava. Gayle Miller e Paul Brandon, os dois haviam
no liquidado. Scrafield no acabara com eles. Um dos dois
teria de pagar.
E pagaria.
Essa era sua obsesso quando virou as costas ao promo
tor e saiu da sala, em busca de sua vingana.

Como era uma tarde quente e ensolarada, e como o jornal da manh anunciara a 
iminente entrevista coletiva do promotor
291

pblico Hoyt Lewis, que prometia ser um tremendo escndalo, uma considervel 
multido reuniu-se no prdio municipal de Hillsdale.
Seis degraus largos desciam das portas de vidro do prdio para um terrao de concreto 
largo, com dois semicrculos de sebes nos lados. No centro do terrao havia um 
pequeno palanque, com um microfone, ligado ao sistema de altofalantes. A esquerda 
havia quatro fileiras de cadeiras dobrveis, j ocupadas por reprteres, de toda a 
California e de outros estados do Oeste. Por trs deles havia cmaras de televiso e 
representantes de emissoras de rdio, carregando seus microfones e gravadores 
portteis.
Descendo do terrao, mais 12 degraus largos iam at a calada e a rua. Ali estavam pelo 
menos uns duzentos cidados curiosos, derramando-se pela rua, mantidos em ordem por 
meia dzia de guardas uniformizados, postados  sua frente.
A entrevista coletiva fora marcada para as duas horas da tarde.
Exatamente um minuto antes das duas horas, o promotor pblico Hoyt Lewis emergiu 
do saguo do prdio e desceu bem devagar para o terrao.
Observando-o, Tony Zecca deslocou o peso do corpo de um p para outro, inquieto, na 
segunda fileira de espectadores. Era o momento que Zecca aguardara com uma sombria 
satisfao. Era evidente que a entrevista coletiva fora convocada para anunciar que o 
safado do dr. Freeberg seria levado a julgamento por uma acusao criminal. Muito em 
breve Freeberg estaria fora do caminho, e depois de passar uma temporada na cadeia 
provavelmente seria forado a deixar Hillsdale. Zecca teria ento Nan Whitcomb de 
volta, s para si. Ele pensou no reencontro e na reconciliao. Especulou se primeiro 
deveria punir Nan de alguma forma, antes de aceit-la de volta, como uma lio, ou se 
deveria ser magnnimo e perdo-la por seu capricho. Por enquanto, ele tendia para a 
segunda alternativa. Significaria uma trepada melhor na primeira noite em que ela 
voltasse  sua cama
Mais uma vez, Zecca concentrou sua ateno no promotor, que chegara ao palanque e 
estava ajustando o microfone para a melhor altura.
292
Antes de comearo de rleconhecer v rias pe soaou ao re
dor e teve a impr        erscrutou a multido, Distrado por um instante, Zecca p
procurando Nan. unasreverbleraes do microfone l em Ouvindo as p q        romotor. cima, 
Zecca tornou a concentrar sua ateno no p
Hoyt Lewis finalmente comeou a falar:
- Convoquei esta entrevista coletiva com uma inteno
diferente. Desde entbraram a alterarr oc on edo do meu nhecimento que me        g
        evist
, mas        oiS
pronunciamento. Pensei la ecer olassuntore naoape mirpque resolvi realiz-la para esc
falsos rumores circulem.        cornufli "Como muitos noti ca de quebmeu, gabinete inic 
ou uma
cao divulgaram a
investigao de um novo estabelecimento mdico que foi fun
dador em nossa iume'siclogo lcenlciado, especialista em
e diretor        p        Ele usa parceiros problemas sexuais, o dr. Arnold Freeberg.
substitutos ou suplentes sex Ta~s~T  s pessoans a seus nfel - minino... para orientar e 
da
zes pacientes.
"Depois de uma investigao preliminar de suas ativida
des, cheguei  concluso de que o leis ddo e t do sobe lenocnio
tes sexuais haviam violado as e prostituio.
"Como alguns aqui j be e utma de suas suplentes seteno do dr. Arnold Fre        g
xuais.
"Desde ontem, porm, outros fatos que antes eu ignora
v reendi que ram as co meu prisoes
preendi hav am s do um er o tamentveL Um erro meu. Talvez eu teneU mpenho para 
manter esota cidade neira precipitada, em m
limpa e em ordem.        ue o dr. Free
"Seja como for, estou agora convencido de q
berg e suas assistentes realizam ssot desejo declararaque nem
as a  idadesado dr.nFreebergonem as atividades de suas su
as        293
plentes sexuais se enquadram em nossas leis contra o lenocnio e prostituio. Assim, as 
acusaes contra eles foram retiradas.
"No posso encerrar esta entrevista coletiva sem apresentar um pedido de desculpas 
pblico ao dr. Arnold Freeberg.
O promotor virou-se e levantou a mo para chamar algum que estava parado l em 
cima, na entrada do prdio. O dr. Freeberg desceu para juntar-se a Lewis. Sorrindo, o 
promotor apertou a mo do terapeuta.
- Dr. Freeberg, quero reconhecer em pblico o desservio que lhe fiz e neste momento 
pedir desculpas ao senhor e sua equipe.
O dr. Freeberg retribuiu o sorriso.
- Quero lhe agradecer do fundo de meu corao por seu esforo generoso para reparar 
um erro. Muito obrigado.
Acenando para a multido, entre alguns aplausos, o dr. Freeberg comeou a descer os 
degraus, para se juntar aos espectadores.
Depois de ouvir e ver o que acontecera, Tony Zecca estava imvel, o rosto vermelho de 
raiva.
O que ocorria diante de seus olhos era o maior crime que j testemunhara.
Furioso, quase fora de si de tanta raiva, Tony Zecca s sabia de uma coisa.
Justia... era preciso fazer justia.
A mo direita de Zecca estendeu-se para o volume no bolso do palet.
E se faria justia.

Foi Paul Brandon, na primeira fila da multido, quem primeiro percebeu que havia 
alguma altercao ocorrendo  sua esquerda.
No momento em que o dr. Freeberg se aproximava do ltimo degrau, um homem baixo, 
forte, atarracado, visivelmente frentico, empurrou para o lado dois espectadores na fila 
da frente e se adiantou, levantando a mo direita.
Brandon ficou horrorizado ao perceber que a mo empunhava um revlver preto.
Talvez outras pessoas tambm tenham visto o que estava
294
acontecendo, porque soaram alguns gritos, e depois uma mulher berrou, em voz 
estridente:
- No! No faa isso, Tony!
A mo estava apontando a arma, o dedo puxava o gatilho.
A arma disparou, uma, duas, trs vezes.
Aparentemente, foi rl        cambaleoulnas pernas verberg. Ele levou as mos ao peito,
ntou garam, caiu para abeirada pelosltrdgdeg aos restantes        a se levantar e depois
calada.

Antes que Brandon pudesse se juntar aos que j cerca
vam o dr. Freeberg, uma u em sua direoagarrando-o pelo tido, avistou-o, cambaleo
brao.

- Paul, detenha-o. - gritou ela. - Tony! Foi ele!
- Enquanto Paul virava a crome puid dol Ele est louco! -
cada, Nan acrescentou:        ssa de
espectado Brandos foi sas1pessoas para
aos lados at che
res chocados, empurrando
gar a uma rea aberta. Avistou Zecca.
Ele estava vinte metros  sua frente, fugindo pelo meio
da rua.
- L est ele. - gritou Brandos para o guarda mais pr
ximo, apontando.
Mas Brandon percebeu nesse instante que dois outros
guardas j estavam correndo atrs de Zecca.
Olhando para trs, Zec        le antou a arma e ati
do. Ele parou abruptament , virou-Se, contra os guardas.
Em sua precipitao Zecca errou os tiros.

,
Os dois guardas, agachando-se, responderam ao fogo cuamais cuidado e uma preciso 
mortfera. Um, dois, trs, quatro
das b tiros foram disparados contra a itando0, depoistele caiuacolevantou-o para o ar, os 
braos g
mo uma boneca de trapos, ficou os dois guardas        in_
Quando Brandos alcanou-O, sobre o corpo, examinando-o. Eles sacudiram a ca
bea.
- Como ele est. - Perguntou Brandos.
295

- Morto - respondeu o primeiro guarda a se emperti
gar. - Um cara maluco, nao  mesmo?
- Completamente doido - concordou Brandon.
Dez minutos se passaram antes que Brandon voltasse 
base da escadaria, onde a multido se abrira para dar passa
gem  ambulancia.
Paramdicos haviam colocado o dr. Freeberg numa maca, levando-o para a ambulancia.
Brandon compreendeu que Gayle o encontrara de alguma forma, estava agora 
abraando-o, chorando descontrolada. Ele apertou-a e tentou descobrir o estado de 
Freeberg.
- Como ele est, Gayle? Vai viver?
- No sei... Ele parece muito mal.
296
A sala de reunio dos mdicos no terceiro andar do Hospital Central de Hilisdale estava 
ocupada pelos jornalistas,  espera do primeiro boletim sobre o estado do dr. Arnold 
Freeberg, que fora levado para a sala de cirurgia, depois de baleado por Z~cca.
Aps circular entre seus novos colegas por algum tempo, Chet Hunter decidiu deixar a 
vigilia da imprensa e voltar  sala de espera dos visitantes, na outra extremidade do 
corredor. J estivera ali antes e fora apresentado aos outros por Suzy e Gayle. Agora, 
sentindo que tinha um relacionamento com o pessoal mais chegado ao dr. Freeberg, ele 
estava voltando  sala de espera.
Aproximando-se do centro cirrgico, com um aviso de PROIBIDA A ENTRADA na 
porta, ele viu trs pessoas sentadas em cadeiras dobrveis, no outro lado. Reconheceu 
duas delas, a esposa do dr. Freeberg, Miriam, e o filho, Jonny. Havia tambm um 
homem de meia-idade, bem vestido. Hunter calculou que era o antigo colega de quarto e 
atual advogado do dr. Freeberg, Roger Kile. Ao passar, Hunter sentiu-se tentado a 
interromp-los para saber se j havia alguma notcia. Kile falava em voz baixa com a 
sra. Freeberg, e por suas expresses angustiadas, Hunter compreendeu que aquele nao 
era o momento de abord-los. Receberiam as notcias primeiro, e depois as pessoas na 
sala de espera seriam imediatamente informadas.
XII
297
A entrada da espaosa sala de espera, Hunter parou por um instante, esquadrinhando-a. 
Todas as cadeiras de vime e os dois sofs estavam ocupados, o aparelho de televiso 
num canto se achava desligado. Despercebido, Hunter analisou os seus ocupantes. 
Sentados em cadeiras, ao lado de um sof, um homem e uma mulher estavam absortos 
em conversa. Ele sabia que eram Adam Demski e Nan Whitcomb. Junto deles, no sof, 
estavam Paul Brandon, Gayle e sua Suzy Edwards. Por um instante, Hunter concentrou 
sua ateno em Brandon e Gayle. Brandon tambm era suplente sexual, como Gayle. E 
os dois eram muito chegados, segundo Suzy. Era estranho que dois suplentes 
namorassem firme, pensou Hunter. Como seria possvel? Ser que antes faziam todos os 
exerccios e carcias? E provvel. Ou talvez no. De qualquer forma, refletiu Hunter, eu 
poderia escrever outros fascinantes artigos envolvendo os dois, dando seqncia a esse 
caso para o Chronicle algum dia.
Os olhos de Hunter continuaram a examinar a sala. L estavam as outras suplentes 
sexuais, que j conhecera. Com sua excelente memria, pde recordar os nomes: Beth 
Brant, Lila Van Patten, Elaine Oakes e Janet Schneider. Todos ali pareciam angustiados, 
e muito preocupados com o destino do dr. Freeberg.
Hunter resolveu ir falar com Suzy.
Ele cruzou a sala de espera e foi postar-se  sua frente. Inclinou-se para beij-la e fitou-a 
com uma expresso inquisitiva.
- Alguma noticia?
- Ainda no - respondeu Suzy. - Ouvi uma enfermeira comentar que pode demorar ainda 
mais meia hora. Depende do lugar em que a bala est alojada.
- Vamos cruzar os dedos - murmurou Hunter.
- Tenho certeza de que eles o salvaro, Chet. Deus no permitiria que um homem assim 
morresse.
- Que Deus oua suas palavras - disse Hunter. - Acho que ficarei por aqui mais algum 
tempo. Quero ter uma conversa em particular com Gayle, se voc no se incomoda.
- Sabe que no me incomodo.
Hunter deu dois passos para o lado e ficou na frente de
Gayle Miller, sentada no sof. randonrou de falar, no meio
de alguma coisa que dizia        Hunter,        I,
- Importa-se de eu interromper? - perguntou
dirigindo-se 'a Brandon. - Posso uma conversa em particular
guns minutos? Eu gostaria
de
com ela.        por em- No se esquea de que a est levando apenas p
prstimo - comentou Brandon, em tom jovial.
Hunter estendeu ans dois d~umurmurou Hunt levantar. $ uma coisa entre um 
laboratrio vazio ao lado. Parece um lugar seguro pa
ra conversarmos.
- Est bem.
Hunter levou GaYI ep esti ulou paa, que ela ntrasseppri
ta do laboratrio vazio g
melro.        de f Ele tirou dois bancos sentar nume e urn in calou se noo ro,
prximo, ajudou Gayle em frente a ela.
- Eu queria trocar        coispalavras com voc, Gay e,
antes que acontea qualquer
- Pode falar, Chet.        essoa que me
- Sabe que Suzy  minha namorada, a p
encaminhou ao dr. Freeberg.
- Foi uma surpresa e tas rios adoramos        - Vo~
ce  um cara de sorte. Todoque - Eu tambm adoro.   aelaaeu continuada a ser o ria 
lhe falar. Se no fosse por        elo outro
de
sastre que sempre fui. O amor que sentimos u        lo o dr.
 muito forte, e foi ela quem me encorajou a procurar Freeberg. Quando Suzy me f voc 
e aboutras suplentes gs xuais,
esta
va acontecendo por l, sobre esqueci qual era o seu verdadeiro completamente
ciar tudo. Foi quando fiquei - Onde est querendo chegar, Chet?
Ele engoliu em seco.        riso e do dr. Freeberg.
- Sou o responsvel por sua p
- Eu j sabia disso. O promotor nos mostrou seu dirio.
Hunter sacudiu a cabea.
299
298

- Lamento muito, Gayle. Sinto sinceramente. No pretendia fazer mal a voc ou ao dr. 
Freeberg. No estava pensando no que poderia acontecer. No era capaz de imaginar 
aonde minhas maquinaes poderiam levar, S pensava em mim mesmo e no meu 
futuro imediato. Fui vtima de uma ambio desmedida. S podia ver a oportunidade de 
ter uma viso interna da clnica e sua operao, de investigar o dr. Freeberg e suas 
suplentes sexuais, porque sabia que a reportagem me daria o emprego de reprter no 
Chronicle de Hillsdale. - Ele fez uma pausa. - Eu estava absorto demais em subir na 
vida.
Gayle balanou a cabea.
- Isso acontece s vezes com todo mundo.
- Depois de ler o relatrio, Suzy ficou furiosa e incutiu um pouco de bom senso em 
minha cabea-dura. Por sorte, ela encontrou algumas clulas do crebro que ainda 
continham um pouco de decncia e moral. Ela me fez compreender o trabalho srio que 
vocs esto desenvolvendo... e eu queria he dizer isso e pedir o seu perdo.
- Tudo j foi perdoado h muito tempo. - Gayle sorriu para Hunter. - Voc me viu como 
eu realmente sou... e o que eu sou, Chet?
- Um anjo da guarda.
- Ora, pare com isso. - Gayle saiu do banco. - Sabe o que realmente sou? - Ela abriu a 
porta do laboratrio. - Sou algum que sabe usar o mtodo do aperto.
Hunter soltou uma risada.
- O anjo do aperto.
- Isso mesmo - disse Gayle, deixando o laboratrio.

Paul Brandon estava arriado no sof, com o cachimbo apagado na mo, desejando poder 
fumar, quando viu Gayle retornar  sala de espera. Observando-a, ele admirou mais uma 
vez sua graa felina e tornou a desej-la.
Levantou-se de um pulo quando Gayle chegou perto, voltou a sentar no sof junto com 
ela.
- Alguma notcia? - perguntou Gayle. - Ainda no.
- Oh, Deus, faa com que ele fique bom!
300
Brandon acenou com a cab er queria lhe do corredor. f alar?
- Sobre o que Chet
- Confisso. Expiao. Purificao da alma. Che radec
apenas que eu soubesse que ele est f tou Bra don nos ol nd do a mim, voc sabe por 
qu. -
.r O que voc ficou faidademinha alguma mais7bo ta? Observando
as outras suplentes  procura p
.- Como soube? Para dizer a verdade, de Lila. justamente
o que eu estava fazendo. Olhe s para as pernas para ser franco, prefiro mulher de 
pernas mais cheias, como
as suas.
- Seu animal...
Brandon ficou srio.        Ele sentava No fundo, eu estava escutando ocupavam as cadeiras
tava de costas para Nan e Demski, q
num lado do sof. Indicou-os com s e ulavent eles seriam
baixando a voz ao acrescentar: - p        seriam
muito tmidos para fazerem contato depois de serem ap
tados.
Gayle olhou alm de Brandon.
-  evidente que eles no To tao meia hoassiA ando - Observou-os durante a p
ficaram sentados lado a lado corno dois ndiosa.eEla dezra?
Eu estava perto quando Nan se
gum comentrio sobre o tempo.
Gayle continuou a observar os dois.        mais. Sobre
- Agora eles esto falando que no param
o que estaro conversando?        Seria bom
- Talvez sobre ns.        sugeriu Gayle. -
- Talvez sobre si mesmos - se pudssemos ouvir.        erto de
Nan Whitcomb aproximara ode falar sem que e ara o outpros ouAdam Demski, a fim de 
p        no me
vissem.
- No - ela estava dizendo, em voz baixa -+        um -
importo de lhe contar como cheguei recomendouaoo. dr. F Eu tinha reeberg. o Ti que 
eles e
problema, e um mdico chamam de vaginismo.
301
Demski, aturdido, repetiu em silncio a palavra. - O que  isso?
- Espasmos musculares na rea vaginal que tornam o intercurso sexual difcil e 
doloroso.
Demski corou.
- Eu... ha... eu acho que nunca ouvi falar a respeito. Como... ha... aconteceu?
- Pode ter muitas causas, segundo o dr. Freeberg - explicou Nan. - Uma delas pode ser 
devido a experincias ruins com homens. No meu caso, foi uma experincia horrvel 
com um homem chamado Tony Zecca.
Demski manteve-se impassvel por um momento e depois pareceu se lembrar do nome.
- No  o sujeito que atirou no dr. Freeberg? Lamento que ele tenha sido morto.
- Pois eu no lamento. Zecca era um animal e muito perigoso.
- Por que ele fez uma coisa to terrvel?
Nan ficou em silncio por um momento.
- Posso explicar o motivo. Talvez eu no devesse, mas... - Pode me contar.
- Vivi com Tony por algum tempo, no muito. Foi horrvel. Ele me causava uma dor 
fsica to grande, que fui procurar um mdico. Assim  que fui encaminhada para o dr. 
Freeberg. Consegui ento compreender que h homens decentes no mundo e resolvi 
abandonar Tony. Simplesmente deixei-o. Talvez ele tenha pensado que eu havia fugido 
com algum amante. E, no sei como, descobriu minha ligao com o dr. Freeberg. Deve 
ter deduzido que o dr. Freeberg era meu amante... ou pelo menos que foi o responsvel 
por eu te-lo abandonado. Tony no estava acostumado a isso. Era muito possessivo. 
No sei o que aconteceu em seguida, mas acho que Tony decidiu matar o dr. Freeberg 
para se vingar. - Nan deixou escapar um suspiro. - Sinto-me responsvel pelo que 
aconteceu ao pobre dr. Freeberg.
Espontaneamente, Demski afagou o antebrao de Nan, mas logo retirou a mo 
bruscamente.
- No foi culpa sua - garantiu ele. - Se o dr. Freeberg pudesse, seria o primeiro a lhe 
dizer isso.
302
Nan tornou a suspirar.
- Talvez voc tenha razo. O dr. Freeberg  um homem
maravilhoso. - Ela fitou Demski nos olhos. - O que o le
vou a ele?' Ou no devo perguntar?
- Voc foi franca comigo, e no me importo de contar.
- O pomo-de-ado de De ski se mexee t- Eu... eu sou de eu sou... Chicago... um 
contador... Nan tocou em sua mo.
- No precisa me contar...
- Impotente - concluiu Demski, para logo depois acrescentar, apressado: - Mas estou 
curado agora. Graas  minha suplente.
- Isso e maravilhoso. Quem foi sua suplente.
Num gesto discreto, Demski apontou para Gayle, senta
da no sof.
- Gayle Miller? - Nan olhou para a atraente morena.
- No e de admirar que beleza esteja curado. Eu daria qual
quer coisa para ter su
- E voc tem - balbuciou Demski, engolindo em seco.
- E... at mais bonita.
- Sabe como lisonjear uma mulher.


- Estou falando srio. Quem foi seu suplente?


Nan levou um dedo aos lbios e depois, com o polegar,
indicou Brandon, tambm no sof. Demski observou Bran
don e sussurrou:
- Ele parece um artista de cinema.
- Ele  muito simptico, mas acho que  muito mais f
cil conversar com um contador Degt eVZ ela ohou e olhou


parece urn artista de cinema. -

para a porta. - Quando ser que teremos alguma noticia so
bre o dr. Freeberg?
Cinco minutos depois uma enfermeira apareceu na sala de es
pera e anunciou:
- O cirurgio est vindo para c.
Ela desapareceu.
Houve um silncio imediato na sala, todos os olhos se con
centraram na porta.        magro, de culos, ainda
Segundos depois, um mdico alto, mag
303

usando a touca e a tnica verdes, surgiu na porta, flexionando os dedos.
Avanou alguns passos pela sala de espera.
- Sou o dr. Conerly, o cirurgio-chefe do hospital. Lamento t-los feito esperar tanto, 
mas as noticias que trago compensam a espera. O dr. Freeberg est bem, no poderia 
estar melhor, levando-se em considerao o que passou.
Foi como se houvesse um suspiro de alvio coletivo. O dr. Conerly continuou:
- O dr. Freeberg acaba de deixar a sala de cirurgia. Ficar na unidade de tratamento 
intensivo por algum tempo, at termos certeza de que sua recuperao  completa. Sem 
entrar em detalhes clnicos, posso dizer que o ferimento do dr. Freeberg no chegou a 
ameaar sua vida. Foi muita sorte que a bala tenha se alojado sob a clavcula esquerda, 
sem atingir o corao ou o pulmo. No houve danos a qualquer rgo vital. 
Removemos a bala na cirurgia. No h danos permanentes, no h danos mais graves 
alm do trauma. Ele ficar internado por alguns dias, apenas por precauo. Se tudo 
correr como esperamos, acredito que ele poder voltar ao trabalho... s que num ritmo 
menor por algum tempo... dentro de dez dias. Todos vocs podem agora relaxar e ir para 
casa.
Os visitantes comeavam a se levantar, quando o dr. Conerly indagou:
- A srta. Miller e o sr. Brandon esto aqui?
Gayle e Brandon avanaram em sua direo, e o mdico explicou:
- Gostaria de conversar com vocs dois por um momen
to, antes de irem embora.
O dr. Conerly esperou-os na porta.
- Tenho um recado do dr. Freeberg para vocs. Ele me pediu para avis-los que fez uma 
reserva para esta noite no Mario's Gardens, s oito e meia. Como ele no poder ir, 
pediu que vocs dois convidassem os outros e servissem como anfitries. 
Compreenderam?
- Compreendemos e faremos o que ele nos pediu - disse Gayle.
- Ah, sim... o dr. Freeberg tambm me pediu para lhes
304
dizer outra coisa: "Tenham um grande jantar Tom Jones."


Boa sorte.
Depois que o mdico foi embora, Brandon olhou para
Gayle, aturdido.        grande jantar Tom Jones? - Que histria  essa de um g elo seu e 
disse:
Ela piscou-lhe, passou o brao p - Voc vai descobrir.
Aps supervisionar a retirada dos ltimos mveis, o reveren-obs


car do Josh Scrafield puri a caminho        oseleva ~a para o

regadores porem
depsito, onde ficariam  espera das ordens que enviaria e


St. Louis.        ara ver se Darlene Young Esquadrinhando a rua em vo, p
retornava, Scrafaerecolher alguns dos seus pertencesepessoais
va
zios e comeou
de pequeno volume.        porta da frente ser aberta passados dez minutos ele ouviu a po

e foi apressado para a sala, a fim de ter certeza de sacode
mesmo Darlene de volta. Ela carregava um p q
papel pardo : Et o        a - d sde eta. Da Loja de Fer- Aqui es que quen


ragens Hanover. us emproegados.Charles mes Charles, um dos s
que apenas esse saco.
- Do que est falando?
Darlene chegou mais perto de Scrafield.
- Ele me forneceu algumas informaes que eu ignora
va. Disse que dois guardas noite porrtentar estuprar uma das que voc foi preso ontem 
sexuais bsurdo e ersg
- Mas que a
se? - explod u Scrafield. - Es- me fazer
pro tupro? Isso  demaisE rostituta ord nria~ Ela tentou me
postas indecorosas        P
culpar, e fui preso por engano. No est me vendo aqui? sto
significa que a priso foi mesmo um erro.        esta - Ento por que e pmelho ~do que ta s 
uao que te
- Recebi uma oferta
nho aqui. No se preocupe. Voc at vai ter um aumento. J
305

arrumou tudo para ir comigo?
Darlene deu de ombros.
- Um emprego  um emprego.
- E no se esquea disso.
Scrafield tirou do saco um vidro pequeno, contendo um lquido amarelado. Comeou a 
abrir a tampa.
-  melhor tomar cuidado com o que est fazendo - alertou Darlene. - Isso e cido 
sulfrico. Se cair na pele, pelo que me disse o empregado da loja de ferragens, pode 
deixar a pessoa desfigurada pelo resto da vida. - Ela hesitou. - Para que precisa de cido 
sulfrico?
-  o melhor limpador de ralos que existe. E quero que a nossa nova casa seja bem 
limpa. E agora j chega de conversa. Vamos embora. Voc guia. - Scrafield fez uma 
pausa. - Gostaria que fizesse uma rpida parada, enquanto samos da cidade. Conhece 
um restaurante chamado Mario's Gardens?
- Todo mundo conhece.
- Pois ento pare l por um minuto e me espere. Tenho de falar com algum l dentro, 
antes de deixar a cidade. - Como quiser.
-  assim que eu quero - resmungou Scrafield, encaminhando-se para a porta da frente.
Eles embarcaram no Buick de Scrafield. Darlene sentou ao volante e esperou que o 
pregador se acomodasse ao seu lado. S depois  que partiu.

A mesa redonda que eles ocupavam no Mario's Gardens ficava perto da pista de dana.
Como anfitries, Brandon e Gayle dominavam o grupo. Num lado deles sentavam Nan 
e Demski, no outro Hunter e Suzy; a stima cadeira, destinada ao dr. Freeberg, fora 
removida.
Eles terminaram os drinques e as saladas italianas. Um ajudante tirou os pratos, e dois 
garons se aproximaram e serviram os pratos principais, todos de massa.
Observando Gayle enrolar o espaguete em torno do garfo, Brandon comentou:
- Voc ainda no me explicou uma coisa.
306
- O qu?
- O significado de um jantar Tom Jones.

- Muito bem, vou faze-lo agora. Lembra daquele filme antigo, Tom Jones? Tinha uma 
excelente cena onde o heri e a herona, que comiam juntos, tiravam comida dos pratos
um do outro e se fimti o, as suplentes sexuaissdesde o~noo filme. Por algum

cio do tratamento, adotaram essa cena como uma espcie de ritual de formatura.
- Por qu? - indagou Brandon.

- Porque h uma ligao muito grande entre comida e

sexualidade. O que estamos fazendo aqui esta noite  apenas
simblico de urn verdadeiro r ocorre Tom ltima ss sesso entre su

Jones, quando p g
plente e paciente. Ambos pegam a comida com os dedos, no

falam. Do de comer No  uma sessa

sexual, mas  muito saudvel. Uma maneira de desfrutar intimidade e se despedir. Pode 
haver alguma conversa,  claro. A suplente e o paciente reconstituem seu 
relacionamento ntimo, o que correu bem, o que foi ruim, o que foi engraado, o que foi 
triste, o que podem fazer para que
as coisas sejam n cio,  pontos altos dos dias que fi a am

e o nervosismo no i        que talvez nunca para trs. Enquanto conversamos, sabemos q

mais vejamos um ao outro, mas o que experimentamos juntos nunca nos ser tirado, 
enquanto vivermos. Conversamos sobre a concluso de nosso relacionamento e como 
nos prepara
mos para novos relacionamentos, sempre mantendo uma viso agradvel da maravilha e 
riqueza da vida. Proporcionamos pra
zer um ao outro pela troca de comida e lembranas. Em termos frutsse simblicos, era 
isso e Portanto, vamos apro eitarsao mxi
mos esta noite, juntos. nosso jantar Tom Jones.

Gayle levou o garfo cheio de espaguete  boca de Brandon, que ps na boca, mastigou e 
engoliu. Depois, ele espe


tou um pouco de fettuccine e serviu G emesa. Mastigando, ela correu os olhos pela - 
Todos vocs devem fazer o mesmo. Chet, alimente


Suzy e deixe que ela o alimente. Nan e Adam, faam a mesma 307

coisa. Vo descobrir como  divertido.
Todos se empenharam no ritual, e minutos depois comearam a conversar, recordando 
os melhores e os piores momentos da terapia, todos concordando que naquela noite 
sentiam-se felizes e exultantes.
Pouco depois o conjunto de cinco msicos comeou a tocar. Gayle e Brandon 
perceberam que Suzy e Hunter j estavam na pista de dana, enlaados. Nan e Demski 
estavam se levantando, de mos dadas, com expresses sonhadoras, para irem danar 
tambm.
Por algum tempo, Gayle e Brandon continuaram senta
dos, os dedos entrelaados, observando em silncio os dois ca
sais, que danavam na sala um pouco escura.
- Quer danar tambm? - perguntou Brandon. Gayle sacudiu a cabea.
- Quero apenas ficar com voc e sair daqui o mais depressa possvel.
- E o que eu tambm quero - respondeu Brandon.

Darlene e Scrafield pararam diante das trelias cobertas por trepadeiras do Mario's 
Gardens.
- Chegamos - disse Darlene. - E agora?
- Voc fica me esperando aqui, estacionada em fila du
pla, com o motor ligado. Voltarei num minuto.
Ao entrar no restaurante, Scrafield abordou o maitre de
cabelos cheios de gomalina no saguo.
- Estou  procura de uma pessoa que veio jantar aqui esta noite - disse Scrafield. - Srta. 
Gayle Miller. Ela est na mesa do dr. Freeberg.
- Pois no... - O maitre comeou a se afastar, depois parou por um instante. - Quem 
devo anunciar que deseja falar com ela?
- Diga que  o sr. Lewis. Ela sabe quem sou. Avise que tenho algo para lhe dar.
Observando o maitre se afastar, Scrafield sorriu para si mesmo. Estava se tornando 
eficiente em sua capacidade de usar os nomes e vozes de outras pessoas. Quando bolara 
o plano, telefonara para a secretria do dr. Freeberg, dissera que era Otto Ferguson e 
queria saber onde poderia encontrar Gayle
308
Miller. A secretria informara que o dr. Freeberg reservara uma mesa no Mario s 
Gardens para aquela noite, e que Gayle

Miller l estaria.
Fora muito fcil. E agora ali estava ele, usando o fome

de Hoyt Lewis como isca.
Scrafield apalpou o vidro com cido s lf i o que o trazia que

no bolso. Depois que desse a Gayle o q
ela merecia, a mulher ficaria parecendo s Fantasma atrado de novo ra, ainda pior. 
Nenhum homem jama
por aquela prostituta.        asso atrs
Nesse instante repara aquele rosto bonito, os quadris re

bolando - estava Gay        ara cuidar
O maitre apontou para Scrafield e virou-se p
de suas reservas. Aturdida, Gayle aproximou-se de v o fazer -. O homem disse que era 
o sr. Lewis. O q
aqui?        asso  frente.
Scrafield deu um p        ara que nunca mais - Eu queria lhe deixar uma coisa p q
me esquecesse.

- Como assim?

Scrafield enfiou a mo no bolso para moto levantava. o vidro de ci

do sulfrico, abrindo a tampa

Com o vidro aberto na mo, ele ergueu anar o cido.
apontando para o rosto de Gayle, prestes        ara derramar

Quando seu brao comeava a se inclinar, p        or trs,
gcido em Gaylet de Scrafield dobroult e o vido aberto olpeando-o. O brao        rosto.

se virou para o seu prprio
O cido sulfrico despejobertae0 cido teve o f o~erScrafield, por sua boca entrea
rvel de um lana-chamas. ScTrafdesesper se a arranhar a tesa,

as faces, a boca, gritando en        por paul. Ao mesmo tempo, Gayle gritou p

Enquanto o maitre se ajoelhava Gaylesolhava para o
ago

ra se contorcendo e gemendo

rosto dSooura srta. Young, assistente do reverendo Scrafield - disse Darlene, 
calmamente, observando Brandon chegar p 3

ra tomar Gayle nos braos. - Tive a impresso de que ele veio at aqui para se vingar, 
srta. Miller. E agora  ele quem est desfigurado.
-  melhor sair daqui antes da polcia chegar - alertou-a Brandon.
Darlene sacudiu a cabea.
- No. Quero contar  polcia o que aconteceu. - Ela sorriu, amargurada. - Lamento ter 
estragado o jantar de vocs. - Houve uma pausa. - Mas talvez, no final das contas, isso 
no tenha acontecido.

Trs horas e trs conhaques depois Brandon estava levando Gayle para casa, guiando 
com cautela.
Ao virarem a esquina e se aproximarem da casa, ele olhou para Gayle, aconchegando-se 
contra seu corpo. Passando o brao por ela, Brandon perguntou:
- Como se sente?
- Recuperada, Paul. Nunca estive melhor. - Poderia ter sido horrvel.
- Mas no foi. Mal me lembro do que aconteceu. S recordo de uma coisa. Voc 
esqueceu de me oferecer uma sobremesa.
- No esqueci, no. Pensei apenas que deveria ser urna sobremesa Tom Jones. Algo para 
partilharmos juntos, em sua casa. Aprova?
Ela apertou a mo de Brandon, por cima da sua. - O que estamos esperando?

Gayle estava enfiando a chave na fechadura quando Brandon comeou a tirar sua suter 
preta e depois baixou o zper da saia comprida.
Abraaram-se na sala de estar, mergulhada na semiescurido, depois se separaram, 
sempre em silncio, comearam a despir um ao outro.
O brao de Brandon pelos ombros dela, o brao de Gayle pela cintura dele, os dois 
avanaram descalos para o quarto, iluminado apenas por um abajur.
Foram para o lado da cama. Brandon levantou-a e estendeu-a de costas na cama, 
gentilmente, depois ajeitou-se a
310
seu lado, os corpos fazendo contato.
Ele passou osdedos mo por sua barriga.
pela boca
de Gayle, en
quanto ela, corria corria
- Paul...
- O que e?
- Eu... eu espero que voc no se importe... mas como
o dr. Freeberg no est olhando... ser que podemos abreviar
as carcias?
- Quer que eu quebre as regras?
- Nada de regras esta noite, por favor. Nada de pacien
tes. Apenas voc e eu, um para o outro. No tempo nosso. E
apaixonados. Por isso, vamos...
Ela abriu be        Paul. Completamente 1pronta.r
-        E voc ...
Estou pronta, - Tambm estou.
- Vai ser maravilhoso - balbuciou Gayle.
Ele penetrou-a, devagar, bem devagar, cada vez mais fun
do.
A vagina estava mida
abrao ansioso B
baixo, ainda devagar.
- Ahn... - gemeu Gayle. - Eu amo isso.
- Eu amo voc.        por algum tempo, at que Eles continuaram, firmemente, p
as mos de Gayle agarraram suas costelas, forando-o a ir ain
da mais devagar.
- Paul... - O que e?
- Voc fala quando faz amor? - As vezes. Talvez. No sei.
- Eu falo, Paul. Falo bastante.

- Isso  timo.
- Porque quase no falo com os pacientes. No devemos.


- Sei disso.        quero dar - Mas agora estamos s ns dois, sozinhos, q vazo a todas as 
minhas sensaes. Talvez tambm...

- O que , querida?
- ...porque estou  ~e sentiraembara1ada~Almcd ssorn c, que isso me impede
- Alm disso o qu?
311

- Eu... espero que voc no se incomode se eu fizer barulho. Gosto de me soltar.
- Pode se soltar. Eu tambm farei isso.

- Ahn... bom.., bom... Mais depressa, Paul, mais de

pressa, no to devagar, mais depressa.

Ele acelerou os movimentos, para baixo, para cima, ca

da vez mais depressa.
- Paul...

Ele mal podia ouvi-la, a cabea de Gayle se deslocando muito rpido no travesseiro, de 
um lado para outro, a plvis mexendo.
- Paul...
- O que ? - balbuciou ele.
-- Sabe que a mulher leva uns 15 minutos a mais para gozar do que o homem?

- Ouvi falar.
- No  o meu caso, Paul.

- No?
- No. Eu fiquei pronta muito mais depressa... talvez to depressa quanto voc... voc se 
importa? - No posso esperar.

Por mais alguns minutos eles ficaram perdidos um no outro, numa fuso total, 
desaparecida toda e qualquer noo de tempo.
-- Oh, Paul...

- O que , querida?

-- Estou quase gozando. Tudo o que preciso e... -  o qu?

- Que voc esfregue meu clitris com um pouco mais de fora... No, no assim, eu no 
estava pensando em sua mo. Quero que seu corpo esfregue o clitris ao entrar e sair...

- Assim?

Ele segurou-a pelas ndegas e levantou-a. Comprimindo-se um contra o outro, eles se 
acariciaram.

- Assim... assim.., est bom... assim... -- Maravilhoso... - murmurou Brandon.
E eles continuaram, comprimidos, as respiraes ofegantes.
- Paul...
312
- Querida?
- ...aqueles livros, os romances, em que os heris e heronas vo para a cama, quase no 
fim ela se pe a gritar "Mais, mais, mais:.. no pare... com mais fora, por favor". Voc 
conhece?
- O que... o que h com eles?
- No so falsos, no  fantasia,  verdade, os livros so realistas. Eu sei.
- Sabe o qu?
-  tudo verdade... e vou provar... - Silncio, rompido apenas pelas respiraes 
ofegantes, os corpos se contorcendo. E, depois, um clamor emergiu do fundo dos 
pulmes de Gayle. - No pare... mais, mais, mais... com mais fora, por favor, com mais 
fora...
Brandon estava ofuscado pelo suor, o peito arfando, os braos tremendo, tinha a 
sensao de enlouquecer dentro de Gayle. Ela o apertava desesperadamente, o corao 
martelando, a respirao irregular, as unhas lhe arranhando a carne, a plvis comprimida 
para cima.
- Oh, Deus, Paul, estou gozando, estou gozando, estou...
Ela gritou palavras incompreensveis e depois, ofegante, balbuciou:
- Gozei...
Ele no podia ouvi-la. Estava entrando em erupo den
tro dela, uma erupo prolongada.
- Gozei - repetiu Gayle, a distncia.
- Eu tambm gozei, querida - murmurou Brandon. -
Como nunca antes.
Lentamente, eles se separaram. Brandon descaiu para o
travesseiro ao lado, os cabelos desgrenhados dos dois se en
contrando. Depois de um longo intervalo para recuperar o equi
lbrio, Gayle virou a cabea para fit-lo.
- Ei, por onde voc andou durante toda a minha vida?
Os dois se abraaram e aps algum tempo estavam mer
gulhados num sono profundo.
Brandon acordou primeiro, pouco depois das nove horas da manh, a cabea 
desanuviada, os msculos relaxados, descan
sado.
313
Virou a cabea no travesseiro para verificar se Gayle ainda dormia. Ela estava com os 
olhos fechados, um dos seios  mostra, descoberto pelo lenol, em repouso.
Percebendo que estavam cobertos, Brandon calculou que ela devia ter acordado durante 
a noite para ajeit-los melhor.
Contemplando o suave perfil de Gayle, ele foi inundado pela lembrana feliz da noite 
anterior. Especulou se ela tambm, ao despertar, experimentaria a mesma sensao 
sensual decorrente do ato de amor.
Enquanto a observava, viu as plpebras de Gayle adejarem. Depois de um momento, ela 
abriu os olhos. Parecia saber onde estava, com quem estava, porque procurou-o no 
mesmo instante. Descobriu-o a contempl-la com afeto, com tanto amor, que contraiu 
os lbios e estendeu-lhe os braos.
Brandon aceitou o abrao, comprimiu a boca contra a sua. Seus beijos foram descendo 
pelo pescoo, alcanaram o seio, ele contornou o mamilo com a lngua.
- Sei muito bem o que eu gostaria de fazer antes do desjejum, querida - sussurrou ele.
Gayle estendeu a mo por baixo das cobertas, entre suas pernas, segurando-o.
- Acho que tambm sei o que gostaria, Paul...
Ele pegou a beira das cobertas e puxou-as de cima de Gayle. E nesse momento a paixo 
foi interrompida pelo ressoar de uma trovoada distante. Ou um rudo que parecia to 
alto quanto uma trovoada.
Era o telefone na mesinha-de-cabeceira, tocando com insistncia.
- No precisa atender - disse Brandon. - Desta vez no pode ser o dr. Freeberg.
- Mas s pode ser alguma coisa importante. Ningum liga a esta hora se no for 
importante. Preciso atender, Paul.
Ela tirou o fone do gancho e trouxe para o ouvido. Escutou por um instante e disse:
- Isso mesmo, aqui  Gayle Miller.
Ela escutou mais, e por sua expresso concentrada e sua metade da conversa, Brandon 
chegou  concluso de que, no final das contas, era mesmo algum importante, falando 
de um assunto importante.
314
- Oh, mas e maravilhoso! - exclamou Gayle.
Ela encostava o fone no ouvido com toda fora, e sua expresso era agora de prazer 
inequvoco.
-  a melhor notcia do mundo que eu poderia ouvir - disse ela. -  muita gentileza se 
darem ao trabalho de me telefonar. Estou muito emocionada. Aguardarei com a maior 
ansiedade a correspondncia e todos os detalhes. E pode apostar que estarei a. Mil 
vezes obrigada, dr. Wilberforce.
Gayle desligou e virou-se na cama. Levantando os braos, soltou um grito de alegria, o 
rosto se desmanchando num sorriso de felicidade.
- Escute s isso, Paul! Era o chefe da comisso de admisso do programa de ps-
graduao em psicologia da Universidade da California. Vo me enviar uma carta 
comunicando que entre mais de quinhentos candidatos ao Departamento de Psicologia 
este ano eu fui um dos sessenta alunos aceitos. E tambm recebi uma bolsa de estudos... 
de um ano, integral! Eles foram muito gentis para me telefonarem e avisarem, sem 
esperar pela carta. No  fantstico?
Ela baixou os braos e enlaou Brandon, apertando-o. Ele beijou-a.
- Meus parabns, querida.  realmente fantstico.
- Terei agora de parar de trabalhar como suplente, por mais que deteste suspender essa 
atividade, para me dedicar totalmente aos estudos. Vai ver s... serei outra Freeberg, 
mais cedo ou mais tarde.
-- Tenho certeza disso.
Brandon inclinou-se para tornar a abra-la, mas ela o manteve afastado, inclinando a 
cabea para um lado, obser
vando-o atenta, muito sria.
- E voc, Paul, deve ser tambm. Precisa se formar em
psicologia. Poderamos estudar juntos, ter nossa prpria cl
nica. Poderamos trabalhar juntos e amar juntos. O que po
deria ser melhor? Voc deve fazer isso, Paul. Precisa tentar.
Brandon sorriu-lhe.
- J fiz.
- Como?
- Depois que conheci voc, Gayle, compreendi que teria de concluir o curso de 
psicologia... era isso o que eu que
315

ria. Tratei de me candidatar, preenchi todos os formulrios
e rezei.
- E o que aconteceu?
- Minhas preces foram atendidas. Recebi o aviso preliminar de aceitao na semana 
passada.
- Seu filho da me! No me disse nada! E eu me preo
cupando com seu futuro!
- Eu no podia lhe contar, Gayle. Precisava ter certeza
de que voc seria aceita. Porque se no fosse, eu teria de retirar meu pedido de matrcula 
e fazer qualquer outra coisa jun
to com voc. Graas a Deus, no preciso de uma bolsa de estudos. Guardei dinheiro 
bastante para sobreviver.
Ela segurou o rosto de Brandon entre as mos.
- Parabns para voc tambm, Paul! - Gayle cobriu-lhe
o rosto de beijos. - Agora estou realmente na nuvem nove. Ele cobriu-lhe os seios com 
as mos.
- J pensou em tentar a nuvem dez?
- Estou comeando a pensar seriamente na possibilidade neste segundo.
A campainha da porta tocou.
- Quem poder ser? - murmurou Gayle. - Pode deixar que eu atendo.
Brandon levantou e saiu do quarto. Na sala, pegou as calas no cho e vestiu-as, depois 
foi at aporta da frente e abriu-a
Um mensageiro estava ali, segurando um buqu de rosas
amarelas.
Ele entregou o buqu a Brandon, que assinou o recibo.
Fechando a porta, com as rosas na mo, Brandon atravessou a sala e voltou ao quarto.
Gayle estava de joelhos na cama, curiosa. - Flores... quem ter mandado?
- No sei - respondeu Brandon.
- Estou vendo um pequeno envelope preso numa das hastes. Chegue mais perto.
Ele obedeceu, e Gayle pegou o envelope.
- Est endereado  Srta. Miller e ao sr. Brandon. Vamos descobrir quem mandou... - 
Ela rasgou o envelope e ti
rou um carto. Leu-o em voz alta: - "Passamos a noite juntos e conseguimos. Foi divino. 
Queremos agradecer a vocs dois
316
por tornarem isso possvel. No sabemos o que teremos peia frente, mas, a noite 
passada... foi maravilhosa!"
Gayle cerrou os olhos ao ler o que estava no final do carto e engoliu em seco. Levantou 
a cabea.
-- Est assinado: "Nan e Adam."
Brandon largou o buqu de rosas.
- Gayle, diverso e jogos podem ser coisas timas para eles. Mas no para mim. Quero 
casar com voc.
- Quando?
- No me apresse, mocinha. Primeiro, um pouco de amor pr-conjugal, minha ltima 
incurso pelo pecado. Depois, ovos com bacon. E voltamos para a cama, at o jantar. 
Depois, um pouco de amor noturno. Estaremos prontos ento para dormir. Quando 
acordarmos, poderemos casar. Ou voc tem alguma outra idia para hoje... e para o 
resto de sua vida?
- Apenas voc, Paul. Para sempre.
Ele subiu na cama e foi para junto de Gayle. Abraou-a, a fim de iniciar o primeiro dia 
da Eternidade.
317
ma revista feita s de livros
nteramente ~rts para voc
Noticias da.
-  ce nm
Um agradecimento
Dos numerosos suplentes sexuais que me prestaram ajuda - foram nove no total, seis 
mulheres - quero agradecer a duas em particular, que tornaram este livro possvel.
Quero agradecer a Maureen Sullivan, a mais conhecida e a mais ocupada de todas as 
terapeutas sexuais femininas. Quero tambm agradecer a Cecily Green, a competente e 
objetiva coordenadora de treinamento da Associao Internacional de Suplentes Sexuais 
Profissionais.
Essas duas merecem todo o crdito pela acurcia neste romance. Por outro lado, quero 
ressaltar que elas no so culpadas dos poucos momentos em que usei a liberdade do 
autor para me afastar um pouco dos fatos, a fim de tornar possvel uma obra de fico.
Irving Wallace
uau n        tmutA dr sw usru,
t4FORrO! -Meteba q liwas em c3
e pega, a peal, cwi sea Cxtio de Gedita
FAA HOJE MESMO A SUA ASSINATURA
Faa o seu PEDIDO DE ASSINATURA e passe a fazer parte do seleto nmero de 
pessoas que recebem inteiramente grtis em sua casa, a mais importante revista sobre 
livros publicada no Brasil.
Cada nmero da revista Notcias da Record vem repleto de notcias e comentrios sobre 
os mais recentes lanamentos e reedies consagradas de livros para voc ler ou 
presentear.
E quando comear a recebe-la em casa, sem pagar absolutamente nada por isso, voc 
poder escolher confortavelmente os livros que deseja adquirir. Uma variedade incrvel 
de ttulos distribudos em suas pginas nas sees CARRO-CHEFE, BESTSELLER, 
OBRAS-PRIMAS INTERNACIONAIS, CLSSICOS DE NOSSA LITERATURA, 
alm das sees de no-fico como AUTO-APERFEIOAMENTO, ESOTERISMO, 
VIDA NATURAL, DIETA E BOA FORMA e APERFEIOAMENTO SEXUAL.
